O Barquinho Cultural

O Barquinho Cultural
Agora, o Blog por Bloga e O Barquinho Cultural são parceiros. Compartilhamento de conteúdos, colaboração mútua, dicas e trocas de figurinhas serão as vantagens dessa sintonia. Ganham todos: criadores, leitores/ouvintes, nós e vocês. É só clicar no barquinho aí em cima que te levamos para uma viagem para o mundo cultural

domingo, 16 de março de 2025

Sinfonia da Alvorada


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

"Brasília: Sinfonia da Alvorada", poema sinfônico composto por Antônio Carlos Jobim (1927-1994) com letra de Vinícius de Moraes (1913-1980) em 1959, pretendia celebrar a inauguração da nova capital do Brasil em 1960.

A ideia da composição surgiu em 1958, idealizada pelo arquiteto de Brasília, Oscar Niemeyer (1907-2012). O arquiteto queria que a obra tivesse estreia no dia 21 de abril de 1960, data da inauguração de Brasília, o que não ocorreu.

“A ideia de escrevermos uma Sinfonia celebrando Brasília não é nova. Em fevereiro de l958, eu acidentado num hospital de Petrópolis, conversei pela primeira vez com Antônio Carlos Jobim sobre o assunto. Ainda no correr desse mesmo ano, alguns dos temas musicais aqui constantes já haviam sido compostos pelo jovem Maestro. (...) Houve logo, é claro, quem falasse em obra ‘encomendada’ e outras tolices do gênero, o que feriu certas suscetibilidades de Jobim. E a tarefa ficou postergada para dias mais inteligentes” escreve Vinícius na capa do LP.

Ficou decidido que a peça teria sua primeira apresentação nas comemorações de 7 de setembro na nova capital, o que também não foi possível devido aos altos gastos que seriam necessários.

A obra teve sua primeira gravação em novembro de 1960, pela Columbia, com o próprio Vinícius recitando o texto. O disco foi lançado em fevereiro de 1961.

A primeira apresentação do poema sinfônico ocorreu apenas em 1966, na TV Excelsior. A peça só veio a estrear em Brasília no ano de 1986, seis anos após a morte de Vinícius, na Praça dos Três Poderes.

A obra é dividida em cinco movimentos, nos quais são discorridos diferentes temas, como a paisagem do planalto central anterior à construção, a chegada do homem a fim de fundar a cidade, a chegada dos trabalhadores, o processo de construção da cidade e, por fim, um canto de exaltação à nova cidade. (Fonte: Museu Virtual Brasília)


Linda Batista

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Florinda Grandino de Oliveira (1919-1988), mais conhecida como Linda Batista, "A Maioral do Samba", foi uma cantora e compositora brasileira, irmã da também cantora Dircinha Batista (1922-1999), filhas do cantor, comediante, compositor e ventríloquo Batista Júnior (1894-1943).

Aos 10 anos, estudava violão e, nessa época, compôs sua primeira música, "Tão sozinha". Aos 13 anos, se apresentava com a irmã Dircinha na Rádio Cajuti.

Em 1936, por causa de um atraso da irmã (providenciado pelo pai), teve que substituí-la cantando no programa de Francisco Alves (1898-1952), na Rádio Cajuti, iniciando assim sua carreira solo.

Logo depois, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1937, foi eleita a primeira Rainha do Rádio, título que manteve por 11 anos, ano em que foi contratada pela gravadora Odeon.

Atuou em 29 filmes no cinema (inclusive com Carmem Miranda) e como crooner em orquestras no Rio e em São Paulo.

Foi uma das maiores cantoras do samba-canção (lançou 'Vingança', de Lupicínio Rodrigues) e de músicas de carnaval. ]

Em 1940, gravou na Odeon seu primeiro disco solo, cantando a marcha "Macaco Quer Banana", de J. Piedade e Sá Róris, e o samba "Abre a Porta", de Raul Marques e César Brasil.

No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos, o samba "Bis, Maestro, Bis", de Cristóvão de Alencar e J. Maia. Ainda no mesmo ano, foi contratada pela RCA Victor, onde permaneceu por 20 anos e na qual estreou com a marcha conga "Passei na Ponte", de Ary Barroso, e o samba "Renda Nova", de Juraci Araújo e Gomes Filho.

No começo dos anos 1950, fez temporada na Europa. Após 1964, foi saindo de cena, perdendo patrimônio e entrando em depressão.

Entre os 78 rpm que gravou em 1961, "Quero Morrer no Carnaval" (Luiz Antônio e Eurico Campos) chegou às paradas de sucesso. No Lado B, sua composição, "Olha A Italiana". (Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB, IMMuB.)


sexta-feira, 14 de março de 2025

Alcides Geraldi

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O cantor e compositor João Alcides Gerardi (1918-1978) nasceu em Porto Alegre, mas ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro.

Trabalhou no comércio ao lado do pai até 1935, quando começou a carreira de cantor, como crooner.

Em 1939, participou do grupo Namorados do Luar como vocalista. Nesse mesmo ano, realizou uma gravação particular do samba "Não Faça Vontade a Ela", de Nelson Cavaquinho (1911-1986).

Dois anos depois, formou o conjunto Os Três Marrecos, com Marília Batista (1918-1990) e Henrique Batista (1908-?), irmão da cantora.

Em 1944, atuou como crooner da orquestra de danças do maestro Simon Bountman (1900-1977) e foi convidado para trabalhar na Rádio Transmissora.

Seu primeiro disco comercial foi lançado pela Odeon em 1945, trazendo a música "Lourdes" (George Brasse e Mário Rossi). Três anos mais tarde foi contratado pela Rádio Tupi, onde permaneceu até 1953, quando foi para a Rádio Nacional.

Gravou dezenas de discos, especialmente na Odeon e na CBS, e foi também letrista de canções como "Filha do Coronel" (com Irani de Oliveira), tendo parceiros como Ernani Campos e Othon Russo.

Obteve grande êxito com gravações como "Antonico" (Ismael Silva), "Brotinho Maluco" (Aníbal Cruz), "Cabecinha no Ombro" (Paulo Borges), "Saudades do Passado", "Você Pensa", "Só Resta Lágrima", "Castelo de Areia" (Geraldo Jacques, Isaías Freitas e Meirinha), "E Eu Sem Maria" (Dorival Caymmi e Alcyr Pires Vermelho), entre outras.

Alcides morreu por complicações decorrentes de um acidente de carro, quando voltava de um show pela Via Dutra.

Em 1961, lançou pela Columbia o LP "Palavras de Amor", um disco de repertório romântico incluindo a canção título, de Paulo Borges. (Fontes: Last FM, Dicionário Cravo Albin da MPB, Toque Musical, IMMuB.)


quinta-feira, 13 de março de 2025

Jorge Veiga

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Jorge Veiga, o Caricaturista do Samba, nasceu em 1910, no subúrbio do Engenho de Dentro (RJ), e morreu em 1979.

O cantor se tornou famoso por interpretar com voz fanhosa e sorriso fácil sambas de breque, anedóticos e malandros, que o tornaram a mais perfeita tradução do malandro carioca metido a grã-fino da década de 50.

Foi pintor de paredes e artista de circo, parceiro de Cyro Monteiro (1913-1973) e pupilo do ator Paulo Gracindo (1911-1995), que lhe deu o apelido pelo qual ficaria conhecido em todo o Brasil, porque muitas de suas músicas faziam caricaturas da época em que viveu.

Estreou no rádio em maio de 1934. Em 1938 assinou seu primeiro contrato com a Rádio Transmissora. Nessa mesma época fazia também dupla com o cômico Colé (1919-2000) numa companhia teatral que viajou para o Pará, onde faliu.

De volta ao Rio, trabalhou na companhia de revistas de Walter Pinto (1913-1994) e participou no Teatro Recreio, no Rio, da revista “Você Já Foi à Bahia?”.

Voltou para o rádio e seu sucesso aumentou cada vez mais. Em 1939, gravou um disco. Foi a rancheira “Adeus João”, acompanhado pelo acordeom de Antenógenes Silva (1906-2001).

Apareceram em sua vida então o amigo Rogério Guimarães (1900-1980) e o compositor Heitor Catumbi (1895-1980). Fizeram-no mudar seu jeito de cantar e escolher outras músicas.

Jorge Veiga os seguiu. Cantava, sorrindo, sambas malandros, anedóticos, além de samba de breque, moda da época.

A partir de 1944, com "Iracema" (Raul Marques e Otolindo Lopes), passa a ser um dos campeões dos carnavais.

No ano seguinte, mais outro sucesso: "Rosalina", de Haroldo Lobo e Wilson Batista. No carnaval de 1947, fez sucesso com o samba "Eu Quero é Rosetar!", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, amplamente executado pelas rádios e que se tornou um de seus bordões.

A partir de 1951, na Rádio Nacional, ficou famoso pelo bordão criado pelo ator Floriano Faissal (1907-1986), com o qual iniciava seus programas: "Alô, alô, senhores aviadores que cruzam os céus do Brasil, aqui fala Jorge Veiga, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Estações do interior, queiram dar os seus prefixos para guia de nossas aeronaves".

Em 1959, conheceu novo grande sucesso com a regravação do samba "Acertei no Milhar", de Wilson Batista e Geraldo Pereira, que virou um marco na sua carreira.

Em 1961, lançou o LP "A Volta do Sambista (Obrigado, Doutor), que apresentava, entre outras, a faixa subtítulo, dele e Gabilan, em que agradece ao médico que o assistiu durante o período que esteve afastado devido a um acidente.

Em 1964, fez grande sucesso no carnaval com o samba-coco "Bigorrilho", de Paquito, Romeu Gentil e Sebastião Gomes, que se tornou depois obrigatório em seus shows.

No ano de sua morte, a CBS lançou o LP "O Eterno Jorge Veiga". A música do falso vídeo (só áudio, em som ambiente) é "Pernambuco Você É Meu", de Daniel Lustosa e Tancredo Silva, gravado nesse LP de 1961, pela Copacabana.

(Fontes: Esquina Musical, Funarte, Dicionário Cravo Albin da MPB, Toque Musical, Pró-TV)


quarta-feira, 12 de março de 2025

Fafá Lemos


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O violinista carioca Rafael Lemos Júnior (1921-2004), ou Fafá Lemos, começou a estudar o instrumento aos 7 anos de idade e, aos 9, apresentou-se como solista de um concerto de Antônio Vivaldi (1678-1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob regência do maestro Walter Burle-Marx (1902-1990).

É considerado um dos precursores da bossa-nova e teve influência do violinista francês Stephane Grappelli (1908-1997) no modo de tocar, sendo um dos poucos a utilizar o instrumento na música popular nas décadas de 1940 e 1950.

Em 1940, fez parte do naipe de violinos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e depois foi convidado a participar da Orquestra de Carlos Machado (1908-1992) e seus "Brazilians Serenaders", onde tocou por seis anos.

Desse grupo fizeram parte o violonista Laurindo de Almeida (1917-1995) e o pianista e cantor Dick Farney (1921-1987), entre outros.

Logo depois, passou a tocar na boate Casablanca. Em 1950, a Rádio Nacional o contratou como um dos solistas da orquestra de Radamés Gnattali (1906-1988).

Tocou no LP da cantora Linda Batista (1919-1998) com as músicas "Vingança" (Lupicínio Rodrigues), "Risque" (Ary Barroso) e "Duas Contas" (Garoto).

Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, interpretando o baião "Cigano no Baião", de Garoto, e a quadrilha "Saudades do Texas", de sua autoria.

Em 1952, foi para os EUA, onde apresentou-se por diversas vezes e, acompanhado por Laurindo de Almeida, gravou a trilha sonora do filme da Metro "Meu Amor Brasileiro", de Mervyn Le Roy (1900-1987), com Lana Turner (1921-1995) e Fernando Lamas (1915-1982).

Realizou inúmeras apresentações em cidades norte-americanas atuando ao lado de Carmen Miranda (1909-1955).

Ainda em 1952, gravou um LP na RCA Victor americana e integrou o Trio Surdina, com Garoto (1915-1955) ao violão e Chiquinho do Acordeom (1928-1933), que gravou quatro LPs, sendo um com obras de Ary Barroso (1903-1964) e outro, de Noel Rosa (1910-1937) e Dorival Caymmi (1914-2008).

O trio, registra Cravo Albin, foi precursor do sambalanço e da bossa-nova.

Após a morte de Carmem Miranda e de Garoto, retornou ao Brasil, dirigiu a RCA e atuou na Rádio Nacional.

Foi o violinista da gravação da trilha sonora da peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes (1913-1980), lançada em disco pela Odeon em 1956.

Mudou-se para Los Angeles em 1961, trabalhando com Laurindo de Almeida, só retornando ao Brasil em 1985.

Em 1989, a convite da gravadora Eldorado, voltou aos estúdios para gravar um LP com a pianista Carolina Cardoso de Menezes (1913-2000), "Fafá & Carolina".

Seu LP de 1961, "Dó Ré Mi Fá-Fá Lemos", pela RCA Victor, traz uma das poucas composições de João Gilberto (1931-2019), "Hoba-Lá-Lá".

(Fontes: Toque Musical, Isaac Gonçalves Raimundo [UFG], Dicionário Cravo Albin da MPB, IMMuB.)



terça-feira, 11 de março de 2025

Carlos Nobre

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Carlos Nobre, cantor e compositor, nasceu Nomar Nobre Chatelain em Vitória (ES), em 1934, filho de um comerciante, Antônio Nobre Filho, e de uma artista plástica de ascendência francesa, Andréa Margareth Chatelain.

Aos 12 anos, formou um conjunto, os Amantes do Samba, juntamente com alguns colegas do Colégio Americano, onde estudava, seguindo o estilo dos Demônios da Garoa.

Em 1952, transferiu-se para o Rio de Janeiro para servir o Exército. Ali, conheceu o ator Paulo Gracindo (1911-1995) e o compositor Adelino Moreira (1918-2002), que o convenceram a seguir carreira artística.

Em 1955 gravou seu primeiro disco no selo Polydor com "Toada de Amor" e o bolero "Porque Não Vens", ambas de Peterpan (1911-1983).

Em 1956, foi contratado pela Todamérica e lançou o samba-canção "Se Depender de Mim", de Haroldo Eiras, e o samba "O Mesmo Mar", de Luiz Antônio e Ari Monteiro.

Em 1959, foi contratado pela RCA Victor e estreou com os sambas-canção "Ciclone" e "Regresso", ambos de Adelino Moreira.

Em 1960, lançou o primeiro LP, "Carlos Nobre". Em 1961, gravou a primeira composição de sua autoria, o samba-canção "Amor Impossível", parceria com Raul Sampaio, lançado em 78 rpm e no LP "O Seresteiro Moderno".

Entre 1960 e 1964, cantou na Rádio Mayrink Veiga. Em 1964, lançou pela RCA Victor o LP "Tudo é Paz".

Em 1968, pela gravadora Cantagalo, lançou o LP "O Seresteiro Moderno", mesmo título de um outro lançado sete anos antes na RCA Victor, só que com músicas diferentes.

Em 1972, lançou LP pela Musicolor/Continental, no qual interpretou clássicos da música popular brasileira como "Cadeira Vazia", de Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, "Negue", de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, entre outras.

Nos anos seguintes, gravou participações em discos tributo e coletâneas de carnaval.

Em 2003, foi lançado o CD "Carlos Nobre Ao Vivo", gravado na boate do Plaza Hotel do Rio de Janeiro, em 1981, por um selo independente.

Em 2005, saiu "Carlos Nobre - A Voz do Ciclone".

Morreu em 2009 no Rio de Janeiro.

(Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB, IMMuB e Revivendo Músicas.)


segunda-feira, 10 de março de 2025

Ahmad Jamal


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O pianista e compositor Ahmad Jamal, nascido Frederick Russell Jones em 2 de julho de 1930, em Pittsburgh, Pensilvânia, é considerado um dos mais importantes músicos de jazz de todos os tempos.

Sobre ele disse o trompetista Miles Davis (1926-1991): "Toda a minha inspiração vem de Ahmad Jamal."

Ele começou a tocar piano aos 3 anos de idade, quando seu tio Lawrence o desafiou a repetir o que fazia no instrumento.

Jamal começou a estudar piano formal aos 7 anos de idade com Mary Cardwell Dawson (1894-1962). Teve influência de músicos de jazz como Earl Hines (1903-1983), Billy Strayhorn (1915-1967), Mary Lou Williams (1910-1981) e Erroll Garner (1921-1977).

Jamal também estudou com o pianista James Miller (1916-1994) e começou a tocar profissionalmente aos 14 anos, recebendo elogios do pianista Art Tatum (1910-1956).

Começou a fazer turnê com a Orquestra de George Hudson (1910-1996) depois de se formar na George Westinghouse High School em 1948.

Ele se juntou a outro grupo em turnê conhecido como The Four Strings. Em 1950, se mudou para Chicago e tocou com os músicos locais Von Freeman (1923-2012) e Claude McLin (1925-1995), e solo no Palm Tavern, ocasionalmente acompanhado pelo baterista Ike Day (1925-1958).

Converteu-se ao Islã e mudou seu nome em 1950, aos 20 anos.

Gravou seu primeiro disco em 1951 para o selo Okeh, como "The Three Strings" (que mais tarde também seria chamado de Ahmad Jamal Trio), com o guitarrista Ray Crawford (1924-1997) e o baixista Eddie Calhoun (1921-1993).

Jamal posteriormente gravou para Parrot (1953–55) e Epic (1955) usando a formação piano-guitarra-baixo.

Após lançar seu álbum mais vendido, "But Not For Me", em 1958, pelo selo Argo, fez um tour pelo norte da África, quando disse que tinha uma curiosidade sobre a terra natal de seus ancestrais, muito influenciada por sua conversão à fé muçulmana.

Em seu retorno aos EUA, abriu um restaurante e clube chamado The Alhambra, em Chicago.

Em 1962, The Three Strings se separou e Jamal mudou-se para Nova York, onde, aos 32 anos, fez um hiato de três anos em sua carreira musical.

Retomou-a em 1964, com apresentações e gravações de discos.

Em 1970, experimentou o piano elétrico pela primeira vez, no instrumental "Suicide is Painless", tema do filme "M.A.S.H", dirigido por Robert Altman (1925-2006).

Continuou a tocar durante as décadas de 1970 e 1980, principalmente em trios com piano, baixo e bateria, mas ocasionalmente expandia o grupo para incluir guitarra.

Jamal continuou a fazer inúmeras turnês e gravações, incluindo álbuns como "Saturday Morning: La Buissonne Studio Sessions" (2013); "Ahmad Jamal & Yusef Lateef Live at L'Olympia" (2014), "Marseille" (2017) e "Ballades" (2019), todos pelo selo Jazz Village.

Em julho de 1961, sai o LP com sua apresentação no seu clube, "Ahmad Jamal's Alhambra", acompanhado de Israel Crosby (baixo) e Vernell Fournier (bateria), lançado pela Chess.

No fim desse ano, sai ainda "At The Blackhawk", fruto de apresentação no clube de mesmo nome em São Francisco, com o mesmo acompanhamento, pelo Argo.

(Fontes: Sun Ship, Ahmad Jamal Home Page.)


domingo, 9 de março de 2025

Celso Murilo


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Celso Murilo, nascido Celso Levehagen, em Baependi (MG) em 1938, aprendeu violão e piano sozinho.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1959 e foi contratado pela boate Arpege, onde trabalhou com João Gilberto, Tom Jobim e outros bambas.

Em 1961, foi contratado pela boate Drink substituindo Djalma Ferreira e Ed Lincoln.

Em meados da década de 1960, passou a dirigir a boate Rio 1800. Ainda em 1961, foi contratado pela gravadora Pawal e lançou três LPs no mesmo ano: "Sambas na Passarela - Celso Murilo e Seu Ritmo", "Ritmos na Passarela - Celso Murilo Órgão e Ritmo" e "Mr. Ritmo - Celso Murilo e Seu Conjunto".

Em 1962, lançou o LP "Férias no Drink". Em 1963, foi convidado por Johnny Alf, que o ouvira tocar na boate Drink, para ser o arranjador do segundo LP que ele lançaria, "Diagonal".

Em 1964, transferiu-se para a gravadora Odeon e gravou com seu conjunto o LP "Tremendo Balanço - Celso Murilo e Seu Conjunto".

Seguiu tocando em bares e boates e participando de gravações de estúdios a partir do momento em que as grandes boates entraram em decadência na década de 1970.

Não se tem mais notícias de seu paradeiro, mas a galera do ótimo Toque Musical garante que ele vive em sua cidade natal.

Em 2014, o produtor Marcelo Fróes relança em CD quatro LPs de Celso, na caixa "Bossa é Bossa", com títulos também do vibrafonista Célio Balona (1938-) e do pianista Hélio Mendes (1925-1991), pelo selo Discobertas.

Escreve Ruy Castro na contracapa da caixa: "'Bossa é Bossa' revive o tempo em que a boa música brasileira ditava o repertório da noite carioca."

No vídeo, "Atire a Primeira Pedra", de Ataulfo Alves e Mário Lago, composta em 1943. (Fontes: Toque Musical, IMMuB, Dicionário Cravo Albin da MPB e Ziriguidum.)



sábado, 8 de março de 2025

Blecaute


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O "General da Banda" Otávio Henrique de Oliveira, nome de registro do cantor e compositor Blecaute (1919-1983), fez sucesso nos carnavais das décadas de 1960 a 1980.

O epíteto General da Banda, música de Sátiro de Melo, Tancredo Silva e José Alcides, se tornou quase tão famoso no Rio quanto o Zé Pereira.

Vestido com uma farda engalanada, como a de um regente das bandinhas do interior, o cantor Blecaute abria a folia carioca, nos anos 50 e parte dos 60, desfilando na Cinelândia ao som desse samba, seu primeiro grande sucesso, gravado em 1949.

O apelido de "Black-out", depois simplesmente Blecaute, lhe foi dado pelo Capitão Furtado, em São Paulo, quando começou a cantar nas rádios.

Veio do interior (Espírito Santo do Pinhal) para a capital paulista ainda menino, quando ficou órfão de pai e mãe.

Depois de trabalhar alguns anos como engraxate e entregador de jornais, tentou um programa de calouros na rádio Tupi e iniciou carreira de cantor.

Mudou-se para o Rio em 1942, trabalhando em várias rádios. Dois anos depois, gravou seu primeiro disco, com "Eu Agora Sou Casado", de Cristovão de Alencar e Alcibíades Nogueira, na Continental.

Mas o sucesso só aconteceu em 1949, com "Pedreiro Valdemar" (Wilson Batista e Roberto Martins), e "General da Banda".

O encontro com a dupla de compositores Armando Cavalcanti e Klécius Caldas foi promissor: são deles os sucessos carnavalescos que Blecaute gravou a seguir, como "Papai Adão" (1951), "Maria Candelária" (1952), "Piada de Salão" (1954) e "Maria Escandalosa" (1955).

A partir daí, o cantor fez sucessos relativos. Compositor bissexto, é autor da canção "Natal das Crianças", que gravou em 1952.

Compôs também "Iansã", para o carnaval de 1973. Em 1961, gravou pela Odeon um LP de boleros, "Don Octavio Henrique de los Boleros", com arranjos e regências do maestro Gaya.

"Maria Bonita" é uma das duas músicas do mexicano Agustín Lara (1897-1970) gravados no álbum; a outra é "Palabras de Mujer". (Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB, Folha de S. Paulo.)




sexta-feira, 7 de março de 2025

Radamés Gnattali

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O gaúcho de POA Radamés Gnattali (1906-1988) foi compositor, arranjador, regente e pianista. Aprendeu piano com a mãe ainda criança.

Se mudou definitivamente para o Rio de Janeiro no início dos anos 1930, quando começou a se destacar como arranjador e se aproximar da música popular, imortalizando, por exemplo, a introdução de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso (1903-1964).

Em 1936, torna-se maestro e arranjador na Rádio Nacional, onde permanece por cerca de 30 anos.

Ali, cria a Orquestra Carioca, dedicada exclusivamente à música brasileira.

Atua nas recém-criadas rádios comerciais e na indústria fonográfica, inicialmente como pianista e depois como orquestrador e regente.

Assim como seu contemporâneo Pixinguinha (1897-1973), suas composições sofrem influência do jazz.

Sistematiza uma nova forma de orquestrar o samba, ao transferir a cadência rítmica, inicialmente executada pela percussão, para o naipe dos metais.

Divulga para o grande público melodias tradicionais brasileiras por meio de orquestrações de motivos folclóricos.

Com o fim do governo Vargas, em 1945, liberta-se do nacionalismo neoclássico e aproxima-se das grandes formas em obras como “Trio Miniatura”, “Brasiliana nº 1” e “Concerto Romântico”.

Essa mudança também transparece em suas composições populares. Os arranjos para os "quatro grandes", como são conhecidos os quatro principais cantores do disco e do rádio − Orlando Silva (1915-1978), Francisco Alves (1898-1952), Carlos Galhardo (1913-1985) e Silvio Caldas (1908-1998) −, cedem espaço a uma orquestração mais intimista.

Outro reflexo da vivência radiofônica na obra de Gnattali é a inusitada instrumentação de suas peças. Cercado de solistas na Rádio Nacional, o compositor procura escrever para eles.

É assim que surgem composições como “Concerto para Harmônica de Boca e Orquestra” (1958), escrito para Edu da Gaita (1916-1982) e “Concerto para Acordeão e Orquestra” (1958), para Chiquinho do Acordeom (1928-1993).

Nas décadas de 1960 e 1970, com a substituição do rádio pela televisão como principal meio de comunicação de massa, as orquestras radiofônicas desaparecem.

Gnattali passa a trabalhar na TV Excelsior e na TV Globo como maestro e arranjador, entre 1968 e 1979, e dedica-se novamente à composição de músicas eruditas.

Ainda nos anos 1970, com o renascimento do choro, suas obras são executadas por jovens músicos e o compositor volta a se apresentar em público.

O 45 rpm "Radamés e a 'Sua Bossa Nova'" deve ter sido lançado em 1961. Não há informações precisas sobre o disco, que traz no lado A “Cheiro de Saudade”, de Djalma Ferreira e Luiz Antonio, e “Chora Tua Tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; no lado B, “Samba De Uma Nota Só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e “Pior Pra Você”, samba de Evaldo Gouveia e Almeida Rêgo. (Fontes: Toque Musical, IMMuB)


quinta-feira, 6 de março de 2025

Sergio Ricardo

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Sergio Ricardo, nome artístico de João Lufti (1932-2020), talvez seja mais conhecido como o cara que quebrou o violão e o lançou à plateia ao ser vaiado durante a apresentação de "Beto Bom de Bola" no III Festival da Canção, de 1967, exibido pela TV Record de São Paulo.

Mas Sergio foi compositor, cantor, instrumentista, ator e diretor de rádio, TV e cinema, escritor, roteirista e pintor.

Natural de Marília (SP), começou a estudar piano aos 8 anos. Seis anos depois, a família mudou-se para a capital paulista. Em 1949, foi para São Vicente, no litoral sul paulista, e trabalhou na Rádio Cultura.

Em 1952, muda-se para o Rio de Janeiro. Começa como locutor de rádio e pianista em boates. Conhece a turma da futura bossa-nova, como Tom Jobim, João Gilberto e Johnny Alf.

Seu trabalho de compositor foi registrado pela primeira vez pela cantora Maysa, que gravou "Buquê de Izabel".

Nessa época, teve despertado seu interesse pelo violão ao ouvir João Gilberto tocar. Gravou seu primeiro 78 rpm em 1957, pela RGE, com "Vai Jangada" (Geraldo Serafim e Newton Castro) e "Sou Igual a Você" (Nazareno de Brito e Alcyr Pires Vermelho).

Lançou ainda outros quatro singles e o primeiro LP, "Dançante Nº 1", saiu em 1959, pela Todamérica.

Integrou o elenco de atores da TV Tupi paulista, quando adotou seu nome artístico. Fez novelas na TV e na rádio, atuando também nas TVs Rio, Vanguarda e Continental.

Em 1960, já integrado à bossa-nova, lança "Não Gosto Mais de Mim - A Bossa Romântica de Sergio Ricardo", de 1960, pela Odeon, com 12 composições próprias, entre elas "Zelão", que já apresentava uma ruptura com a temática "amor, sorriso e flor" da bossa-nova.

Em 1961, filma o curta-metragem "Menino da Calça Branca". O curta representou o Brasil no Festival de Cinema de São Francisco (EUA), alcançando o segundo lugar.

Ainda nos EUA, participou do histórico "Festival de Bossa Nova", realizado no Carnegie Hall de Nova York (EUA), ao lado de Carlos Lyra, Tom Jobim, Roberto Menescal, João Gilberto e Sergio Mendes, entre outros.

Apresentou-se, voz e violão, com suas canções "Zelão" e "O Nosso olhar". Ficou nos EUA por oito meses, tocando em boates, e depois fez temporada na Riviera Francesa.

De volta ao Brasil, em 1963, ligou-se ao Centro Popular de Cultura (CPC) da União Brasileira dos Estudantes (UNE). Dirigiu o longa-metragem "Esse Mundo é Meu" e compôs, com Glauber Rocha, a trilha sonora de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber.

Ainda nesse ano, gravou o LP "Um Senhor Talento", lançado pela Elenco.

Em 1965, após nova temporada no exterior, apresentou o show "Esse Mundo é Meu" no Teatro de Arena de São Paulo e assinou a trilha de "Terra em Transe", de Glauber, e da peça "O Coronel de Macambira", de Joaquim Cardoso.

Em 1967, lança "A Grande Música de Sergio Ricardo", pela Philips, e classifica "Beto Bom de Bola" no III Festival da Record.

Revoltado com a reação do público na reapresentação da música, jogou o violão quebrado e foi desclassificado.

Participou de outros festivais, montou outro show no Arena, "Sergio Ricardo e a Praça do Povo", escrito com Chico de Assis e dirigido por Augusto Boal.

Em 1970, lançou o longa-metragem "Juliana do Amor Perdido", com roteiro escrito em parceria com Roberto Santos.

Em 1974, filma seu terceiro longa-metragem, "A Noite do Espantalho", no qual atuam os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

Em 1980, participou do Festival de Varadero, em Cuba, ao lado de Chico Buarque, e lançou um LP com Geraldo Vandré.

Em 1983, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo realizou a "Semana Sergio Ricardo", apresentando filmes, pinturas, discos, livros e espetáculos de sua autoria.

Compôs, com Ziraldo, a trilha sonora de "Flicts", lançada em disco com o Quarteto em Cy e o MPB-4.

Compôs e escreveu os arranjos da trilha sonora de "Estória de João-Joana", cordel de Carlos Drummond de Andrade, gravada pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e lançada em disco, em 1985.

Em 1999, "Estória de João-Joana" foi encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, marcando sua volta à cena artística.

Lançou, em 2001, o CD "Quando Menos se Espera". Publicou os livros "Quem quebrou meu violão" (Editora Record, 1991), um ensaio sobre a cultura brasileira no período 1940-1990, e "Elas", uma coletânea de suas poesias.

Foi infectado com a covid-19 em maio de 2020, mas morreu sem receber alta em 23 de julho de 2020 no Rio de Janeiro, aos 88 anos, por decorrência de uma insuficiência cardíaca.

Em 1961, lança seu terceiro LP, "Depois do Amor", com composições de Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Tom Jobim, Newton Mendonça, Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), Lamartine Babo, Johnny Alf, Carlos Lyra e Geraldo Vandré ('Quem Quiser Encontrar o Amor', apresentada aqui), entre outros.

(Atenção: esse texto apresenta um resumo bem sucinto de sua obra, que é extensa; basta dar uma pesquisada. Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB, Toque Musical e IMMuB.)



terça-feira, 4 de março de 2025

Célia Vilella

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

A mineira Célia Villela (1936-2005) foi uma das pioneiras do rock brasileiro.

Ela começou a gravar em 1955, lançando alguns discos de 78 rpm.

Em 1960, lançou, pela RGE, o 78 rpm com dois grandes sucessos: “Conversa ao Telefone" (Pillow Talk), de Buddy Pepper e Inez James, e “Trem do Amor" (One Ticket to the Blues), de Hank Hunter e Jack Keller, ambos em versões de Fred Jorge.

Essas duas composições integrariam seu primeiro LP, "...E Viva A Juventude", lançado em 1961.

Nessa época, teve programas na TV Continental do Rio de Janeiro e na Rádio Globo, também do Rio, tendo depois se transferido para a Rádio Guanabara.

Em 1962, Célia gravaria um 78 rpm na RCA Victor, com dois twists: “A Fã e o Namorado”, de Carlos Morais e Luís Vassalo, e “Se Tu Me Telefonas”, de Miguel Gustavo, Georges Garvarentz e C. Nicolas.

Seu segundo e último LP, “F-15 Espacial”, só sairia em 1964, pela Musidisc, com cinco composições dela, além de uma versão, outras de Carlos Becker, ex-integrante do grupo The Angels, com quem se casou, e algumas de Roberto e Erasmo Carlos.

Depois do casamento, abandonou a carreira antes da explosão da Jovem Guarda (1965) e a partir de então se tornou reclusa.

Morreu em 1º de janeiro de 2005, em Teresópolis (RJ).