O Barquinho Cultural

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quarta-feira, 12 de março de 2025

Fafá Lemos


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O violinista carioca Rafael Lemos Júnior (1921-2004), ou Fafá Lemos, começou a estudar o instrumento aos 7 anos de idade e, aos 9, apresentou-se como solista de um concerto de Antônio Vivaldi (1678-1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob regência do maestro Walter Burle-Marx (1902-1990).

É considerado um dos precursores da bossa-nova e teve influência do violinista francês Stephane Grappelli (1908-1997) no modo de tocar, sendo um dos poucos a utilizar o instrumento na música popular nas décadas de 1940 e 1950.

Em 1940, fez parte do naipe de violinos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e depois foi convidado a participar da Orquestra de Carlos Machado (1908-1992) e seus "Brazilians Serenaders", onde tocou por seis anos.

Desse grupo fizeram parte o violonista Laurindo de Almeida (1917-1995) e o pianista e cantor Dick Farney (1921-1987), entre outros.

Logo depois, passou a tocar na boate Casablanca. Em 1950, a Rádio Nacional o contratou como um dos solistas da orquestra de Radamés Gnattali (1906-1988).

Tocou no LP da cantora Linda Batista (1919-1998) com as músicas "Vingança" (Lupicínio Rodrigues), "Risque" (Ary Barroso) e "Duas Contas" (Garoto).

Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, interpretando o baião "Cigano no Baião", de Garoto, e a quadrilha "Saudades do Texas", de sua autoria.

Em 1952, foi para os EUA, onde apresentou-se por diversas vezes e, acompanhado por Laurindo de Almeida, gravou a trilha sonora do filme da Metro "Meu Amor Brasileiro", de Mervyn Le Roy (1900-1987), com Lana Turner (1921-1995) e Fernando Lamas (1915-1982).

Realizou inúmeras apresentações em cidades norte-americanas atuando ao lado de Carmen Miranda (1909-1955).

Ainda em 1952, gravou um LP na RCA Victor americana e integrou o Trio Surdina, com Garoto (1915-1955) ao violão e Chiquinho do Acordeom (1928-1933), que gravou quatro LPs, sendo um com obras de Ary Barroso (1903-1964) e outro, de Noel Rosa (1910-1937) e Dorival Caymmi (1914-2008).

O trio, registra Cravo Albin, foi precursor do sambalanço e da bossa-nova.

Após a morte de Carmem Miranda e de Garoto, retornou ao Brasil, dirigiu a RCA e atuou na Rádio Nacional.

Foi o violinista da gravação da trilha sonora da peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes (1913-1980), lançada em disco pela Odeon em 1956.

Mudou-se para Los Angeles em 1961, trabalhando com Laurindo de Almeida, só retornando ao Brasil em 1985.

Em 1989, a convite da gravadora Eldorado, voltou aos estúdios para gravar um LP com a pianista Carolina Cardoso de Menezes (1913-2000), "Fafá & Carolina".

Seu LP de 1961, "Dó Ré Mi Fá-Fá Lemos", pela RCA Victor, traz uma das poucas composições de João Gilberto (1931-2019), "Hoba-Lá-Lá".

(Fontes: Toque Musical, Isaac Gonçalves Raimundo [UFG], Dicionário Cravo Albin da MPB, IMMuB.)



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Caterina Valente

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

A cantora, violonista, atriz e dançarina Caterina Valente (1931-2024) visitou o Brasil pela primeira vez em abril de 1961. Nascida em Paris, filha de italianos, era à época um dos nomes mais proeminentes da música pop europeia. Cantava em italiano, francês, alemão, espanhol e até em português.

No Brasil, cantou no Teatro Record, na rua da Consolação, em São Paulo, onde se apresentou todas as noites durante seis dias seguidos. Nos sábados e domingos, Caterina se apresentou em dois horários diferentes e fez mais algumas apresentações extras no restaurante Fasano.

Foi uma das maiores divulgadoras da bossa-nova na Europa no começo dos anos 1960. Seu vídeo no YouTube com Dean Martin (1917-1995) cantando "One Note Samba" (Samba de Uma Nota Só, de Newton Mendonça e Antônio Carlos Jobim) teve mais de 11 milhões de visualizações, segundo seu site oficial.

A cantora esteve também no Rio de Janeiro (sem cantar) e o "Diário de Notícias" relatou assim a visita, sob a manchete:

Catarina Valente viu bossa-nova e gostou: vai gravar na Europa!.

Revelando ser apreciadora da música brasileira, especialmente do gênero bossa-nova, Caterina Valente, 'a mulher mais musical do mundo', estêve, ontem à tarde (19 April 1961), no Copacabana Palace, contando as peripécias de sua longa vida de artista, que se inciou aos 5 anos de idade, quando acompanhava seus pais em tournées artísticas pela Europa.

Ela retornou ao Brasil em junho de 1968 para duas apresentações em São Paulo. Em 1979, esteve novamente aqui, quando foi produzido o documentário "Caterina Valente apresenta música brasileira", no qual ela canta com Luiz Bonfá (1922-2001) - com quem gravou um LP em 1963 -, Sebastião Tapajós (1943-), Tom Jobim (1927-1994), Vinícius de Moraes (1913-1980), Gilberto Gil (1942-), Edu Lobo (1943-), Quarteto em Cy, MPB-4, Clementina de Jesus (1902-1987), Luiz Gonzaga (1912-1989), Martinho da Vila (1938-), Dorival Caymmi (1914-2008)e Waldir Azevedo (1923-1980).

Morreu em 9 de setembro de 2024 em Lugano, na Suíça.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

João Gilberto

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.


"João Gilberto" foi o terceiro LP solo gravado pelo baiano de Juazeiro. Lançado em 1961 pela Odeon, sucede "Chega de Saudade" (1959, Odeon) e "O Amor, o Sorriso e a Flor" (1960, Odeon).

As 12 faixas alternam o acompanhamento de Walter Wanderley e seu conjunto e a orquestra conduzida por Tom Jobim.

Traz dois clássicos de Dorival Caymmi ('O Samba da Minha Terra' e 'Saudade da Bahia), o hit "O Barquinho" (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), duas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes ('Amor em Paz' e 'Insensatez'), duas de Carlinhos Lyra e Vinícius ('Você e Eu' e 'Coisa Mais Linda') e obras de outros autores como Geraldo Pereira ('Bolinha de Papel'), Marçal e Bidê ('A Primeira Vez'), Lauro Maia ('Trem de Ferro') e Nelcy Noronha ('Presente de Natal').

A faixa escolhida fecha o disco e inaugura um estilo que o acompanharia a vida toda depois: ele acompanhando-se apenas pelo violão. E que violão!

"Este seu Olhar", de Tom Jobim.



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Diana Marinho toca no Projeto Puleiro do Rock, em Itapuã


A cantora e compositora baiana Diana Marinho se apresenta nesta sexta-feira, 6, no Projeto Puleiro do Rock, na praia de Itapuã, em Salvador. O show será no  Clube Cassas da Aeronáutica, na Vila Militar da Aeronáutica (rua Sargento Waldir Xavier de Lima, s/nº), das 19h às 23h, com participações das bandas Água Suja e Contato Perdido e do músico argentino radicado em Londres Brujas Blues na gaita. O couvert artístico é R$ 10.

O projeto Puleiro do  Rock é mais uma iniciativa para manter viva a cena rock baiana, que é o celeiro de nomes já consolidados como Raul Seixas, Camisa de Vênus, Novos Baianos, Pitty e  tantos outros. Enfim, na terra de Caymmi, o rock e o pop resistem, apesar de muitos ainda imaginarem que ali só se cultiva axé, arrocha e outras manifestações.

Segundo a jornalista Riane Rio, uma das organizadoras e assessora do Puleiro, o projeto nasceu em 2012, quando alguns amigos, que no momento se encontravam morando em Itapuã, resolveram “fazer um som e divertir-se na noite baiana”. As primeiras reuniões aconteceram no restaurante Puleiro do Bideira, especializada em frango assado. A casa cedeu o espaço para apresentações de bandas amigas, como Contato Perdido, Motif e outras.

A partir de 2013, a iniciativa, já batizada como Puleiro do Rock – em homenagem ao lugar que os acolheu no início - passou a ter como sede principal o Clube Cassas da Aeronáutica, localizado na Vila Militar no mesmo bairro de Itapuã, com o apoio da força militar.

Conforme Riane, “neste momento o projeto passa a atuar de forma itinerante, realizando shows em diversos pontos de Itapuã e adjacências, sempre levando sua estrutura própria, a exemplo de aparelhagem de som, produção e bandas associadas ao Puleiro”.

“O projeto fecha o ano de 2015 com uma filosofia que consiste em trazer artistas renomados, como Diana Marinho, Água Suja, Brujas Blues, a Célula, Marconi Lins, e novas bandas também, como Donattita, Instinto Dissonante e outras que apoiam o Puleiro. Sempre mesclando estas apresentações com bandas novas, que estão iniciando na cena rocker da Bahia”, explica Riane.

E, para 2016, diz a jornalista, o Puleiro do Rock tem como objetivo intensificar mais os eventos, em parceria com clubes de motos nas suas respectivas sedes. Há a perspectiva também de realizar eventos em bares, praias e demais ambientes alternativos da capital soteropolitana, “encorpando, assim, o cenário rock’n’roll de Salvador e proporcionando espaços para que bandas e artistas novos possam mostrar a sua arte”, acrescenta Riane.

Janis da Bahia

Diana Marinho durante tributo ao Raul Seixas, em São Paulo, no show 'O Dia Em Que a Terra Parou' (foto: Carlos Pupo)
Na edição desta sexta-feira, a atração é Diana Marinho, uma cantora com mais de 20 anos de estrada, autodidata, que já foi considerada a “Janis Joplin da Bahia”, dado o sucesso que obteve ao interpretar as canções de uma de suas maiores influências, logo que se desvencilhou da Timbalada, levada por Carlinhos Brown.

Diana apresenta-se regularmente em casas de Salvador e na Praia do Forte. Também vem atuando no interior da Bahia, com destaque para o evento Cidade Feliz, em Caetité, onde abriu para Roberto Frejat. Cantou também nos 10 anos do Trio do Rock no carnaval e, em julho deste ano voltou a Caetité, na última Festa de Santana, fechando a noite após a apresentação de Vanessa da Mata.

Com sua banda de Salvador, "Os Ecléticos", vem tocando projeto de resgate de clássicos do rock de todos os tempos, apresentando-se ainda em eventos motociclísticos por todo o interior da Bahia. Participou também da abertura e fechamento do projeto Sons e Cores da Cidade do Conde.

Este ano, fez sua estreia em São Paulo, onde se apresentou com a banda Dendê na Garoa (com músicos baianos e paulistas, daí o nome) em várias casas, prestou homenagem aos 70 anos de nascimento de Raul Seixas e depois realizou novo tributo ao Maluco Beleza – agora em celebração aos 26 anos de sua morte, homenagem que se repetiu na Praia do Forte.

O show de Diana terá a participação da Banda Água Suja, formada por Jerry Marlon no baixo, o guitarrista e vocal Oyama Bittencourt, o tecladista Jelber Oliveira e o americano Brian Knave, na bateria. Com um repertório que vai do blues tradicional, passando pelo R&B, o soul music, o jazz, o country e o rock’n’roll.

Haverá ainda a participação especial do gaitista e cantor Brujas Blues, um blues man que mora atualmente em Londres, tendo tocado durante muito tempo nos Estados Unidos, Argentina, Espanha, Tailândia e vindo há pouco tempo de uma temporada em Palma de Mallorca. Brujas fez participações em discos dos também argentinos Charly Garcia (ver vídeo abaixo) Fito Paez e tocou com gente como Rolling Stones, Joe Cocker, Bee Gees e muitos outros. Já tocou em São Paulo com o baixista Oswaldo “Cokinho” Gennaro, que foi da Patrulha do Espaço, banda de hard  rock e progressivo criada em 1977 pelo ex-Mutantes Arnaldo Baptista.




A noite ainda traz a banda de blues e rock clássico Contato Perdido, formada por controladores de tráfego aéreo apaixonados pelo bom e velho rock’n’roll, com Fonte no vocal, Márcio da Silva  na guitarra; Gustavo Franco no baixo e Alex na batera. A banda tem canções autorais e tocam também sucessos dos anos 70 e 80 e em breve lançam seu primeiro CD com composições inéditas.




Serviço

Diana Marinho no Puleiro do Rock

Quando: Sexta-feira, dia 06/11, a partir das 19h

Local: Clube Cassas – Rua Valdir Xavier da Lima, sn/ Vila Militar da Aeronáutica, Itapuã (Orla)

Quanto: Couvert artístico R$ 10

Informações e reservas: (71) 9 9132-3617/ (71) 9 8837- 3208

Contato: assessoria.puleirodorock@gmail.com