O Barquinho Cultural

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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Carlos Lyra

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

1961 marca o início da parceira entre Carlos Lyra e Vinicius de Moraes.

Só neste LP lançado nesse ano, que leva apenas o nome do cantor e compositor nascido Carlos Eduardo Lyra Barbosa em 11 de maio de 1933 ou 1939 (nem seu site oficial esclarece), pela Philips, há quatro composições da dupla: "Coisa Mais Linda", "Você e Eu", "Primeira Namorada" e "Nada Como Ter Amor".

Segundo ele próprio conta, "desde criança apaixonei-me pelo cinema e ainda mais pelos musicais (...) Tocava em meu piano de brinquedo e em uma harmônica de boca, mas foi quando servi ao Exército, ao quebrar a perna vencendo um campeonato de salto em distância que, imobilizado, fui contemplado por minha mãe com um violão e aproveitei as aulas de meu vizinho, Garoto (Aníbal Augusto Sardinha - 1915-1955)."

Compôs sua primeira música, "Quando Chegares", em 1954, mesmo ano em que escreveu "Menina", que viria a ser gravada ano seguinte por Sylvinha Telles (1934-1966), mas antes defendida por Geraldo Vandré (1935-) que à época assinava Carlos Dias, no I Festival da Canção, realizado pela TV Rio.

À essa época, já estabelecera contato com os músicos que criariam o que veio a ser conhecido como "bossa nova": além de Sylvinha, João Gilberto (1931-2019), Lúcio Alves (1927-1993), Luiz Eça (1936-1992), João Donato (1934-2023) e outros à volta do piano de Johnny Alf (1929-2010).

Ainda em 1961, fundou, com Oduvaldo Viana Filho (1936-1974), Ferreira Gullar (1930-2016), Leon Hirszman (1937-1987) e Carlos Estevam Martins (1934-2009), o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC), atuando também como diretor musical da entidade.

Escreve para peças e filmes e se apresenta em Nova York, em 1962, na lendária apresentação dos bossa-novistas no Carnegie Hall.

Distanciando-se da temática "sorriso e a flor" da bossa nova, passa a compor músicas mais engajadas, e, com a barra pesada pós-1964, autoexila-se no exterior, só voltando em 1971.

Tem um disco censurado em 1974, "Herói do Medo" e volta aos EUA, onde fica mais dois anos.

Escreveu trilhas variadas nos anos seguintes. Em 1984, realizou o show "25 Anos de Bossa Nova". Fez inúmeras excursões solo e com parceiros pelo exterior, além de vários discos, além de alguns livros.

Morreu em 16 de dezembro de 2023.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Nilo Amaro E Seus Cantores de Ébano

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano era um grupo formado por Moisés Cardoso Neves (nome de batismo de Nilo, 1928-2004) e um coro de vozes negras femininas e masculinas (um soprano, um mezzo-soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos), com destaque para o baixo profundo Noriel Vilela (1936-1975).

O conjunto fez muito sucesso na década de 1960. Seu repertório era composto de clássicos da música popular brasileira (sambas e sambas-canções) e do folclore, e de versões para o português de "spirituals" dos negros americanos, sendo considerado o precursor da música gospel no Brasil.

Segundo os críticos, a música negra brasileira deve muito a Moisés. Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano lançou o fundamental disco “Os Anjos Cantam”, em 1962, pela gravadora Odeon, em que se destacou a música “Leva Eu Sodade”, de Alventino Cavalcanti (1920) e Tito Neto (?).

Depois de gravar dois álbuns na Odeon (em 1961 e 1963), o grupo lançou outros álbuns em selos menores e desapareceu. Nilo ainda gravou músicas religiosas nos anos 1980.

Noriel ez sucesso fora dos Ébano com a canção "16 Toneladas", gravada pela Copacabana em 1971, uma versão em português de um clássico norte-americano do pop-country-folk dos anos 1940, "Sixteen Tons", de Ernie Ford e Merle Travis.

"A Noiva", versão de "La Novia", de Joaquim Prieto por Fred Jorge, é a última faixa do lado B de "Os Anjos...", mas foi lançada em 1961 em 78 rpm, com "Greenfields" (Terry Gilkyson, Richard Dehr e Frank Miller, versão Romeo Nunes) no lado B.

Foi gravada pelos maiores medalhões da época: Cauby Peixoto (1931-2016), Ângela Maria (1929-2018), Agnaldo Timóteo (1936-2021), Agnaldo Rayol (1938-2024), Leny Eversong (1920-1984), Raul Gil (1938) e Luiz Eça (1936-1992), entre outros.