Naqueles tempos, Spielberg (de quem já escrevi aqui)e Kubrick (mencionado de passagem aqui) imaginavam que o grande salto da IA seria fazer máquinas que se comportassem como seres humanos. No longa, David (Haley Joel Osment), um menino-robô programado para amar incondicionalmente sua mãe, Frances O'Connor, é adotado por um casal cujo filho biológico está gravemente doente. Quando o menino se recupera, porém, David passa a ser visto como uma ameaça e é abandonado.
Da ficção dos anos 2000 à IA Generativa de hoje
Vinte e cinco anos depois, aconteceu algo um pouco diferente. A IA Generativa que temos hoje consegue conversar, escrever, traduzir, programar, analisar imagens, produzir música e raciocinar sobre problemas complexos. Mas está longe daquilo que é central para David: consciência, sentimentos ou desejo próprio.
Ironicamente, o filme "AI" foi lançado no ano de 2001, que remete ao título de "2001 - Uma Odisseia no Espaço", que Kubrick produziu em 1968, a partir de livro de Arthur C. Clarke, e revolucionou o mundo da ficção científica. Não se sabe se isso foi proposital ou apenas coincidência.
A passagem do bastão: De Kubrick para Spielberg
Kubrick não quis filmar "AI", apesar de ter adquirido os direitos do conto nos anos 1980, porque a tecnologia da época não permitiria que pusesse suas ideias nas telas. Com o lançamento de "Jurassic Park", de Spielberg, em 1993, Kubrick considerou que a computação gráfica havia atingido o nível adequado às suas intenções.
Mas, em vez de ele próprio rodar, ofereceu a Spielberg, porque acreditava que o colega iria imprimir o tom de humanidade que achava necessário ao robô David, dado o tratamento que o diretor imprimira a "ET - O Extraterrestre", de 1982.
Kubrick, diretor de clássicos como "Dr. Fantástico" (1964), "Laranja Mecânica" (1971), "O Iluminado" (1980) e "Nascido para Matar" (1987), entre outros, considerava a história sentimental e humanista demais para o seu estilo caracteristicamente frio, analítico e filosófico.
Em 1995, Spielberg não aceitou dirigir a obra, envolvido que estava em outros projetos. Após a morte de Kubrick, em 1999, a família do diretor e o produtor Jan Harlan procuraram Spielberg para que ele concretizasse o projeto. Spielberg aceitou e dirigiu o longa em 2001 usando o tratamento de roteiro, os esboços conceituais e as anotações deixadas por Kubrick, dedicando a obra à sua memória.
Aquecimento global e o alerta climático do filme
O longa ainda trata de um assunto que hoje está cada vez mais na ordem do dia: o aquecimento global. No enredo de "IA", a trama se passa no Século XXII (logo ali), quando o fenômeno climático provoca aumento do nível do mar, inundando cidades costeiras e tornando a vida mais difícil. Assim, nações mais desenvolvidas criaram robôs humanóides (Mecha) para desempenhar vários papéis na sociedade.
Para quem ainda não viu, está na Netflix. Quem já viu, vale rever!
(Obs.: Algumas informações deste texto foram obtidas com ajuda da IA, mas o coração dele é meu...rs)
Assista o trailer clicando aqui.
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