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BLOG POR BLOGA
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O Barquinho Cultural
sexta-feira, 6 de março de 2026
Flora Purim chega aos 84 anos
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Minha vinilteca (5): "Atlantic Blues: Guitar"
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
O contexto da compra
Como já mencionado aqui, em meados dos anos 1980 eu estava fissurado pelo violão. E, por algum motivo que me foge agora à lembrança, comecei a ouvir blues-raiz. Este LP veio atender plenamente a meus propósitos: guitarristas de blues em gravações originais e antológicas!
O disco foi adquirido em 4 de julho de 1987 (a coincidência com o 'Independence Day' dos EUA é mera coincidência). Não me lembro em que loja, mas à época era comum se encontrar bons discos em magazines como Mappin, Jumbo-Eletro, Mesbla.
Pode ter sido em uma delas, ou em especializadas como Merci, Museu do Disco, Bruno Blois... Não sei. A capa traz apenas um selo ('Dê Discos de Presente'), com um símbolo que não consigo identificar.
A coleção "Atlantic Blues"
Detalhes técnicos & conteúdo
Dizem os fundadores no texto do encarte que eles foram os pioneiros na gravadora a difundir o "blues guitar". À época, dizem, não era comum os guitarristas de jazz gravarem o gênero desenvolvido no sul dos Estados Unidos.
Faixas & músicos
Disco 1
Disco 2
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
"O Dom" estreia na Nova Brasil FM
A música "O Dom", composta por Juliana Lima em 2006 e que nomeia seu quarto álbum, de 2007, entra nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2025, na programação da rádio Nova Brasil FM (em São Paulo, a 89,7 MHz no dial, mas pode ser acessada online aqui).
"Foram 15 anos esperando este momento chegar. Quinze anos insistindo para que isso desse certo de alguma forma. É um sonho realizado, de verdade. A gente nunca sabe como as coisas vão ou não reverberar, mas, quando se tem um sonho, só existem três caminhos: desistir, abandonar ou persistir", comemora Juliana.
Ela persistiu. Explico. Ou melhor, ela explica: a música, como dito, foi gravada em 2007 e se tornou uma das mais pedidas nos vários shows que Juliana apresentou pelo Brasil e fora dele. É também uma das canções mais regravadas dela. Há versões no CD seguinte dela, "Aquariana", em português e espanhol, em forró, gravado pelo Beijo de Moça, seu trio do ritmo nordestino, e por aí vai.
Mas as rádios a ignoravam peremptoriamente: "Em 2010, conheci um divulgador de rádio que levou a música, pela primeira vez, à Nova Brasil FM. Na época, a rádio não quis tocá-la, alegando que a gravação não estava muito boa. A partir daí, comecei uma verdadeira saga", relembra a cantora e compositora.
Em minha opinião, faltou aos programadores das rádios fazer o que Juliana recomenda na canção: "Pare, pense, ouça e... sinta"...
Ok, após algum tempo, a caitituagem deu resultado: outra obra dela, "Que Seja Leve", do álbum "Esperança", de 2021, entra na programação daquela rádio, e depois também na rádio Alpha FM (101,7 MHZ). Depois, foi a vez de "Temporal", do mesmo disco, tocar na emissora paulistana especializada em MPB.
Agora é a vez desta versão 2025 de "O Dom" (clipe na abertura desta postagem) entrar na rádio 20 anos depois de vir à luz. Essa gravação tem produção e arranjos de Jeff Pina, músico que deixou suas digitais em trabalhos de Chitãozinho e Xororó, Alceu Valença, Gaby Amarantos, Mart'nália, Roberta Miranda, Tiago Iorc e Anavitoria.
Para saber mais sobre Juliana Lima, siga-a nas redes sociais ou leia neste blog textos a seu respeito que publiquei: é só clicar em cima do título para acessar (não se esqueça de comentar):
Juliana Lima canta a saudade e a fé em dias melhores
Juliana Lima mescla MPB e rock em novo single, “Bem Mais”
Juliana Lima lança DVD “Aquariana” com show no Ao Vivo
Juliana Lima comemora 20 anos de carreira com show no Parlapatões
sexta-feira, 21 de novembro de 2025
Minha vinilteca (4): "Solo", de André Geraissati
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
O contexto da compra
Em meados dos anos 1980, eu resolvi estudar violão, porque adorava (e adoro) música e queria aprender a tirar um som decente do Di Giorgio Bel Som 36 que comprei do Tony, colega do banco em que trabalhávamos.
Passei a frequentar a Catedral dos Músicos e das Artes e ter aulas com Fernando Deghi, mas de violão clássico, o que significava começar do zero, treinar os dedos para os arpejos, ler partituras e um dia, quem sabe, poder tirar sem passar vergonha um "Blackbird" no pinho...
Bem, acabei desistindo, mas a paixão por música e pelo violão não diminuiu, e não perdia a oportunidade de assistir a algum concerto e shows de músicos populares e de comprar discos de violonistas de todas as matizes. Assim acabei conhecendo André Geraissati, paulistano nascido em 7 de setembro de 1951 e morto em 19 de novembro de 2025.
O álbum duplo "Solo" eu comprei em 8 de agosto de 1987, depois de assistir a algum show do músico, não me recordo onde, mas certamente em algum teatro do Grande ABC, onde morei até o ano 2000. Ou vi o show depois da compra do disco, já não consigo me lembrar.
O que me surpreendeu na obra é a sonoridade singular, fruto, além da qualidade dos ótimos violões Martin, das afinações nada ortodoxas que André elaborava, na busca de tirar o instrumento do lugar comum.
Apesar do encarte mostrando as afinações e tons de cada música, evidentemente jamais consegui reproduzir de longe aquele som. Nem que fosse com a trivial afinação EADGBE (Mi, Lá, Ré, Sol, Si Mi).
Sobre o músico
André começou a carreira no Grupo D'Alma, trio de violonistas do qual fez parte de 1979 a 1985, junto de Ulisses Rocha, Ruy Saleme, Mozart Mello e Cândido Penteado (em diferentes formações).
Paralelamente às atividades com o trio, André, entre 1982 e 1985, apresentou-se com o multiinstrumentista fluminense Egberto Gismonti, com quem dividiu os palcos nas turnês "Fantasia" e "Cidade Coração".
A partir de 1985, seguiu carreira solo, tendo, contudo, lançado seu primeiro LP individual, "Entre Duas Palavras", em 1982. O segundo, "Insight", de 1985, foi o primeiro disco gravado no Brasil em sistema Super Áudio. Em 1987 sai este álbum duplo "Solo". Em 1988, lança "DADGAD" e em 1989, "7989", títulos que se referem a afinações e cifras harmônicas.
Esses álbuns foram lançados no Brasil e no mundo pela Warner Records, e reeditados em CD em 2000 pelo próprio André por intermédio da Tom Brasil Produções Musicais.
Em 1988, participa da “Hot Night" do Festival de Jazz de Montreux e em 1990 grava o CD “Brazilian Image” ao lado do flautista Paul Horn, álbum que concorreu ao Grammy na categoria Jazz.
De 1993 a 1998, André dedicou-se a uma série de concertos e gravações reunindo todos os artistas envolvidos com música instrumental brasileira, cercando-os da melhor tecnologia possível: o projeto Brasil Musical.
Em 2000, lança o CD “Next”, com violão, dois teclados e uma moringa de barro, usada como percussão; em 2002, sai “Canto das Águas”, o primeiro Super Áudio CD da América Latina, pelo selo Cavi Records.
Em 2007 lançou o DVD "Zimbo Trio/Egberto Gismonti/Hermeto Paschoal" e, em 2008, o DVD "André Geraissati/Violão Solo". No dois anos seguintes, fez a Euro-Arab Tour, percorrendo com seu violão dezoito países da Europa, Oriente Médio e Egito.
Em 2017 fez, em São Paulo, três shows "Revival" do Grupo D'Alma, tocando todas as músicas de três discos com os violonistas Ulisses Rocha e Nelson Faria.
Foi diretor musical do festival de música instrumental Jazz Meeting desde a primeira edição, que teve a décima edição em abril de 2022.
Detalhes técnicos
"Solo", o primeiro álbum duplo de música instrumental brasileira, foi gravado em fevereiro de 1987 no estúdio Midi, em São Paulo, fabricado e distribuído pela BMG Ariola Discos. Lançado pela WEA, o disco foi produzido por André Geraissati, com direção artística de Liminha (Arnolpho Lima Filho).
Gravado pelo sistema PCM Digital, teve como técnico Afonso Villano Netto e corte de José Oswaldo Martins. A capa traz foto de um acrílico sobre tela de Alexandre Dacosta, com fotos de Paulo Vasconcellos e coordenação gráfica de Silvia Panella.
A capa interna traz texto de Zuza Homem de Mello, que, em determinado trecho, diz: "Depois de meses de estudo [...] ele conseguiu encontrar uma série de afinações originais, cada qual adequada a um tema seu, com as quais amplia notavelmente as possibilidades de timbres e extensões de seu violão".
André Geraissati é autor de todas as faixas, nas quais se acompanha ao violão folk Martin, com cordas de bronze do mesmo fabricante. As faixas marcadas com * têm títulos de Ana Cláudia Vasconcellos Queiroz, então sua esposa.
"Solo: A História do Primeiro Álbum Duplo de Violão no Brasil", um e-book do fotógrafo Marco André Briones, publicado em 14 de agosto de 2023, traz detalhes da criação do álbum, com depoimentos do próprio André. O trabalho também tem um ensaio fotográfico, com imagens de André e de seu violão.
As faixas
Disco 1
Lado A
1) Lobo
2) Flores De Fumaça *
3) Fogo Eterno *
4) Outono I
Lado B
1) Nana Naná (dedicada a Naná Vasconcellos)
2) Ausência * (dedicada a Marco Antônio Araújo)
3) Nogueira (dedicada a Paulinho Nogueira)
4) Lívia *
Disco 2
Lado A
1) África
2) Três Marias
3) Lenha *
4) Américas *
Lado B
1) Grãos De Areia *
2) Lâmina *
3) Pulsar *
4) Luz De Seda *
5) Outono II
6) Embrujo
Ouça a íntegra do álbum
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
Minha vinilteca (3): O Banquete dos Mendigos
MINHA VINILTECA
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
Em homenagem a Jards Macalé
Como o disco chegou a mim
O álbum duplo "O Banquete dos Mendigos" apareceu no apartamento onde eu morava com minha então companheira Joana em São Bernardo do Campo (SP), creio que por volta de 1991. Não sei quem o esqueceu lá, já estava na estante antes de me casar com ela. Quer dizer, imagino quem o deixou lá, mas não digo, sob risco de a pessoa querer de volta (risos).
À época não tinha muitas informações sobre o disco, além daquelas disponíveis na capa, contracapa e encarte. O repertório e os intérpretes, de primeira grandeza, me chamaram a atenção de imediato, assim como a ilustração da capa, uma reprodução da "Última Ceia" de Leonardo da Vinci (1452-1519). E também a tarja ao alto do canto esquerdo: "LIBERADO".
Eu me lembro de sentir uma certa angústia ao ouvi-lo inteiro na primeira vez. É um disco gravado ao vivo, com meus artistas preferidos de sempre, com plateia aplaudindo, gritando, mas não me pareceu clima de festa: era como uma impossibilidade de se irradiar alegria, dado o período de trevas em que foi gravado. E a voz forte do poeta e futuro imortal da ABL Ivan Junqueira lendo artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos acrescentava tensão ao clima.
O contexto de produção
Contava Jards Macalé (1943-2025) que, em 1973, ele estava duro e puto. Comendo da farinha do desprezo. Após dirigir em Londres o álbum "Transa", de Caetano Veloso, no ano anterior, e não receber os devidos créditos, e de seu LP homônimo de 1972 ser um fracasso de vendas, resolveu promover um espetáculo beneficente - em benefício próprio, bem entendido -, seguindo uma onda da época de se realizar shows para ajudar os artistas que enfrentavam a barra pesada da ditadura.
A ideia foi bem recebida e obteve adesões de nomes de peso como Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Edu Lobo, Gal Costa e de debutantes como Raul Seixas e Luiz Melodia. Agora faltava encontrar um local para as apresentações. Foi quando o então diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), Cosme Alves Neto, lhe contou que estava sendo organizada uma mostra em homenagem aos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e sugeriu que o espetáculo fizesse parte do evento. Jards topou na hora: farinha do desejo!
Assim, em 10 de dezembro (mesma data em que, em 1948, foi assinada a Declaração) de 1973, os músicos e intérpretes reuniram-se no MAM para um espetáculo cuja parte da divulgação ficou a cargo de meninos de favelas do Morro do Pinto e da Comunidade São Lourenço, que distribuíram pela cidade panfletos convidando para o evento. Mas, claro, se falar de direitos humanos em plena ditadura, governo Médici, não passaria batido.
Diz-se que a plateia, de cerca de 4 mil pessoas, estava coalhada de agentes da polícia à paisana (como se possível fosse algum disfarce) e os censores estavam na primeira fila do auditório. Soldados do Exército cercavam o prédio do museu. Não houve, contudo, repressão física, mas, como Chico Buarque fez questão de frisar, nem tudo era permitido. Em sua apresentação, Chico falou que seu repertório estava desfalcado e algumas canções foram proibidas de se executar, como "Vai Trabalhar, Vagabundo" (tema de filme homônimo de Hugo Carvana). No lugar dela, ele cantou trechos de "Jorge Maravilha", de Julinho de Adelaide, pseudônimo que usou à época para driblar a censura.
Detalhes técnicos
Os músicos e as faixas dos LPs
Ouça a íntegra no Spotfy
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Morre aos 82 anos o artista Jards Macalé
Morreu nesta segunda-feira (17/11/25), aos 82 anos, o ator, músico e compositor Jards Macalé. Ele estava internado em um hospital particular na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, onde tratava um enfisema pulmonar. Ele sofreu uma parada cardíaca, após passar por cirurgia.
A morte foi anunciada nas redes sociais do artista. "Jards Macalé nos deixou hoje. Chegou a acordar de uma cirurgia cantando 'Meu Nome é Gal', com toda a energia e bom humor que sempre teve", diz a publicação.
Biografia
Jards Anet da Silva, nasceu no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, em 3 de março de 1943, nas proximidades do morro da Formiga. Iniciou sua trajetória cultural, na década de 1960.
Foi cantor, músico, compositor e ator. Cresceu rodeado de música: no morro, os batuques do samba, na casa ao lado de onde morava, os cantores Vicente Celestino e Gilda de Abreu.
Na residência dos pais, escutava os foxes, as valsas e as modinhas, tocadas ao piano pela mãe, Lígia, que também cantava e no acordeom, pelo pai.
O coro familiar tinha o irmão mais novo Roberto e o próprio Jards. No áureos tempos do rádio, ouvia a Rádio Nacional e os cantores de sucesso, como Silvio Caldas, Francisco Alves ('O Rei da Voz'), Cauby Peixoto, Orlando Silva, Marlene e Emilinha, que se apresentavam aos sábados no Programa César de Alencar.
Ainda jovem, se mudou com a família para o bairro de Ipanema, onde ganhou o apelido de Macalé, comparado ao pior jogador de futebol do Botafogo, que tinha esse apelido.
Na adolescência, formou seu primeiro grupo musical, o duo Dois no Balanço. Mais tarde veio o Conjunto Fantasia de Garoto, que tocava jazz, serenata e samba-canção.
Ele estudou piano e orquestração com o maestro Guerra Peixe, violoncelo com Peter Daueslsberg, guitarra com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno e análise musical com Esther Scliar.
Sua carreira profissional começou em 1965 como guitarrista do Grupo Opinião. Foi diretor musical das primeiras apresentações de Maria Bethânia. Teve composições gravadas por Elizete Cardoso e Nara Leão, entre outros.
Com Gal Costa, Paulinho da Viola e seu parceiro de composição José Carlos Capinam, criou a Agência Tropicarte, para gerenciar seus shows.
Participou como ator e compositor da trilha sonora dos filmes "Amuleto de Ogum" e "Tenda dos Milagres", de Nelson Pereira dos Santos.
Também compôs para as trilhas sonoras de "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade; "Antonio das Mortes", de Glauber Rocha; "A Rainha Diaba", de Antonio Carlos Fontoura, e "Se Segura, Malandro!", de Hugo Carvana.
Macalé é autor de músicas como "Vapor Barato", "Anjo Exterminado", "Mal Secreto", "Movimento dos Barcos", "Rua Real Grandeza", "Hotel das Estrelas" e "Poema da Rosa".
Entre os intérpretes de suas canções estão Gal Costa, Maria Bethânia, Clara Nunes, Camisa de Vênus e O Rappa, entre outros.
Em 2019, seu álbum "Besta Fera" foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB e considerado um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre de 2019 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
A APCA também escolheu seu álbum "Coração Bifurcado" como um dos 50 melhores álbuns brasileiros de 2023 e a colaboração "Mascarada: Zé Kéti com o Sérgio Krakopwski", como um dos 50 melhores álbuns de 2024.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
Minha vinilteca (2): Lô Borges...
MINHA VINILTECA
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
Esta postagem homenageia Lô Borges
Salomão Borges Filho, o Lô Borges, parceiro de Clube da Esquina de Milton "Bituca" Nascimento, morreu neste domingo, 02/11/2025, Dia de Finados, aos 73 anos, por "falência múltipla de órgãos", segundo o boletim médico divulgado pelo Hospital Unimed de Belo Horizonte, onde estava internado desde 18 de outubro, com um quadro de intoxicação por medicamentos.
Nesta postagem da série "Minha Vinilteca", fujo da regra que eu mesmo determinei, de intercalar LPs nacionais e internacionais, em ordem alfabética, avançando algumas letras para prestar minha homenagem sentida e dolorida a esse artista mineiro de imensa qualidade e sensibilidade. Falo aqui dos primeiros álbuns do compositor que adquiri: "A Via Láctea" e "Clube da Esquina", este com Milton Nascimento.
Este Blog já cobriu um festival em Três Pontas (MG), onde nasceu Wagner Tiso e cresceu Bituca, evento este que reuniu ainda Lô e uma galera muito da pesada. Acesse aqui.
A VIA LÁCTEA
A surpresa
"A Via Láctea" foi lançado em 1979, sete anos depois do famoso "disco do tênis", que fora colocado no mercado no mesmo ano do "Clube da Esquina". Eu o ganhei em 20/12/1985, creio que como presente de amigo secreto do banco em que eu trabalhava. Dentro da embalagem (descobri somente hoje, 40 anos depois!), há um cartão de boas festas, assinado por Eliete. Peço mil desculpas, Eliete, não me lembro de você. Mas agradeço imensamente o presente. No disco há carimbo da loja São Bento Discos, de São Paulo.
À época, eu era admirador de Bituca, de quem comprava todas as fitas K7 que encontrava. Chegar a Lô foi um percurso natural, uma vez que nos discos de Milton o garoto estava sempre presente. Como era praxe para mim, eu sempre indicava nos amigos secretos o que queria ganhar, para não haver erros. Então devo ter recomendado a Eliete que me desse um disco do Lô. Assim que o pus para rodar, já me apaixonei. É o único LP individual de Lô que tenho.
Ficha técnica
O LP foi lançado pela EMI Odeon Fonográfica, com direção de produção de Mariozinho Rocha, e produção executiva de Milton Nascimento. Os técnicos de gravação são Roberto Castro, Mayrton Bahia e Dacy Rodrigues; a mixagem é de Franklin Garrido e Nivaldo Duarte, com corte de Osmar Furtado. A concepção da capa é de Kélio Rodrigues e Márcio Borges, com fotos de José Roberto e Henrique Leiner, com coordenação gráfica de Tadeu Valério e Kélio Rodrigues. A ficha traz ainda agradecimentos a seu Nonato pelo cafezinho.
Os músicos
Acompanham Lô Borges (que canta e toca guitarra, violão, piano e viola de 12) os músicos Paulinho Carvalho (baixo, guitarra e violão), Telo Borges (violão, piano, piano elétrico), Fernando Oly (viola de 12 cordas), Hely Rodrigues (bateria), Robertinho Silva (bateria e percussão, Aleuda Chaves (percussão), Cláudio Venturini (guitarra), Wagner Tiso (orquestração, regência, ARP Omni, piano, sintetizador, órgão, acordeon), Toninho Horta (orquestração, regência, piano, guitarra, percussão), Luiz Alves (baixo acústico), Copinha (Nicolino Cópia), Celso Woltzenlogel, Jorginho (Jorge Ferreira da Silva) e Jaime (flautas), Flávio Venturini (piano e sintetizador), Vermelho (José Geraldo de Castro Moreira, órgão e sintetizador).
Ainda acompanham Giancarlo, Vidal, Alves, Daltro, Eduardo, Murilo, Faini, Aizik, Lana, Paschoal, Walter e Piersantino (violino spalla), Penteado, Stephany, Macedo, Linderburgo (violas), Marcio, Alceu, Watson e Ana (cellos).
A mana Solange Borges divide os vocais em duas faixas e Rick, Alexandre e Bituca reforçam as palmas na vinheta que fecha o lado A.
As faixas do LP
Lado A
1) "Sempre Viva" (Lô e Márcio Borges)
2) "Ela" (Lô e Márcio Borges)
3) "A Via Láctea" (Lô e Ronaldo Bastos)
4) "Clube da Esquina Nº 2" (Lô, Milton Nascimento e Márcio Borges) - com Solange
5) "A Olho Nu" (Lô e Márcio Borges)
Lado B
1) "Equatorial" (Lô, Beto Guedes e Márcio Borges)
2) "Vento de Maio" (Telo e Márcio Borges) - com Solange
3) "Chuva na Montanha" (Fernando Oly)
4) "Tudo Que Você Podia Ser" (Lô e Márcio Borges)
5) "Olha O Bicho Livre" (Paulinho Carvalho e Rodrigo Leste)
6) "Nau Sem Rumo" (Lô e Márcio Borges)
CLUBE DA ESQUINA
O contexto da compra
Na época da compra desse LP duplo (um luxo para poucos em 1972), eu já tinha adquirido um respeitável conjunto CCE com toca-discos, duplo K7 e sintonizador AM/FM e passei então a comprar discos de vinil, em vez dos cassetes que ouvia no toca-fitas do carro de meu pai. Não sei se este foi o primeiro LP que comprei, mas foi certamente o primeiro de Bituca. Um clássico, em todos os sentidos.
A compra foi feita em 20/11/1987, no Jumbo Eletro de Santo André, e tem até uma etiqueta com o preço dentro da capa: 59000 (eu não sei se eram 590,00 cruzados, ou 59.000 cruzados!). Lembro que ficava horas olhando aquela capa interna dupla cheia de fotos, tentando descobrir quem eram as personagens lá. Dá pra identificar de cara Dori e Dorival Caymmi, Bituca, Lô Borges, Paulinho da Viola, Beto Guedes, Norma Bengel, Toninho Horta e Miles Davis. Os demais, só pesquisando.
Ficha técnica
O LP foi lançado em 1972 pela EMI Odeon. A edição que tenho é de 1985, e não traz encarte nem qualquer outra informação, além daquelas disponíveis nos selos (nome das músicas e compositores). Mas uma edição especial em CD de outubro de 2007, da Trama, produzida por João Marcelo Bôscoli, que tem também o "Clube da Esquina 2", de 1978, oferece as informações.
O disco foi gravado nos Estúdios EMI-Odeon do Rio de Janeiro em 1972. A produção é de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. A direção de produção é de Milton Miranda, a direção musical, de Lindolfo Gaya, com supervisão de Bituca. Os orquestradores são Wagner Tiso e Eumir Deodato, com regência de Paulo Moura. O diretor técnico é Z. J. Merky. Os técnicos de gravação são Nivaldo Duarte, Jorge Teixeira e Zilmar Rodrigues. O técnico de laboratório é Reny |R. Lippi. A concepção da capa é de Cafi, com colaboração de Ronaldo Bastos. As fotos da capa, da contracapa e da nuvem são de Cafi e as internas de Cafi e Juvenal Pereira.
Os músicos
Como se sabe, o "Clube da Esquina" faz referência à turma que se reunia na confluência das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Belo Horizonte (MG), para tocar e trocar ideias. Aí, em meados de 1971, Bituca levou a galera para Niterói para compor e gravar o celebrado álbum homônimo duplo meses depois, à revelia dos protestos da gravadora, que achava um LP duplo absurdo. Mas Bituca bateu o pé, ameaçou trocar de firma e o disco saiu como ele quis. No estúdio, cada um tocava o que havia à disposição, e a ficha disponível dos músicos participantes é esta, com os instrumentos na ordem das faixas:
Milton Nascimento (voz, piano, violão) Lô Borges (voz, violão, guitarra, percussão, surdo, piano, bateria), Tavito (guitarra 12 cordas, guitarra 6 cordas, violão, percussão), Wagner Tiso (órgão, piano, piano elétrico), Beto Guedes (voz, baixo, guitarra 12 cordas, percussão, piano, carrilhão), Toninho Horta (guitarra, percussão, baixo, violão, voz), Robertinho Silva (bateria e percussão), Luiz Alves (caxixi, percussão, baixo com arco), Rubinho (tumbadora, bateria), Nelson Angelo (guitarra, percussão, surdo, piano), Paulinho Braga (percussão), Luiz Gonzaga Jr. (coro).
As faixas dos LPs
Disco 1
Lado A
1) "Tudo Que Você Podia Ser" (Lô e Márcio Borges) - Voz: Bituca
2) "Cais" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Voz: Bituca
3) "O Trem Azul" (Lô Borges e Ronaldo Bastos) - Voz: Lô Borges
4) "Saídas e Bandeiras Nº 1" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Voz: Bituca e Beto Guedes
5) "Nuvem Cigana" (Lô Borges e Ronaldo Bastos) - Voz: Bituca
6) "Cravo e Canela" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Vozes: Bituca e Lô
Lado B
1) "Dos Cruces" (Carmelo Larrea Carricarte) - Voz: Bituca
2) "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" (Lô e Márcio Borges) - Vozes: Lô e Beto Guedes
3) "San Vicente" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Vozes: Bituca e Tavito
4) "Estrelas" (Lô e Márcio Borges) - Voz: Lô
5) "Clube da Esquina Nº 2" (Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges) - Instrumental
Disco 2
Lado A
1) "Paisagem na Janela" (Lô Borges e Fernando Brandt) - Voz: Lô Borges
2) "Me Deixa em Paz" (Monsueto e Ayrton Amorim) - Voz: Alaíde Costa e Bituca
3) "Os Povos" (Milton Nascimento e Márcio Borges) - Voz: Bituca
4) "Saídas e Bandeiras Nº 2" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Vozes: Bituca e Beto Guedes
5) "Um Gosto de Sol" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Voz: Bituca
Lado B
1) "Pelo Amor de Deus" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Voz: Bituca
2) "Lilia" (Milton Nascimento) - Instrumental
3) "Trem de Doido" (Lô e Márcio Borges) - Voz: Lô Borges
4) "Nada Será Como Antes" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Vozes: Bituca e Beto Guedes
5) "Ao Que Vai Nascer" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Voz: Bituca
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quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Minha vinilteca (1): Adoniran Barbosa & Convidados
MINHA VINILTECA
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
Por que comprei este disco
Em 1981, eu participei de um grupo de teatro amador na paróquia de meu bairro, Vila Palmares, em Santo André. Nós montamos a peça "A Invasão", de Dias Gomes, escrita 20 anos antes. O texto trata de famílias expulsas de seus barracos em uma favela por causa de uma enchente que ocupam um hospital inacabado para ter um teto.
Ali, são submetidos à exploração de um malandro que cobra deles para manter a polícia longe; ao oportunismo de um deputado que os ludibria em busca de votos e popularidade; à fome, falta de emprego, humilhações de toda sorte. Para resumir, no texto original, os sem-teto se organizam e expulsam todos os exploradores do prédio, tomando posse definitiva.
O final de Dias Gomes, um autor de esquerda, trazia a mensagem de que era possível o poder popular por meio da organização, da luta, da solidariedade. Mas a peça foi escrita em 1962... Veio 1964 e achamos - nós do Grupo Tupi - que esse final não condizia com a realidade. E, no nosso desfecho, a polícia sentava o pau e todos eram expulsos do edifício.
Esse final precisava de uma música apropriada. E "Despejo na Favela", indicação de nosso orientador, Tim Urbinati, do Grupo Forja, veio a calhar.
Essa história já foi contada em termos mais resumidos aqui neste blog. Acesse clicando aqui.
O momento de compra
Encontrei este LP, "Adoniran Barbosa & Convidados", não me lembro em que loja, e o comprei em 20 de agosto de 1981. O disco foi produzido por Mariozinho Rocha, gravado nos estúdios da EMI-Odeon em maio de 1980, para comemorar os 70 anos de Adoniran, nascido João Rubinato em 6 de agosto de 1910.
A faixa "Despejo na Favela", de Adoniran, tem o acompanhamento de Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, 1945/1991) e versos que casavam esplendidamente com nossa montagem:
"Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela e, contra seu desejo
Entregou pra seu Narciso
Um aviso, uma ordem de despejo
Assinada, seu doutor
Assim dizia a petição
Dentro de dez dias quero a favela vazia
E os barracos todos no chão
É uma ordem superior
Oh, oh, oh, oh, meu senhor
É uma ordem superior
Oh, oh, oh, oh, meu senhor
É uma ordem superior
Não tem nada, não, seu doutor, não tem nada, não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada, não, seu doutor
Vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
Em qualquer canto me arrumo
De qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco
Minha mudança é tão pequena
Que cabe no bolso de trás
Mas essa gente aí, hein, como é que faz?
Mas essa gente aí, hein, como é que faz?
Oh, oh, oh, oh, meu senhor
Essa gente aí como é que faz?
Oh, oh, oh, oh, meu senhor
Essa gente aí como é que faz?
Oh, oh, oh, oh, meu senhor
Essa gente aí.."
Os detalhes técnicos
O LP tem produção executiva de Fernando Faro (1927/2016), que assina um belo texto no encarte, com fotos de brinquedos construídos pelo compositor. O encarte traz ainda uma ilustração do gigante Elifas Andreato:
"E ali do lado, cigarro na boca, ele trabalha.
Como vem fazendo durante boa parte desses 70 anos de vida.
Buscando fundo na memória, ouvindo de vez em quando os amigos, e percorrendo ruas e bares, ele vai refazendo pedaço a pedaço, sem muita ordem, utilizando o metal, a madeira, os fios, e tambám a palavra e o samba, a humana e muito doce paisagem dessa cidade - uma cidade que muda a cada minuto, e se deforma e se reforma, e se transfigura. É São Paulo que ele constrói. Ou reconstrói."
A direção de produção é de Mariozinho Rocha, com arranjos e regência do Maestro José Briamonte. Foram técnicos de gravação Guilherme Reis e Dacy; mixagens Franklin e Nivaldo Duarte; corte Osmar Furtado; capa de Elifas Andreato; fotos de Alexandre Sarda; arte final de Alexandre Huzak; coordenação gráfica Tadeu Valério e revisão gráfica Hagnea Mazetto. O produtor fonográfico é EMI-Odeon Fonográfica, Industrial e Eletrônica S.A.
As participações especiais e músicos convidados
Os Amigos que o acompanham nessa belíssima homenagem são Clementina de Jesus, Clara Nunes, Carlinhos Vergueiro, Djavan, Elis Regina, Luiz Gonzaga Jr., MPB4, Conjunto Nosso Samba, Roberto Ribeiro, Talismã e Seu Conjunto e Vania Carvalho.
Os músicos são Dino Sete Cordas (violão 7 cordas), Cesar Faria (violão 6 cordas), Carlinhos Antunes (cavaquinho), Marçal Filho, Nilton Marçal, Elizeu Félix, Luna, Jorginho e Geraldo (ritmo), Netinho e José Nogueira (saxofone), Nelsinho (trombone), Maurílio (piston), Jorginho (flauta), As Gatas e Cristina Buarque (coro).
As faixas do LP
As faixas, todas com arranjo de José Briamonte. Composições de Adoniran Barbosa (exceto as indicadas)
Lado A
1) "Fica Mais Um Pouco Amor"
2) "Tiro ao Álvaro" (Adoniran e Oswaldo Molles), com Elis Regina
3) "Bom Dia, Tristeza" (Adoniran e Vinícius de Moraes), com Roberto Ribeiro
4) "O Casamento do Moacir" (Molles e Adoniran), com Talismã e Seu Conjunto
5) "Viaduto Santa Efigênia" (Adoniran e Alocin), com Carlinhos Vergueiro
6) "Aguenta a Mão, João" (Adoniran e Hervé Cordovil), com Djavan
7) "Acende o Candieiro", com Nosso Samba
Lado B
1) "Apaga o Fogo, Mané"
2) "Prova de Carinho" (Adoniran e Cordovil), com Vania Carvalho
3) "Vila Esperança" (Adoniran e Marcos Cesar), com MPB4
4) "Iracema", com Clara Nunes
5) "No Morro do Piolho" (Peteleco, Jacob de Brito e Carlos Silva)
6) "Despejo na Favela", com Gonzaguinha
7) "Torresmo à Milanesa" (Adoniran e Carlinhos Vergueiro), com Clementina de Jesus e Carlinhos Vergueiro


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