O Barquinho Cultural

O Barquinho Cultural
Agora, o Blog por Bloga e O Barquinho Cultural são parceiros. Compartilhamento de conteúdos, colaboração mútua, dicas e trocas de figurinhas serão as vantagens dessa sintonia. Ganham todos: criadores, leitores/ouvintes, nós e vocês. É só clicar no barquinho aí em cima que te levamos para uma viagem para o mundo cultural
Mostrando postagens com marcador superação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador superação. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de agosto de 2017

Peça discute a violência sexual contra a mulher

Espetáculo “Nunca mais... Coração de mulher” fica em cartaz aos sábados no teatro Maria Della Costa até 30/09

A peça “Nunca mais... Coração de mulher” está em temporada até 30 de setembro no teatro Maria Della Costa, no bairro Bela Vista, na capital paulista. As apresentações são sempre aos sábados, às 19h, com ingressos a 50 reais (e 25 a meia-entrada). O espetáculo teve pré-estreia em março deste ano em um teatro no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, passou por uma sala na Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo, e está desde o último dia 5 de agosto neste espaço no Bixiga.


O texto de Ilder Miranda trata da violência sexual contra a mulher, de uma forma sensível e contundente, nas palavras de seus realizadores, a Companhia O Tom da Graça. Segundo a diretora do espetáculo, Rita Ivanoff, a personagem, Paula, vítima de violência sexual, “vai em busca de sua autoestima, de sua autoafirmação, de renovar sua capacidade de enfrentar o mundo, de olhar esse mundo de novo com alegria, com prazer, e de tomar sua vida com as próprias mãos”, disse a diretora em entrevista recente.


“Um dos objetivos de trazer um tema pesado como esse é falar mesmo sobre isso. A gente acredita que, quanto mais se falar sobre isso, mais vai deixar de ser um tabu e as pessoas vão conseguir denunciar mais, entender que têm outras pessoas iguais por perto, e que têm uma certa força para lutar por direitos, por leis, e para que a sociedade, de maneira geral, fale mais sobre o assunto”, afirma Rita na entrevista.

De acordo com Lize Nascimento, que divide o palco com Julieta Nóbrega, a peça busca “fomentar a reflexão sobre a cultura do estupro, que atinge homens e mulheres, e buscar o empoderamento feminino a partir dessa reflexão.”

Sinopse:

"O espetáculo Nunca mais...Coração de mulher retrata o universo feminino, propondo uma reflexão sobre a violência sexual contra a mulher, e de forma sensível e tocante, leva o público a interação com a personagem. Paula se desdobra em reflexão e emoções provindas de acontecimentos que deixaram marcas profundas em sua alma. Calou-se por instinto de preservação e, após anos de segredo, surgem memórias carregadas de medo, vergonha, nojo, raiva, prazer e ódio. O que fazer com essas lembranças remotas? Esquecer não é possível. Ciente disso, entre a ferida e a possibilidade da cura, vem a coragem, que surge da fragilidade do coração de uma mulher, fazendo com que a protagonista reviva esse passado sombrio, angariando força necessária para expurgar as dores que a acompanharam silenciosamente por quase toda a vida. É chegada a hora de libertar-se dos fantasmas e angústias com os quais conviveu, empoderar-se e dar um novo significado para sua história."


Espetáculo: Nunca Mais... Coração de Mulher
Todos os Sábados às 19h
De 5 de agosto a 30 de setembro de 2017
Local: Teatro Maria Della Costa - Rua Paim, 72 - Bela Vista, São Paulo
Telefone: (11) 3256-9115
Inteira: R$ 50,00
Meia: R$ 25,00
Duração: 45 minutos
Classificação: 14 anos


quarta-feira, 1 de abril de 2015

A vida por Carina

Por Patricia Visconti, de O Barquinho Cultural

Nem o acidente que o deixou tetraplégico o afastou de sua arte
Ele era apenas um garoto sonhador, que tocava e propagava sua música e suas melodias pelos quatro ventos, mas o futuro não pertence a nós, e mal sabemos o que acontecerá em tempos longínquos de nossas vidas.

Douglas Jericó é um apaixonado por música desde que se entende por gente, já realizou diversas apresentações e até foi finalista de um concurso de calouros da televisão, sendo julgado e elogiado por grandes produtores e cantores da cena musical nacional e internacional.

Porém, como disse acima, nem tudo são flores em nossa vida. E um trágico acidente o deixou tetraplégico, deixando o jovem músico impossibilitado de realizar atividades básicas do dia-a-dia de qualquer pessoa. Mas, para quem é perseverante e confiante, nada é inepto, então ele se juntou com seus verdadeiros amigos e companheiros e permaneceu confiante ao seu destino, que é cantar e encantar com suas belas melodias.

Nas palavras do próprio Dôdi: “... outros dias nasceriam, passariam e morreriam ali, no lugar da noite, sempre em uma oscilação contínua. Mas às vezes, todos sabem, surgem os homens e suas maravilhosas promessas de respostas através de caminhos que muitas vezes nos levam a mais perguntas. Eu que amava estar sozinho com o meu mundo, percebi que nunca estive sozinho até mesmo quando estive”.
Primeiro CD leva nome do respirador que o mantinha vivo

O primeiro compacto de Dôdi foi lançado em meados de 2014, e conta com 14 faixas, com apoios e parcerias de amigos que sempre estiveram ao seu lado. Uma produção que contou com Ari Junior (estúdio Menorah) e Ronaldo Rossato (estúdio Bonham) e durou um pouco mais de um ano. Além de participações especiais e o reencontro do músico com a sua voz, e, principalmente, com a sua música. Afinal, foram longos anos de batalha, lutando pela sua própria vida, e com Carina – nome dado a um respirador eletrônico - sendo seu fator responsável para sobreviver.

Um artista que não apenas lutou por sua carreira, mas também pela própria vida, quando um inocente passeio de bicicleta quase o fez interromper um dos seus maiores sonhos e anseios: compartilhar e propagar a música que transpira de sua alma.

Conheça mais sobre o trabalho de Dôdi em: www.dodi.mus.br

E para baixar o primeiro disco do músico, basta acessar:

http://www.dodi.mus.br/mp3/cdDodieAdeusCarinaCompleto.rar

Assista “Oscilação contínua”, o primeiro videoclipe do álbum “Carina”:


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ganhos e perdas

     Vinte e três de outubro, quase fim de ano. Assistindo a "Profissão Repórter", que trata das dificuldades de atletas que sonham com a Olimpíada. Histórias de sacrifícios, superações... A velha ladainha de que você tem que acreditar em seus sonhos, perseguir suas metas, blá-blá-blás que enchem os bolsos dos escritores de livros de autoajuda e motivação e palestrantes sobre os mesmos assuntos.

     Acredito, sim, que a perseverança é importante e necessária, e até escrevi sobre isso aqui. Mas também sei que não há lugar no alto do pódio para todos. É importante e necessário também nos prepararmos para as derrotas, frustrações, decepções. Faz parte da luta, afinal. Não aceito que vendam ilusões de que você tudo pode se quiser. Melhor é a máxima de que o que vale é competir. Apesar da metáfora esportiva, é válida, afinal, neste país tudo se resume a metáforas esportivas, no mundo corporativo e na vida.

     Tive algumas derrotas este ano, doídas, mas não desesperadoras. Muitas delas por responsabilidade exclusivamente minha, daí ver os erros e tentar corrigi-los. É o que  se espera de processos assim. Ganhos os tive também, claro. E também episódios em que não posso resumir os resultados a ganhos ou perdas. Foram aprendizados, o que não deixa de ser um ganho. Outros fatos revelaram um nível de intolerância meu que não tinha noção de o ter. Isso me assustou.

     Enfim, estes dez meses de 2013 têm me proporcionado bons momentos de reflexão, de reavaliação, de repensar as atitudes, os pensamentos, as convicções. Confesso que o saldo não é dos mais alentadores. Mas o bom disso tudo é que esse diagnóstico tem permitido que eu clareie a mente, redefina os objetivos e redesenhe os caminhos. Dessa forma, as perdas passam a reverter-se em ganhos, no sentido de que se tornam lições e correções de rumos. O que se chama na Teoria dos Jogos de soma zero.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Limites são para serem superados


Gaby Andersen, Olimpíada de LA, 1984

Coincidência – ou não -, assisti recentemente a três filmes que abordam pessoas acometidas de males que lhes impedem de, por conta própria, se locomover, comer, se limpar, enfim, qualquer atividade que normalmente fazemos sozinhos. “Amor” (“Amour”, de Michael Haneke), “Intocáveis” (“Intouchables”, de Eric Toledano e Olivier Nakache) e “As Sessões” (“The Sessions”, de Ben Lewin). Em todos os três, as pessoas incapacitadas mantêm a dignidade, não querem ser vistas com pena nem tratadas como seres sem inteligência e discernimento.

Não estou defendendo a resignação, mas creio que enfrentar as adversidades da vida com coragem e determinação é uma boa dica para quem acha que é um coitado total e que o mundo todo conspira contra ele. Conheço pessoas que o tempo todo lamentam a má sorte, vivem às turras com tudo e todos, achando que as coisas ruins só acontecem com elas. Como menciona o palestrante Mauricio Louzada em seu livro “Pra Valer” (editora All Print, 2011, 3ª edição), “os problemas fazem parte da vida, mas ser vítima deles é uma questão de escolha”.

Impossível não se lembrar do físico britânico StephenHawking, portador, desde os 21 anos, de esclerose lateral amiotrófica, que lhe paralisa os movimentos do corpo, mas não as atividades cerebrais. É autor da frase: “Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança”, o que encerra uma grande lição. Também podemos nos referir ao paralama Herbert Vianna, que há 12 anos ficou paraplégico e, após quase dois meses em coma, sobreviveu e sua recuperação foi tamanha que lhe permitiu voltar à atividade artística, apesar das limitações que adquiriu.

Mas há outros anônimos por aí que nos dão sempre uma lição de vida. Mostram que a força de vontade – a de viver, em primeiro lugar – supera os obstáculos que possam aparecer. E que, antes de se queixar, é bom avaliar se está dando o melhor de si. Não quero dar lição de moral, mas acho que uma atitude positiva diante da vida ajuda bastante, que o pão de hoje é uma dádiva e o de amanhã depende de nosso esforço e crença em nossa capacidade de obtê-lo.

A esses conhecidos que vivem rabugentos e se achando os mais injustiçados dos humanos, vivo dizendo que se lamentar não resolve os problemas, que o que conta é a maneira como os enfrentamos, sem perder o vigor. Mas uma hora cansa ver que minhas palavras de nada aliviam sua lástima. O que acontece é que mais dia menos dia acabarei me afastando deles, pois negativismo pega, e não quero ser um radar de energias ruins. Parece cruel, mas é assim.