O Barquinho Cultural

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Os 25 anos de "A.I. - Inteligência Artificial": O que Spielberg e Kubrick acertaram sobre o futuro?

Haley Joel Osment no filme IA Inteligencia Artificial de Steven Spielberg
Q
uem se lembra de "Inteligência Artificial" (AI), longa dirigido por Steven Spielberg em 2001, a partir de roteiro de Stanley Kubrick, baseado no conto "Supertoys Last All Summer Long" (1969), de Brian Aldiss? À época, o termo Inteligência Artificial, apesar de já circular nos meios científicos desde os anos 1950, parecia coisa de ficção.


Naqueles tempos, Spielberg (de quem já escrevi aqui)e Kubrick (mencionado de passagem aqui) imaginavam que o grande salto da IA seria fazer máquinas que se comportassem como seres humanos. No longa, David (Haley Joel Osment), um menino-robô programado para amar incondicionalmente sua mãe, Frances O'Connor, é adotado por um casal cujo filho biológico está gravemente doente. Quando o menino se recupera, porém, David passa a ser visto como uma ameaça e é abandonado.


Da ficção dos anos 2000 à IA Generativa de hoje


Vinte e cinco anos depois, aconteceu algo um pouco diferente. A IA Generativa que temos hoje consegue conversar, escrever, traduzir, programar, analisar imagens, produzir música e raciocinar sobre problemas complexos. Mas está longe daquilo que é central para David: consciência, sentimentos ou desejo próprio.


Ironicamente, o filme "AI" foi lançado no ano de 2001, que remete ao título de "2001 - Uma Odisseia no Espaço", que Kubrick produziu em 1968, a partir de livro de Arthur C. Clarke, e revolucionou o mundo da ficção científica. Não se sabe se isso foi proposital ou apenas coincidência.


A passagem do bastão: De Kubrick para Spielberg


Kubrick não quis filmar "AI", apesar de ter adquirido os direitos do conto nos anos 1980, porque a tecnologia da época não permitiria que pusesse suas ideias nas telas. Com o lançamento de "Jurassic Park", de Spielberg, em 1993, Kubrick considerou que a computação gráfica havia atingido o nível adequado às suas intenções.


Mas, em vez de ele próprio rodar, ofereceu a Spielberg, porque acreditava que o colega iria imprimir o tom de humanidade que achava necessário ao robô David, dado o tratamento que o diretor imprimira a "ET - O Extraterrestre", de 1982.


Kubrick, diretor de clássicos como "Dr. Fantástico" (1964), "Laranja Mecânica" (1971), "O Iluminado" (1980) e "Nascido para Matar" (1987), entre outros, considerava a história sentimental e humanista demais para o seu estilo caracteristicamente frio, analítico e filosófico.


Em 1995, Spielberg não aceitou dirigir a obra, envolvido que estava em outros projetos. Após a morte de Kubrick, em 1999, a família do diretor e o produtor Jan Harlan procuraram Spielberg para que ele concretizasse o projeto. Spielberg aceitou e dirigiu o longa em 2001 usando o tratamento de roteiro, os esboços conceituais e as anotações deixadas por Kubrick, dedicando a obra à sua memória.


Aquecimento global e o alerta climático do filme


O longa ainda trata de um assunto que hoje está cada vez mais na ordem do dia: o aquecimento global. No enredo de "IA",  a trama se passa no Século XXII (logo ali), quando o fenômeno climático provoca aumento do nível do mar, inundando cidades costeiras e tornando a vida mais difícil. Assim, nações mais desenvolvidas criaram robôs humanóides (Mecha) para desempenhar vários papéis na sociedade.


Para quem ainda não viu, está na Netflix. Quem já viu, vale rever!


(Obs.: Algumas informações deste texto foram obtidas com ajuda da IA, mas o coração dele é meu...rs)


Assista o trailer clicando aqui.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

'Bruma' e o derradeiro Cazuza


E
m 1990, eu trabalhava no Diário Popular - o velho Dipo -, como revisor. Lá conheci o Belo, um ex-seminarista, baiano, muito inteligente e desencanado. Homossexual assumido, tivemos uma interação intelectual muito interessante. Ele mais vivido que eu, então nem chegado aos 30, e ele já pelos 50.


Uma noite, depois do expediente, fomos lanchar no famoso bar Estadão, em frente ao jornal. Aí esticamos para o bar A Gruta, ali do lado. Após muitas brejas, eu sem condições de ir para casa em cima da moto que então pilotava, deixei-a no jornal e fomos ao apartamento dele, no vale do Anhangabaú, um muquifo decrépito que em nada combinava com a imensidão do seu cérebro.


Lá, Belo acendeu um beque e compartilhei com um pouco de medo, pois minhas experiências com a erva nunca foram memoráveis (só no mau sentido). 


Aí ele colocou na vitrola esse derradeiro disco de Cazuza... E... Sob efeito de tanta cevada e depois do fumacê, essa "Bruma" (Cazuza e Arnaldo Brandão) me soou como a canção do abismo, do fim do mundo, e do paraíso, paradoxalmente... 


Claro que Belo quis mais do que ouvir música, mas não estava no clima, nem era o que eu queria. Mas aquela noite me deixou menos ingênuo.


Cazuza morreria pouco depois. E Belo, soube anos depois, também pereceria vítima da Sida..



quinta-feira, 30 de julho de 2026

A quem pertencem nossos dias?


Foto: Reprodução

Esta pergunta é o ponto crucial da trama do longa "A Graça" (La Grazia), do cineasta italiano Paolo Sorrentino, em cartaz no Mubi.

No filme, Sorrentino aborda a solidão do poder e o crepúsculo da vida. No centro da narrativa está Mariano De Santis (Toni Servillo, foto), um presidente católico e jurista impecável que, nos meses finais de seu mandato como chefe de Estado da Itália, enfrenta um dilema ético e legal sobre a eutanásia e ainda a decisão sobre a concessão (ou não) do perdão (a graça do título) a dois assassinos confessos, uma por se livrar do marido violento e outro por abreviar o sofrimento da esposa com Alzheimer.

Sorrentino materializa esse conflito na figura de um papa negro (Rufin Doh Zeyenouin) que anda de motocicleta pelo Vaticano, mas que permanece estrito aos dogmas milenares da Igreja, não dando refresco a Mariano. Sem clareza entre a ética e o secularismo do poder, o governante assume nos ombros o peso de decidir o destino e aliviar o sofrimento de um povo que ele passa a encarar de forma quase paternal.

Quem foi?


Contudo, a suposta pose de estadista infalível é desmistificada pelas frestas da vida íntima. Paralelamente às macrodecisões do Estado, Mariano vive assombrado pelo fantasma de uma traição conjugal ocorrida há quarenta anos. É na esfera doméstica que o gigante das leis (ele fora juiz antes de se tornar presidente) se revela frágil, vulnerável e analógico — evidenciado na sua tocante incapacidade de lidar com os novos instrumentais do cotidiano contemporâneo - no caso, um fone de ouvido para poder ouvir... rap!

A virada


O verdadeiro ponto de virada moral da trama acontece quando sua filha Dorothea (Anna Ferzetti) implode a paralisia institucional do pai com uma pergunta avassaladora: "A quem pertencem nossos dias?", a respeito das decisões que precisar tomar. Diante do tormento pessoal paterno, ela o confronta com a necessidade de deixar o passado prescrever.

A narrativa se desenrola, então, não como um mero debate jurídico, mas como uma capitulação afetiva. Mariano se vê diante do maior desafio de um homem maduro: o desprendimento de aceitar que o mundo agora pertence às novas gerações.

Essa tensão geracional — que também se reflete na subtrama de seu filho músico, Riccardo (Francesco Martino) — sintetiza-se na provocativa frase de Mariano em sua entrevista à revista Vogue: "Há um tempo em que os filhos devem seguir os pais, e há um tempo em que os pais devem seguir os filhos".

A arte de ceder


Longe do cinismo de seu curta "La Fortuna", que faz parte do longa "Rio, Eu Te Amo", de 2014, onde a velhice rica era tragada pelo interesse, Sorrentino entrega em "La Grazia" um hino sobre a sutil arte de ceder. Ao sugerir que a verdadeira "graça" do título está na capacidade de pacificar os próprios fantasmas e aceitar o presente, o filme se torna um espelho comovente para qualquer um que já se viu desafiado a dar um passo atrás para deixar o futuro caminhar.

Veja trailer do filme:


domingo, 10 de maio de 2026

Adeus a Luiz Sérgio Carlini

Foto: redes sociais do artista

O guitarrista Luiz Sérgio Carlini, criador da banda Tutti-Frutti, morreu nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, aos 73 anos, vítima de um AVC

O cenário musical brasileiro se despede de uma de suas figuras mais emblemáticas. Luiz Sérgio Carlini, guitarrista e fundador da banda Tutti Frutti, morreu na última quinta-feira, 7 de maio de 2026, aos 73 anos. O músico estava internado em São Paulo após sofrer um AVC, deixando um vazio imenso na história do rock nacional.

Embora jovem demais para o auge da Tropicália, Carlini foi o protagonista da década seguinte. Nos anos 70, ele se tornou o parceiro definitivo de Rita Lee, ajudando a moldar a sonoridade do álbum "Fruto Proibido" (1975). É dele o solo de "Ovelha Negra", uma peça de construção melódica tão perfeita que se tornou parte do DNA cultural do Brasil.

Sua técnica com a slide guitar e seu timbre inconfundível definiram o que se entende por rock feito em português: uma mistura de peso, técnica refinada e malícia brasileira. Carlini não apenas tocava; ele criava texturas que serviam de alicerce para grandes vozes, tendo colaborado também com nomes como Erasmo Carlos, Guilherme Arantes e a banda Camisa de Vênus.

A única vez que eu vi Carlini no palco foi em de 10 de agosto de 2025, em um show do Made in Brazil, no Sesc Pompéia - bairro onde ele cresceu e que era uma espécie de Liverpool de São Paulo. 


Leia mais sobre a banda Made in Brazil aqui


quinta-feira, 26 de março de 2026

The Beatles: Please Please Me

Em 22 de março de 1963, "The Beatles" lançavam na Inglaterra seu primeiro Long Playing (LP), "Please Please Me". Eu, nem dois anos de idade completados, pirei com aquele som.

No colo de mamãe Hirde, dando aquela mamada matinal, ouvi estupefato: "One, two, three, four... Well, she was just seventeen / You know what I mean"...


Não entendi nada, claro, mas aquela voz que mais tarde soube ser de Sir James Paul McCartney causou um colapso em minha pueril mente que, de pronto, me fez largar o bico do peito maternal e balançar as ainda frágeis e arqueadas ancas.


"Misery" veio arrebatar meus ouvidos ao conhecer um dueto em perfeita harmonia. Mas "Anna (Go To Him)" me mostrou que Lennon tinha uma dor no peito que só muitos anos depois, ao conhecer sua história, pude vislumbrar entender.


"Chains" me apresenta a voz miúda e os dedos ágeis de George, que se tornaria algum tempo depois meu Beatle favorito. Aí vem Ringo com "Boys", o narigudo da batera que, muitos anos depois, é celebrado ligeiramente em um episódio da série "Outlander".


"Ask me why" encantou meus ouvidos com aqueles "ai, ai, ai" pronunciados por John e emoldurados pelo coro de Paul e George...


Aí vem a faixa-título, já lançada anteriormente em single (no meu tempo, compacto simples): "Come on, come on, come on..." Aquele eu bebê nunca mais quis saber de leite depois disso... Por favor, me agrade... com algo mais... Rs...


Papai vira o disco e vem "Love me Do"... Esse o primeiro sucesso dos Fab4. Eu me lembro! Já ficava fascinado com a voz aveludada de Macca, que muitos anos após minha pequena Iracema também apreciaria. Aquela gaita (harmônica) de John pontuando tudo.


"P.S. I Love You" tem um ritmo quente, mostrando que Ringo sabia das coisas. E a harmonização das vozes? Uma criança não podia ficar indiferente. Eu não fiquei. Quis pouco depois imitar aquilo com minhas irmãs, sem sucesso.


Aí vem "sha-lá-lá"... "Baby, It's You", mostrando o puta cantor que Lennon é.. E dizem ainda que o cara estava com um baita resfriado! Volta George, meio fanho, com "Do You Want to Know a Secret", com um balanço que me acompanharia pouco tempo depois nos bailinhos em que eu mais gostava de ouvir do que de dançar...


Aquele gosto de mel, com Paul, me soava estranho... Muito Macca anos 1970 para meu gosto (quando John o chamou de compositor de 'tolas canções de amor'). Mas tem uns momentos legais...


"There's a Place" é animada, fazia o bebê aproveitar e liberar aquele xixi básico só pra se livrar da fralda chata e a mamãe passar o talquinho fresquinho...


Para fechar a obra, "Twist and Shout". Nossa! Quando John, na frente da rainha Bete, mandou a ricaiada balançar as joias, e quando, tempos depois, Matthew Broderick fez aquele cover em "Curtindo a Vida Adoidado", firmou essa canção como o arquétipo de Beatles de sua época.


Eu ao ouvir isso bebê me tornei um menino, jovem, homem e ancião feliz.


P.S. I love you, Beatles...



sexta-feira, 6 de março de 2026

Flora Purim chega aos 84 anos

Flora Purim e Aírto Moreira (redes sociais)
Há 84 anos, nascia, na cidade do Rio de Janeiro, a cantora Flora Purim. Em 1967, iniciou bem-sucedida carreira nos EUA, para onde o percussionista catarinense Aírto Moreira rumou pouco depois, iniciando uma parceria na música e na vida que dura até hoje.

Flora e Aírto se tornaram grandes nomes do jazz nos EUA, tendo tocado com gigantes como Miles Davis, Chick Corea, Stanley Clarke e muitos outros, conquistando dois Grammy e indicados outras três vezes.
À época da pandemia, de volta ao Brasil, Aírto contraiu uma pneumonia e foi contaminado por uma bactéria que quase o levou daqui, mas, apesar das sequelas, sobreviveu.
A última informação disponível é que vivem no Retiro dos Artistas no Rio de Janeiro. No ano passado, o casal foi a Fortaleza a convite do pianista e produtor Ricardo Bacelar, onde gravou com gente como Leila Pinheiro, Roberto Menescal e Flávio Venturini. A faixa "Aqui, oh", de Toninho Horta e Fernando Brant, é resultado desses encontros (veja clipe abaixo).
Está em produção o documentário "Um Pecado de Casamento", dirigido por Jom Tob Azulay ('Doces Bárbaros', 'Elis & Tom') sobre essas sessões de gravação na capital cearense.
Espero que o filme mostre ao Brasil esses gigantes músicos que nem se pode dizer que sejam reconhecidos devidamente aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Minha vinilteca (5): "Atlantic Blues: Guitar"

Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.




O contexto da compra


Como já mencionado aqui, em meados dos anos 1980 eu estava fissurado pelo violão. E, por algum motivo que me foge agora à lembrança, comecei a ouvir blues-raiz. Este LP veio atender plenamente a meus propósitos: guitarristas de blues em gravações originais e antológicas!

O disco foi adquirido em 4 de julho de 1987 (a coincidência com o 'Independence Day' dos EUA é mera coincidência). Não me lembro em que loja, mas à época era comum se encontrar bons discos em magazines como Mappin, Jumbo-Eletro, Mesbla.

Pode ter sido em uma delas, ou em especializadas como Merci, Museu do Disco, Bruno Blois... Não sei. A capa traz apenas um selo ('Dê Discos de Presente'), com um símbolo que não consigo identificar.

A coleção "Atlantic Blues"


Fundada em 1947, em Nova Iorque, por Ahmet Ertegun e Herb Abramson, a Atlantic Records desde o começo apostou na música criada e executada por afro-americanos, como o blues, o jazz, o rhythm & blues, soul. Revelou, entre outros gigantes, o astro Ray Charles.

Em 1967, foi adquirida pela Warner Music Group, passando a investir em gêneros como o rock e mais tarde o pop. A partir daí, abrigou artistas e grupos como Led Zeppelin, Cream, Yes e, mais recentemente, Bruno Mars, Coldplay, Ed Sheeran, entre outros.

A coleção "Atlantic Blues" consiste em quatro álbuns duplos: "Guitar", "Chicago", "Vocalists" e "Piano", compilando até então cerca de 40 anos de gravações de ícones de seu cast. Eu tenho apenas o de guitarristas. Quem sabe um dia né...

Detalhes técnicos & conteúdo


O disco traz 18 artistas principais em 24 faixas, abrangendo um período de 1949 a 1982, com fonogramas originais. Duas faixas não haviam sido lançadas antes deste LP: "Tall Pretty Woman", com Stick McGhee, e "Bongo Boogie", com Texas Johnny Brown. As demais foram lançadas anteriormente em álbuns ou singles.


Dizem os fundadores no texto do encarte que eles foram os pioneiros na gravadora a difundir o "blues guitar". À época, dizem, não era comum os guitarristas de jazz gravarem o gênero desenvolvido no sul dos Estados Unidos.

A guitarra, escrevem Ertegun e Abramson, "aparecia comumente apenas como uma coisa incidental nos clássicos da Atlantic, de blues, por gente como Ray Charles e Big Joe Turner".

A reedição dos fonogramas foi dirigida por Bob Porter, com produção executiva de Ahmet Ertegun. Steve Innocenzi cuidou da transferência digital; Sam Feldman, da masterização; a direção de arte é de Carol Babolts; e as fotografias, de Robin Nedboy.

O LP foi lançado em 1986 pelo selo Atlantic da WEA. No Brasil, o LP foi fabricado e distribuído pela BMG Ariola em 1987.

Faixas & músicos


Disco 1


Lado A

1) "Broke Down Engine", com Blind Willie McTell (composição, guitarra e vocal). Gravada em Atlanta no outono de 1949. Produção:  Ahmet Ertegun e Herb Abramson

2) "Shake 'Em On Down", com Mississippi Fred McDowell (guitarra, vocal, adaptação e arranjo), Miles Pratcher (guitarra) e Fannie Davis (comb = pente fazendo som de gaita). Gravada em 1959 no Mississippi. Produção: Alan Lomax

3) "My Baby Don't Love Me", com John Lee Hooker (composição, guitarra e vocal). Gravada em Cincinatti em 1953. Produção: Henry Stone

4) "Guitar Lovin' Man", com John Lee Hooker (composição, guitarra e vocal) e Eddie Kirkland (guitarra e vocal). Gravada em Cincinatti em 1953. Produção: Henry Stone

5) "Tall Pretty Woman", com Stick McGhee (guitarra e vocal), Gene Ramey (baixo), Brownie McGhee (guitarra) e Big Chief Ellis (piano). Gravada em Nova Iorque em 14 de fevereiro de 1949 (não lançado antes). Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson

6) "The Blues Rock", com Texas Johnny Brown (composição, guitarra, vocal), Amos Milburn (piano), sax tenor, baixo, bateria congas não identificados. Gravada em Nova Iorque em 6 de abril de 1949. Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson

7) "There Goes The Blues", com Texas Johnny Brown (composição, guitarra, vocal), Amos Milburn (piano), sax tenor, baixo, bateria congas não identificados. Gravada em Nova Iorque em 6 de abril de 1949. Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson

8) "Bongo Boogie", com Texas Johnny Brown (composição, guitarra, vocal), Amos Milburn (piano), sax tenor, baixo, bateria congas não identificados. Gravada em Nova Iorque em 6 de abril de 1949 (não lançado antes). Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson

Lado B

1) "Two Bones And A Pick", com T-Bone Walker (composição e guitarra), Barney Kessel e R.S. Rankin (guitarras), Joe Comfort (baixo), Earl Palmer (bateria), Ray Johnson (piano), Plas Johnson (sax tenor). Gravada em Los Angeles em 27 de dezembro de 1957. Produção: Nesuhi Ertegun

2) "Mean Old World", com T-Bone Walker (composição, guitarra, vocal), Billy Hadnott (baixo), Oscar Bradley (bateria), Lloyd Glenn (piano), Gravada em Los Angeles em 14 de dezembro de 1954. Produção: Nesuhi Ertegun

3) "Let Me Know", com Chuck Norris (composição e guitarra), demais músicos não identificados. Gravada em Nova Iorque em 26 de fevereiro de 1953. Produção: Ahmet Ertegun

4) "It Hurts To Love Me", com Guitar Slim (guitarra e vocal), demais músicos não identificados. Gravada em Nova Iorque em 25 de fevereiro de 1957. Composição: Eddie Jones. Produção: Herb Abramson

5) "Down Through The Years", com Guitar Slim (guitarra e vocal), demais músicos não identificados. Gravada em Nova Iorque em março de 1956. Composição: Renald Richards. Produção: Herb Abramson

6) "Okie Dokie Stomp", com Cornell Dupree (guitarra), Richard Tee (teclados), Chuck Rainey (baixo), Bernard Purdie (bateria), Ralph McDonald (percussão), Ernie Royal e Joe Newman (trompetes), Garnett Brown (trombone), David Newman e Joe Farrell (sax tenor), Seldon Powell (sax barítono). Gravada em Nova Iorque em 20 de novembro de 1973. Arranjos de sopros: Richard Tee. Composição: Plummer Davis. Produção: Mark Myerson e Michael Cuscuna

7) "Blues Nocturne", com Cornell Dupree (guitarra), Richard Tee (teclados), Chuck Rainey (baixo), Bernard Purdie (bateria), Ralph McDonald (percussão), Ernie Royal e Jon Faddis (trompetes), Garnett Brown (trombone), Trevor Koehler (sax barítono), Seldon Powell (sax tenor). Gravada em Nova Iorque em 20 de novembro de 1973. Arranjos de sopros: Chuck Rainey. Composição: Curtis Ousley. Produção: Mark Myerson e Michael Cuscuna

Disco 2


Lado C

1) "TV Mama", com Big Joe Turner  (vocal), Sonny Cohn (trompete), Grady Jackson (sax ternor), Mack Easton (sax barítono), Johnny Jones (piano), Elmore James (guitarra), Jimmy Richardson (baixo), Red Saunders (bateria). Gravada em Chicago em 7 de outubro de 1953. Composição: Lou Willie Turner. Produção: Ahmet Ertegun e Jerry Wexler

2) "Reconsider Baby", com Al King (vocal), Johnny Heartsman (guitarra), demais músicos não identificados. Gravada em Los Angeles em 30 de março de 1964. Composição: Lowell Fulson. Produção: Johnny Heartsman e Ron Badger

3) "Midnight Midnight", com Mickey Baker (composição e guitarra líder), Everett Barksdale (guitarra rítmica), Herman Foster (piano), Abie Baker (baixo), Sticks Evans (bateria). Gravada em Nova Iorque em 4 de junho de 1959. Produção: Nesuhi Ertegun

4) "I Smell Trouble", com Tina Turner (vocal), Ike Turner (guitarra), demais músicos não identificados. Gravada em Acra (Gana), em 6 de março de 1971. Composição: Don Robey. Produção: Tom Dowd

5) "Why I Sing The Blues", com B.B. King (composição, guitarra e vocal), Ed Rowe (trompete), Joseph Burton (trombone), Earl Turbinton (sax alto), Bobby Forte (sax tenor), Louis Hubert (sax barítono), Ron Levy (piano), Milton Hopkins (guitarra), Wilbert Freeman (baixo), Sonny Freeman (bateria). Gravada em Porto Rico em abril de 1972. Produção: Tunc Erim

Lado D

1) "Crosscut Saw", com Albert King (guitarra e vocal), Booker T. Jones (teclados), Duck Dunn (baixo), Al Jackson (bateria). Gravado em Memphis em 2 de novembro de 1966. Composição:  R.G. Fond. Produção: Stax Staff.

2) "Born Under A Bad Sign", com Albert King (guitarra e vocal), Booker T. Jones (teclados), Duck Dunn (baixo), Al Jackson (bateria), The Memphis Horns (sopros). Gravada em Memphis em 1967. Composição: Jones & Bell. Produção: Stax Staff

3) "Shake For Me", com John Hammond Jr (guitarra), Duane Allman e Eddie Hinton (guitarras), Barry Beckett (teclados), David Hood (baixo), Roger Hawkins (bateria). Gravada em Muscle Shoals, Alabama, em 21 de novembro de 1969. Composição: Willie Dixon. Produção: John Hammond Jr e Marlin Greene

4)  "Flood Down In Texas", com Stevie Ray Vaughan (guitarra e vocal), Tommy Shannon (baixo), Chris Layton (bateria). Gravada em Montreaux (Suíça), em 17 de julho de 1982. Composição: Joseph W. Scott e Larry C. Davis. Produção: Philippe Rault



O disco na íntegra não está disponibilizado em plataformas como Spotify, Amazon Music e Deezer, apenas em playlists, e ainda incompletas (se alguém achar em alguma outra plataforma, cartas à redação). No YouTube Music tem o disco na íntegra, também na forma de playlist.

No YouTube, encontrei uma reprodução completa, mas está identificada errado, como "Atlantic Blues: Chicago (Guitar CD 2)" - uma salada mista (rs). Veja abaixo:



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

"O Dom" estreia na Nova Brasil FM


A música "O Dom", composta por Juliana Lima em 2006 e que nomeia seu quarto álbum, de 2007, entra nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2025, na programação da rádio Nova Brasil FM (em São Paulo, a 89,7 MHz no dial, mas pode ser acessada online aqui).

"Foram 15 anos esperando este momento chegar. Quinze anos insistindo para que isso desse certo de alguma forma. É um sonho realizado, de verdade. A gente nunca sabe como as coisas vão ou não reverberar, mas, quando se tem um sonho, só existem três caminhos: desistir, abandonar ou persistir", comemora Juliana.

Ela persistiu. Explico. Ou melhor, ela explica: a música, como dito, foi gravada em 2007 e se tornou uma das mais pedidas nos vários shows que Juliana apresentou pelo Brasil e fora dele. É também uma das canções mais regravadas dela. Há versões no CD seguinte dela, "Aquariana", em português e espanhol, em forró, gravado pelo Beijo de Moça, seu trio do ritmo nordestino, e por aí vai.

Mas as rádios a ignoravam peremptoriamente: "Em 2010, conheci um divulgador de rádio que levou a música, pela primeira vez, à Nova Brasil FM. Na época, a rádio não quis tocá-la, alegando que a gravação não estava muito boa. A partir daí, comecei uma verdadeira saga", relembra a cantora e compositora.

Em minha opinião, faltou aos programadores das rádios fazer o que Juliana recomenda na canção: "Pare, pense, ouça e... sinta"...

Ok, após algum tempo, a caitituagem deu resultado: outra obra dela, "Que Seja Leve", do álbum "Esperança", de 2021, entra na programação daquela rádio, e depois também na rádio Alpha FM (101,7 MHZ). Depois, foi a vez de "Temporal", do mesmo disco, tocar na emissora paulistana especializada em MPB.

Agora é a vez desta versão 2025 de "O Dom" (clipe na abertura desta postagem) entrar na rádio 20 anos depois de vir à luz. Essa gravação tem produção e arranjos de Jeff Pina, músico que deixou suas digitais em trabalhos de Chitãozinho e Xororó, Alceu Valença, Gaby Amarantos, Mart'nália, Roberta Miranda, Tiago Iorc e Anavitoria.

Para saber mais sobre Juliana Lima, siga-a nas redes sociais ou leia neste blog textos a seu respeito que publiquei: é só clicar em cima do título para acessar (não se esqueça de comentar):


Ela tem o dom: Juliana Lima


Juliana Lima canta a saudade e a fé em dias melhores


Juliana Lima mescla MPB e rock em novo single, “Bem Mais”


Juliana Lima lança DVD “Aquariana” com show no Ao Vivo


Juliana Lima comemora 20 anos de carreira com show no Parlapatões