O Barquinho Cultural

O Barquinho Cultural
Agora, o Blog por Bloga e O Barquinho Cultural são parceiros. Compartilhamento de conteúdos, colaboração mútua, dicas e trocas de figurinhas serão as vantagens dessa sintonia. Ganham todos: criadores, leitores/ouvintes, nós e vocês. É só clicar no barquinho aí em cima que te levamos para uma viagem para o mundo cultural
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta radamés. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta radamés. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de março de 2025

Radamés Gnattali

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O gaúcho de POA Radamés Gnattali (1906-1988) foi compositor, arranjador, regente e pianista. Aprendeu piano com a mãe ainda criança.

Se mudou definitivamente para o Rio de Janeiro no início dos anos 1930, quando começou a se destacar como arranjador e se aproximar da música popular, imortalizando, por exemplo, a introdução de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso (1903-1964).

Em 1936, torna-se maestro e arranjador na Rádio Nacional, onde permanece por cerca de 30 anos.

Ali, cria a Orquestra Carioca, dedicada exclusivamente à música brasileira.

Atua nas recém-criadas rádios comerciais e na indústria fonográfica, inicialmente como pianista e depois como orquestrador e regente.

Assim como seu contemporâneo Pixinguinha (1897-1973), suas composições sofrem influência do jazz.

Sistematiza uma nova forma de orquestrar o samba, ao transferir a cadência rítmica, inicialmente executada pela percussão, para o naipe dos metais.

Divulga para o grande público melodias tradicionais brasileiras por meio de orquestrações de motivos folclóricos.

Com o fim do governo Vargas, em 1945, liberta-se do nacionalismo neoclássico e aproxima-se das grandes formas em obras como “Trio Miniatura”, “Brasiliana nº 1” e “Concerto Romântico”.

Essa mudança também transparece em suas composições populares. Os arranjos para os "quatro grandes", como são conhecidos os quatro principais cantores do disco e do rádio − Orlando Silva (1915-1978), Francisco Alves (1898-1952), Carlos Galhardo (1913-1985) e Silvio Caldas (1908-1998) −, cedem espaço a uma orquestração mais intimista.

Outro reflexo da vivência radiofônica na obra de Gnattali é a inusitada instrumentação de suas peças. Cercado de solistas na Rádio Nacional, o compositor procura escrever para eles.

É assim que surgem composições como “Concerto para Harmônica de Boca e Orquestra” (1958), escrito para Edu da Gaita (1916-1982) e “Concerto para Acordeão e Orquestra” (1958), para Chiquinho do Acordeom (1928-1993).

Nas décadas de 1960 e 1970, com a substituição do rádio pela televisão como principal meio de comunicação de massa, as orquestras radiofônicas desaparecem.

Gnattali passa a trabalhar na TV Excelsior e na TV Globo como maestro e arranjador, entre 1968 e 1979, e dedica-se novamente à composição de músicas eruditas.

Ainda nos anos 1970, com o renascimento do choro, suas obras são executadas por jovens músicos e o compositor volta a se apresentar em público.

O 45 rpm "Radamés e a 'Sua Bossa Nova'" deve ter sido lançado em 1961. Não há informações precisas sobre o disco, que traz no lado A “Cheiro de Saudade”, de Djalma Ferreira e Luiz Antonio, e “Chora Tua Tristeza”, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini; no lado B, “Samba De Uma Nota Só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e “Pior Pra Você”, samba de Evaldo Gouveia e Almeida Rêgo. (Fontes: Toque Musical, IMMuB)


quarta-feira, 12 de março de 2025

Fafá Lemos


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O violinista carioca Rafael Lemos Júnior (1921-2004), ou Fafá Lemos, começou a estudar o instrumento aos 7 anos de idade e, aos 9, apresentou-se como solista de um concerto de Antônio Vivaldi (1678-1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob regência do maestro Walter Burle-Marx (1902-1990).

É considerado um dos precursores da bossa-nova e teve influência do violinista francês Stephane Grappelli (1908-1997) no modo de tocar, sendo um dos poucos a utilizar o instrumento na música popular nas décadas de 1940 e 1950.

Em 1940, fez parte do naipe de violinos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e depois foi convidado a participar da Orquestra de Carlos Machado (1908-1992) e seus "Brazilians Serenaders", onde tocou por seis anos.

Desse grupo fizeram parte o violonista Laurindo de Almeida (1917-1995) e o pianista e cantor Dick Farney (1921-1987), entre outros.

Logo depois, passou a tocar na boate Casablanca. Em 1950, a Rádio Nacional o contratou como um dos solistas da orquestra de Radamés Gnattali (1906-1988).

Tocou no LP da cantora Linda Batista (1919-1998) com as músicas "Vingança" (Lupicínio Rodrigues), "Risque" (Ary Barroso) e "Duas Contas" (Garoto).

Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, interpretando o baião "Cigano no Baião", de Garoto, e a quadrilha "Saudades do Texas", de sua autoria.

Em 1952, foi para os EUA, onde apresentou-se por diversas vezes e, acompanhado por Laurindo de Almeida, gravou a trilha sonora do filme da Metro "Meu Amor Brasileiro", de Mervyn Le Roy (1900-1987), com Lana Turner (1921-1995) e Fernando Lamas (1915-1982).

Realizou inúmeras apresentações em cidades norte-americanas atuando ao lado de Carmen Miranda (1909-1955).

Ainda em 1952, gravou um LP na RCA Victor americana e integrou o Trio Surdina, com Garoto (1915-1955) ao violão e Chiquinho do Acordeom (1928-1933), que gravou quatro LPs, sendo um com obras de Ary Barroso (1903-1964) e outro, de Noel Rosa (1910-1937) e Dorival Caymmi (1914-2008).

O trio, registra Cravo Albin, foi precursor do sambalanço e da bossa-nova.

Após a morte de Carmem Miranda e de Garoto, retornou ao Brasil, dirigiu a RCA e atuou na Rádio Nacional.

Foi o violinista da gravação da trilha sonora da peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes (1913-1980), lançada em disco pela Odeon em 1956.

Mudou-se para Los Angeles em 1961, trabalhando com Laurindo de Almeida, só retornando ao Brasil em 1985.

Em 1989, a convite da gravadora Eldorado, voltou aos estúdios para gravar um LP com a pianista Carolina Cardoso de Menezes (1913-2000), "Fafá & Carolina".

Seu LP de 1961, "Dó Ré Mi Fá-Fá Lemos", pela RCA Victor, traz uma das poucas composições de João Gilberto (1931-2019), "Hoba-Lá-Lá".

(Fontes: Toque Musical, Isaac Gonçalves Raimundo [UFG], Dicionário Cravo Albin da MPB, IMMuB.)



segunda-feira, 17 de março de 2025

Zé Kéti

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

No ano de 1961, Zé Kéti compôs, com Carlos Lyra (1933-2023), o "Samba da Legalidade".

A música integrava movimento de resistência ao golpe pretendido pelos ministros militares para evitar a posse de João Goulart (1919-1976), vice-presidente de Jânio Quadros (1917-1992), que havia renunciado em 25 de agosto daquele ano.

A canção só foi gravada em 1965, por Nara Leão (1942-1989), no disco "O Canto Livre de Nara". 

José Flores de Jesus, o Zé Kéti (1921-1999), foi compositor e cantor carioca. Na infância, eram frequentes as rodas de samba - seu pai, o marinheiro Josué Vale de Jesus, tocava cavaquinho e seu avô, João Dionísio de Santana, era flautista e pianista -, com presença de músicos como Cândido (Índio) das Neves (1899-1934) e Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho, 1897-1973).

Em 1924, com a morte do pai, passa a morar com o avô. Além do interesse pela música, na infância ganha um apelido, Zé Quieto, que é encurtado para Zé Quéti, e, grafado com um K, torna-se o nome artístico.

Aos 13 anos, é levado para assistir aos ensaios da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. É esse o seu primeiro contato com a música do morro.

Em fins da década de 1930, ele compõe suas primeiras marchinhas de carnaval. Em 1939, passa a frequentar o Café Nice, onde estabelece contatos fundamentais para sua carreira.

No início dos anos 1950, compõe o samba que se torna um dos seus maiores sucessos, "A Voz do Morro". A música é gravada pelo cantor Jorge Goulart (1926-2012), em 1955, com arranjo de Radamés Gnattali (1906-1988). No mesmo ano, a composição é tema do filme "Rio 40 Graus", de Nelson Pereira dos Santos (1928-2018).

Surge no Rio de Janeiro o Zicartola, em 1963. O bar inaugurado por Cartola (1908-1980) e sua mulher, Dona Zica (Euzébia Silva do Nascimento, 1913-2003) é um ponto de encontro dos artistas cariocas nesse início dos anos 1960.

Zé Kéti é um representante do samba tradicional do morro carioca e uma referência para os músicos que vêm da bossa nova, como Nara Leão e Carlos Lyra.

Das conversas entre os frequentadores do bar, surge a ideia de realização de uma apresentação musical. O resultado é a peça "Opinião", de autoria de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), nomeada a partir do samba homônimo de Zé Kéti, que estreia no ano de 1964 em um pequeno teatro de Copacabana, com direção de Augusto Boal (1931-200) e participação de João do Vale (1934-1996), Ruy Guerra (1931-), Nara Leão, Carlos Lyra, Edu Lobo (1943-), Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) e Maria Bethânia (1946), que substitui Nara.

Kéti participa ainda de outras produções cinematográficas, como "O Boca de Ouro" (1962), também de Nelson Pereira; "A Falecida" (1965), de Leon Hirszman (1937-1987), e "A Grande Cidade" (1966), de Carlos "Cacá" Diegues (1940-2025).

Em 1965, lançou "Acender as Velas", considerada uma de suas melhores composições, que se inclui entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964, com letra que desmistifica a beleza do morro e relata seus dramas.

Em 1967, a marcha "Máscara Negra", gravada por ele mesmo e também por Dalva de Oliveira (1917-1972), foi vencedora do carnaval, tirando o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval, criado naquele ano pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som e fazendo grande sucesso nacional.

No início da década de 1970, fazia parte da Ala dos Compositores da Portela ao lado de Monarco (Hildemar Diniz, 1933-2021), Candeia (Antônio Candeia Filho, 1935-1978), Paulinho da Viola (1942-), João Nogueira (1941-2000), Wilson Moreira (1936-2018), entre outros.

Em 1976, mudou-se para São Paulo, onde frequentemente apresentava-se em shows e gravou vários discos.

Voltou para o Rio em 1994. Em 1996, lançou o CD "75 Anos de Samba", com participação de Zeca Pagodinho (Jessé Gomes da Silva Filho, 1959-), Monarco, Wilson Moreira e Cristina Buarque (1950-).

Em 1997, completou 60 anos de carreira e foi homenageado com o show "Na Casa de Noca", na Gávea (RJ) e recebeu da Escola de Samba Portela um troféu em reconhecimento pelo seu trabalho.

Em 1998, ganhou o Prêmio Shell pelo conjunto de sua obra: mais de 200 músicas.

Em janeiro de 1999, recebeu a placa pelos 60 anos de carreira na roda de samba da Cobal do Humaitá. 

presentou-se ao lado da Velha Guarda da Portela e teve várias músicas regravadas.

Morreu de falência múltipla dos órgãos aos 78 anos em 1999. (Fontes: Enciclopédia Itaú Cultural, Dicionário Cravo Albin da MPB.) 


terça-feira, 25 de março de 2025

Orlando Silva

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Orlando Garcia da Silva (1915-1978) iniciou sua carreira ainda na década de 1930, participando de programas de rádio, em especial o de Francisco Alves (1898-1952) na então Rádio Cajuti, gravando seu primeiro disco pela RCA Victor apenas 7 meses após o início de sua carreira.

Em 1936, foi convidado a gravar para o filme "Cidade Mulher", da Brasil Vita, as músicas "Cidade Mulher" e "Dama do Cabaré", ambas de autoria do sambista Noel Rosa, além de participar da inauguração da Rádio Nacional, assinando contrato com a rádio na mesma ocasião.

No ano seguinte, Orlando grava, com acompanhamento da Orquestra Victor brasileira, a valsa "Lábios Que Beijei", de J. Cascata e Leonel Azevedo, transformando-se num dos maiores sucessos de sua carreira, além de "Juramento Falso", também de J. Cascata e Leonel Azevedo, que, com o acompanhamento de Radamés Gnatalli (1906-1988), integrou o lado A deste mesmo disco.

Neste ano, recebeu do locutor Oduvaldo Cozzi (1915-1978) o apelido pelo qual se tornou conhecido durante toda sua carreira, "o cantor das multidões" em função de uma apresentação realizada no bairro do Brás, em São Paulo, onde estiveram presentes mais de dez mil pessoas para ouvi-lo cantar da sacada do Teatro Colombo.

Ainda neste mesmo ano, no ápice de sua carreira, gravou as músicas "Rosa" e "Carinhoso", de Pixinguinha, sendo o primeiro cantor a gravá-las, além de "Alegria", de Assis Valente e Durval Maia; "Boêmio", de Ataulfo Alves e J. Pereira; "Aliança Partida", de Benedito Lacerda e Roberto Martins, e "Amigo Leal", de Benedito Lacerda e Aldo Cabral.

Em 1938, participou do filme "Bananas da Terra", dirigido por J. Rui, com a música "A Jardineira", de Benedito Lacerda e Humberto Porto, que viria a ser a marchinha de maior sucesso do ano seguinte, e uma das músicas de sua autoria mais lembradas de sua carreira.

Neste ano de 1938, estourou no carnaval a marchinha "Abre a Janela", de Arlindo Marques Júnior e Alberto Roserti, interpretada por Orlando, além de ter gravado com muito sucesso as músicas "Caprichos do Destino", de Claudionor Cruz e Pedro Caetano; "Errei, Erramos", de Ataulfo Alves, e "Nada Além", de Custódio Mesquita e Mário Lago.

No início dos anos 1940, Orlando intensificou seu uso de drogas - que começou para aplacar as dores de um acidente de bonde que lhe decepou um quarto de um dos pés - ao mesmo tempo em que sua carreira entrava em declínio, o que por sua vez o fazia consumir mais entorpecentes.

Em 1946, perdeu seu contrato com a Rádio Nacional, que tentou recontratá-lo anos depois mas acabou demitindo-o novamente. Em 1947 e 1948, conseguiu gravar sete e três discos, respectivamente, mas em 1949 a Odeon também rompeu com ele.

Em 1961, Orlando tentou uma última cartada junto à RCA Victor: um projeto para regravar 32 de seus sucessos. Depois disso, seus últimos trabalhos foram algumas aparições na televisão.

Um dos LPs dessa época é "Quando a Saudade Apertar", lançado em 1961, em que regravou "Atire a Primeira Pedra", um samba de Ataulfo Alves e Mário Lago, que havia lançado em 78 rpm, pela Odeon, em 1943, e que foi o grande sucesso do carnaval carioca de 1944. (Fontes: Blog da Música Brasileira, Wikipédia, IMMuB.)