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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O escritor da Avenida Paulista

O escritor Eduardo Lages convida quem passa pela famosa avenida a conhecer um livro novo todos os dias

Por Patrícia Kawakami

Eduardo busca na Paulista inspiração para as histórias de Jaime
Você já andou pela Avenida Paulista? Se a sua resposta for sim, sabe que, além de ser uma das principais avenidas de comércio da capital, também é um lugar que atrai todos os públicos, proporcionando lazer, diversidade e cultura. Mas você já tentou ficar o dia inteiro, sentado em uma mesa, no meio da calçada, para escrever um livro? O escritor Eduardo Lages (25) viveu essa experiência. Seja sob sol ou chuva,  todos os dias ele vai para a Paulista tirar inspiração para dar vida ao personagem “Jaime”, protagonista de suas histórias.

Parece loucura alguém escrever um livro em uma avenida tão movimentada e barulhenta, mas Eduardo conta que, na verdade, foi assim que conseguiu parte de sua inspiração: “ Tinha muito medo de não conseguir escrever aqui, com muitas pessoas passando e com tanto barulho, mas foi ao contrário, as pessoas passando, o barulho, as situações que vejo aqui, elas ajudam muito a escrever, porque elas trazem uma inspiração que, se eu estivesse trancado em casa, acho que não teria”.

Inicialmente, sua carreira de escritor não começou diretamente na Paulista. Para escrever o seu primeiro livro, “Querido Jaime”, Eduardo escrevia durante os intervalos do almoço na agência onde trabalhava, rotina que durou cerca de sete meses. Após concluir seu livro, passou a vendê-lo na Avenida Paulista, onde começou a escrever o segundo, com uma versão mais ampliada do primeiro.

O primeiro livro conta a história do personagem “Jaime”, um senhor de idade que vive apenas dentro de  casa, sem nunca colocar os pés para fora. Entretanto, chega o dia em que é forçado a sair, e acaba se perdendo pela grande São Paulo.  Com a frase: “ Já conheceu um livro novo hoje?”, Eduardo divulga seu trabalho sem qualquer patrocínio financeiro, tendo contato direto com o seu público.

Todos os dias, faça sol ou chuva, ele está lá
Sobre como é vender seu trabalho de forma independente, Eduardo conta a experiência que vive: “Independência assim ela é relativa, porque a gente sempre depende de alguém, de um prestador de serviços, de alguém que te ajuda (...) Então sou muito grato a todas essas pessoas, por isso não posso falar que sou totalmente independente. Mas em termos de ideia sim, e não teve ninguém financiando o meu trabalho, eu banco tudo sozinho, e foi muito bom (...) Não é só o trabalho de escrever o livro, você tem que editar o livro, tem que diagramar o livro, tem que correr atrás da gráfica, tem que vender o livro. Então é muito mais trabalhoso ser independente, mas é muito mais recompensador também. Eu tenho contato direto com o público, as pessoas que vêm aqui e compram o meu livro depois voltam e me falam o que achou, tudo isso é muito bom.”

Além da divulgação de seu livro na Avenida Paulista, Eduardo também tem projetos para expandir a literatura urbana em outros pontos pela cidade, com novas histórias e novos livros. Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho desse escritor inovador, é só acessar sua página no Facebook, Venha conhecer a história do “ Querido Jaime”!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Fim de semana tranquilo

Não fui ao Rio nem assisti a A Origem. Fui ao cinema, em São Paulo mesmo, mas vi Reflexões de Um Liquidificador, de André Klotzel, diretor do ótimo A Marvada Carne. Reflexões é um filme policial com tons de humor negro, em que o eletrodoméstico cria vida e passa a dialogar com a dona de casa Elvira, papel de Ana Lúcia Torre. A voz do liquidificador é de Selton Mello, que tece reflexões, como diz o título, a respeito da vida e dos homens e, apesar do absurdo, torna-se confidente da dona da casa, que o chama de caco velho, por ser um liquidificador bem antigo. Logo de cara reparei que minha mãe teve um daquele, há muito tempo. O filme é muito bom, se bem que meio arrastado às vezes. Antes, teve um curta sobre um repentista chamado Divino, que proclama seus versos velozmente e nem dá para entender tudo o que ele fala. O filme é o seguinte. Elvira vai na polícia dar queixa do desaparecimento do marido Onofre (Germano Haiut). Ela sai de lá como principal suspeita, sendo perseguida pelo investigador Fuinha (Aramis Trindade). O filme então se desenrola nas reflexões do liquidificador, seus diálogos com Elvira, a visita da vizinha (Fabiula Nascimento, de Estômago, e na investidas de Fuinha, crente de que ela assassinou o marido. Depois da ida à delegacia, o filme faz um flash back para mostrar os antecedentes do desaparecimento. O liquidificador, que seria vendido pelo marido, escapa da troca de lar e comete uma inconfidência: conta que viu o mar e, aí, nasce a dúvida na cabeça de Elvira, que estava estranhando o excesso de horas extras diurnas do marido vigia noturno. Ela descobre, então, que Onofre tem uma amante, a Gorete Milagres (aquela atriz que fazia Oh Coitado na televisão, no papel de uma empregada doméstica). O desfecho é surpreendente, mas não de todo imprevisível. É uma boa diversão, pena que está apenas em uma sala, no Espaço Unibanco da rua Augusta.

Falar em rua Augusta, este sábado resolvi fazer o que tinha resolvido: andar pela avenida Paulista. Desci do metrô na Brigadeiro e fui à Fnac, olhar livros. CDs e DVDs, um ótimo passatempo. Acabei não comprando nada, porque tenho muitos livros em casa sem  ler e quero pôr tudo em dia. Discos e filmes também não estou muito a fim de comprar não, apesar de ter me encantado por uma caixa com a série completa de O Poderoso Chefão, que eu gosto muito. Quem sabe um dia... Também me interessei por Meu Tempo É Agora, um documentário sobre o Paulinho da Viola, que não vi quando estava nos cinemas. Também posso resolver levar algum dia. Quanto a CDs, tirando a reedição dos Beatles, não vi nada que me interessasse.

Antes do cinema, desci até a lanchonete Estadão e comi uma ótima feijoada, nada melhor nesse frio que um prato bem gordo como esse. Estava uma delícia, tracei tudo, não sobrando nada. Fazia muito tempo que não comia no Estadão, que era onde fazia meu lanche quando trabalhava no Diário Popular, de 1989 a 1996. Depois do filme, fui para casa e passei o resto da noite embrulhado em edredon e vendo TV, tomando vinho e comendo queijos. No domingo, acordei tarde, às 14h. Fui depois para a casa de minha irmã mais velha, Vilma, e a acompanhei, junto com a mais nova, Sonia, à igreja adventista. Foi legal, é um ambiente onde a gente se sente muito bem e ouve uma pregação que faz refletir sobre as coisas da vida. Foi um fim de semana tranquilo, que faz com que a semana role na boa, é o que espero.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Paulistano

Estou na capital, depois de quase 50 anos no ABC, com curto período anterior em que morei no Ipiranga. Acho que não regressarei, pelo menos o que me motivou a ir morar em São Paulo prossegue. Nada é definitivo, claro, mas vir morar bem perto do trabalho foi uma decisão refletida, que veio da reclamação do corpo em se deslocar todos os dias úteis mais de 70 quilômetros. Agora estou alojado um pouco mais perto, mas ainda não no meu endereço definitivo aqui em Sampa, que este será resolvido em  poucos meses, espero. Estou perto do metrô, o que implica não precisar do carro para ir ao trabalho. Ainda não o utilizei, servindo-me do meu veículo mesmo, mas é minha intenção mudar de meio de transporte, porque o trânsito mesmo não anima. Se bem que no horário de pico a estação da Sé vira um formigueiro, mas, como é minha volta para casa, tudo bem esperar passar uns três ou quatro carros antes de embarcar. Ou encarar o aperto. Este próximo será meu primeiro final de semana que poderei curtir a capital. Pegar o metrô, descer na Paulista e curtir um cineminha, ver as novidades na Fnac, tomar um chopinho no Frevo, ou comer um bauru no Ponto Chic, quem saber ir finalmente ver as obras no Masp (vergonha, nunca fui). A cidade é bonita e sem a dependência do carro ela fica mais acessível. Pretendo usufruir. Quem quiser vir comigo ou convidar será bem-vindo.