O Barquinho Cultural

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Agora, o Blog por Bloga e O Barquinho Cultural são parceiros. Compartilhamento de conteúdos, colaboração mútua, dicas e trocas de figurinhas serão as vantagens dessa sintonia. Ganham todos: criadores, leitores/ouvintes, nós e vocês. É só clicar no barquinho aí em cima que te levamos para uma viagem para o mundo cultural

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sábado insano

Sábado fui com minha filha assistir ao espetáculo Terça Insana, em São Caetano. Eles estão comemorando oito anos de existência e trouxeram novos quadros e personagens. Nunca os tinha visto e achei bastante divertido, se bem que em alguns momentos senti enfado. São piadas despretenciosas, sem conteúdo político, por exemplo, mas com tiradas que realmente fazem a gente rir. No U-Tube há vários vídeos de shows antigos, e pude ver alguns realmente engraçados, como o seu Merda, que acabou indo para o Zorra Total, devidamente renomeado para seu Banana. Ou o da irmã Selma, bastante bem bolado. Dos novos, o Homem Ímã de Pessoas Chatas é bem gozado, assim como o Açougueiro e a mulher com tpm. Já o Boliviano eu dormi e não sei se é legal. O intelectual baiano metido a francês (Salvador L'evi Strauss) achei chato (deve ser minha perrenga com franceses). Mas a Margarida foi muito inteligente. Enfim, foi uma boa diversão para um sábado. Eles se apresentam no Avenida Clube toda terça, e no resto da semana viajam, por isso os vi sábado no Paulo Machado de Carvalho.

Na sexta fui conhecer os bares da Engenheiro Caetano Álvares, na zona norte de SP, um point que vem crescendo na noite. Entrei no Caetano's, lotado, mas logo conseguimos mesa. Cerveja na temperatura correta, boa caipirinha e uma porção de petiscos realmente porção, no aumentativo e superlativo. Pedimos o tal bandejão, e o garçon, honestamente, disse que a porção inteira era muito para dois, e sugeriu meia. Assim mesmo sobrou uns pastéis, bolinhos e croquetes. Uma delícia, apesar de ser tudo fritura (ai, meu colesterol). O ruim é que no final da noite, portas já fechadas, uns clientes um tanto altos acharam que tinham pago o que o garçon disse que não tinham e saiu discussão, empurra-empurra e até uma doida loira que deu de jogar o que viu no balcão no chão. Foram expulsos. Ainda bem.

domingo, 22 de março de 2009

Um reencontro com a paz e a natureza


Conheci Pirenópolis, em Goiás. Adorei. Uma cidade muito bucólica, um point no meio do cerrado para se curtir a natureza e a noite. Claro que um fim de semana é pouco demais para conhecer e usufruir tudo que a cidade e os arredores têm de bom. Fui em uma cachoeira, a Nossa Senhora do Rosário, a 33 km da cidade. O lugar é maravilhoso. Tem um restaurante de pedra muito zen, com diversas esculturas - na verdade, pedras empilhadas de uma maneira que só o cara que fez deve saber por quê -, um quarto cheio de redes onde vi um pôr-do-sol divino, depois de tirar uma soneca como há muito tempo não tirava. De lá, após descer um morro bem íngreme, se chega a um mirante, de onde se pode ver o cerrado, aquela vegetação tão especial, com cada flor incrível. Mais para baixo há uma piscina natural com uma água límpida, que revela um fundo de pedras e folhas caídas das muitas árvores ao redor que remete a uma paz incrível. Como me senti bem naquele lugar. Mas a água estava fria demais, e o sol, encoberto pela copa das árvores, não ajudava a aquecer. Resultado: nem entrei na água, do que me arrependo, porque deveria estar maravilhosa. Descendo outro tanto, em uma escadinha a quase 90 graus, chega-se à cachoeira, que cai em um laguinho repleto de pedras redondas fazendo um leito muito bonito. Bem, aí tive coragem de entrar na água, e por isso me arrependi de não entrar na piscina, porque a água é gelada, mas depois de dentro dela o corpo se acostuma e fica até quente. É muito bom mesmo sentir o jorro daquela queda d'água nas costas, na cabeça. Depois o almoço naquela casa de pedra, onde um tucano, de nome Obama, faz voos rasantes e vem pousar em nosso braço à espera de algum pedaço de comida. O almoço foi tudo de bom também, comida feita em fogão de lenha, muitos legumes da horta dos donos. Um local bem integrado à natureza, e onde se dá vontade de ficar muito tempo, sem querer ir embora.

A pousada é outro destaque. De nome Quintas de Santa Bárbara, é instalada em um terreno enorme repleto de árvores, jardins, onde se pode deparar de repente com famílias de cotias e micos muito graciosos. Redes na varanda dos quartos onde se pode render-se à preguiça sem a menor culpa. Aliás, lá se esquece de qualquer problema e vive-se apenas integrado à natureza, convivendo com pássaros de todos os tipos - vi uma dupla de periquitos comendo coquinhos que foi um espetáculo. A gente que é do asfalto muitas vezes nem se dá conta de como isso é importante. À noite, em uma volta pela cidade, dá para se ver como fervilha. Inúmeros barzinhos, onde pude experimentar o famoso empadão goiano, uma delícia, um sorvete de capim santo (erva cidreira) surpreendente. Antes de ir embora, almoço no restaurante Pedreira, onde comi uma pamonha frita que nunca imaginei existir. Que delícia! Nossa, é um lugar muito gostoso, de um astral incrível, com uma riqueza cultural que ainda há muito a se explorar. O ponto negativo são as inúmeras pedreiras ao redor, que parece que tornam a extração de pedras a principal atividade econômica da região. Isso é que nem garimpo, sabe, degrada muito a natureza. Ah, em outra pousada conheci um trecho do rio das Almas, que me fez definitivamente tomar a decisão de nunca mais na vida chamar o Tietê, o Pinheiros e o Tamanduateí de rios. Uma beleza de paisagem também, que havia muito tempo não vislumbrava. Lembrei-me de quando era menino de 5, 6 anos, que morava em um lugar, em São Caetano, em que havia ainda rios límpidos, matas virgens, natureza mesmo. Pena que o progresso terminou com tudo isso. Mas o bom é que ainda há muitos lugares assim neste país, basta viajar um pouco e se depara com o verde, o céu cravejado de estrelas, uma lua redondinha e um sol benfeitor a banhar todo o cenário e dar-nos o espetáculo de seu nascer e seu pôr.
Destaque especial à minha amiga Sandra, que me revelou esse esplêndido lugar e confirmou a impressão que já tivera dela na Ilha do Mel, uma pessoa agradabilíssima e excelente companhia, com que tive conversas maravilhosas e momentos inesquecíveis.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pirenópolis


Amanhã irei a Pirenópolis, em Goiás. Minha amiga Sandra me encheu de vontade ao descrever o que encontrarei ali: cachoeiras, natureza, cidadezinhas antigas, trilhas, boa comida, boa diversão. Como confio no seu julgamento, espero que realmente me divirta muito. Quero conhecer a natureza, a cultura, a gente, a comida. As festas. Neste fim de semana, coincidentemente, haverá uma mostra de vídeo socioambiental, além de oficinas diversas, shows e no sábado uma baladinha imperdível. Gostaria de fazer também uma das caminhadas, mas acho que um fim de semana é pouco para explorar plenamente o local. O interessante também será conhecer o Cerrado, um bioma dos mais importantes, a savana com a maior biodiversidade do planeta. Enfim, segunda-feira relato tudo, ilustrado com muitas fotos.

Imagem legal

Tem mais destas aqui: http://b3ta.com/challenge/beatles


quarta-feira, 11 de março de 2009

Eu não sou cachorro, não

Ontem uma amiga me chamou de cachorro, pelo fato de eu ter muitas amigas. Claro, ela quis dizer que eu sou mulherengo, galinha... Ora, longe de mim. Realmente eu tenho muito mais amigas do que amigos, mas não é culpa minha. É que eu não sei conversar com homens muito bem, porque não entendo nem gosto de futebol, detesto falar de carros (o meu não tem equipamento nenhum além de um tocador de CD e rádio porque, afinal, sem música eu não vivo) e não fico em balcão de bar enchendo a cara e falando mal da mulher. Claro que isso é um estereótipo, mas a verdade é que por conta disso eu não firmei muitas amizades masculinas mesmo. Evidente que tenho grandes e preciosos amigos, que há assuntos variados para falar com eles, mas tenho as amigas ou colegas em maior número. E me orgulho muito de minhas amizades femininas. Com elas conversamos assuntos mais, digamos, abstratos, e a percepção feminina das coisas me deixa muito surpreso. Alerta-me para o quanto as vezes analisamos uma situação com o olhar superficial ou óbvio, enquanto as mulheres veem nuances que nos passam despercebidos. Fui criado em um lar com mãe e duas irmãs - o pai também, mas ele trabalhava fora e não partilhava de meu dia o tempo todo como essas três. Talvez isso explique essa minha predileção por elas. Portanto, minha amiga, cachorro eu não sou, pois quando eu amo só existe meu amor para mim e mais ninguém.

segunda-feira, 9 de março de 2009

À sombra das chuteiras imortais



Assunto obrigatório: Ronaldo. Quem me conhece sabe que não ligo pra futebol, mas esse assunto é a notícia do domingo, estampa a capa de todos os jornais (o Correio Braziliense deu manchete) e não se pode deixar passar em branco. Eu vi uma parte do jogo. E vi o chute na trave, o passe e finalmente a cabeçada fatal. A tv não deu moleza: reprisou em câmera lenta, inúmeras vezes, vários dos lances do fenômeno. Olha, eu não entendo nada de futebol, mas os dribles e a precisão do cara não são coisas que se precise de ciência para perceber. A bola nos pés de Ronaldo faz se ter a impressão de que jogar futebol é fácil. Eu gostava de ver o Garrincha driblar os joões e do estilo de Pelé, muito forte, um impulso na corrida perfeito. Isso dá gosto de ver em uma partida. Agora, o que se vê em demasia por aí é firula, cera, jogo retrancado, travado, sem beleza, sem poesia. Quando eu lia as crônicas do Nelson Rodrigues sobre futebol sentia vontade de ser torcedor, tamanha a beleza do texto do grande escritor e dramaturgo. Ele fazia o futebol parecer ópera, concerto, obra-prima. Será que o texto dele conseguiria embelezar o futebol que se vê por aí hoje? Não sei responder. Ronalducho, continue assim. Quem sabe eu me torne corintiano...

domingo, 8 de março de 2009

What a night!

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher, uma data que talvez poucas pessoas saibam por que existe, qual sua origem. Bem, se procurarem no Google vão achar, mas faço questã de registrar aqui: em 1857, em Nov York, operárias de uma fábrica de tecidos fizeram uma greve, reivindicando coisas como melhores condições de trabalho e redução da jornada de trabalho, que chegava a 16 horas diárias. Queriam jornada de 10 horas. Também pediam equiparação salarial com os homens, já que percebiam 1/3 do salário dos homens para o mesmo trabalho. Bem, elas ocuparam a tal fábrica em 8 de março e a patrãozada trancou-as lá e botou fogo na firma. Morreram 130 tecelãs, aproximadamente. Em 1910, em conferência na Dinamarca, resolveram que esse dia seria a data internacional da mulher, oficializada pela ONU. O objetivo foi que, nessa data, se fizesse uma reflexão, se debatesse o papel da mulher na sociedade, no mundo do trabalho, visando diminuir o preconceito contra nossas parceiras, valorizá-las como merecem. Hoje, a data, como tantas outras, foi absorvida pelo comércio, e prefere-se dar um presentinho, buquê de flores, a parar para ver se realmente a mulher está com seu papel e seus direitos atendidos. Eu admiro muitas mulheres, sempre fui chefiado por uma, desde minha iniciação profissional, e acho que quanto mais falarmos a mesma língua mais será desnecessário discutir suas mazelas.

Falar em mulher, não posso deixar de registrar aqui minha experiência neste fim de semana, repleto de companhias femininas. Sinto-me privilegiado por poder contar com a companhia de tantas belas e perfeitas mulheres. Sexta-feira fui com minha filha, a mãe dela e uma sua tia, irmã da mãe, ao cinema. Vimos "Menino da Porteira". Um filme cândido, descompromissado, que trata do universo rural com propriedade, e retrata em imagens a história da música, claro que adaptada para obter um efeito dramático melhor. Após o cinema, fui a um bar legal na Vila Madalena com uma amiga, uma mãe de um casal, professora do Estado, mulher batalhadora, a quem só pude depositar meu carinho e admiração, e absorver tanto ensinamento que saí desse encontro melhor pai do que entrei, com certeza. Já no sábado, estive com minhas duas irmãs, mulheres igualmente batalhadoras, mães, a mais velha já avó de quatro lindinhos. É incrível como nessa altura da vida a relação com os irmãos é tão madura, diferente daquelas picuinhas de quando éramos adolescentes. Hoje, já sem nossos pais vivos, somos o esteio um do outro e a nossa referência de família. À noite, fui em uma pizzaria na Freguesia do Ó com outra amiga, também mãe de duas meninas, viúva. Uma pessoa de um astral contagiante, serena, com as palavras adequadas a cada situação. Uma mulher com quem a conversa foi construtiva e reconfortante. Depois dessa conversa, deixo-a em casa e, sem sono, resolvo bater perna na Vila Madalena. Paro no Filial e tomo chopes. Mulheres bastante. Procurei conversa com algumas. Tive resposta com umas, outras educadamente me puseram para correr. Havia uma completamente bêbada, para em cada rodinha para conversar, palavras desconexas. Uma hora ele chegou em mim e simplesmente pegou meu chope e jogou fora. Ainda bem que o garçom viu e repôs. Outra hora veio e simplesmente apropriou-se de meu copo. Não soube como lidar com ela. Uma moça muito bonita, decerto de recursos, mas fraca de bebida. Conversei depois com uma dupla, que não entendi muito bem o que estavam ali fazendo, só sei que em determinado momento saíram para a rua e não retornaram. Acabei conversando com uma outra que correspondeu ao meu oi, fez-me pagar sua conta e disse que ia ao Love Story, uma baladinha no centro de São Paulo. Levei-a lá. Da porta ela sumiu e nunca mais. Encontrei-a só duas vezes na pista e ela não me deu muita trela. Fiquei na minha e procurei ver se aproveitava o ambiente. Logo de cara fui chamado de tio por uma garota pouco mais velha que minha filha e com roupas ínfimas. E assim foi a noite toda. Não despertei a atenção de ninguém ali dentro. Mas me diverti bastante, dancei, até conversei algo com algumas pessoas. Só achei um roubo pagar 50 paus pra entrar, mas valendo dois uísques, e depois na saída os seguranças pediram uma caixinha, sei lá por quê. Definitaamente, isso não é ambiente para mim. Sem querer parecer careta, mas acho que em ambientes como aquele a mulher esquece sua história e torna-se uma pessoa cujo único valor encerra-se no sexo e só. É uma grande pena, mas é o conceito de diversão que impera por aí.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cultura da não fruição

Comprei recentemente um novo aparelho celular, não de último modelo, mas bem moderno, desses com câmera fotográfica e filmadora, internet, e-mail, bluetooth, rádio, tocador de mp3 e mais um monte de recurso que ainda preciso ler no manual para entender para que serve e como operar. Ah, serve para telefonar e mandar torpedo também, meus usos mais frequentes. Imagino vez em quando como um aparelho desses me fez falta 25 anos atrás, quando tantas vezes estava atrasado para um compromisso, preso no tráfego dentro de um ônibus, e uma ligação avisando que chegaria mais tarde seria uma boa livração da cara. Incrível, mas hoje há o recurso mas não a necessidade, parece que, embora o trânsito tenha piorado muito mais, consigo me programar melhor e não chegar atrasado a nada. Ou então quantas vezes vi cenas impressionantes na rua que pensava se tivesse uma câmera iria eternizar o momento. Hoje tenho, mas parece que o olhar está menos atento. Não sei, mas me parece que a necessidade torna as pessoas mais sensíveis ao que lhes ocorre ao redor. Hoje temos tudo à mão e muitas vezes nem sabemos para que precisamos. Troca-se de celular a cada seis meses apenas para ter o mais recente modelo. Há tempos venho adiando a compra de um gravador de DVD. Penso: com ele, faria a coleção de filmes que eu comecei ainda na época do videocassete e abandonei. Gravei centenas de filmes. A quantos eu assisti? Poucos, muito poucos. Comprei vários DVDs também e estão lá, dormindo na estante. Então, para que comprar o gravador se não conseguirei assistir a tudo que gravar. Também baixei um monte de músicas em mp3 no computador. Tem mais de 5 mil lá. E a disposição de ouvi-las? E assim as coisas vão. Livros que comprei ainda nos anos de faculdade que igualmente não foram lidos... É a cultura da acumulação, ou da facilidade. Porque quando o acesso era difícil, consumia-se avidamente o que se conseguia. Claro, a culpa não é da tecnologia, penso que é a gente que não sabe lidar bem com isso: quer-se tudo para nada usufruir, da mesma forma que a garotada hoje tem diversos casos (ou ficadas) e nenhum romance.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Elles voltaram (mas se foram?)

E o Collor hein? O agora senador pelo PTB do Roberto Jefferson vai presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado, um colegiado que tem importância estratégica na agilização e/ou desaceleração dos projetos que o governo pôs embaixo do guarda-chuva do PAC. Dizem que o propósito do ex-presidente é ganhar visibilidade para alçar voos rumo ao Palácio República dos Palmares ou, quem sabe, regresso ao do Planato... Tudo é possível. Garantem alguns colunistas que "elle" não pretende incomodar o governo, do qual seu partido integra a base aliada. Quem diria, não é mesmo? E, como bem lembrou Dora Kramer, Collor foi eleito à comissão, derrotando Ideli Salvatti (PT-SC) - a quem caberia por direito regimental a cadeira -, por obra e manobra de seu fiel escudeiro Renan Calheiros (esse também conhecedor dos dissabores de uma renúncia), após receber salvo-conduto do presidente da Casa, José Sarney. Conforme recorda Dora, Sarney era atacado ferozmente por Collor em sua campanha, chamado de "batedor de carteira da União". Coisas da política, onde não há inimigos, mas apenas adversários, que, como se sabe, mudam de lado ao sabor das conveniências. Bem, recuso-me a postar fotos desses cidadãos. Esse é um blog decente...

Ronalducho, pra usar uma expressão do José Simão, jogou uns 25 minutos ontem, na partida contra o Itumbiara, de Goiás, quando o Coringão venceu por 2 a 0. Não entendo nada de futebol e não acompanho jogos, mas fizeram tanto barulho por conta desse retorno do fenômeno depois de mais de um ano de molho, devido a nova lesão em um joelho, que resolvi assistir à partida. Vinte e dois minutos do segundo tempo: o camisa 9 adentra o campo. Vixe, o cara tá muito gordo, mais que eu, que nem tenho tanta barriga assim. Senti-me redimido. Pena que minha protuberância abdominal não rende milhões nenhum... Rs


Excomunhão é algo que ainda assusta alguém? Queria entender. Nunca fui ligado a questões religiosas e não sei o que realmente significa essa medida da Igreja Católica. Estou falando do arcebispo de Recife e Olinda que excomungou os médicos que provocaram o aborto dos gêmeos que uma menina de nove anos trazia em seu ventre, fruto de uma relação não consentida com seu padastro. A mãe da garota também foi condenada. Quero saber se o tal padastro continua a ter o sagrado direito à comunhão na cadeia ou também será defenestrado para sempre do caminho do céu.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Carnavelhas

Depois de dois carnavais em Salvador, eis que este ano eu quis sossego e fui a um show das Velhas Virgens, numa casa na Augusta chamada Inferno Club. Os caras tocaram muitas marchinhas das antigas ao som de guitarras e muita baixaria. Foi muito legal. A casa é bem interessante, um ambiente propício ao rockenroll do jeito que eu gosto. Tocaram também alguns de seus clássicos, que eu só conhecia de nome e, olhe, gostei muito. Bem escrotos, machistas ao extremo, escatológicos e pornográficos, mas muito divertidos. Bem melhor que os axés da Bahia e os baticuns dos sambódromos. Mas não me livrei disso de todo, já que fiquei de plantão de sábado para domingo de carnaval. Porém foi tranquilo, e só deu para eu constatar, mais uma vez, que de carnaval nada entendo e não pretendo me aprofundar. Virou uma indústria como qualquer outra de entretenimento e deve girar muita grana por conta do turismo. Mas eu não gosto, fazer o quê?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O tempo, o inexorável tempo

São 18h50 no horário normal, depois de encerrada mais uma temporada de horário de verão que tanto transtorno me causa no trabalho. Agora as coisas se ajeitam, finalmente. Bem, falar em tempo, neste fim de semana tive duas oportunidades de refletir sobre ele, e me dar conta de que ele, o tempo, o carrego nas costas como qualquer um, mas é em ocasiões específicas que a gente se dá conta de como ele passa... Estive na festa de aniversário de um amigo deputado estadual sexta-feira, cá em Santo André, e reencontrei alguns amigos de tempos passados. Conversando, nos demos conta de que nossa amizade vai completar 30 anos! Estranho, conversando ali com os caras, nos abraçando, nos comportando como naquela época, apesar da maturidade que trazemos hoje e que não permite certas atitudes, senti-me como aos 19, 20 anos ainda, e foi só um deles falar dessas três décadas que separam o momento em que iniciamos nossa amizade e hoje para cair a magia e vermos como estamos longe daquele período, como mudamos, desenvolvemos outros interesses, caminhamos por caminhos que nem sonhávamos àquela época que trilharíamos. E aquele jovem que fingíamos ser nesse reencontro por um instante desapareceu, uma ligeira sombra passou pelo rosto e um turbilhão de memórias veio à mente, um pouco revendo o que se fez, lamentando o que não se fez, e um tanto gostando de ainda poder ser tão irradiante como naquele tempo. E voltou logo ao semblante a alegria de sempre e as conversas continuaram amistosas e felizes, principalmente por se ver que o tempo não impediu que o carinho que sentimos uns pelos outros permaneça forte e intenso.

O outro evento deste fim de semana que levou à constatação de que o tempo é inexorável foi um programa que fiz no sábado. Fui ao que hoje se chama balada, mas que quando eu era adolescente nominávamos discoteca, danceteria, salão, sei lá. Puxa, eu me senti um verdadeiro dinossauro ali, não pela distância etária entre eu e a média dos frequentadores, mas por não ver a menor graça naquilo, no tipo de música que toca, no comportamento da moçada, no conceito de diversão que isso quer encerrar. Não é porque não gosto de dançar - até gosto, se bem que meus passos são os mesmo qualquer que seja a música que toque. O problema é que não é possível uma interação um pouco mais profunda em um ambiente desse. As pessoas estão lá para "azarar", beijar o máximo que puder, relações efêmeras, ser uma pessoa superficial, um ser suante e dançante que não articula duas frases com algum sentido. Decididamente, isso não é diversão para mim. Aos meus 16, 17 anos o era, mas, não sei não, acho que era diferente, talvez menos superficial, pelo menos a gente se arranjava namorada lá ficava com ela um tempo. Sei não.

Bem, a conclusão é que não me sinto velho por isso; ora, aos 47 não posso me julgar idoso, mas penso que devo me eximir de experimentar certas coisas que sei que não me cairão bem. Não adianta querer fazer programas para os quais não tenho afinidades, apenas para estar em dia com a modernidade. Não vejo necessidade de ser moderno, mas é importante saber experimentar daquilo que a experiência indica que haverá qualidade e se extrairá algo de melhor do que apenas diversão. Afinal, o tempo é precioso demais para se gastar com coisas que não dão frutos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ainda o medo de avião


Outro acidente com avião (foto AP): 49 morreram. Estou começando a ficar com medo. Foi nos EUA, em Buffalo, Estado de Nova York. Um Bombardier (eta nominho sugestivo) caiu sobre uma casa a poucos quilômetros do aeroporto. O que se sabe até agora é que morreram 44 passageiros, quatro tripulantes e uma pessoa em terra. A CNN mostrou imagens de muito fogo. Demos o plantão (infelizmente, é em uma hora dessas que a gente vê para que servimos).


Outro assunto internacional é o da brasileira que foi atacada na Suíça por uns caras ultranacionalistas e irracionais, que a espancaram e cortaram sua pele a estilete, inclusive grafando a sigla de um partido político que professa essa linha. Xenofobia pura ou apenas ato insano de mais uns moleques sem diversão melhor? O pior é que a moça está com credibilidade zero lá; estão falando até em autoflagelo. Se fosse aqui dava incidente diplomático.


Curiosa foi a notícia da catadora que achou uns 40 paus no lixo de um supermercado e, ao reparar tal conteúdo, devolveu no estabelecimento, onde todos já estavam se esgoelando à procura do dinheiro, que fora colocado em sacos de lixo por medo de assalto. Boa alma da mulher. E isso ao lado de notícia de que a crise está afetando até mesmo essa atividade, a de reciclagem de papelão. Estão pagando 8 reais e pouco por 100 quilos do material!


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Bem na foto

Puxa, finalmente me animei a atualizar esse blogue. Confesso que andei um tanto desanimado, mas tanta coisa aconteceu nesse período, mas aos poucos vamos relatando, para não ficar cansativo. Quero dar um alô a Vivi, que visitou esse sítio e deixou mensagem bem gostosa. Beijão, linda! Vou dar uma de Simão agora: "Eu também quero foto com Lula e Dilma!". Rá, rá, rá... Que coisa esquisita né gente. Uma foto com um painel, pro sujeito chegar lá no seu rincão e botar banca de bacana que posou com as duas pessoas mais poderosas neste país atualmente (vide no clique de Celso Júnior/AE). Rá, rá. Eu tenho foto com o Lula, e de verdade, qualquer dia escaneio e ponho aqui para me chamarem de deslumbrado. Bem, o baiano não era presidente na época, nem do PT. Acho que só do Instituto da Cidadania, ou condutor das caravanas idem.. Sei lá. Reina deve lembrar mais que eu (abraço a você, nego, tenho acompanhado seu Tudo é Política religiosamente, ah, recomendo, viu). Mas deixa, né, os caras pagaram 30 paus por essa foto e jogaram fora, já que toda a imprensa deu a notícia: não dá mais para botar banca... Ainda falando de Reina, faltou vc também na pizza na casa do Silvio/Fátima - que acabou nem tendo pizza, tamanha a quantidade de petiscos que Fá botou... Eu voltei da Ilha do Mel e fui direto lá. Com fome adequada e sede idem. Tomamos muito vinho, comemos várias coisas e a conversa fluiu excelente. Vamos ver se em 2010 rola o encontro dos 25 anos de formatura (bodas de prata, crêem?)

Essa eu tenho que contar: minha filha, Isabela, passou na Fuvest, como treineira, e o colégio dela botou faixa na frente de sua casa parabenizando. Acho que ela merecia um belo desconto na mensalidade pela publicidade né?

Estou terminando o Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramago. Fiquei entusiasmado com e escrita desse cara. Nunca o tinha lido e confesso que perdi muito ao não o fazer, pois o texto dele é saboroso, de fina ironia e de uma construção tão rica quanto bela. E quanta imaginação. Ele dá uma humanizada tamanha em Cristo que chega a parecerem naturais as coisas sobrenaturais que lhe ocorrem (milagres, visão de Deus) . Leitura altamente recomendável. Quero mais. Bem diferente de outra leitura próxima minha, o Caçadores de Pipa (Khaled Hosseini), a qual me interessou a história, dada a situação ainda complicada no Afeganistão. Evidente que a obra pouco esclareceu sobre Talibans e a história afegã, mas os usou como pano de fundo, suficiente, portanto, para estimular uma pesquisa apurada sobre o assunto. O enredo agradou, se bem que pouco desenvolvido em vários pontos, mas a escrita deixa a desejar, é literatura menor, sem muito brilho - ou quem sabe a tradução foi pobre, não sei. O filme então piorou: terrível, não sei se não tivesse lido antes o livro teria a mesma percepção, mas acho que sim, muito ruim mesmo a película.

Poisé: estive em férias e viajei muito: Cascavel (PR), Rondonópolis (MT), Magda e Ubatuba (SP), Pantanal (MT) e Ilha do Mel (PR). Boa parte dessa maratona de carro (só a viagem ao Pantanal fiz de ônibus e me arrependendo amargamente, pois voltei de Andorinha e o condutor não andava a mais de 60 km/h, e parava em todas as cidades praticamente e em todas as garagens da empresa, só não sei por quê, pois em Rio Claro [SP] o motor deu pau e tivemos de trocar de ônibus, depois de esperar mais de 3 horas pelo substituto, como resultado, perdi a formatura de minha sobrinha mais velha, Shirley). Mas fora isso os passeios foram esplêndidos. Gostei muito do Paraná (que eu não conhecia) e no Pantanal foi uma aventura diferente, andando de barco pelo rio e corichos, caminhando em trilhas na mata e também aproveitando a infraestrutura excelente do Sesc de lá. E ainda encontramos o Silvio e a Fátima (rs). Fiz mais de 7 mil km com o Peugeot e ele deu conta direitinho, nem um pneu furado (ainda bem). Também gostei muito de ter ficado em um albergue na Ilha do Mel, acho que é uma ótima opção para viajar por esse mundo. Conheci um monte de gente de várias partes do mundo, o que tornou a viagem ainda mais rica culturalmente e proporcionou contato humano dos mais interessantes. Na ilha descobrimos um bar chamado Toca Raul (na foto de minha lavra à esq.) - que, infelizmente, não tinha Raul para tocar; pedi para o dono - Ernani, uma figura exótica como todo seguidor do Raul - pôr um DVD do roqueiro para os israelenses que conhecemos pouco antes verem e o cara pôs mas não rodou. Depois colocou umas músicas, mas não era Raul, mas sim Marcelo Nova e Raul. Estranho isso. Bem, nesse bar o cara serve uma tal de Meleka (que deixa as moças quentes e os moços atrevidos, conforme sua publicidade), feita de vodca, mel e uma série de raízes que ele não conta para ninguém. O fato é que tomei duas doses da coisa (lembra Fogo Paulista) e fiquei alegre. Aí fomos no Cavalo Marinho, um bar perto, onde dois sujeitos que pensam que cantam soltavam a voz como que para espantar os maus espíritos. Lá tomei ainda um capeta e daí em diante não me lembro de mais nada. Só que acordei no quarto como vim ao mundo e sem fazer idéia de como tinha chegado lá. A moça que me acompanhava disse que fui a atração da noite, mas, felizmente, apurando junto aos presentes, soube que não fora inconveniente com ninguém, nem chato, suponho. Mas fica a lição: se forem tomar a Meleka no Toca Raul, não tomem mais nada, acho que a mistura é que fez o estrago.

Bem. vou contando mais aos poucos, porque tem muita história legal para contar.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vítimas da chuva

A mobilização mundial ontem em torno da última etapa - brasileira - da Fórmula 1 me assustou. É por isso que essa atividade rende tanto dinheiro. E esta corrida parece que foi planejada para o que aconteceu: uma vitória a segundos do final, para frustração de tantos brasileiros que torceram para Felipe Massa (e para a Ferrari e todos seus patrocinadores, é claro). Mas que levantou a torcida até a bandeirada final. Adrenalina assim custa caro, mas rende muito. Pois vão todos dormir com um gosto amargo na boca e umas centenas de reais a menos no bolso. Menos os pilotos e equipes... Pois nesse domingo de F1 me acontece de eu me envolver em um acidente de trânsito. Eu não tive culpa. O sujeito fez uma conversão proibida e na contramão. Chovia e os pneus não seguraram o carro na pista molhada. Bati em uma van escolar! O cara estava transportando um monte de gente, claro que não eram estudantes. Imagino que trabalhadores propagandistas, como esses de anúncios imobiliários, porque o veículos estava cheio de placas. Mas não quis saber. Nunca me envolvi em acidente assim, que tivesse que negociar. Não sabia muito o que fazer. E fiquei com medo de o sujeito sumir e não o ver nunca mais. Assumiu a culpa e se comprometeu a pagar o conserto. Bem, até aí, tudo bem. Mas estou ainda desconfiado. Agora, já imaginou se o cara faz isso transportando crianças? Pois a chuva deste domingo fez, pelo menos, dois infelizes: eu e Massa, mais minha filha, que estava comigo no carro, pois a levava à igreja, e levou um grande susto, além de perder o culto.

sábado, 1 de novembro de 2008

Coisas do dia

Fui ver este sábado "Duas faces da lei", no Unibanco do Bourbon. Não gostei. Faltou ação e De Niro e Pacino podem fazer mais do que vi nesse filme.

Na sexta, assisti, com Eduardo, a Lenine, no Sesc Pinheiros. Gostei. Bons arranjos e letras poéticas. O cara agita a moçada. Gostei também de ele lançar o último trabalho dele em vinil; mas está muito caro (era R$ 120 lá).

Hoje tem corrida de Fórmula 1. As apostas vão em Felipe Massa. Não entendo nada de F1, e acho que armam um espetáculo grandioso demais em torno disso.

Terça, dia 4, os americanos escolhem o sucessor de Bush. Não sei se Obama ganha. Ele está na frente nas pesquisas, mas eleição americana é muito esquisita e o clima de já ganhou nunca é bom conselheiro. Penso que na hora H o preconceito falará mais alto.

Passei na Amaral Gurgel voltando do cinema e fiquei chateado com as pessoas dormindo embaixo do Minhocão. Tem gente que diz que eles estão lá por opção. Não sei... Nunca conversei com eles. Mas deveria haver uma opção melhor para quem opta por morar em lugar nenhum. Não os Cetrens (deve ter mudado de nome, por conta do marketing político, mas a essência creio que não), mas algo que permitisse ao cara ser o que é mas com um mínimo de higiene e conforto. E privacidade. Estou errado?

As meninas voltaram a usar saias e vestidos. E estão lindas. Dever ser a primavera. Bem-vinda primavera!

Os meninos estão cada vez mais truculentos. E não é culpa das academias. É outra coisa. Talvez a necessidade de afirmação, ou de marcar posição. Ou revolta com sei lá o quê.

Tenho intenção de fazer mestrado, para dar aula de jornalismo um dia. Mas agora que apareceu esse sertanejo universitário estou repensando...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A VIDA NÃO É BELA


FUI ao cinema sexta-feira passada. Assisti a Era Uma Vez, de Breno Silveira (que está aí na foto entre Rocco Pitanga e Thiago Martins). Não vou dizer que o filme me emocionou ou chocou. Não. Achei um filme sensível, sim, com uma história eu diria previsível, se se pensar que a fonte foi Romeu e Julieta, de Shakespeare. A temática, afinal, é constante nos folhetins televisivos: a riquinha que se apaixona pelo pobretão. Agora, o que eu achei mesmo desproporcional foi a interpretação, uma ou duas oitavas acima do que seria natural. A direção de atores exagerou mesmo, talvez propositadamente. Mas a produção, quem sabe para não chatear os patrocinadores, pintou uma favela até bonita, com vista para o mar, se bem que em determinadas cenas o Atlântico visto da varanda dos barracos esteja envolto em névoa, em contraste ao brilho da praia que os endinheirados de Ipanema vêem. Mas é uma favela bonita, digna de receber a patricinha que cai de amores pelo vendedor de cachorro-quente. Mas, sabe, a vida não é bela, mesmo que o seja a favela. E a realidade se faz presente nas horas menos queridas cobrando seu tributo. E o amor bonito, acima de todos os preconceitos e convenções e barreiras, é atacado, e os preconceitos, convenções e barreiras vêm se impor. Donde se pode concluir que o problema não é amar um pobretão, mas se envolver com um pobretão de uma favela, ainda por cima carioca. Bem, gostei do filme, mas deveria ter baixado um pouco o tom e ser mais verossímil.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ÚLTIMO DESEJO

E como é a vida, não!? Há poucos dias, foi-se Dorival Caymmi, dizem que a doença de sua amada Stella agravou a própria, do que não duvido, porque morre-se de amor e de saudade também; eu admiro casamentos longevos, e o deles durou mais de 60 anos (68 para ser exato). Imagina, o casal, se se dá bem e se respeita e se ama, torna-se uma só pessoa. Admiro e, por que não dizer, almejo um relacionamento duradouro assim. Bem, o que eu estava comentando é que eles foram embora com a pequena diferença de 11 dias. Stella (aliás, Adelaide) estava em coma desde abril e racionalmente pode nem ter sabido do desaparecimento de seu amado, mas duvido que sua alma não sentiu e não se esforçou para lhe fazer companhia. Agora, sim, a jangada voltou só. Pensava nesse post ontem à noite dirigindo ao trabalho ouvindo um CD com canções na voz de Maria Bethânia quando começa a tocar a faixa "Último desejo", de Noel Rosa. Poxa, essa foi a canção que, na voz de Stella, em um programa de calouros em uma rádio do Rio, fez Dorival se apaixonar por ela...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Foi por medo de avião...



Espanta-me - e a todo o mundo, quero crer - essa onda de acidentes aéreos que vem rolando. Só nesta semana finda, foram dois (Espanha e Quirguistão), com pra lá de 200 mortos. Depois daquele da TAM confesso que deixei de considerar esse tipo de transporte muito bom. Minha primeira vez, em 1983, Fortaleza/SP, foi daquelas de tremer à primeira turbulência. Tenho registrado em meus escritos o momento, não falando da viagem em si, mas do motivo que me fez retornar das férias no Ceará - a morte de minha mãe. Muitas outras viagens de avião fiz depois, e o medo nunca me abandonou. Não pavor, porque senão sem subiria, mas aquele medinho do desconhecido, do inevitável, que dá quando a gente anda por uma rua deserta à noite, ou quando vê sozinho um filme de horror B (que eu já adorava bem antes de virar 'cult'). E agora com essa sucessão de tragédias fico com um pé atrás e o outro também, porque acidentes acontecem, mas falhas humanas nesse setor, caso as haja mesmo, são imperdoáveis. Antes pegar estrada com meu carrinho, porque, bem ou mal, o chão está mais perto.


Mas não foi para falar de acidentes aéreos que abri esse post. Foi para falar de medo, ou de vacilações, hesitações. Eu os tenho em abundância, muitos por uma questão de sobrevivência, os instintivos, mas outros pela falta de ousadia mesmo. É difícil se ter coragem, ser destemido, porque implica resistência, enfrentamento, lançar-se à frente, ter iniciativa. A sociedade louva esse tipo de pessoa, mas ao mesmo tempo faz muito para podar esse comportamento. Veja, por exemplo, essa imagem que já virou chavão, mas serve para ilustrar: a quantidade de 'nãos' que a pessoa ouve na vida, desde que nasce até a morte, é de matar qualquer vontade. Da família (essa instituição que primeiro nos molda aos parâmetros socialmente aceitos) a todas as demais "autoridades" com que nos defrontamos na vida, é um crescendo de cortes do nosso barato. Mas, em contrapartida, quer gente mais bem aceita - e invejada - que os chamados bem-sucedidos, aqueles que meteram as caras e foram atrás de seus sonhos, de seus projetos. Empresários, artistas, políticos, cientistas, intelectuais. Estão aí para dar o exemplo. Penso que se deveria estimular a coragem desde cedo, como fazem os animais. Mas o bicho homem, de maneira geral, gosta de superproteger, o que gera seres medrosos. Ouvi o nadador Michal Phelps dizer, após ganhar sua enésima medalha de ouro, que uma vez um professor disse que ele não ia ser nada na vida. Eu ouvi isso também, e não de um professor, mas de vários. A avó de uma amiga certa vez contestou a professora em uma questão - na qual ela, a avó, tinha razão -, e de castigo teve de ficar o resto do ano sem poder falar em classe. Anos depois a tal professora suicidou-se. E a avó viveu muito mais e realizou muitas coisas lindas na vida. Então é isso. Acho que não se pode podar a criatividade, a iniciativa, a ousadia, as idéias novas, os ideais, os talentos. Senão teremos, em vez de empreendedores, uma geração de medrosos que não fará o mundo ir para a frente.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Não vou falar de Olimpíada




Semana que vem não haverá mais esses jogos lá na China para absorver a atenção de uma Nação. Acho chato, não gostei dessa Olimpíada, e não é porque tivemos (até agora, 7h21) poucas medalhas. É que esse clima de que temos a obrigação de torcer pelos atletas não condiz com a realidade do país, e isso nem vale a pena se perder em dizer. Está evidente. E é tudo que falo de esporte hoje. Aliás, nem quero falar de notícias, um dos focos desse blog. Mas, enquanto a bolsa de Cingapura não fecha para eu terminar meu texto, vou divagando sobre o que me passa na cabeça; vou ser banal, até pueril. Falar de sonhos, por exemplo. Não aspirações, desejos, projetos. Sonhos mesmo, aquilo que normalmente temos ao dormir. Nesta noite (dia, no meu caso), sonhei que colhia cocos verdes dentro de uma casa, como se cortasse cacaus, mas dentro do coco/cacau havia não água-de-coco, mas suco de caju! Acho que é porque dormi ouvindo Sergeant Peppers'... e toda aquela psicodelia interferiu em meu subconsciente. Sei lá. Mas foi um bom sonho, pena que nele eu fumava, coisa que deixei pra trás há uns bons 5 ou 6 anos e não pretendo retomar. Mas de repente o charuto que estava em meu bolso virava chocolate, ou cacau mesmo. Sonho pirado, que, aliás, não interessa a ninguém. Mas estou assim mesmo hoje: sem vontade de ser profundo, me dando o direito de ser um pouco raso, de falar besteira, de não me obrigar a ser inteligível. Afinal, já cansei de ler coisas que não me passou pela cabeça a menor idéia do que se tratavam, e as editoras, jornais e revistas estão povoadas de tipos assim, que se arvoram escrever sem a preocupação de ser entendidos. O cinema, a música e o teatro também estão carregados de gente assim. Vamos, então, dar liberdade de escrever o que bem entender, vivia o hermetismo! Pra não dizer que não falei de notícias, não gostei de o novo ocupante da cadeira de Machado de Assis na ABL ser esse crítico musical, de O Globo, Luiz Paulo Horta. Não me lembro de ter lido nada dele, mas Ziraldo concorria, e eu preferia ele lá. Mas como nunca levei essa academia mesmo muito a sério, tudo bem, melhor pra Ziraldo. Mas seria gozado ver o Maluquinho de fardão... (Fechou Cingapura [alta de 0,4%], volto logo). A propósito, a cadeira 23 vagou com a morte de Zélia Gattai, que a ocupou depois de Jorge Amado. O patrono é José de Alencar. Na realidade, li pouco Ziraldo, acho que só Flicts e tirinhas na revista Playboy e no Pasquim. Mas já vi várias entrevistas dele e o acho um cara coerente, com posições claras e engraçado - ri até dele mesmo, uma qualidade que admiro. A última polêmica em que se envolveu, a do direito a indenização por perseguido na ditadura, achei que foi explorada com vilanismo pela imprensa, que poderia fazer um debate um pouco mais inteligente sobre o assunto. Mas aí é pedir muito mesmo. Qualquer hora falo da imprensa, mas por ora (que legal isso, como se chama mesmo essa figura de linguagem , aliás, é alguma?) me limito a falar bobagem, como esse sonho frutífero (se fosse uma mexerica ia casar legal com a música, no trecho "Picture yourself in a boat on a river/ With tangerine trees and marmalade skies"... Aliás, na época do lançamento do Sgt. Peppers' (67) surgiu o grupo alemão de música eletrônica Tangerine Dream que conheci, vejam só, porque um dia encontrei no lixo um disco (LP) dessa banda, levei para casa, ouvi e gostei. Vou procurar e ver se baixo músicas deles. É tipo Kraftwerk, tipo aquele movimento Krautrock. Gosto de música assim, não aquele bate-estaca dos 70, ou os acid-house e coisas assim de hoje, gosto de sintetizadores, órgãos, teclados, computadores... Frank Zappa! Falar nisso, não em Zappa, claro, mas em Sgt. Peppers', ontem me toquei que sempre entendi errado esse trecho: pra mim, era tangerine dream, não tangerine trees (coisa de meu inglês sacal). Outra coisa. Acho que a música que mais gosto nesse disco é Lovely Rita. A "meter maid", que custei um tempão pra entender (também antes não tinha internet né?) que se referia àquelas moças de fiscalização de trânsito e da zona azul (aqui, lá não sei como marcavam o tempo de estacionamento naquela época na Inglaterra) - ou algo assim, guarda de trânsito, nao sei. Essa música tem um balanço, meio country, ou sei lá que ritmo, mas adoro aquele pianinho, um som meio antigão, e em um disco revolucionário até os tubos, que influenciou todo mundo, e tão simplesinha essa canção (aliás, li no Wikipédia agora que essa música foi encarada como mais uma das evidências de que Paul estava morto, porque disseram que ele bateu o carro e morreu porque estava distraído olhando para a tal Rita :) Mas não é a única de que gosto nesse disco. Aliás, estou no terceiro, porque o vinil estragou, aí comprei um CD que uma amiga levou e "never more" e o terceiro que comprei nas Grandes Galerias, em SP. Gosto de She's leaving home, Fixing a hole, Gettin' better, ou seja, as canções mais suaves, sem esquecer de A day in the life, esta um épico que vi uma vez meu professor de rádio tocar no violão e babei. Veja, estou divagando na maionese... Mas é o fluxo de pensamentos oriundos da lembrança de um sonho estranho. Podia ter imaginado outras conexões, mas é que realmente ouvia Sgt. Peppers' ao dormir. Gosto de dormir com música, com qualquer tipo de som, desde que não seja barulho, nem silêncio. Não durmo bem com o silêncio, porque ouço meu interior, e me assusto. Gosto mesmo de deixar o rádio ligado, seja em notícias, seja em pregador evangélico ou locutor policial. O ritmo do som me embala e eu durmo bem. E acho que isso estimula meus sonhos, que sempre os há e são bons, pelo menos os que me lembro. Deve ser algum resquício da infância, porque sempre tinha alguém conversando ao meu redor quando eu dormia.
Não ia falar de Olimpíada, mas não deu: o ouro da Maurren no salto em distância inundou a redação e não tive como. Eu gosto dela, desde a primeira Olimpíada em que a vi. E gosto dessa modalidade, que eu praticava no ginásio, mas sem esse brilho, claro, de 7m04.

sábado, 16 de agosto de 2008

Morrer é gostoso


Foi isso que meu pai disse pouco antes de ir embora. Não sei por que ele disse isso, mas a frase me vem à cabeça agora que escrevo a respeito da morte de Dorival Caymmi, hoje, por volta de 6h, no Rio. Yemanjá o levou (como nessa ilustração, do mestre Elifas Andreatto) para as profundezas do mar,que ele cantou tanto e tão bem. Caymmi sempre me emocionou, desde a primeira vez que o ouvi, nem me recordo mais quando. Mas me lembro de cantar muito a Suíte do Pescador quando nos reuníamos para discutir os fatos da vida e refleti-los à luz dos Evangelhos. Nem é necessário me alongar muito sobre o mestre, porque ele é reconhecidamente um grande compositor e sua importância para nossa cultura é imensurável. Mas quero registrar que seu desaparecimento me deixou triste e constatei que ele é mais um que se vai antes que eu o possa ver ao vivo, como já foram Zappa, Lennon, Harrison, Renato Russo, Cazuza, Elis, Adoniran... tantos... Também, ver um show, nos dias de hoje, é um exercício complicado. O show business está cada vez mais voraz, e os artistas têm que se submeter a uma indústria que, não sei não, mas me parece muito mais interessada em lucro rápido que em difundir arte e cultura. Vide o show de João Gilberto agora, a confusão que a empresa encarregada de vender os ingressos proporcionou. A pessoa comprava, quando conseguiu acessar o site, e, dizem, não tinha garantia da compra nem determinado o lugar em que se sentaria. Fora os preços (até R$ 360). Assim, prefiro nem ir. Bons tempos quando a gente via show até em sociedade amigos de bairro, em ginásio de esportes, em teatros, não em casas em que os responsáveis não têm escrúpulos e não interrompem o serviço de bar quando o espetáculo começa. Pior os espectadores, que pedem sua bebida e petisco em plena cena aberta. Vil! Bem, sobre a morte ser gostosa, acho que meu pai deve ter dito isso porque talvez percebeu que ia se livrar da dor ou do desespero de ver sua vida fugir-lhe do controle. Se foi assim, foi bom para ele, e deve também ter sido para Caymmi. E que ele e sua jangada sigam tranqüilos para o mar...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Algo lá atrás


Confesso que ando meio nostálgico, e quem porventura me lê não precisa ficar aguentando minhas reminiscências, mas não consigo, neste momento, escrever nada mais atual, ou moderno, ou contemporâneo. Mas, afinal, memórias são algo atual, pois referem-se a lembranças, hoje, de tempos passados. E na maioria das vezes permitem que revisemos algo que ficou lá atrás e sigamos em frente com, talvez, um pouco mais de sapiência, dada pela experiência. Pois isso me ocorre agora, quando reouço (existe esse verbo?) músicas que havia tempos não ouvia. Ontem foi outro Vandré, novamente graças ao companheiro (esse termo também faz tempo que não emprego) Eduardo. E ouvi também, de novo por conta dele, Raíces de América. Bem, nos tempos que esse grupo de canções latino-americanas existia, eu preferia o Tarancón, na mesma linha. Porque achava este mais, digamos, engajado que aquele, muito pop star, global (teve até uma atriz da Globo nele, recitando poesias) para meu/nosso gosto. Nunca fui um show deles e nem um disco comprei. Mas Tarancón não perdia um: Míriam Mirah, Jica, Turcão e Emílio, além do pintor Halter (bem, essa era a formação que eu vi, nos anos 80; eles se formaram em 72, creio). Tenho vários discos deles. Não estou, com isso, dizendo que o Raíces seja ruim; não são. É apenas uma questão de gosto: Emilinha/Dalva; Beatles/Stones, por aí. Mas ouvi-los trouxe-me de volta esse período e reflexões sobre o que eu fazia naquela época, sonhos que tinha, perspectivas, o que eu era... Eu sofri uma revolução na minha maneira de ser e pensar logo depois de terminar o serviço militar. Olha, eu, enquanto recruta, cheguei a alimentar idéias de seguir carreira. E logo em seguida abracei o que se costumava chamar de corrente progressista da sociedade (ah, não posso dizer que era comunista porque não era do tal partidão e nunca li mais que dois capítulos de O Capital, e mesmo assim em espanhol e para um trabalho de faculdade; nem posso dizer que era de esquerda, porque minha ação era meio encabulada, nunca apanhei da polícia nem fui preso, tampouco pichei um muro contra os banqueiros ou o imperialismo). Mas minha militância resumiu-se a visitar umas favelas para tomar um choque de realidade (como se eu morasse muito melhor que eles) e apresentar uma peça de Dias Gomes (A Invasão) à guisa de levar alguma consciência crítica aos moradores (como se tivéssemos muita). Enfim: pode-se dizer que eu era um membro da famosa "massa de manobra". Ah, e como fazíamos muita festa, pois éramos jovens (de idade, quero dizer), pode-se também dizer que pertencíamos a uma certa "esquerda festiva". De qualquer forma, foi um belo salto: de recruta com sonhos carreiristas a um projeto de revolucionário. Hoje, revisão feita e observando o cenário atual, posso dizer que pertenço ao grupo dos que foram da esquerda e não ficaram ricos e/ou famosos. Melhor para mim.
Outra razão de eu estar nesse clima foi que reli um negócio que escrevi há muito tempo, coisa de uns 10, 12 anos. Era um projeto de um conto, quem sabe um romance. Eu sempre alimentei um pouco a idéia de escrever algo além dos textos que faço ou refaço para minha subsistência. Mas sempre me faltou ou idéias ou disciplina... Ou talento. O certo é que abandonei o texto, que escrevia nos momentos vagos na hora do trabalho (quando não havia internet nem MSN para nos ocupar o tempo). Ainda bem que tive a sábia idéia de imprimir o que tinha escrito quando saí de lá. Quer dizer, ainda bem por quê? Se tiver alguma serventia hoje, quem sabe. Acabaram mesmo as idéias naquele tempo e retomar agora seria complicado, acho, porque eu estava experimentando naquele texto uma linguagem diferente, um cenário que eu não conheço. Muito fake. E nem estruturei direito o que queria fazer. Fui escrevendo, sem destino. Teria, portanto, de pensar em um desenvolvimento a partir de onde parei, rever a linguagem e o contexto, pôr mais tempero naquilo, que está apenas um exercício de estilo, quando muito. Quem sabe eu não retome mesmo o projeto, ou quem sabe eu não retome pelo menos o projeto de escrever algo mais que o do sustento e o que posto aqui... Quem sabe (faz a hora, não espera acontecer...)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O bronze de Cielo


Gosto de natação e esse bronze (César Cielo, aqui no traço de Misso, em O Liberal), hoje, em Pequim foi pouco. Sei lá se tem a ver, mas um país com tanta água como o nosso deveria ter recordistas no nado assim como os EUA têm globetrotter no basketball. Mas temos futebolistas... Aliás, eu não gosto de futebol, quem me conhece sabe bem disso. Não jogo, não assisto, não torço pra nenhum time. Só nas copas é que acabo sendo mordido pela emoção da "Pátria em chuteiras", como dizia Nelson Rodrigues (aliás, tinha um livro com esse título, compilação de crônicas esportivas do mestre recolhidas por Ruy Castro, que sumiu lá de casa; acho que emprestei a alguém que não devolveu). E é nesses dias de competições esportivas que viceja um nacionalismo, um ufanismo que me enoja, principalmente na mídia eletrônica, mais especificamente a televisiva. É só ter um brasileiro na competição para os locutores se esgoelarem. Não agüento isso. Mas é parte do espetáculo, fazer o quê. Por obrigação profissional, estou acompanhando os jogos e entrando no clima, mas nem tanto - digamos que estou mantendo um distanciamento profissional necessário. Hora (agora 8:08) de ir para a casa e cama e ouvir meus novos CDs... Conforme disse outro dia, vou ouvindo e comentando.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Caminhando e cantando


Estou em casa, são 13h22. Vim ouvindo Canto Geral, de Geraldo Vandré, garimpagem do amigo Eduardo Magossi que me proporcionou relembrar essa boa obra de tantos tempos passados (nem tanto assim, vai!). O efeito foi imediado: a audição me remeteu aos anos 80, quando fui apresentado a esse e a outros sons de luta, em uma época em que a mítica era uma coisa levada a sério, não apenas um efeito de marketing como se vê por aí, inclusive nas ações daqueles que lutavam naquela época e que me fizeram virar minha vida do avesso. Lembrei do quanto a gente cantava essas canções a plenos pulmões nos nossos encontros de jovens, acampamentos, reuniões, missas, caminhadas, passeatas, comícios... Rs... Soa nostalgia... E é, uai! Cantávamos também Violeta Parra, Victor Jara, Tarancón, Atahualpa Yupanqui, Chico Buarque, Milton Nascimento, Elis Regina, João Bosco, Sá e Guarabyra, Beto Guedes, Zé Ramalho, Fagner (Fagner? Sim, cantávamos!). Mas Vandré era "o" cara para nós; dizem que o sujeito apanhou tanto que pirou, virou outra pessoa. Não sei. Não o conheço. Se o visse, se conversasse com ele poderia ter uma idéia do que ele é agora, mas não sei. Mas gostei de ouvir de novo o meu ídolo dos 20 e poucos anos. Falta ainda ouvir as canções do filme A Hora E A Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos - e também falta ver esse filme, que ainda não consegui; se a fita soube transmitir o que o conto de Guimarães Rosa passa, hummm. As músicas de GV já são de arrepiar... Vou ver, tenho certeza. Essa tecnologia de hoje tudo permite.


domingo, 3 de agosto de 2008

Criança esperança?


Agora domingo 03/08/2008, meia-noite e meia. Está rolando o Criança Esperança, na TV Globo. Não sei, não gosto muito dessas coisas. Será que estou errado? Insensibilidade minha? Acho até bom incentivar a solidariedade, mas esse negócio de promover um show desses, artistas, pessoal da tevê... Será que eles abrem mão do cachê em nome da causa? Deveriam, afinal, a visibilidade que isso dá... Sei lá, não conheço a fundo o evento para criticar, mas que me soa estranho, soa.

Beatles; Janis - Hoje gravei os 5 CDs da caixa Artifacts que o colega Eduardo Magossi me emprestou. Não ouvi nada ainda, quero saborear depois a sós. Também baixei 4 álbuns de Janis Joplin. Levou um dia inteiro para transferir, o PC ficou lento, MSN toda hora dando problema, Internet ficou capenga. Não sei se por causa do Torrent, mas depois que acabou e religuei o computador ficou um pouco melhor. Eduardo também me emprestou o livro Revolution in the Head, de Ian MacDonalds, editora Pimlico. Conforme for lendo e ouvindo porei aqui minhas impressões.



Olimpíada - Sexta-feira começam os Jogos Olímpicos em Pequim (ou Beijing). É impressionante como isso dá matéria para a mídia. A Globo dá até raiva de ver. Em todos. Não é que eu não gosto. Pelo contrário, apesar de minha pouca afinidade com esportes, eu gosto de ver algumas modalidades, sim, principalmente as que não são coletivas, como o atletismo, ginástica. Ver aqueles seres que nem parecem humanos, por conta dos limites que extrapolam, realmente eu gosto. Mas o que irrita é o tsunami de informação que jogam, o clima que tentam criar. E sendo na China, ah, os jornalistas vão pautados com um que a mais, qual seja prescrutar como um país "comunista" lida com esse evento "capitalista". Pelo menos isso também será outra atração de se ver. Se conseguirem mesmo dar um relato que valha a pena ler. Fiquemos, pois de olho. E acho que Dunga & Cia não traz medalha não...

terça-feira, 10 de junho de 2008

BC dando exemplo ao Fed??



Bom dia. Agora são 7h36, hora de Brasília. Artigo interessante publicado hoje no Le Monde: "Fed deveria se inspirar no Brasil" (no original M. Bernanke devrait s'inspirer de la Banque centrale du Brésil). Quem lê em francês pode checar: http://www.lemonde.fr/economie/article/2008/06/09/m-bernanke-devrait-s-inspirer-de-la-banque-centrale-du-bresil_1055689_3234.html. A questão é a seguinte: de acordo com o artigo, o BC brasileiro deveria servir de exemplo ao similar americano, porque a "política de juros altos saneou a economia brasileira". O argumento é que o remédio seria o ideal para os EUA da atualidade, que estão com grande déficit na balança de pagamentos, moeda fraca, baixa taxa de poupança, além do déficit fiscal, a despeito de manter a taxa de crescimento. Quem diria, não é mesmo? O que não dá receber investiment grade de duas agências de rating importantes... Portanto, mr. Ben Bernanke, que tal um papinho com Meirelles? Aliás, falar nele, o presidente do Fed demonstrou ontem que a inflação já está no foco do BC americano também. Inflação que derrubou todas as bolsas da Ásia hoje (com destaque para as da China e Hong Kong). Aqui os índices de preços também não param de subir. Ontem o IGP-DI de maio cravou 1,88%, acumulando 12,14% em 12 meses. E o Mantega alertou que a inflação só cai no último trimestre. Mais tarde sai o PIB do 1º trimestre. Prevê-se 0,5% a 1,2% para o dado trimestral e 5,30% a 6,40% para a leitura anual. A ver...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A Amazônia e a fome



Bom dia. Agora são 06h06 do dia 06/06... Interessante.... Juro que não foi de propósito. Nem me ligo em numerologia. Sou incrédulo para isso e para muitas outras coisas. No último fim de semana falávamos disso em família. Eu expressando minha opinião sobre a existência de Deus, à qual não ponho em dúvida, mas não acho que seja um ser vivo, mas algo diferente, como uma força, um ser de outro nível. Bem, eu não consegui me fazer entender, afinal nem mesmo eu sei se entendo o que penso a respeito. Melhor não prolongar nem insistir no assunto. Dogmas, né. Bem, o que interessa dizer agora é que ontem foi dia internacional do meio ambiente e Lula anunciou a criação de três reservas de conservação no país - duas no Amazonas e uma no Pará. Havia outras duas previstas (outra no Pará e uma na Bahia), mas o presidente vetou-as. As unidades de conservação visam tentar evitar o avanço da fronteira agrícola e o desmate da Amazônia. Aliás, ontem, também, foi noticiado que o Ibama no Amazonas multou a madeireira Gethal, do sueco-britânico Johan Eliasch, por venda ilegal de madeira nobre - foram 230 mil árvores. A empresa foi autuada em R$ 450 milhões. Enquanto isso, uma cúpula da FAO em Roma, que reuniu diversos chefes de Estado para discutir a fome e soluções para combatê-la terminou ontem, depois de três dias, sem propor nada substancioso, conforme o relato de Clóvis Rossi na Folha. Dizem por aí que o Brasil tem grande parcela de culpa na fome mundial, ao focar a produção nos biocombustíveis em vez de na comida... Balela. Tanto que o documento final da cúpula não tratou do assunto etanol ou correlatos. Falar em fracasso, a CPI dos Cartões Corporativos terminou ontem sem botar ninguém na berlinda. PSDB, DEM e PPS entraram com ação na Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de inquérito policial contra membros do governo que julgam ter responsabilidade pela montagem de dossiê (ou banco de dados, como diz Dilma) sobre os gastos de FHC. E Dilma está às voltas com outro problema: o Estadão deu ontem denúncia de Denise Abreu, ex-diretora da Anac, de que a ministra da Casa Civil a pressionou a tomar decisões favoráveis ao fundo americano Matlin Patterson no processo de compra da Varig e da VarigLog. Como a legislação não permite que estrangeiros detenham mais de 20% do capital de empresas aéreas, a ministra teria feito gestões junto a ex-diretora para facilitar a transação - por exemplo, não pedir declarações de Imposto de Renda dos três sócios brasileiros, que poderiam estar atuando como "laranjas" dos americanos. Entra no rolo ainda o advogado Roberto Teixeira, compradre de Lula, cujo escritório representava os compradores. Dilma nega. Mas o assunto repercutiu bastante.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Jefferson Peres, Romário, Parada Gay...



Antes de mais nada, notícia da hora: morreu hoje, por volta de 6h, o probo senador amazonense Jefferson Péres, do PDT. Parece que teve um ataque cardíaco. Um político de muita integridade, uma das referências éticas do Senado, segundo muitos. Disse, em entrevista ao JB (http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasil/2005/05/14/jorbra20050514001.html) que "o governo Lula se tornou refém do fisiologismo, é ruim e incompetente". Propôs, a propósito das denúncias envolvendo seu correligionário Paulinho Pereira da Silva, seu afastamento do partido até que apresente explicações plausíveis sobre as acusações de envolvimento em irregularidades de empréstimos do BNDES. Defendia também a redução do número de parlamentares (propunha 2 senadores por Estado e cerca de 300 deputados). Vai fazer falta.
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Hoje, feriado para muitos (para mim, não, para variar). Fiz plantão ontem (22), e a noite rendeu. Muitas notícias interessantes para dar. A mais curiosa foi a senhora que trafegou mais de 8 quilômetros na contramão em pelna rodovia dos Imigrantes. Ela disse que fez isso porque, ao se aproximar do pedágio, deu-se conta de que estava sem a bolsa, portanto, sem dinheiro para a tarifa, apressada e transtornada que saiu (disse ela) após ter brigado com a filha. A imagem que e TV exibiu dela andando no contrafluxo de uma rodovia lotada em pleno feriado foi hilária. Ainda bem que não houve nenhum acidente. Outra de São Bernardo, um garoto de 11 anos foi libertado do cativeiro onde foi levado por seqüestradores há uma semana. Os meliantes pensaram que o menino era filho de algum capitão da indústria (pediram 1 milhão de reais!), mas a vítima, além de órfã de pai, não é de família abastada - o pai era "cegonheiro", profissão bastante comum na região que ele mora. A mãe procurou a polícia, que achou a criança em um barraco da favela do Jardim Silvina. Um casal foi preso e dois bandidos estão sendo procurados.

Romário, Marcha e Parada Gay

Morreu ontem (22) seu Edevair, pai de Romário, aos 76 anos, de complicações de uma infecção urinária. O agora aposentado jogador de futebol estava em Fortaleza, promovendo o DVD com seus mil gols (hummm) - claro que o vídeo não trará todos, né?
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A Marcha por Jesus, promovida pela igreja Renascer (aquela da bispa Sônia Hernandes), reuniu mais de 1 milhão de fiéis, segundo a Polícia, e foi capa de quase todos os jornais. Rolou na capital paulista, em seqüência a um culto-monstro da Igreja da Graça (aquela do missionário R.R. Soares, cunhado do Edir Macedo). Eles esperavam 5 milhões na marcha.
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Número que, não surpreenda-se, pode atingir nova Parada Gay em São Paulo, a se realizar neste domingo (25). A 12ª edição do evento terá este ano o tema "Homofobia mata! Por um Estado laico de fato". O site oficial é este http://www.paradasp.org.br/parada2008/index.php.





O que está hoje nos jornais:





  • Itaú quer leilão para a venda da Nossa Caixa (BB que comprar o banco paulista)
  • FAO: preços dos alimentos não vão cair este ano
  • Blairo Maggi discorda dos números de desmatamento apresentados por Minc
  • Decisão do TJ-SP descriminaliza porte de drogas
  • Lula congela proposta do fundo soberano
  • BNDES vai emitir UA$ 1 bilhão em eurobônus, aproveitando o upgrade
  • Salários já têm aumento acima dos índices de produtividade = pode gerar inflação
  • Depois de bater US$ 135, barril do petróleo cai a US$ 130; Opep tira o dele da reta
  • Brasil reclama na OMC de protecionismo da China
  • Países sul-americanos discutem hoje criação de Conselho de Defesa
  • Governo procura STF para evitar vitória de arrozeiros em Raposa Serra do Sol
  • Folha aponta quem formatou dossiê dos gastos de FHC: Marisol, da Casa Civil
  • Maluf toma multa da Suíça (US$ 20 mil) e da Ilha de Jersey (US$ 630 mil) por tentar evitar envio de seus extratos ao Ministério Público brasileiro
  • McCain e Obama já pensam nos nomes dos vice em suas chapas
  • Hezbollah começa a desmontar acampamentos no centro de Beirute
  • Cuba quer punir diplomatas dos EUA que estariam financiando dissidentes
  • OMS quer negociação mundial para reduzir consumo de álcool
  • Santos fora da Libertadores apesar de vencer América
  • Lucimar e Kleberson garantem presença no atletismo em Pequim-2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Marina se foi; panema nosso









A ministra Marina Silva (aqui, no traço de Ique, do JB) pediu pra sair. Azar (a tradução do termo aí no título) o nosso, do País, de Lula, uma vez que ela dava aos olhos internacionais o respaldo preservacionista necessário para o presidente dialogar em diversos fóruns munda afora. Ela, a se acreditar e se limitar no que dizem os jornais, não engoliu a nomeação do Mangabeira Unger, o "ministro do futuro", como coordenador do Plano Amazônia Sustentável. Uma baita perda para o governo, sem dúvida. E o canto do cisne de uma batalhadora incansável pelas coisas da natureza, que se defrontou com uma avidez pelo crescimento a qualquer custo e bateu de frente com figuras pouco dadas a ceder, como Dilma Rousseff e o Reinhold Stephanes. Carlos Minc, cotado para seu lugar, deu entrevista em Paris declinando do convite. Acho que ele não quer fazer papel de estátua. Resta Jorge Viana, ex-governador do Estado dela, o Acre. Matéria do Estadão de hoje diz que, em seus mais de cinco anos de gestão, desmatamento na Amazônia recuou coisa de 60%.
FELIZ CUMPLEAÑOS
Ontem, minha primeira sobrinha fez aniversário e hoje sou eu que faço: 47! Hoje tenho a reposição das aulas de inglês que não tive na sexta. Depois, vou buscar abadá de filhinha e aí ao almoço. Talvez eu durma hoje, sei lá.
Principais notícias do dia:

  • Marina deixa Ministério do Meio Ambiente

  • Governadores do MA e AL denunciados pelo MPF por corrupção

  • China busca mais de 23 mil soterrados; mortos passam de 12 mil

  • Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, é recebida por Lula

  • Mantega anuncia criação do Fundo Soberano do Brasil

  • Baixa renda sofre inflação maior: 3,19% no 1º quadrimestre (FGV)

  • Ibovespa tem novo recorde de pontuação: 70.503,2

  • ONGs ligadas a Paulinho têm sigilos quebrados pela Justiça

  • Lula aprova aliança PT-PSDB em Belo Horizonte

  • Vazador de dossiê e assessor de Álvaro Dias (PSDB-PR) vão depor a CPI

  • Jader Barbalho tem bens bloqueados pelo TRF por desvio na Sudam

  • Atentado na Índia deixa 80 mortos e 200 feridos

  • Habeas-corpus a pai e madrasta de Isabella é negado

  • Ipea: população negra será maioria este ano no País

  • Corinthians está nas semifinais da Copa do Brasil

terça-feira, 13 de maio de 2008

CHINA: MAIS DE 10 MIL MORTOS




É. A coisa foi feia lá na China. O número de vítimas fatais do terremoto passa de 10 mil, fora os desaparecidos. Agora à noite, em Beichuan, leste do epicentro do sismo, uma escola desabou e mais de mil pessoas, entre estudantes e professores, morreram. E no Líbano a coisa também está feia, mas não por catástrofes naturais. Lá, desde quarta-feira, confrontos entre sunitas pró-governo e xiitas ligados ao Hezbollah (da oposição) já deixaram 82 mortos e mais de 250 feridos. O Exército libanês promete intervir hoje. E nos EUA está cada vez mais difícil que Hillary seja a indicada do Partido Democrata a concorrer com John MacCain à presidência do país em novembro. Hoje a notícia é que, mesmo que ela vença a primárias de Virgínia Ocidental, hoje, não alcançará vantagem sobre Barack Obama, que já a está ignorando e atacando o republicano .

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Terremoto na China e caso Isabella






Agora 7h30. Acontecimento desta madrugada (segunda-feira, 12), um terremoto de quase 8 graus na escala Richter abalou a região sudoeste da China, chegando a ser sentido na Tailândia e no Vietnã. Fala-se em quatro crianças mortas, mas o número pode ser maior. Aliás, o fim e início da semana foram pródigos em catástrofes: os EUA foram sacudidos por nada menos que 34 tornados, que mataram até agora 23 pessoas. Um navio da Cruz Vermelha que levava mantimentos às vítimas de um ciclone em Mianmar bateu em um tronco e afundou. Falar em Mianmar, lamentável a postura do governo militar do país, em boicotar a ajuda internacional. Os ditadores até seqüestraram carregamentos de comida e medicamentos para, vejam só, colar adesivos nas embalagens com propaganda do governo!


CASO ISABELLA


O Fantástico deu entrevista com a mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, providencial devido o Dia das Mães. Louvável pelo esforço de reportagem, mas lamentável por continuar a expor essa mulher, cuja dor não faz sentido exibir ainda mais. Os jornais deram, a propósito da entrevista, que a mãe considera justa a prisão do casal e que pretende depor contra Alexandre a Anna Carolina. A mãe disse que acha que a menina foi morta por causa de ciúmes da madrasta, que via em Isabella a representação da ex de seu marido.


FIM DE SEMANA AGITADO


Professora de inglês deu furo e tive que ir embora depois do rodízio, pois não ia ficar cinco horas à toa no trabalho. Aproveitei para mandar lavar o carro. Passei na concessionária para reclamar das peças do ar-condicionado. A consultora que me atendeu há mais de um mês não está mais trabalhando lá. Outra moça que nos atendeu, Adriene, acho, anotou os dados e ficou de verificar e dar retorno segunda-feira.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Boas notícias



Hoje sexta-feira, 9 de maio, 9h11. Aula de inglês foi cancelada, professora não pôde vir... e eu me matei para dar conta do calhamaço de exercícios que ela passou para o feriado e eu deixei para os últimos dias... Isso me fez dormir muito pouco ontem, menos de três horas. Mas estou bem, como sempre ocorre às sextas-feiras. Hoje à noite tivemos nova rodada de pizzas, desta vez até a nova diretora participou, ela que aqui veio para falar de projetos novos. Bem, notícias boas nestes dias: o pai e a madrasta de Isabella tiveram a prisão preventiva decretada porque o juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri aceitou a denúncia do promotor Francisco Cembranelli se entregaram. Demos cobertura da ida deles ao IML e volta ao DP, material que foi elogiado. Esta madrugada, Anna Carolina foi transferida do Carandiru a uma unidade prisional em Tremembé, porque estava sendo ameaçada pelas outras prisioneiras.
DILMA DÁ BANHO?
Todo mundo - ou quase todo mundo - deu que Dilma Rousseff deu um banho em seu depoimento ao Senado quarta-feira, 7, porque, depois da pergunta infeliz do senador Agripino Maia (DEM-RN), ninguém mais teve moral (ou clima) para pegar no pé da dona. Dora Kramer diz no Estadão de hoje que ela deitou e rolou porque realmente a oposição não estava preparada e a bancada situacionista se fez de morta. Para o jornalzão centenário, ela aproveitou a maré favorável e falou o que quis, do jeito que quis, sobre o tal do PAC, que, segundo o editorial, "é um dos mais robustos engodos que um governo já tentou impingir aos brasileiros". Na carne! Lula vibrou com o "desempenho" da ministra-chefe, e tem-se que a investigação sobre o suposto dossiê dos gastos de FHC é assunto enterrado (se bem que hoje os jornais dêem que a Casa Civil identificou o vazador do documento, uma cria de Zé Dirceu chamada José Aparecido Nunes Pires). Esse assunto, ao que parece, é pão amanhecido, e a bola da vez é o sindicalista Paulinho da Força, suspeito de ser beneficiado com grana desviada do BNDES. Já se fala até em abrir processo de cassação do pedetista na Comissão de Ética da Câmara (que esta semana perdeu seu presidente, Ricardo Izar). Hoje deu que a ONG presidida pela mulher de Paulinho, Elza, a Meu Guri, recebeu R$ 1,199 milhão do banco de fomento. Melhor chamar a ONG de Meu Dindim...
MEIRELLES FORA DO BC?
Assunto que agita o mercado hoje é a possível (ou provável, ou suposta, ou?) saída de Henrique Meirelles do Banco Central para disputar o governo de Goiás em 2010. Até agora, não vi muita repercussão, ontem o Bernardo deu um desmentido. E hoje o Credit Suisse demonstrou preocupação com isso, porque não haveria "sucessor óbvio" para ele. A matéria é do Correio Braziliense, acho que do Vicente. Não sei se rende, mas se for rolar, será no segundo semestre de 2009 ainda, muito tempo para se arrumar as coisas...
O país fez captação externa de US$ 525 milhões, a primeira após o upgrade dado pela Standard & Poor's, a uma taxa a mais baixa que o Brasil já pagou para um título de dez anos. E o assunto que está na pauta é também o tal fundo soberano que o governo estuda criar, para ser um dos canais de financiamento de empresas brasileiras no exterior, processo hoje muito complicado e sujeito a taxações dispendiosas. A coisa deve aparecer até o final de junho. A ver.
E a inflação sobe a montanha. Ontem o IGP-DI já cravou dois dígitos, quando computado o índice acumulado em doze meses, pela primeira vez desde 2005. Hoje o IGP-M apontou a mesma tendência e o IPCA, também em doze meses fechados em abril, deu 5,04%, mais de meio ponto acima do núcleo da meta (4,5%). Dentro ainda da banda (dois pontos acima ou abaixo do núcleo). Mas aponta a pressão dos preços dos alimentos, fator que vem impulsionando a inflação praticamente no mundo todo. Mantega (ministro da Fazenda) disse na TV ontem que não adianta elevar juros, tem é que aumentar a produção de comida. Mais uma estocadinha dele na política monetária do Meirelles e cia.
GO HOME
Hora de pegar a estrada e ir para casa.