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sábado, 15 de fevereiro de 2025

Dalva de Oliveira

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Em 1961, Dalva de Oliveira (1917-1972) vivia em Buenos Aires com o ator e cantor argentino Tito Climent (1917-1988) e a Odeon lançou no Brasil dois LPs: "Tangos com Francisco Canaro" e "Dalva de Oliveira".

O primeiro trazia versões de clássicos portenhos e o segundo, sucessos em sua voz lançados anteriormente em singles, como "Ave Maria no Morro" e "Segredo", ambas de seu ex-marido Herivelto Martins (1912-1992), a segunda em parceria com Marino Pinto (1916-1965), que também assina "Estrela do Mar" (com Paulo Soledade) e "Que Será" (com Mario Rossi), entre outros.

Chamada de "Rouxinol Brasileiro", "Estrela Dalva" e "Rainha da Voz", por sua poderosa extensão vocal, que ia do contralto ao soprano, foi uma das grandes intérpretes da era de ouro do rádio brasileiro (anos 1940 a 1960).

Sua influência, no entanto, não veio do rádio, mas do pai, Mário de Oliveira, carpinteiro e músico amador, que tocava clarinete e saxofone e fazia serenatas.

Com a morte dele, aos 8 anos veio com a família para a capital paulista (ela nasceu em Rio Claro, interior de São Paulo). Em 1934, a família se muda para o Rio de Janeiro, onde conheceu o compositor Herivelto Martins, com quem se casou oficialmente em 1939 e teve dois filhos, Pery, que também se tornou cantor, com o nome de Pery Ribeiro (1937-2012), e Ubiratan, produtor de TV.

Os dois, mais o cantor Francisco Sena (depois Nilo Chagas) formavam o Trio de Ouro, de muito sucesso à época.

Com a separação do casal, Dalva segue carreira solo, época em que o ex-marido, ao lado do jornalista e compositor David Nasser (1917-1980), faz série de composições para detratar a cantora, que respondia à altura, resultando da rixa canções inesquecíveis, como "Segredo", que fala dessa situação de lavar a roupa suja em público.

Faz excursões ao exterior, quando conhece Tito, de quem se separa em 1963 e volta ao Brasil. Em 1965 sofre um sério acidente de carro com o namorado Manuel Nuno Carpinteiro, que resultou no atropelamento e morte de quatro pessoas, e se afasta da carreira por uns tempos.

Retoma a carreira e lança, em 1970, o LP "Bandeira Branca", cuja faixa título, de Max Nunes e Laércio Alves, é até hoje grande sucesso carnavalesco.

Mas o novo cenário fonográfico brasileiro não tinha espaço para ela, que caiu em depressão e morreu de câncer no esôfago em 30 de agosto de 1972.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Nelson Gonçalves

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Nelson Gonçalves, nascido Antônio Gonçalves Sobral (1919-1998), era boxeador em 1935 e frequentador da noite paulistana trabalhando como garçom em um bar de seu irmão na avenida São João.

Participa de um programa de calouros na Rádio Tupi e é reprovado. Apesar de um problema fonético que o faz falar rápido demais (o que lhe valeu o apelido de 'Metralha'), não desiste do sonho de ser cantor e vai tentar a sorte no Rio de Janeiro em 1939.

Em 1941, com a ajuda de Benedito Lacerda (1903-1958), gravou seu primeiro disco na RCA Victor, com o samba "Sinto-me bem", de Ataulfo Alves, e "Se eu pudesse um dia", de Osvaldo França e Rosano Monello.

O disco alcançou algum sucesso de público, o que lhe garantiu contrato com a gravadora e pouco depois com a Rádio Mayrink Veiga, para a qual foi levado por Carlos Galhardo (1913-1985).

O sucesso acontece em 1942 com o fox “Renúncia”, de Roberto Martins e Mário Rossi. Em 1945, grava “Maria Betânia”, de Capiba, que daria nome à irmã caçula de Caetano Veloso (1942), nascida em 1946.

Outro clássico de seu repertório é “Normalista”, de David Nasser e Benedito Lacerda, lançada em 1949.

Em 1952, inicia parceria com Adelino Moreira (1918-2002), com o qual produz alguns dos maiores sucessos: "Fica Comigo Esta Noite", "Escultura", "Êxtase" e "Mariposa", além das que são assinadas apenas por Adelino e emplacam na voz de Nelson, como "A volta do boêmio" e "Meu vício é você".

"Fica Comigo Esta Noite" é gravada em 1961 no LP "Sambas e boleros na voz de Nelson Gonçalves".

Teve problemas com o vício de cocaína, do qual só se livrou em 1973, após prisão por acusação (não provada) de tráfico e tratamento clínico.

Continuou gravando até pouco antes de morrer. Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 75 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.