Agora, o Blog por Bloga e O Barquinho Cultural são parceiros. Compartilhamento de conteúdos, colaboração mútua, dicas e trocas de figurinhas serão as vantagens dessa sintonia. Ganham todos: criadores, leitores/ouvintes, nós e vocês. É só clicar no barquinho aí em cima que te levamos para uma viagem para o mundo cultural
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Em março de 1961, foi criado na Guanabara o Centro Popular de Cultura (CPC), que se tornou o órgão cultural da União Nacional de Estudantes (UNE).
A entidade estudantil atuava no espaço político e reivindicava mudanças na educação superior do Brasil.
Em 1962, foi realizando em Curitiba o II Seminário Nacional de Reforma Universitária, e a UNE, com o objetivo de politizar a massa estudantil acerca dos problemas que debilitavam o ensino superior brasileiro, resolveu encomendar ao CPC um texto teatral que retratasse essa realidade.
A peça procurou enfocar a questão da elitização do ensino universitário brasileiro desde os tempos da colônia.
A peça, montada seguindo a estética agitprop (agitação e propaganda) - forma teatral utilizada pelos revolucionários russos após a vitória bolchevique em 1917, para difundir e propagar suas ideias sociopolíticas -, foi exibida em universidades e praças e outros espaços públicos durante o segundo semestre de 1962.
O CPC realizou outras montagens teatrais, promoveu seminário de dramaturgia, cursos de teatro, editou livros e cordéis, promoveu uma mostra de música brasileira, lançou discos e o longa-metragem "Cinco Vezes Favela", composto de cinco curtas, dirigidos por Marcos Farias (1935-1985), Miguel Borges (1937-2013), Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), Carlos Diegues (1940-2025) e Leon Hirszman (1937-1987) - filme já citado aqui no episódio sobre Geraldo Vandré.
O primeiro disco do CPC é "O Povo Canta", um 7 polegadas com cinco canções, entre elas esta "Zé da Silva é um homem livre", de Geni Marcondes (1916-2011) e Augusto Boal (1931-2009), cantada por Carlinhos Castilho e Coral CPC e que integrou a trilha da peça "Revolução na América do Sul", de Boal.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
No início dos anos 1960, o paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias (1935-), então estudante de Direito no Rio de Janeiro, começou a frequentar os Centros Populares de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), onde reencontrou o compositor carioca Carlos Lyra (1933-2023), a quem havia pedido, anos antes, uma música para participar de um festival.
"Quem quiser..." foi gravada em um 78 rpm em 1961 por Geraldo, que adotou definitivamente o sobrenome artístico Vandré, pela gravadora RGE. No lado B, "Sonho de Amor e Paz" (Baden Powell e Vinicius de Moraes). (Fontes: 'Geraldo Vandré, Uma Canção Interrompida', de Vitor Nuzzi, Kuarup, 2015; Dicionário Cravo Albin da MPB; IMMuB.)
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Sergio Ricardo, nome artístico de João Lufti (1932-2020), talvez seja mais conhecido como o cara que quebrou o violão e o lançou à plateia ao ser vaiado durante a apresentação de "Beto Bom de Bola" no III Festival da Canção, de 1967, exibido pela TV Record de São Paulo.
Mas Sergio foi compositor, cantor, instrumentista, ator e diretor de rádio, TV e cinema, escritor, roteirista e pintor.
Natural de Marília (SP), começou a estudar piano aos 8 anos. Seis anos depois, a família mudou-se para a capital paulista. Em 1949, foi para São Vicente, no litoral sul paulista, e trabalhou na Rádio Cultura.
Em 1952, muda-se para o Rio de Janeiro. Começa como locutor de rádio e pianista em boates. Conhece a turma da futura bossa-nova, como Tom Jobim, João Gilberto e Johnny Alf.
Seu trabalho de compositor foi registrado pela primeira vez pela cantora Maysa, que gravou "Buquê de Izabel".
Lançou ainda outros quatro singles e o primeiro LP, "Dançante Nº 1", saiu em 1959, pela Todamérica.
Integrou o elenco de atores da TV Tupi paulista, quando adotou seu nome artístico. Fez novelas na TV e na rádio, atuando também nas TVs Rio, Vanguarda e Continental.
Em 1961, filma o curta-metragem "Menino da Calça Branca". O curta representou o Brasil no Festival de Cinema de São Francisco (EUA), alcançando o segundo lugar.
Ainda nos EUA, participou do histórico "Festival de Bossa Nova", realizado no Carnegie Hall de Nova York (EUA), ao lado de Carlos Lyra, Tom Jobim, Roberto Menescal, João Gilberto e Sergio Mendes, entre outros.
Apresentou-se, voz e violão, com suas canções "Zelão" e "O Nosso olhar". Ficou nos EUA por oito meses, tocando em boates, e depois fez temporada na Riviera Francesa.
Ainda nesse ano, gravou o LP "Um Senhor Talento", lançado pela Elenco.
Em 1965, após nova temporada no exterior, apresentou o show "Esse Mundo é Meu" no Teatro de Arena de São Paulo e assinou a trilha de "Terra em Transe", de Glauber, e da peça "O Coronel de Macambira", de Joaquim Cardoso.
Revoltado com a reação do público na reapresentação da música, jogou o violão quebrado e foi desclassificado.
Participou de outros festivais, montou outro show no Arena, "Sergio Ricardo e a Praça do Povo", escrito com Chico de Assis e dirigido por Augusto Boal.
Em 1980, participou do Festival de Varadero, em Cuba, ao lado de Chico Buarque, e lançou um LP com Geraldo Vandré.
Em 1983, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo realizou a "Semana Sergio Ricardo", apresentando filmes, pinturas, discos, livros e espetáculos de sua autoria.
Compôs e escreveu os arranjos da trilha sonora de "Estória de João-Joana", cordel de Carlos Drummond de Andrade, gravada pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e lançada em disco, em 1985.
Em 1999, "Estória de João-Joana" foi encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, marcando sua volta à cena artística.
Lançou, em 2001, o CD "Quando Menos se Espera". Publicou os livros "Quem quebrou meu violão" (Editora Record, 1991), um ensaio sobre a cultura brasileira no período 1940-1990, e "Elas", uma coletânea de suas poesias.
Foi infectado com a covid-19 em maio de 2020, mas morreu sem receber alta em 23 de julho de 2020 no Rio de Janeiro, aos 88 anos, por decorrência de uma insuficiência cardíaca.
Só neste LP lançado nesse ano, que leva apenas o nome do cantor e compositor nascido Carlos Eduardo Lyra Barbosa em 11 de maio de 1933 ou 1939 (nem seu site oficial esclarece), pela Philips, há quatro composições da dupla: "Coisa Mais Linda", "Você e Eu", "Primeira Namorada" e "Nada Como Ter Amor".
Segundo ele próprio conta, "desde criança apaixonei-me pelo cinema e ainda mais pelos musicais (...) Tocava em meu piano de brinquedo e em uma harmônica de boca, mas foi quando servi ao Exército, ao quebrar a perna vencendo um campeonato de salto em distância que, imobilizado, fui contemplado por minha mãe com um violão e aproveitei as aulas de meu vizinho, Garoto (Aníbal Augusto Sardinha - 1915-1955)."
Compôs sua primeira música, "Quando Chegares", em 1954, mesmo ano em que escreveu "Menina", que viria a ser gravada ano seguinte por Sylvinha Telles (1934-1966), mas antes defendida por Geraldo Vandré (1935-) que à época assinava Carlos Dias, no I Festival da Canção, realizado pela TV Rio.
À essa época, já estabelecera contato com os músicos que criariam o que veio a ser conhecido como "bossa nova": além de Sylvinha, João Gilberto (1931-2019), Lúcio Alves (1927-1993), Luiz Eça (1936-1992), João Donato (1934-2023) e outros à volta do piano de Johnny Alf (1929-2010).
Escreve para peças e filmes e se apresenta em Nova York, em 1962, na lendária apresentação dos bossa-novistas no Carnegie Hall.
Distanciando-se da temática "sorriso e a flor" da bossa nova, passa a compor músicas mais engajadas, e, com a barra pesada pós-1964, autoexila-se no exterior, só voltando em 1971.
Tem um disco censurado em 1974, "Herói do Medo" e volta aos EUA, onde fica mais dois anos.
Escreveu trilhas variadas nos anos seguintes. Em 1984, realizou o show "25 Anos de Bossa Nova". Fez inúmeras excursões solo e com parceiros pelo exterior, além de vários discos, além de alguns livros.
O filme, coordenado por Cacá Diegues e sua mulher, Renata Magalhães, retoma a ideia de montagem de mesmo nome produzida em 1962 a partir de concepção de Cacá e Leon Hirszman, entre outros, e também com vários diretores, coproduzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE.
O filme, muito bom, por sinal, busca retratar o dia a dia nas favelas - hoje chamadas de comunidades - e os conflitos ali estabelecidos, principalmente entre os moradores, os traficantes e a polícia.
Apesar de o tema estar presente em outras produções recentes, como Cidade de Deus(Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002), Tropa de Elite 1(José Padilha, 2007) e Tropa de Elite2: O Inimigo Agora É Outro(José Padilha, 2010)e Era Uma Vez(Breno Silveira, 2008), este tem a diferença de ser realizado e encenado por moradores dessas comunidades (apesar de contar com atores profissionais também), mostrando seu olhar sobre a situação que vivem, de forma que o distanciamento crítico que o cinema se impõe às vezes neste fica prejudicado, uma vez que a abordagem é mais intrínseca.
O interessante é que o maniqueísmo é deixado de lado e a realidade nua e crua é exposta sem grandes arroubos sociológicos, sem muita explicação. E o filme não aborda apenas a questão do tráfico e a violência policial, mostra a vida desse pessoal de uma maneira, se não romantizada, de forma realista e com alguma carga de poesia.
Fonte de renda, dirigido por Manaíra Carneiro, aborda a situação de um jovem que conseguiu passar no vestibular de Direito e, agora, precisa arcar com os gastos com livros, transporte e alimentação para realizar seu sonho. As dificuldades acabam por fazê-lo envolver-se com o tráfico. O episódio, longe de justificar o crime, expõe a tênue linha que separa essas duas realidades.
Arroz com feijão, de Cacau Amaral e Rodrigo Felha, conta a história de um menino que quer dar de presente ao pai um frango no dia de seu aniversário, porque a família, às voltas com os gastos da construção de um quarto para ele, tem de comer apenas esse alimento, sem mais nada. O garoto sai, então, à luta de cinco reais para realizar seu desejo e encontra muita dificuldade para tal. E acaba cometendo um roubo, do qual se reabilita no final, mostrando que a ética e a honra não são uma questão de condição social.
Concerto para violino, de Luciano Vidigal, retrata a amizade de três crianças que, ao crescer, tomam caminhos diferentes. Quando pequenos, os dois meninos e a menina fazem pacto de eterna amizade. Adultos, um cai no tráfico, a garota estuda violino e se prepara para uma bolsa de estudos na Europa e o terceiro se torna policial. A vida os faz reencontrarem-se em uma situação limite que terminará em um tragédia. É o mais denso de todos, em minha opinião.
Deixa voar, de Cadu Barcellos, tem como pano de fundo a rixa entre facções nas favelas, mas sem se aprofundar. Coloca mais a questão da coragem em contraste com o medo e a superação dos percalços em nome da realização de um objetivo. Um rapaz deixa voar a pipa de um amigo, que vai cair na comunidade vizinha, onde os que moram do lado de cá não vão, e vice-versa - cada lado acreditando que a incursão no outro lado é arriscado. Acontece que o amigo exige que ele vá buscar o brinquedo.
Acende a luz, de Luciana Bezerra, é o único que não aborda nenhuma espécie de crime, mas lida com o medo que se tem de entrar em uma comunidade dessas. A falta de luz em uma comunidade na véspera do Natal leva funcionários da companhia de eletricidade ao local para o conserto. Uma primeira equipe vai embora sem resolver o problema de uma parte mais distante e de difícil acesso. Vem então outra equipe e um dos técnicos sobe ao local. Lá, a comunidade cai matando, exigindo que ele faça o serviço. Acontece que falta uma peça, e o colega que ficou no carro vai embora. O funcionário é feito refém ali até fazer a luz voltar. O interessante é ver os moradores rirem do medo do coitado, que imagina que está em um covil de traficantes.
Enfim, é um filme de forte conteúdo social e que tem o grande mérito de lançar um olhar despretensioso sobre uma realidade que não é de toda conhecida.