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O guitarrista Luiz Sérgio Carlini, criador da banda Tutti-Frutti, morreu nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, aos 73 anos, vítima de um AVC
O cenário musical brasileiro se despede de uma de suas figuras mais emblemáticas. Luiz Sérgio Carlini, guitarrista e fundador da banda Tutti Frutti, morreu na última quinta-feira, 7 de maio de 2026, aos 73 anos. O músico estava internado em São Paulo após sofrer um AVC, deixando um vazio imenso na história do rock nacional.
Embora jovem demais para o auge da Tropicália, Carlini foi o protagonista da década seguinte. Nos anos 70, ele se tornou o parceiro definitivo de Rita Lee, ajudando a moldar a sonoridade do álbum "Fruto Proibido" (1975). É dele o solo de "Ovelha Negra", uma peça de construção melódica tão perfeita que se tornou parte do DNA cultural do Brasil.
Sua técnica com a slide guitar e seu timbre inconfundível definiram o que se entende por rock feito em português: uma mistura de peso, técnica refinada e malícia brasileira. Carlini não apenas tocava; ele criava texturas que serviam de alicerce para grandes vozes, tendo colaborado também com nomes como Erasmo Carlos, Guilherme Arantes e a banda Camisa de Vênus.
A única vez que eu vi Carlini no palco foi em de 10 de agosto de 2025, em um show do Made in Brazil, no Sesc Pompéia - bairro onde ele cresceu e que era uma espécie de Liverpool de São Paulo.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Em 1961, o genial Frank Zappa, nascido Frank Vincent Zappa (1940—1993) em Baltimore (Maryland, EUA), fez suas primeiras gravações, após experimentações em bandas juvenis, como The Blackouts, e apresentações em casas noturnas.
Nesse ano, foi o responsável pela trilha sonora do longa "The World's Greatest Sinner", dirigido por Timothy Carey(1929-1994) e lançado em 1962. O filme jamais foi exibido em cinemas, mas foi apresentado em canais a cabo na época e chamou a atenção para o jovem compositor.
Assim, Zappa foi convidado para o programa de TV Steve Allen Show, em 4 de março de 1963, quando ele demonstrou sua maneira ímpar de compor, ao extrair sons de uma bicicleta (abaixo).
As músicas dessa trilha acabaram sendo aproveitadas em gravações posteriores dele.
Em 1964, encampa um estúdio de gravação de um amigo, rebatizando-o Studio Z, onde trabalha sem parar em novas possibilidades técnicas.
Sob acusação caluniosa de que fazia filmes pornográficos no estúdio, foi preso em 1965 e perdeu boa parte do material lá produzido.
Nesse ano, entrou na banda Soul Giants como guitarrista, logo assumindo a liderança e vocal principal da banda, renomeada em seguida para The Mothers.
Em 1966, Tom Wilson (1931-1978), produtor de Bob Dylan, Simon & Garfunkel e Velvet Underground, os ouviu e conseguiu um contrato com a Verve para eles.
A gravadora os convenceu a mudar o nome para The Mothers of Invention e gravou o primeiro álbum oficial de Zappa e cia: "Freak Out".
Em 1969, Zappa rompeu com os Mothers e lançou "Hot Rats". Sua obra a partir daí foi eclética, no mínimo, com composições fundindo o rock com o jazz, temas eruditos, fruto de sua admiração por compositores como Edgar Varèse (1883-1965), Ígor Stravinski (1882-1971) e Anton Weber (1883-1945).
Em 1970, montou um novo Mothers, com outros músicos, com o qual gravou alguns álbuns e excursionou.
Após dois acidentes em 1971, um dos quais citados pela banda britânica Deep Purple na música "Smoke on the Water", Zappa constituiu diversos pequenos grupos, com os quais fez shows e lançou mais álbuns, alguns êxitos comerciais, outros nem tanto.
Teve pendengas judiciais com gravadoras, editoras e empresários, lançou-se artista independente em 1979, com seu selo Zappa Records.
Lançou vários discos totalmente instrumentais, filmes, cogitou candidatar-se à presidência dos EUA. Recebeu seu primeiro Grammy em 1987 pelo álbum "Jazz From Hell", de 1986.
No começo de 1990, Zappa foi convidado pelo presidente da então Tchecoslováquia, Václav Havel, a servir como consultor para o governo em assuntos comerciais, culturais e turísticos, o que se realizou de forma não oficial, devido a pressões do governo dos EUA.
Diagnosticado com câncer de próstata em 1990, em estágio irrecuperável, dedicou-se a trabalhos orquestrais e com o Synclavier, um sintetizador e sampler criado em 1978.
Zappa tocou com a orquestra de câmara Ensemble Modern e trechos dessa apresentação foram lançados no último álbum de Zappa em vida, "The Yellow Shark", de 1993, ano em que morreu, a 4 de dezembro.
Os garotos já foram chamados de uma versão punk dos Mamonas Assassinas (Fotos: Divulgação)
Chokofreaks: o que você pensa quando ouve isso? Talvez uma
banda de Ompa Lompa, liderada por Willy Wonka... afinal, chocolate e fantasia é
com eles mesmos. Porém, mesmo sem deixar de ser fantástico, a banda não tem
Ompa Lompa, mas tem bastante humor em suas letras e canções, tanto que os
garotos, durante sua trajetória musical, já foram chamados de uma versão punk dos
Mamonas Assassinas, e isso ajudou bastante a Chokofreaks a integrar a cena musical
alternativa, somando a comédia ao rock’n’roll.
Formada pelos músicos Fábio Plumari (guitarra e vocal), Deko
(baixo e vocal) e Paul Domingos (bateria), a banda já tem mais de dez anos de
carreira e neste tempo eles aprenderam que a união e a perseverança fazem o
sucesso, independente de quanto se ganha ou quantos fãs você tem.
Documentário conta trajetória da banda
Lançaram diversos EPs, disponíveis gratuitamente para ouvir
no site oficial e também nas redes sociais da banda. Atualmente, os garotos
lançaram um documentário sobre essa década da Chokofreaks, intitulado “10 anos
de uma banda que não deu certo”, contando um pouco desta jornada árdua e longa,
mas que, feita com amor e dedicação, pode ser divertida e muito prazerosa.
Além disso, eles estão trabalhando em um projeto chamado
“Zombie Rocks: A festa do Rock Maldito”, um EP no qual os garotos apresentarão
oito músicas inéditas, sempre com muita harmonia, sintonia e divagação.
Assista ao trailer do documentário abaixo:
A banda ainda não possui nenhum material físico lançado. Por falta de apoio financeiro, eles não se sentem confortáveis em investir em um material desta importância agora, sendo um risco para suas próprias vidas pessoais, mas eles mantêm propagando seu som e compartilhando sua alegria pela noite paulistana e pela web, por meio de seus vídeos e EPs.
Para conhecer mais sobre a Chockofreaks:
Depois dos dois primeiros discos focados no puro rock pesado, a
guitarrista, compositora, cantora, multi-instrumentista mineira Marise Marra
lança “Funny Love”, um trabalho mais pop e com outros elementos, “mais
desencanado”, como ela mesma diz, mas sem deixar de lado a guitarra tocada com
maestria e destreza. Ela faz o lançamento desse seu terceiro CD neste domingo,
17 de maio, na 28ª Feira de Artes da Pompeia, às 16h, no Palco Rock,
acompanhada dos músicos Daniel Gohn, Raoni Passeto e a participação especial de
Paulinho de Almeida. Rua Caraibas, com entrada franca.
Essa mineira decidiu, já na adolescência, ser uma guitarrista de respeito. E conseguiu (foto: Sérgio Kanazawa)
O que dizer de uma
menina que decide empunhar uma guitarra e encarar esse universo
predominantemente masculino no Brasil? Não estamos falando de uma moça que faz
aquela guitarra base, mas de uma instrumentista que sola, que cria riffs, que
tem virtuosidade, e o respeito de feras como Tony Babalu, Luiz Carlini e tantos
outros? E ainda manda bem em outros instrumentos, compõe, produz e canta uma
maravilha?
Esta é Marise Marra,
mineira de Uberlândia, desde os 16 anos dedicada a dominar o instrumento e dar
seu recado, não se sujeitando a ser mais uma imitadora de bandas consagradas,
mas botando a cara para bater com seu próprio repertório. Marruda, enfim
(desculpe o trocadilho).
Dez anos desde o
primeiro CD gravado, agora no terceiro álbum, todos autorais, muita personalidade,
domínio técnico do instrumento e sensibilidade fazem dela um destaque no meio,
não apenas para os guitarristas, mas para os apreciadores do bom rock e suas
vertentes.
Nesta entrevista
exclusiva ao Blog por Bloga, Marise
solta o verbo, conta sua trajetória, suas opiniões sobre música, o meio musical,
seus projetos, anseios, em um papo de mais de meia hora que você ainda não leu
em nenhum outro lugar. Uma conversa franca, espontânea, sem cartas marcadas, no
espírito de independência que marca sua trajetória e é o símbolo desse blog.
A obra
Primeiro CD lançado em 2005
O trabalho de estreia,
“Noite Proibida”, de 2005, já a alçou ao panteão dxs “guitar heroes”, pela
virtuosidade que ela exibe. Marise responde pelas guitarras, violão de aço e
voz e pega o baixo nas faixas "Você Pode Me Levar", "Vida de
Louco", "Reflexo" e "Estranhos no Ninho". Nas demais,
o baixo fica por conta de Róbinson Tóffoli e Cristiano Quinália fica nas
baquetas.
O segundo CD,
“Arrebatador”, vem mais autoral, no qual ela cuidou da produção e assumiu a
gravação das linhas de baixo, violão, violão de 12 cordas e teclado, além de
emprestar sua voz a quase todas as canções (e duetar com Dadá Cyrino na faixa
“Luta”). Um trabalho pleno de guitarras, densas, poderosas, dando suporte e
moldura a uma voz ao mesmo tempo terna e fodaça!
Segundo CD, de 2010: hard rock
“Arrebatador” tem,
além da produção, os arranjos assinados por Marise. Foi gravado, mixado e
masterizado por Brendan Duffey (Angra, Kiko Loureiro, Dr. Sin e Billy Sheehan,
entre outros) e Adriano Daga no Norcal Studios, em São Paulo, em 2010. O disco
tem as presenças de Alan Marques nas bateras e o mito Luis Sérgio Carlini
comparece com a lap steel e guitarra “solo 1” em “Amarras”; Nenê Silva vem de
baixo em “Luta” e Dada Cyrino põe a voz em “Luta” e “Everything”. Gravado e
distribuído por Amellis Records/ Tratore.
Agora, temos “Funny
Love”. Gravado em São Paulo, o trabalho foi produzido pela própria Marise (que
também assina todas as músicas, letras – algumas em parcerias - e arranjos do
álbum), em parceria com o produtor canadense Brendan Duffey. Desta vez, o rock
avassalador forjado à base de riffs poderosos e virtuosos solos de guitarra
ganhou um tempero pop com pitadas de MPB, funk, folk e até elementos da música
eletrônica.
A seguir, a entrevista
de Marise Marra. Se preferir, ouça o áudio clicando o play abaixo:
Bloga: Queria que você
falasse um pouco de sua carreira, como você começou, como você se percebeu
artista, música, como é que a guitarra entrou na sua vida. Você lançou o
primeiro disco em 2005, mas até o primeiro disco o que aconteceu, como é que
foi o seu desenvolvimento na parte de música?
Marise Marra: Eu já nasci contaminada, na verdade. Eu sou a caçula
numa família de dez irmãos. Todos os irmãos ouviam música na minha casa, sempre
teve muita música, todo mundo sempre ouviu música. E quando eu era criança,
eles ouviam coisas muito legais; eu nasci já ouvindo Jimi Hendrix, Genesis,
Yes, Emerson, Lake & Palmer, Beatles. Então foi uma coisa assim superlegal,
somou muito, acho na minha formação musical. E desde criança eu estou ouvindo
essas coisas, eu era fã da Rita Lee, e através deles, do que eles ouviam, já
deu uma aguçada nesse sentido. Ganhei meu primeiro instrumento aos nove anos,
meu primeiro violão, comecei a estudar, em conservatórios... Suportei só uns
três meses, porque não queria estudar nada daquilo, comecei a estudar com
professores particulares, foi bem legal, isso em Uberlândia,minha cidade, até que eu ganhei minha
primeira guitarra, eu tinha uns 15 para 16 anos, e foi muito legal, comecei a
montar meus projetos.
Passei um tempo em Brasília, tive contato com o rock and
roll, e foi mágico esse processo, esse tempo que eu passei em Brasília, minha
irmã morava lá então eu fiquei com ela alguns meses. Então esse contato foi
muito importante, porque eu me deparei com músicos muito bons, os caras tocavam
muito bem, eu estava começando, mas eu era metida, me colocava como se eu já tocasse
bem, metia a cara, enfim. Adorava desafios. Eu tinha já grande facilidade para
tocar.
Então comecei em Brasília, fiz parte de uma banda de rock
progressivo, fui convidada, me viram tocando. Fiz uma duas ou três
apresentações em Brasília e voltei para Uberlândia, voltei alucinada. Montei um
projeto autoral, os primeiros projetos, e comecei a participar de alguns
festivais em Uberlândia e região, me renderam matérias e capas em jornais
expressivos, tipo o “Estado de Minas”, e fiquei um tempo em Uberlândia tocando
e estudando com professores particulares, mas eu senti uma imensa necessidade
de sair dali, de buscar coisas novas.
Até que eu tinha alguns amigos que estavam vindo para São
Paulo, em Campinas, e eu considerei a possibilidade de vir para Campinas ou São
Paulo, tanto fazia na época, mas Campinas rolou melhor. E vim para fazer
faculdade de música na Unicamp. Mas quando vim para Campinas eu vi que o curso
não era aquilo que eu queria, que eu esperava, eu queria estudar guitarra e
muitas matérias no curso não me interessavam.
Conheci pessoas que estavam lá cursando música na Unicamp,
conheci diversos músicos em Campinas, me deparei com outro universo, de músicos
muito bons. Isso aí foi muito legal para mim e já dei uma superenturmada, interagia
muito bem com eles. E foi uma novidade aquilo, uma mulhertocando guitarra, achei que fosse só lá em
Uberlândia que ia chamar tanto a atenção, mas aqui não tinham muitas mulheres
tocando guitarra. Quando cheguei aqui foi um a puta surpresa. E eu já tentava fazer
aqueles solos e tal.
Em Campinas já conheci pessoas, músicos muito bons, já tive
vários convites, já também formei alguns projetos legais para sair tocando por
aí. Comecei a estudar bateria e estudar guitarra em Campinas com professores
muito bons,eram músico de jazz,
guitarristas excelentes, que já tinham uma carreira legal, tinham tocado com
muita gente famosa. Comecei a estudar guitarra com esses caras. Foi muito
legal, não fiz a Unicamp, mas continuei estudando, fiz cursos extremamente
voltados para o instrumento, que é o que me interessava na época. Tinha uma
necessidade grande, uma ansiedade imensa de sair tocando, eu precisava disso. E
foi o que aconteceu.
Só que aqui em Campinas eu me deparei também com um universo
diferente, que era o do cover. Por exemplo: aqui eu senti que para você
conseguir fazer parte de alguns espaços tinha que tocar cover. E lá em Minas,
não, eu tocava músicas minhas, o que eu escrevia eu tocava, só tocava som autoral.
Mas tudo bem: formei alguns projetos de releituras, nunca toquei cover,
igualzinho. E essas releituras sempre foram muito legais porque eu só tocava
aquilo que se identificava comigo, eu nunca pensei ‘vou tocar isso aqui para
poder tocar em tal lugar’, não, isso nunca existiu.
Então eu reuni músicos legais, bons, para me acompanharem, formei
algumas bandas, e fazia algumas releituras de artistas que eu adorava, tocava
até Arrigo Barnabé, Rita Lee, Tutti Frutti, Mutantes, coisas que as pessoas não
tocavam aqui, onde se tocava o que estava na moda, o que estava rolando na
época. Então foram projetos muito legais, toquei bastante, toda semana estava
tocando. Eu não tinha um projeto só, formava duas, três bandas e saía tocando.
Marise estuda o instrumento com músicos da pesada e começa a ser notada e convidada (foto: Sérgio Kanazawa)
E comecei a inserir uma música minha ou outra com o tempo,
mas tinha um pouco de receio de tocar música minha, sempre pensava que as pessoas
não iam gostar, e realmente é uma coisa assim: você vai tocar num bar, que é um
espaço de entretenimento, as pessoas vão lá para ouvir cover... Eu tinha esse
receio e não era à toa, eu via que outras bandas que tocavam músicas autorais
as pessoas nem ligavam, então achei que não iam ligar para mim também.
Mas não, as pessoas deram uma resposta legal, e eu fui
colocando cada vez mais, até que em 2000 gravei um EP, com cinco músicas
minhas, que era um demo, na verdade. Deu até uma repercutida, tocou em algumas
rádios, até, inesperadamente, na Lituânia, Patagônia argentina... O CD foi
parar lá e não foi pela internet, porque ainda não existia aquela puta divulgação
de internet que a gente faz hoje, alguém que comprou e levou mesmo, porque a
gente vendia CDs no show.
Aí em 2005 eu resolvi gravar um disco inteiro, um CD, também
autoral. Foi produzido pelo Tony Babalu, um grande
produtor e guitarrista, e superamigo meu, e esse CD, “Noite Proibida”, de 2005,
foi meu CD com uma característica, uma sonoridade mais ao vivo; não é um disco
ao vivo, mas eu digo porque tocamos em trio, um power trio, e a gente quis
manter uma sonoridade de power trio.
Então gravei muitas linhas de guitarras,
overdubs, eu fiz as guitarras mais cruas, fazia uma base, o solo, poucos
overdubs, pouquíssimos, mais para manter uma sonoridade de banda mesmo. Foi legal, e começou já a abrir portas o “Noite
Proibida”.
Aí em 2010 eu gravei o “Arrebatador”, lancei o “Arrebatador”,
que é um disco assim que mudou minha carreira, eu acho. Eu gravei com Brendan Duffey, que é um produtor
norte-americano, foi demais, graveino
estúdio Norcal, em São Paulo. E ter conhecido do Brendan mudou muita coisa, porque
ele é um cara extremamente experiente, tem um ouvido absurdo para gravar rock, gravou
bandas importantíssimas, como Angra, Kiko Loureiro,
enfim. Então quando ele veio para o Brasil ele tinha feito várias produções lá
fora... Ele é canadense, na verdade, mas nos Estados Unidos ele fez produções
maravilhosas, incríveis. Trabalhou
com Dream Theater, Linkin Park...
Então trabalhar com Brendon foi muito legal. Foi um disco
que eu produzi sozinha, mas eu gravei todos os instrumentos, exceto bateria, toquei
baixo, guitarras, fiz as vozes, e produzi, fiz os arranjos, compus as letras
também, algumas em parceria, mas todas as músicas minhas. Então foi um disco
muito legal, adorei fazer, um disco de hard rock, eu quis fazer um disco de
hard rock.
Terceiro CD: o mais desencanado
Agora o “Funny Love” é o meu trabalho mais desencanado, na
verdade. Não é um disco de hard rock, ele não está preso a nenhum parâmetro
assim, sei lá, de coerência, não é um disco conceitual também. Foi um disco
que, do jeito que as músicas vieram, eu fui registrando. Desde que eu fiz “Funny
Love”, que foi a primeira música, eu já senti que o disco teria uma cara
diferente, seria um disco talvez mais pop, mais suingado, com outros elementos.
Eu acho que ele engloba outros elementos, elementos do pop, do funk (não o funk
carioca, o funk normal mesmo, o funk gringo), o folk, drum’n’bass, é um disco que
tem uma característica da música brasileira também em uma faixa. Foi meu
trabalho mais desencanado.
Esse disco eu produzi junto com o Brendon, também toquei
todos os instrumentos, exceto bateria, mas é um disco em que eu convidei algumas
pessoas também, tem a participação da Dadá Cyrino,
que é uma cantora lírica; do Jonas Moncaio
no violoncelo, fez uma faixa; do meu próprio baixista, Raoni Passeto,
que toca comigo na banda, gravou uma música instrumental.
Então é um disco que tem uma característica diferente mesmo,
tem quatro músicas cantadas em inglês, um disco mais mesclado, e eu encerro ele
com uma música instrumental, que gravei para meus fãs guitarristas, “Bird”. (assista abaixo)
Bloga: Você falou que cada um de seus três discos tem
uma cara. Você tem mesmo essa característica de estar diversificando, de estar
explorando outros universos. Qual é a sua intenção? Você não quer se fixar com
uma marca só, como que você pensa a respeito?
Marise: Eu nunca me prendo a nada. Quando estou compondo,
criando um disco, eu não penso nada disso, eu tento deixar a coisa fluir
naturalmente, não penso no feedback que vai ter esse disco, porque se eu for
pensar nisso ele vai ficar muito restrito, não vai sair um disco tão honesto,
aquela coisa tão verdadeira. Então o “Funny Love” é o mais desencanado porque
se eu tivesse escrito um samba com certeza ele estaria nesse disco.
O “Arrebatador”,
por exemplo, foi um disco de hard rock porque as músicas que eu fui compondo na
época saíram com essa cara, com essa pegada do hard rock, não que eu tivesse pensado
assim: ‘vou fazer um disco de hard rock’. Quando eu comecei a compor “Arrebatador”
eu vi que estava com uma cara de hard rock e eu falei ‘legal, então que seja’,
aí a coisa rolou, o disco inteiro assim.
O “Noite Proibida” foi um disco de
rock, ele tem uma cara do hard também, mas foi também uma coisa que do jeito
que veio eu registrei. Agora o “Funny Love”, embora ele tenha outros elementos,
vai ver que ele está mais pop, mas tem uma pegada de guitarra muito forte. Eu
não me prendi nisso, não pensei ‘puta, eu já fiz dois discos de hard rock, que
tinham uma guitarra muito forte, pesada até em alguns deles, mas vou ter que
manter isso nesse disco’, não, eu pensei em criar um disco principalmente que
soasse bonito. É um trabalho mais melódico, tem outros nuances. Coloquei
violoncelo, que é um instrumento com o qual eu sempre quis trabalhar e ficou
bonito, tudo se encaixou perfeitamente nesse álbum eu acho.
Bloga: E ele está
tendo uma boa receptividade, seu público está aceitando bem, como você está
vendo?
Marise: Ah, sim, está. Bem, ele acabou de nascer, o disco
chegou recentemente, a gente até agora fez um show de pré-lançamento, a gente
fez um pocket na Fnac, agora a gente vai começar a sair, fazer uma turnê,
divulgando, inclusive no site as datas nem estão atualizadas, os produtores
estão trabalhando e em breve as datas vão estar na agenda do site. As pessoas
têm gostado bastante, muita gente tem ressaltado esse tom de ele estar um pouco
diferente dos outros álbuns, que eu acho que é legal até, e as pessoas têm
gostado, sim, com certeza.
Até o próprio Brendan comentou que é o meu melhor
disco. Eu não sei se é o melhor, mas eu estou com aquele cuidado ainda, sabe,
aquele amorzinho assim, do filhinho que acaba de nascer e tal? Mas eu acho que
a resposta tem sido muito boa. Ele está bem feito, fiz uns overdubs de
guitarra, que acho que definem o álbum, não só as bases, mas os próprios
overdubs de guitarra mesmo, são outras linhas, violão, enfim, ele está mais
dançante, as letras acho que estão bem legais, a resposta tem sido bacana, sim.
Bloga: E como é que
está o espaço para você se apresentar, agora que está fechando a agenda...Tem um espaço legal para tocar rock aqui em
São Paulo, Campinas?
Marise: Olha, eu estava conversando isso ontem com uma
pessoa: eu acho que hoje a coisa está muito complicada para quem toca rock, principalmente
para um artista solo. Eu vou dizer por quê: Uma banda diz: ‘vamos junto, a
gente toca ali naquele lugar, os caras não pagam, mas a gente vai porque quer
divulgar, vai estar todo mundo na onda’; agora o artista solo tem que pagar os
seus músicos, é diferente. É o nome dele que está lá, enfim.
Eu acho que os
espaços são muito restritos para quem faz um trabalho autoral, porque os únicos
espaços legais para se tocar, não digo em São Paulo, no país, são os Sescs, é
bacana, porque são o espaço que paga melhor, quer dizer, são show remunerados,
com uma produção boa, em espaços legais. Hoje em dia o artista conta com Sesc e
com editais, então você inscreve algum projeto em algum edital, se você for
selecionado você toca, se não for, não toca.E tem uma outra questão, porque
Sesc não é só para artista independente, os grandes, os famosos também estão
disputando uma vaga nas unidades do Sesc. Então é megacomplicado. Eu já toquei
bastante em Sesc, foi superlegal.
Para você colocar o bloco na rua, olha, é
complicado. Você tem outros espaços, que são casas noturnas, os bares,
blá-blá-blá, a maioria toca cover, quer contratar banda cover. Se você chega com
um trabalho autoral para tocar num desses espaços pode até tocar, mas não são todos
que comportam trabalhos autorais e que pagam bem. A maioria paga bilheteria,
você tem que levar um puta público.
Então a situação é essa. Acho que devia
haver mais incentivo das secretarias de cultura, prefeituras, para promoverem mais
shows, não uma vez ou outra, tipo Virada Cultural... Já toquei em tudo isso, já
fiz Virada Cultural, já fiz Sesc, faço Sesc até hoje, edital, enfim,
blá-blá-blá... Mas deveria haver um incentivo maior das secretarias,
prefeituras de promoverem mais shows, mas shows remunerados porque, porra, tem
que pagar seus músicos, não pode também ficar levando músico para lá e para cá
para tocar, você tem um puta trabalho, grava um disco, tem gastos, enfim, está
com um disco na área, e você vai ficar tocando de graça!?
Neste vídeo, Marise e Luiz Carlini
É muito complicado isso,
quer dizer, tem espaço em que eu nem toco, prefiro não tocar, estão abertos
para a gente tocar, eles vão divulgar, mas tem essa questão, poxa, você tem que
pagar os músicos, nem todo músico está a fim de ficar tocando sem remuneração.
Então eu acho que a situação é essa: se você tem um respaldo legal, tipo assim,
eu tenho produtores trabalhando comigo, estão fechando as datas, e até hoje eu
tive até sorte, já fiz shows muito legais, em espaços bem legais, mas é claro
que eu gostaria de fazer mais e nem sempre existe essa oportunidade.
Eu acho
que no Brasil é tudo muito restrito, até porque os veículos fortes acho que
música boa eles não digerem muito bem, eles ficam empurrando música ruim goela
abaixo das pessoas, o que a massa consome e essa galera está sempre tocando e
fazendo show para todo lado, e por aí vai. No Brasil é tudo muito complicado.
Bloga: E apesar de
tudo isso você vive apenas de música, ou você tem outras atividades?
Marise: Não vivo de música. Quer dizer, atualmente eu tenho
dado aulas, também, mas enfim, eu não vivo só de música, seria impossível. Para
viver de música... Eu já toquei cover, como eu te falei. Quando eu fazia esse
trabalho, tocava na noite, eu tocava toda
semana e fazia show de quarta a domingo. Era um processo extremamente cansativo,
eu ficava meio exaurida. Quando eu lancei o primeiro trabalho autoral eu deixei
de fazer isso; então eu tive que buscar outras possibilidades, porque
realmente...
Quem toca na noite também não
ganha muito, rala que nem louco e ganha pouco. Eu não quis isso para minha vida
mais. Chegou um ponto que eu falei pra mim: não, pera aí, não vou ficar tocando
cover, ir num bar, um monte de gente bêbada ficar ouvindo ali, depois no outro
dia nem lembrar de mim, quer dizer, eu ia continuar vivendono anonimato e continuar ganhando mal e me
acabando, chegou um ponto que eu falei: chega, já era. Não vivo só de música.
Bloga: Você teve seu
primeiro disco produzido pelo Tony Babalu, que é um cara respeitado, foi da banda
Made in Brazil, e você tocou com o [Luiz Sérgio]Carlini,
quer dizer, pelo jeito você tem já um certo respeito no meio do pessoal de
guitarra. Como é que você se sente em relação a isso? Você imaginava que
chegaria a esse patamar de respeito junto ao meio?
Marise: Ah, eu acho que eu imaginava, sim. Porque na verdade
eu sempre levei muito a sério tudo o que eu fiz até hoje. E quando eu comecei a
tocar guitarra sempre quis tocar bem assim, pensei em me tornar uma grande
guitarrista, legal, competente. Quando eu vim para cá a coisa também aconteceu
supernatural. As primeiras matérias que saíram sobre meu trabalho na “GuitarPlayer” (eu tirei tudo do site, por isso que você não viu, devia ter deixado ali, me
arrependi, acho que vou voltar tudo para o site), renderam matérias em revistas
especializadas, aí começaram a surgir os convites para participar dos festivais
da “Guitar Player”.
Conforme Marise vai se sobressaindo, a mídia falando dela, pintas convites para tocar (foto: Divulgação)
Eu fui para Frankfurt, na Alemanha, fiz um som na
Musikmesse,
e foi muito legal, tudo foi acontecendo naturalmente, toquei na Expo Music
algumas vezes, toquei no Music Hall, na Feira (de Artes da Pompeia) duas ou
três vezes, muita gente passou a me conhecer , e esses festivais da “Guitar
Player”, essas matérias nessas revistas especializadas, tudo foi somando. Agora
existe assim um respeito, uma coisa que é legal, mas isso para mim não que eu
tivesse buscado, que eu tivesse corrido atrás, isso aconteceu naturalmente
mesmo. Mas sempre tentei fazer o trabalho da melhor forma possível, para que
isso um dia, de repente, acontecesse, mesmo que eu não tivesse correndo atrás,
e foi assim que rolou mesmo.
Bloga: Como você vê a
cena rock atual, porque tiveram aí os anos 70, 80, quando surgiu muita gente
boa, e, não sei, atualmente parece que o rock é uma coisa mais restrita, até
onde eu imagino. Está se fazendo um bom rock atualmente, está tendo
criatividade, ou a coisa meio que ficou na mera cópia do que já foi feito, como
você enxerga isso?
Marise: Cara, eu acho assim: o que rolou na década de 70 e
80 é algo assim não tem como voltar... Foram os melhores trabalhos, em minha
opinião. De 90 para cá, acho que muita coisa mudou. Acho que existem bons
trabalhos, até hoje, bem na cena indie,
mesmo, aquela coisa mais independente que eu ainda, aquela coisa bem escondida,
existem boas bandas, sim, mas não existe expressão, não existe exposição, por
mais que a internet facilite esse processo de exposição, divulgação, nada se
compara a um veículo forte.
Eu acho que tem muita coisa ruim na área também, e
eu acho que o Brasil insiste em colocar essas coisas ruins goela abaixo das pessoas,
e são essas coisas ruins que aparecem... Eu não vou ficar citando nomes, enfim.
Eu sei que tem muita coisa boa também acontecendo, tem muita banda legal, mas
aquele som, aquele rock que a gente gosta, esse trabalho com uma identidade
legal, porque trabalho tem também que ter uma identidade, porque muita coisa que
eu percebo é assim: os trabalhos que eu tenho curtido ultimamente, que eu acho
legal, os que têm identidade, são super mal vistos, não aparecem de jeito
nenhum.
Agora tem muita gente que toca, que forma uma banda, você ouve e fala:
puta, isso aqui é cópia do Guns N’ Roses, isso aqui é cópia do não sei o quê,
isso aqui é cópia não sei de quem. Eu acho que falta também essa identidade
mesmo, sabe, essa coisa de o cara achar lá dentro dele, da personalidade dele,
colocar uma vibe diferente no som; eu acho que poderia estar melhor, não tem
tantas coisas boas acontecendo, tem bandas boas, sim, como eu mencionei, mas
não são muitas que você possa dizer que ‘ouvi e adorei’, talvez eu não tenha tido
oportunidade de ouvir tantas coisas, mas nada me chama tanto a atenção, não tem
me chamado muito a atenção ultimamente, para dizer a verdade.
Cartaz de lançamento de 'Funny Love'
Bloga: E planos para o
futuro são divulgar esse disco, fazer as apresentações... E mais pra frente,
você tem ideia de fazer, sei lá, um DVD, um quarto álbum, ou você está pensando
só no agora?
Marise: Ah, estou pensando só no agora, para dizer a
verdade. Eu vou gravar um clipe, não sei se já falei isso pra você, a ideia é
lançar esse clipe, será o videoclipe oficial da música “Funny Love”, estaremos
lançando no comecinho de junho, e sair em turnê, a Tratore [http://www.tratore.com.br/
] está distribuindo o disco físico, então o lance é divulgar. Eu já tinha
pensado em gravar um disco instrumental, talvez eu até faça isso, mas nem quero
pensar, eu tenho algumas composições, algumas músicas instrumentais, mas nem
posso pensar nisso agora, acho que tenho que focar nesse disco que está
nascendo, que acabou de pintar, e, sei lá, ver o que vai acontecer.
Bloga: E você já tem
alguma data fechada para a gente divulgar?
Marise: Tenho, dia 17 de maio, na Feira de Artes da Pompeia,
aliás, eu nem coloquei no site porque eles estão ainda decidindo horário,é um
festival, então tem várias bandas... 17 de maio, é um domingo. (Nota do Editor: a entrevista foi feita em
29 de abril, quando o evento ainda estava sendo fechado.)
Quarteto mistura vários essências, mas o rock dá o tom (foto:Luisa Telles)
Sabe aquela banda que você ouve e vira fã desde o primeiro instante que escuta? Pois bem, esta é a Bratislava. Uma banda soteropaulistana que iniciou a carreira em meados de 2010, e mistura diversas essências musicais, formando um som único e autêntico.
A banda é formada pelos irmãos Victor Meira (vocais/synth) e Alexandre Meira (guitarra/vocais), e também pelos músicos Sandro Cobeleanschi (baixo) e Lucas Felipe (bateria). Um quarteto com uma sintonia ímpar que se conecta do primeiro acorde ao término do álbum.
A Bratislava já lançou três trabalhos autorais, entre eles o EP "Longe do Sono", em 2011, e o álbum "Carne", em 2012. E no último ano o grupo lançou o single "Vermelho". Atualmente, a banda está em fase de gravação de seu segundo álbum, ainda sem previsão de lançamento.
Canções que tocam a alma (foto: Arquivo Pessoal)
Em paralelo ao novo projeto, a Bratislava gravou um EP exclusivo com a banda Kiwi Qualquer, um perfeito entrosamento de ambas as bandas, reunindo letras que mesclam a realidade com imagens figurativas, fantasias e brincadeiras com personagens que rementem à infância e à cultura pop. Somam as rimas e as poesias, criando um arranjo único e marcante, transcendendo uma musicalidade excepcional ao EP.
Em resumo, a Bratislava são músicas poetizadas, mas com letras que remetem ao cotidiano de qualquer ser humano, que ama, se apaixona, busca respostas, amigos e amores por uma grande metrópole como São Paulo, mostrando os eternos paradoxos sociais. Canções que marcam os ouvidos e tocam direto na alma, e, apesar da multi-influência dos músicos, o rock é a verdadeira essência da banda, mas sempre com ares alternativos e fugindo do convencional.
Confira abaixo o último videoclipe da banda, “Vermelho”. Canção composta em 2014 e escrita por Victor Meira:
Formada em 2011, banda quer muito mais que ser modinha (foto: Divulgação)
Essa formação da banda HL Arguments pode ser nova, mas o anseio e prospecção do líder, vocalista e guitarrista Hélio Lima, não. Um apaixonado por música desde quando era criança, seu maior sonho sempre foi difundir suas letras e poesias aos quatros cantos do mundo, independente da língua, da cultura ou da crença das pessoas, apenas pela paixão e emoção..
A HLA foi formada em julho de 2011 pelos músicos Helio Lima (vocal, guitarras), Marcos Cesar (baterias), Amanda Labruna (vocal), Alex Ezequiel e Fernando Silvestre (guitarras) e Wesley Lima (baixos).
Uma banda de rock alternativo que possui dois álbuns lançados, "HL Arguments", com destaques para "New Direction" e "Like a Crazy Magic", e, em setembro de 2013, o segundo álbum de estúdio "HL Arguments II" foi lançado, com destaques para as canções "Hook", "#JC1" e "Naty (Physician Fake)".
A banda já excursionou por vários festivais independentes de São Paulo, sempre com intuito de proliferar seu som, e não apenas ser modinha entre uma nova tribo que vai surgir na sociedade. Porque música vai além do que as rádios transmitem, mas sim algo que vem de dentro para fora, compartilhando momentos e sensações em que cada música interpreta dentro de algum um de nós.
HL Arguments é uma banda que visa muito além da indústria fonográfica, já que seu principal foco é a música e não apenas vender discos e ser a nova revelação musical da novela das nove. Artistas que fazem música de verdade, mostram sua essência musical em cada acorde dedilhado, sem rótulos ou "estereótipo de aceitação", como o próprio Hélio disse em um artigo publicado em seu Facebook.
HLA mostra sua essência sem rótulos (foto: FêValladares)
Mas, mesmo que um dia a HLA faça contrato com produtoras e gravadoras demandantes na indústria fonográfica no país, sua origem irá permanecer, pois para eles a autenticidade é antes de tudo revelador do caráter e não invenção de modas e estilos criados por produtores que apenas visam o lucro para si, e pouco se importam com a arte existente.
Confira abaixo “Hopes and Dreams” e sinta a emoção de uma música produzida por quem se importa com a arte:
Os anos 1980 foram um barato para quem era jovem à época e
gostava de música jovem. A barra ainda era pesada – o fim da ditadura só veio
em 1985, mas o presidente ainda foi eleito indiretamente, e nem tomou posse: o
mineiro Tancredo Neves, avô daquele aí, morreu antes de pegar a faixa
presidencial do general Figueiredo (aquele que preferia o cheiro de estábulo ao
do povo).
Contextualizando, para quem não viveu aquela época (vou
relatando de memória, que pode falhar, mas é melhor que recorrer aos livros –
ou ao Wiki – para falar sobre um período que eu testemunhei, né?): o Brasil
musical vinha de um período de entressafra; os grandes nomes da MPB ou estavam
lá fora, exilados ou autoexilados, ou aqui enfrentavam a tesoura da censura.
O bom rock dos anos 70 era meio marginal (no sentido de não
figurar na mídia), e nas rádios e TVs o que se escutava eram grupos brasileiros
cantando em inglês e as breguices de sempre; novos nomes do Nordeste apareciam em
festivais de música promovidos pelas TVs, que não tiveram a importância
daqueles da Record dos anos 1960, mas revelaram gente boa que está aí até
agora. Tínhamos Raul, Mutantes (sem Rita), rock rural, progressivo, algum
projeto de punk, um metal resistente, enfim, uma cena que buscava quebrar a
grossa mordaça imposta pelos militares à criação.
Aí, nos 1980, na onda dos gritos pela democratização que
começaram a pipocar, que culminaram – mas não terminaram ali – com o movimento
pelas Diretas Já, eis que começam a surgir de toda a parte bandas de rock que
vinham com uma linguagem nova, com influências variadas, nutridas pelas
novidades que apareciam na Inglaterra, nos EUA, na Jamaica e pelo mundo afora.
Vinham com uma postura que, se não se podia chamar de revolucionária
ou militante, ao menos trazia um comportamento rebelde, moderno, para acabar
com a caretice chata que os anos duros impuseram à sociedade. Vieram de todos
os cantos, mesmo: São Paulo, Rio, Porto Alegre, Salvador, Brasília e até de Belo
Horizonte. E os estilos também foram os mais variados: do nascente new wave ao
hard rock mais cru, passando pelo punk rock, heavy metal e outros sem
classificação visível.
A sensação era de que o importante era se divertir: nada de
música de protesto, de levantar bandeira, seguir passeata. Os nascidos no
período da distensão lenta, gradual e segura, iniciada com Geisel em 1974, não
pareciam querer embarcar na onda da luta contra o regime e a cultura pop vinha
com tudo na onda da globalização. Programas de TV, cinema, videogames, as discotecas,
a soul music brazuca, fanzines, um certo comportamento libertário herdado dos
hippies e também dos movimentos estudantis e uma sociedade de consumo que os
anos de chumbo conseguiram assentar em nossas terras.
É nesse caldo de cultura que surge a música jovem dos anos
1980. E um, entre muitos outros caras, captava todo esse momento e irradiava
pelos meios de que dispunha – em gravadoras de discos, no rádio, na TV, em jornais,
revistas, e bandas – o universo que se espalhava pelo Brasil e pelo mundo.
Antonio Carlos Senefonte, o Kid Vinil, funcionava como uma
antena parabólica, absorvendo o máximo que pudesse do que se criava pelo mundo,
e percebia como essa nova onda irradiava aqui e levava garotos imberbes e
garotas ainda adolescentes a empunharem instrumentos e saírem tocando nas
garagens, porões, clubes e onde mais fosse possível.
O que Kid Vinil viu, ouviu, viveu e passou para frente agora
pode ser conferido no livro que o jornalista Ricardo Gozzi e o músico Duca Belintani escreveram: "Kid Vinil, Um Herói do Brasil – Biografia Autorizada" (Edições Ideal, 160 páginas, R$ 39,90),
será bem-sucedido se conseguiu retratar o turbilhão que foi aquele período, fundamental
para o que se fez depois – tanto que nas baladas de hoje não raro há o momento retrô,
em que DJs (como o próprio Vinil o é) botam pra rodar hits oitentistas. E muitas
dessas bandas ainda estão na ativa.
O livro está em pré-venda pelo site Ideal Shop,
e vem junto com o 60º aniversário do Kid, a completar dia 10 de março. O background
dos autores: Gozzi é autor de uma biografia dos 18 anos dos hilários Velhas
Virgens e de um livro sobre a Democracia Corintiana, escrito junto com ex-jogador Sócrates, e coeditor do site Roque Reverso;
Belantini foi guitarrista de Vinil – e quem teve a ideia de fazer o livro.
Enquanto isso, vamos relembrar algumas das bandas formadas
por Kid Vinil e músicas que chegaram a alcançar sucesso nos programas de auditório
e até entrar na abertura de uma novela da Globo (“A Gata Comeu”, de Ivani
Ribeiro, direção geral de Herval Rossano, exibida de abril a outubro de 1985 às
18h, com a música “Comeu”, de Caetano Veloso):
Verminose: misto de punk rock e rockabilly, formada, à
época, por Kid Vinil, Lu Stopa, Fábio Gas, Trinkão e Jean Trad. Aqui, o clipe “Tô
Sabendo”, gravado no teatro Lira Paulistana, palco da vanguarda da cidade, nos anos
1980:
Magazine: já
na sintonia do new wave, com remanescentes do Verminose Ted Gaz, Lu Stopa e
Trinkão. Aqui, o hit “Sou
Boy”, videoclipe oficial:
Kid Vinil e os Heróis do Brasil: projeto mais blues, rockabilly e rockão. Eram André Christovam (guitarra), Kuki
(bateria) Raska (ou Newton) no baixo e Ari Holland (teclados). Sem Vinil, a
banda atacava do mais puro blues de Chicago, com o nome de Oldsmoblues. Aqui, “A
fila do INPS”, em uma gravação amadora feita no Masp, em 1987 (a qualidade é
péssima, mas é o que tem pra hoje):
Kid Vinil Xperience: após anos atuando como jornalista e
apresentador em várias emissoras de rádio e TV e engrenar uma carreira de DJ,
Kid volta aos palcos com a banda de apoio Xperiente: Carlos Nishimiya, na
guitarra; Fábio McCoy, na bateria, e Marcello Morettoni, no baixo. Aqui, o hit
do Magazine “Tic Tic Nervoso”, em apresentação do Sesc Sorocaba, em 2013:
(Fontes:site
oficial de Kid Vinil, Roque Reverso, algo de Google e o resto da cachola
desse velho blogueiro)