O Barquinho Cultural

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Nelson Gonçalves

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Nelson Gonçalves, nascido Antônio Gonçalves Sobral (1919-1998), era boxeador em 1935 e frequentador da noite paulistana trabalhando como garçom em um bar de seu irmão na avenida São João.

Participa de um programa de calouros na Rádio Tupi e é reprovado. Apesar de um problema fonético que o faz falar rápido demais (o que lhe valeu o apelido de 'Metralha'), não desiste do sonho de ser cantor e vai tentar a sorte no Rio de Janeiro em 1939.

Em 1941, com a ajuda de Benedito Lacerda (1903-1958), gravou seu primeiro disco na RCA Victor, com o samba "Sinto-me bem", de Ataulfo Alves, e "Se eu pudesse um dia", de Osvaldo França e Rosano Monello.

O disco alcançou algum sucesso de público, o que lhe garantiu contrato com a gravadora e pouco depois com a Rádio Mayrink Veiga, para a qual foi levado por Carlos Galhardo (1913-1985).

O sucesso acontece em 1942 com o fox “Renúncia”, de Roberto Martins e Mário Rossi. Em 1945, grava “Maria Betânia”, de Capiba, que daria nome à irmã caçula de Caetano Veloso (1942), nascida em 1946.

Outro clássico de seu repertório é “Normalista”, de David Nasser e Benedito Lacerda, lançada em 1949.

Em 1952, inicia parceria com Adelino Moreira (1918-2002), com o qual produz alguns dos maiores sucessos: "Fica Comigo Esta Noite", "Escultura", "Êxtase" e "Mariposa", além das que são assinadas apenas por Adelino e emplacam na voz de Nelson, como "A volta do boêmio" e "Meu vício é você".

"Fica Comigo Esta Noite" é gravada em 1961 no LP "Sambas e boleros na voz de Nelson Gonçalves".

Teve problemas com o vício de cocaína, do qual só se livrou em 1973, após prisão por acusação (não provada) de tráfico e tratamento clínico.

Continuou gravando até pouco antes de morrer. Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 75 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Elizeth Cardoso


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.


"A Divina" Elizeth Cardoso (1920-1990) já era uma artista consagrada em 1961. Descoberta por um adolescente Jacob do Bandolim (1918-1969) ao ouvi-la cantar na festa de seus 16 anos, levou-a para um teste na Rádio Guanabara.

Apresentou-se em 18 de agosto de 1936 no Programa Suburbano, ao lado de Vicente Celestino, Aracy de Almeida, Moreira da Silva, Noel Rosa e Marília Batista.

Na semana seguinte foi contratada para um programa semanal da mesma rádio.

Prosseguiu se apresentando em rádios, circos, clubes e cinemas, mas complementando a baixa renda trabalhando até como taxista.

Até que, em 1950, apadrinhada por Ataulfo Alves (1909-1969), gravou seu primeiro 78 rpm, pela gravadora Star, com "Braços Vazios (Acir Alves e Edgard G. Alves) e "Mensageiro da Saudade" (Ataulfo Alves e José Batista).

O disco não aconteceu, e até chegou a ser recolhido por defeito técnico.

O sucesso veio na segunda gravação, realizada na Todamérica em 1950, com a música "Canção de Amor" (Chocolate e Elano de Paula) e o samba "Complexo" (Wilson Batista). Esse trabalho lhe abriu várias portas de gravadoras, rádios, TV, inclusive no cinema.

Em 1958, gravou pela Copacabana o LP "Canção do Amor Demais", disco considerado inaugural da bossa nova, pois era todo dedicado a músicas de Tom Jobim (1927-1994) e Vinícius de Moraes (1913-1980), além do acompanhamento ao violão de João Gilberto (1931-2019) em "Chega de Saudade" e "Outra Vez".

Um dos 78 rpm lançados em junho de 1961 traz "Balão apagado" (Noel Rosa/Marília Batista) e, no lado B, "Notícia de Jornal" (Haroldo Barbosa-Luiz Reis), esta resgatada por Chico Buarque em seu LP de 1975 ao vivo com Maria Bethânia.