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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Elza Soares

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

A cantora e também compositora Elza da Conceição Soares nasceu no Rio de Janeiro em 1930. Experimentou emoções fortes em sua trajetória. Da miséria à riqueza, do assédio ao descaso da mídia, da paixão ao abandono.

Foi lavadeira, casou-se forçada pelo pai aos 12 anos e chegou a perder três filhos, que morreram de fome.

Foi com a cara e a coragem num programa de Ary Barroso e ganhou a nota máxima, após passar pelo constrangimento de ouvir do apresentador piadas devido à sua origem humilde.

Depois foi para a Argentina. Mais tarde, conseguiu a chance de cantar no rádio e gravar na Odeon graças aos cantores Moreira da Silva (1902-2000) e Sylvinha Telles (1934-1966).

Nos anos 1960 teve o maior número de sucessos. Acabou perdendo tudo que tinha, inclusive seu filho com Garrincha, morto em acidente de carro, em 1986.

Tentou a sorte fora do país de 1986 a 1994, mas não deu certo. Com o tempo, aprimorou-se como intérprete, tornando-se cada vez mais visceral e teatral.

Ela soube renovar-se e, ao ser convidada para participar do CD “Casa de samba” (1996), voltou a aparecer mais constantemente na mídia.

A partir do álbum "Do Cóccix Até O Pescoço", de 2002, iniciou um processo de modernização de seu estilo, aproximando-se cada vez mais das novas gerações, o que se intensificou com o lançamento dos discos "A Mulher do Fim do Mundo" (2015) - considerado pelo "The New York Times" o melhor álbum de 2016 -, "Deus É Mulher" (2018) e "Planeta Fome" (2019), que exploram elementos da música pop e eletrônica.

Antes de embarcar para o Chile, em 1962, para ser madrinha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, quando conheceu Louis Armstrong e Mané Garrincha, gravou pela Odeon o LP "A Bossa Negra" - meio que definindo seu estilo, entre o samba tradicional e a bossa-nova, do qual "Boato" (João Roberto Kelly) foi um dos êxitos.

Morreu aos 91 anos, em 20 de janeiro de 2022 com o devido e merecido reconhecimento.


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Elizeth Cardoso


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.


"A Divina" Elizeth Cardoso (1920-1990) já era uma artista consagrada em 1961. Descoberta por um adolescente Jacob do Bandolim (1918-1969) ao ouvi-la cantar na festa de seus 16 anos, levou-a para um teste na Rádio Guanabara.

Apresentou-se em 18 de agosto de 1936 no Programa Suburbano, ao lado de Vicente Celestino, Aracy de Almeida, Moreira da Silva, Noel Rosa e Marília Batista.

Na semana seguinte foi contratada para um programa semanal da mesma rádio.

Prosseguiu se apresentando em rádios, circos, clubes e cinemas, mas complementando a baixa renda trabalhando até como taxista.

Até que, em 1950, apadrinhada por Ataulfo Alves (1909-1969), gravou seu primeiro 78 rpm, pela gravadora Star, com "Braços Vazios (Acir Alves e Edgard G. Alves) e "Mensageiro da Saudade" (Ataulfo Alves e José Batista).

O disco não aconteceu, e até chegou a ser recolhido por defeito técnico.

O sucesso veio na segunda gravação, realizada na Todamérica em 1950, com a música "Canção de Amor" (Chocolate e Elano de Paula) e o samba "Complexo" (Wilson Batista). Esse trabalho lhe abriu várias portas de gravadoras, rádios, TV, inclusive no cinema.

Em 1958, gravou pela Copacabana o LP "Canção do Amor Demais", disco considerado inaugural da bossa nova, pois era todo dedicado a músicas de Tom Jobim (1927-1994) e Vinícius de Moraes (1913-1980), além do acompanhamento ao violão de João Gilberto (1931-2019) em "Chega de Saudade" e "Outra Vez".

Um dos 78 rpm lançados em junho de 1961 traz "Balão apagado" (Noel Rosa/Marília Batista) e, no lado B, "Notícia de Jornal" (Haroldo Barbosa-Luiz Reis), esta resgatada por Chico Buarque em seu LP de 1975 ao vivo com Maria Bethânia.