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Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
O contexto da compra
Como já mencionado aqui, em meados dos anos 1980 eu estava fissurado pelo violão. E, por algum motivo que me foge agora à lembrança, comecei a ouvir blues-raiz. Este LP veio atender plenamente a meus propósitos: guitarristas de blues em gravações originais e antológicas!
O disco foi adquirido em 4 de julho de 1987 (a coincidência com o 'Independence Day' dos EUA é mera coincidência). Não me lembro em que loja, mas à época era comum se encontrar bons discos em magazines como Mappin, Jumbo-Eletro, Mesbla.
Pode ter sido em uma delas, ou em especializadas como Merci, Museu do Disco, Bruno Blois... Não sei. A capa traz apenas um selo ('Dê Discos de Presente'), com um símbolo que não consigo identificar.
A coleção "Atlantic Blues"
Fundada em 1947, em Nova Iorque, por Ahmet Ertegun e Herb Abramson, a Atlantic Records desde o começo apostou na música criada e executada por afro-americanos, como o blues, o jazz, o rhythm & blues, soul. Revelou, entre outros gigantes, o astro Ray Charles.
Em 1967, foi adquirida pela Warner Music Group, passando a investir em gêneros como o rock e mais tarde o pop. A partir daí, abrigou artistas e grupos como Led Zeppelin, Cream, Yes e, mais recentemente, Bruno Mars, Coldplay, Ed Sheeran, entre outros.
A coleção "Atlantic Blues" consiste em quatro álbuns duplos: "Guitar", "Chicago", "Vocalists" e "Piano", compilando até então cerca de 40 anos de gravações de ícones de seu cast. Eu tenho apenas o de guitarristas. Quem sabe um dia né...
Detalhes técnicos & conteúdo
O disco traz 18 artistas principais em 24 faixas, abrangendo um período de 1949 a 1982, com fonogramas originais. Duas faixas não haviam sido lançadas antes deste LP: "Tall Pretty Woman", com Stick McGhee, e "Bongo Boogie", com Texas Johnny Brown. As demais foram lançadas anteriormente em álbuns ou singles.
Dizem os fundadores no texto do encarte que eles foram os pioneiros na gravadora a difundir o "blues guitar". À época, dizem, não era comum os guitarristas de jazz gravarem o gênero desenvolvido no sul dos Estados Unidos.
A guitarra, escrevem Ertegun e Abramson, "aparecia comumente apenas como uma coisa incidental nos clássicos da Atlantic, de blues, por gente como Ray Charles e Big Joe Turner".
A reedição dos fonogramas foi dirigida por Bob Porter, com produção executiva de Ahmet Ertegun. Steve Innocenzi cuidou da transferência digital; Sam Feldman, da masterização; a direção de arte é de Carol Babolts; e as fotografias, de Robin Nedboy.
O LP foi lançado em 1986 pelo selo Atlantic da WEA. No Brasil, o LP foi fabricado e distribuído pela BMG Ariola em 1987.
Faixas & músicos
Disco 1
Lado A
1) "Broke Down Engine", com Blind Willie McTell (composição, guitarra e vocal). Gravada em Atlanta no outono de 1949. Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson
2) "Shake 'Em On Down", com Mississippi Fred McDowell (guitarra, vocal, adaptação e arranjo), Miles Pratcher (guitarra) e Fannie Davis (comb = pente fazendo som de gaita). Gravada em 1959 no Mississippi. Produção: Alan Lomax
3) "My Baby Don't Love Me", com John Lee Hooker (composição, guitarra e vocal). Gravada em Cincinatti em 1953. Produção: Henry Stone
4) "Guitar Lovin' Man", com John Lee Hooker (composição, guitarra e vocal) e Eddie Kirkland (guitarra e vocal). Gravada em Cincinatti em 1953. Produção: Henry Stone
5) "Tall Pretty Woman", com Stick McGhee (guitarra e vocal), Gene Ramey (baixo), Brownie McGhee (guitarra) e Big Chief Ellis (piano). Gravada em Nova Iorque em 14 de fevereiro de 1949 (não lançado antes). Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson
6) "The Blues Rock", com Texas Johnny Brown (composição, guitarra, vocal), Amos Milburn (piano), sax tenor, baixo, bateria congas não identificados. Gravada em Nova Iorque em 6 de abril de 1949. Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson
7) "There Goes The Blues", com Texas Johnny Brown (composição, guitarra, vocal), Amos Milburn (piano), sax tenor, baixo, bateria congas não identificados. Gravada em Nova Iorque em 6 de abril de 1949. Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson
8) "Bongo Boogie", com Texas Johnny Brown (composição, guitarra, vocal), Amos Milburn (piano), sax tenor, baixo, bateria congas não identificados. Gravada em Nova Iorque em 6 de abril de 1949 (não lançado antes). Produção: Ahmet Ertegun e Herb Abramson
Lado B
1) "Two Bones And A Pick", com T-Bone Walker (composição e guitarra), Barney Kessel e R.S. Rankin (guitarras), Joe Comfort (baixo), Earl Palmer (bateria), Ray Johnson (piano), Plas Johnson (sax tenor). Gravada em Los Angeles em 27 de dezembro de 1957. Produção: Nesuhi Ertegun
2) "Mean Old World", com T-Bone Walker (composição, guitarra, vocal), Billy Hadnott (baixo), Oscar Bradley (bateria), Lloyd Glenn (piano), Gravada em Los Angeles em 14 de dezembro de 1954. Produção: Nesuhi Ertegun
3) "Let Me Know", com Chuck Norris (composição e guitarra), demais músicos não identificados. Gravada em Nova Iorque em 26 de fevereiro de 1953. Produção: Ahmet Ertegun
4) "It Hurts To Love Me", com Guitar Slim (guitarra e vocal), demais músicos não identificados. Gravada em Nova Iorque em 25 de fevereiro de 1957. Composição: Eddie Jones. Produção: Herb Abramson
5) "Down Through The Years", com Guitar Slim (guitarra e vocal), demais músicos não identificados. Gravada em Nova Iorque em março de 1956. Composição: Renald Richards. Produção: Herb Abramson
6) "Okie Dokie Stomp", com Cornell Dupree (guitarra), Richard Tee (teclados), Chuck Rainey (baixo), Bernard Purdie (bateria), Ralph McDonald (percussão), Ernie Royal e Joe Newman (trompetes), Garnett Brown (trombone), David Newman e Joe Farrell (sax tenor), Seldon Powell (sax barítono). Gravada em Nova Iorque em 20 de novembro de 1973. Arranjos de sopros: Richard Tee. Composição: Plummer Davis. Produção: Mark Myerson e Michael Cuscuna
7) "Blues Nocturne", com Cornell Dupree (guitarra), Richard Tee (teclados), Chuck Rainey (baixo), Bernard Purdie (bateria), Ralph McDonald (percussão), Ernie Royal e Jon Faddis (trompetes), Garnett Brown (trombone), Trevor Koehler (sax barítono), Seldon Powell (sax tenor). Gravada em Nova Iorque em 20 de novembro de 1973. Arranjos de sopros: Chuck Rainey. Composição: Curtis Ousley. Produção: Mark Myerson e Michael Cuscuna
Disco 2
Lado C
1) "TV Mama", com Big Joe Turner (vocal), Sonny Cohn (trompete), Grady Jackson (sax ternor), Mack Easton (sax barítono), Johnny Jones (piano), Elmore James (guitarra), Jimmy Richardson (baixo), Red Saunders (bateria). Gravada em Chicago em 7 de outubro de 1953. Composição: Lou Willie Turner. Produção: Ahmet Ertegun e Jerry Wexler
2) "Reconsider Baby", com Al King (vocal), Johnny Heartsman (guitarra), demais músicos não identificados. Gravada em Los Angeles em 30 de março de 1964. Composição: Lowell Fulson. Produção: Johnny Heartsman e Ron Badger
3) "Midnight Midnight", com Mickey Baker (composição e guitarra líder), Everett Barksdale (guitarra rítmica), Herman Foster (piano), Abie Baker (baixo), Sticks Evans (bateria). Gravada em Nova Iorque em 4 de junho de 1959. Produção: Nesuhi Ertegun
4) "I Smell Trouble", com Tina Turner (vocal), Ike Turner (guitarra), demais músicos não identificados. Gravada em Acra (Gana), em 6 de março de 1971. Composição: Don Robey. Produção: Tom Dowd
5) "Why I Sing The Blues", com B.B. King (composição, guitarra e vocal), Ed Rowe (trompete), Joseph Burton (trombone), Earl Turbinton (sax alto), Bobby Forte (sax tenor), Louis Hubert (sax barítono), Ron Levy (piano), Milton Hopkins (guitarra), Wilbert Freeman (baixo), Sonny Freeman (bateria). Gravada em Porto Rico em abril de 1972. Produção: Tunc Erim
Lado D
1) "Crosscut Saw", com Albert King (guitarra e vocal), Booker T. Jones (teclados), Duck Dunn (baixo), Al Jackson (bateria). Gravado em Memphis em 2 de novembro de 1966. Composição: R.G. Fond. Produção: Stax Staff.
2) "Born Under A Bad Sign", com Albert King (guitarra e vocal), Booker T. Jones (teclados), Duck Dunn (baixo), Al Jackson (bateria), The Memphis Horns (sopros). Gravada em Memphis em 1967. Composição: Jones & Bell. Produção: Stax Staff
3) "Shake For Me", com John Hammond Jr (guitarra), Duane Allman e Eddie Hinton (guitarras), Barry Beckett (teclados), David Hood (baixo), Roger Hawkins (bateria). Gravada em Muscle Shoals, Alabama, em 21 de novembro de 1969. Composição: Willie Dixon. Produção: John Hammond Jr e Marlin Greene
4) "Flood Down In Texas", com Stevie Ray Vaughan (guitarra e vocal), Tommy Shannon (baixo), Chris Layton (bateria). Gravada em Montreaux (Suíça), em 17 de julho de 1982. Composição: Joseph W. Scott e Larry C. Davis. Produção: Philippe Rault
O disco na íntegra não está disponibilizado em plataformas como Spotify, Amazon Music e Deezer, apenas em playlists, e ainda incompletas (se alguém achar em alguma outra plataforma, cartas à redação). No YouTube Music tem o disco na íntegra, também na forma de playlist.
No YouTube, encontrei uma reprodução completa, mas está identificada errado, como "Atlantic Blues: Chicago (Guitar CD 2)" - uma salada mista (rs). Veja abaixo:
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
O contexto da compra
Em meados dos anos 1980, eu resolvi estudar violão, porque adorava (e adoro) música e queria aprender a tirar um som decente do Di Giorgio Bel Som 36 que comprei do Tony, colega do banco em que trabalhávamos.
Passei a frequentar a Catedral dos Músicos e das Artes e ter aulas com Fernando Deghi, mas de violão clássico, o que significava começar do zero, treinar os dedos para os arpejos, ler partituras e um dia, quem sabe, poder tirar sem passar vergonha um "Blackbird" no pinho...
Bem, acabei desistindo, mas a paixão por música e pelo violão não diminuiu, e não perdia a oportunidade de assistir a algum concerto e shows de músicos populares e de comprar discos de violonistas de todas as matizes. Assim acabei conhecendo André Geraissati, paulistano nascido em 7 de setembro de 1951 e morto em 19 de novembro de 2025.
O álbum duplo "Solo" eu comprei em 8 de agosto de 1987, depois de assistir a algum show do músico, não me recordo onde, mas certamente em algum teatro do Grande ABC, onde morei até o ano 2000. Ou vi o show depois da compra do disco, já não consigo me lembrar.
O que me surpreendeu na obra é a sonoridade singular, fruto, além da qualidade dos ótimos violões Martin, das afinações nada ortodoxas que André elaborava, na busca de tirar o instrumento do lugar comum.
Apesar do encarte mostrando as afinações e tons de cada música, evidentemente jamais consegui reproduzir de longe aquele som. Nem que fosse com a trivial afinação EADGBE (Mi, Lá, Ré, Sol, Si Mi).
Sobre o músico
André começou a carreira no Grupo D'Alma, trio de violonistas do qual fez parte de 1979 a 1985, junto de Ulisses Rocha, Ruy Saleme, Mozart Mello e Cândido Penteado (em diferentes formações).
Paralelamente às atividades com o trio, André, entre 1982 e 1985, apresentou-se com o multiinstrumentista fluminense Egberto Gismonti, com quem dividiu os palcos nas turnês "Fantasia" e "Cidade Coração".
A partir de 1985, seguiu carreira solo, tendo, contudo, lançado seu primeiro LP individual, "Entre Duas Palavras", em 1982. O segundo, "Insight", de 1985, foi o primeiro disco gravado no Brasil em sistema Super Áudio. Em 1987 sai este álbum duplo "Solo". Em 1988, lança "DADGAD" e em 1989, "7989", títulos que se referem a afinações e cifras harmônicas.
Esses álbuns foram lançados no Brasil e no mundo pela Warner Records, e reeditados em CD em 2000 pelo próprio André por intermédio da Tom Brasil Produções Musicais.
Em 1988, participa da “Hot Night" do Festival de Jazz de Montreux e em 1990 grava o CD “Brazilian Image” ao lado do flautista Paul Horn, álbum que concorreu ao Grammy na categoria Jazz.
De 1993 a 1998, André dedicou-se a uma série de concertos e gravações reunindo todos os artistas envolvidos com música instrumental brasileira, cercando-os da melhor tecnologia possível: o projeto Brasil Musical.
Em 2000, lança o CD “Next”, com violão, dois teclados e uma moringa de barro, usada como percussão; em 2002, sai “Canto das Águas”, o primeiro Super Áudio CD da América Latina, pelo selo Cavi Records.
Em 2007 lançou o DVD "Zimbo Trio/Egberto Gismonti/Hermeto Paschoal" e, em 2008, o DVD "André Geraissati/Violão Solo". No dois anos seguintes, fez a Euro-Arab Tour, percorrendo com seu violão dezoito países da Europa, Oriente Médio e Egito.
Em 2017 fez, em São Paulo, três shows "Revival" do Grupo D'Alma, tocando todas as músicas de três discos com os violonistas Ulisses Rocha e Nelson Faria.
Foi diretor musical do festival de música instrumental Jazz Meeting desde a primeira edição, que teve a décima edição em abril de 2022.
Detalhes técnicos
"Solo", o primeiro álbum duplo de música instrumental brasileira, foi gravado em fevereiro de 1987 no estúdio Midi, em São Paulo, fabricado e distribuído pela BMG Ariola Discos. Lançado pela WEA, o disco foi produzido por André Geraissati, com direção artística de Liminha (Arnolpho Lima Filho).
Gravado pelo sistema PCM Digital, teve como técnico Afonso Villano Netto e corte de José Oswaldo Martins. A capa traz foto de um acrílico sobre tela de Alexandre Dacosta, com fotos de Paulo Vasconcellos e coordenação gráfica de Silvia Panella.
A capa interna traz texto de Zuza Homem de Mello, que, em determinado trecho, diz: "Depois de meses de estudo [...] ele conseguiu encontrar uma série de afinações originais, cada qual adequada a um tema seu, com as quais amplia notavelmente as possibilidades de timbres e extensões de seu violão".
André Geraissati é autor de todas as faixas, nas quais se acompanha ao violão folk Martin, com cordas de bronze do mesmo fabricante. As faixas marcadas com * têm títulos de Ana Cláudia Vasconcellos Queiroz, então sua esposa.
"Solo: A História do Primeiro Álbum Duplo de Violão no Brasil", um e-book do fotógrafo Marco André Briones, publicado em 14 de agosto de 2023, traz detalhes da criação do álbum, com depoimentos do próprio André. O trabalho também tem um ensaio fotográfico, com imagens de André e de seu violão.
Inconformado que Hermeto Pascoal tenha morrido! Estava programado o alarme para comprar o ingresso para a próxima apresentação dele no Sesc... Do disco em homenagem à sua companheira, Ilza, show este que perdi as outras datas por razões diversas. Hermeto morreu neste sábado, 13/09/25, aos 89 anos, no Rio de Janeiro.
Eu o vi no palco há muitos anos, num circo no Anhembi, ou sei lá onde... faz tempo. O que não esqueci é que o show acabou e ele convidou a plateia a sair da tenda e continuar o show na calçada, na rua. Inspirado em sua incrível habilidade em extrair sons de qualquer objeto, comecei a batucar o sabugo da espiga de milho cozido recém debuvorada.
Nunca me esqueço de sua apresentação no Festival Abertura, da TV Globo, em 1975, tocando "O Porco na Festa", laureada como melhor arranjo no certame.
Em 1983, comprei meu primeiro LP dele, "Hermeto Pascoal & Grupo", pela Editora e Produtora Fonográfica Som da Gente, no qual o time é para deixar qualquer Ancelotti babando: Heraldo do Monte, Carlos Malta, Jovino Santos, Itiberê Zwarg, Márcio Bahia, Pernambuco...
"O músico é um cara mágico, com energia diferente, que se comunica com as pessoas através da música. Quando ele consegue passar essa energia, e da mesma forma receber, ele consegue o maior êxito." Está escrito lá na contracapa do disco. Não sei se foi Hermeto quem escreveu, mas é algo que entendo que ele sentia.
Mais recentemente, comprei o CD "Zabumbê-bum-á", disco de 1979 relançado pela Livraria Cultura, em 2011, sob licença da Warner. No disco, Hermeto é acompanhado por Nenê, Itiberê, Zabelê, Cacau, Jovino, Pernambuco, seu pai, Pascoal José da Costa, e sua mãe, Divina Eulália de Oliveira, além de Antonio Celso, Alexandre, Marcelo, Paulo, Cecília e Ruy.
1979 foi também o ano em que Hermeto recebeu o título de "um dos maiores músicos do mundo ", durante sua apresentação no Festival de Jazz de Montreux, Suíça. Apresentação esta em que toca com Elis Regina três músicas ("Asa branca", "Corcovado" e "Garota de Ipanema") em que o público vem abaixo...
Hermeto era múltiplo. Não porque tocava múltiplos intrumentos e não-instrumentos. Ou porque transitava em quaisquer vertentes musicais. Era múltiplo porque não tinha fronteiras, nem amarras, nem arreios. Era livre, e por ser livre não cabia em nenhuma classificação, em nenhum escaninho. Em nenhum padrão. Era Hermeto!
Não vai dar para vê-lo no Sesc nem agora, nem nunca mais.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Johnny Mathis (1935-) é um cantor nascido no Texas (EUA), e desde cedo manifestou talento para o canto, o que levou seu pai a colocá-lo, aos 13 anos, em aulas para aperfeiçoar a técnica.
Mathis também se destacava nos esportes do colégio e ganhou uma bolsa de estudos para atletismo no San Francisco State College (agora San Francisco State University).
Enquanto estava na faculdade, ele começou a cantar em clubes de jazz locais, quando atraiu a atenção de um representante da Columbia Records.
Abandonou o esporte profissional e decidiu seguir uma carreira musical na gravadora - onde é o artista contratado mais longevo.
A primeira gravação de Mathis, "Johnny Mathis: A New Sound in Popular Song" (1956), foi no estilo jazz, com arranjos de Gil Evans e outros.
Não conseguiu impressionar o público, no entanto, e o executivo e produtor da Columbia, Mitch Miller, posteriormente conduziu Mathis para as baladas românticas, o que surtiu efeito e lhe trouxe o sucesso.
Em 1964, Mathis fundou sua própria empresa de gerenciamento e produção, a Rojon Productions. Expandiu seu repertório com canções de Beatles, Burt Bacharach e Antônio Carlos Jobim.
Com o álbum "I’m Coming Home" (1973), Mathis também começou a se envolver com a música soul.
Apesar de não ter mais o destaque de antes, continua gravando e se apresentando regularmente. Em 2016, Mathis celebrou seu 60º aniversário de carreira com uma turnê comemorativa.
Em 1961, seu sucesso foi a música "My love for you" (Abner Silver e Sid Wayne), que alcançou lugares de destaque nas paradas também no Brasil.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Em 1961, o compositor, arranjador e instrumentista Laurindo Almeida (1917-1995), nascido em Miracatu, no Vale do Ribeira (SP), levou três Grammy - o prêmio máximo da música nos EUA, dois deles de melhor performance instrumental de solista sem orquestra, pelos álbuns "The Spanish Guitars of Laurindo Almeida" e "Reverie For Spanish Guitars", e a outra de melhor composição clássica contemporânea, por "Discantus", do álbum "Reverie...".
Já havia abocanhado outros dois prêmios Grammy no ano anterior e, em 1964, levado mais um de melhor álbum de grupo de jazz, além de uma indicação em 1960.
É, sem dúvida, o brasileiro com mais vitórias no prêmio mais cobiçado da música mundial. Mas no Brasil era há pouco tempo quase desconhecido, exceto pelos seus contemporâneos e músicos profissionais.
Começou a aprender violão aos 9 anos, com a irmã Maria, após a mãe, pianista amadora, lhe dar as primeiras noções musicais. Acompanhava o pai, seresteiro, em Santos e, após sua morte, vai para São Paulo, onde conhece, em um hospital, o violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha - 1915-1955), com quem formaria um duo mais tarde.
Trabalhou em emissoras de rádio e no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. Com a proibição dos cassinos no Brasil, muda-se, em 1947 para os EUA, onde compõe centenas de trilhas para a TV e para filmes de Hollywood.
Durante a permanência no Brasil, tem suas composições gravadas por grandes intérpretes populares, como Carmen Miranda (1909-1955) e Orlando Silva (1915-1978).
Nos EUA, volta-se a um repertório mais instrumental, em que promove uma fusão das linguagens do jazz, da música erudita e da música popular brasileira, criando o que chamou de "jazz de samba", sendo ainda considerado um precursor da bossa-nova, apesar de não ter pertencido ao grupo que desenvolveu o estilo nos anos 1950. (Fontes: Revista Rolling Stone Brasil, Dicionário Cravo Albin da MPB e Enciclopédia Itaú Cultural)
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Em 1961, o genial Frank Zappa, nascido Frank Vincent Zappa (1940—1993) em Baltimore (Maryland, EUA), fez suas primeiras gravações, após experimentações em bandas juvenis, como The Blackouts, e apresentações em casas noturnas.
Nesse ano, foi o responsável pela trilha sonora do longa "The World's Greatest Sinner", dirigido por Timothy Carey(1929-1994) e lançado em 1962. O filme jamais foi exibido em cinemas, mas foi apresentado em canais a cabo na época e chamou a atenção para o jovem compositor.
Assim, Zappa foi convidado para o programa de TV Steve Allen Show, em 4 de março de 1963, quando ele demonstrou sua maneira ímpar de compor, ao extrair sons de uma bicicleta (abaixo).
As músicas dessa trilha acabaram sendo aproveitadas em gravações posteriores dele.
Em 1964, encampa um estúdio de gravação de um amigo, rebatizando-o Studio Z, onde trabalha sem parar em novas possibilidades técnicas.
Sob acusação caluniosa de que fazia filmes pornográficos no estúdio, foi preso em 1965 e perdeu boa parte do material lá produzido.
Nesse ano, entrou na banda Soul Giants como guitarrista, logo assumindo a liderança e vocal principal da banda, renomeada em seguida para The Mothers.
Em 1966, Tom Wilson (1931-1978), produtor de Bob Dylan, Simon & Garfunkel e Velvet Underground, os ouviu e conseguiu um contrato com a Verve para eles.
A gravadora os convenceu a mudar o nome para The Mothers of Invention e gravou o primeiro álbum oficial de Zappa e cia: "Freak Out".
Em 1969, Zappa rompeu com os Mothers e lançou "Hot Rats". Sua obra a partir daí foi eclética, no mínimo, com composições fundindo o rock com o jazz, temas eruditos, fruto de sua admiração por compositores como Edgar Varèse (1883-1965), Ígor Stravinski (1882-1971) e Anton Weber (1883-1945).
Em 1970, montou um novo Mothers, com outros músicos, com o qual gravou alguns álbuns e excursionou.
Após dois acidentes em 1971, um dos quais citados pela banda britânica Deep Purple na música "Smoke on the Water", Zappa constituiu diversos pequenos grupos, com os quais fez shows e lançou mais álbuns, alguns êxitos comerciais, outros nem tanto.
Teve pendengas judiciais com gravadoras, editoras e empresários, lançou-se artista independente em 1979, com seu selo Zappa Records.
Lançou vários discos totalmente instrumentais, filmes, cogitou candidatar-se à presidência dos EUA. Recebeu seu primeiro Grammy em 1987 pelo álbum "Jazz From Hell", de 1986.
No começo de 1990, Zappa foi convidado pelo presidente da então Tchecoslováquia, Václav Havel, a servir como consultor para o governo em assuntos comerciais, culturais e turísticos, o que se realizou de forma não oficial, devido a pressões do governo dos EUA.
Diagnosticado com câncer de próstata em 1990, em estágio irrecuperável, dedicou-se a trabalhos orquestrais e com o Synclavier, um sintetizador e sampler criado em 1978.
Zappa tocou com a orquestra de câmara Ensemble Modern e trechos dessa apresentação foram lançados no último álbum de Zappa em vida, "The Yellow Shark", de 1993, ano em que morreu, a 4 de dezembro.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Composta em 1959 quando da morte de seu pai, Vicente “Nonino” Piazzolla, "Adiós Nonino" só foi lançada dez anos depois com seu quinteto, pela gravadora Trova. Mas há um registro raro dessa composição, gravado pela RCA Victor em 28 de janeiro de 1961, e descoberto pelo crítico musical Diego Fischerman em seu projeto de resgatar as gravações de Astor Piazzolla (1921-1992) na RCA Victor e na CBS Columbia entre 1961 e 1982.
Tornou-se uma de suas obras mais conhecidas e, em suas próprias palavras, "a mais bela melodia que escrevi".
É uma ilustração requintada da transformação que Piazzolla promoveu no tradicional tango argentino, influenciado pelo jazz, que ouviu ainda menino quando morou em Nova York, e após estudar com a célebre professora francesa Nadia Boulanger (1887-1979) na França.
É o único caso em que o próprio Piazzolla adaptou uma obra de suas criações populares para a sala de concertos.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
"Hit the Road Jack" é uma composição de Percy Mayfield gravada por Ray Charles em 1961. Alcançou o 1º lugar nas paradas em outubro desse ano, lá permanecendo por duas semanas.
É uma mistura de soul, pop, rock, jazz e gospel com um suingue todo especial, resultado do cinismo do intérprete e a resposta irada da "Raellete" Margie Hendrix, namorada que chegou a ter um filho com o pianista.
O título da música é uma expressão idiomática em inglês que significa, em bom português, "se manda, cara" e, por isso, correu um boato de que fora executada pela banda do Exército dos EUA durante a posse de Joe Biden, em 2021, referindo-se, claro, à ida para casa de Trump... mas é fake news, não tocaram, não (que pena, mas fica a dica aí para 2028... ou antes...).
Charles levou o Grammy de melhor disco de rhytm and blues masculino em 1961 por ela.
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Depois de uma curta passagem pelo sexteto de Miles Davis, quando participou da gravação do seminal "Kind of Blue" (Columbia, 1959), William John "Bill" Evans juntou-se ao baixista Scott LaFaro e ao baterista Paul Motian, que não deixaram para ninguém.
O LP "Sunday at the Village Vanguard", pelo selo Riverside, traz alguns números gravados durante apresentação do trio na casa em 25 de junho de 1961. Material não aproveitado nesse disco seria lançado ano seguinte no LP "Waltz for Debby".
O baixista LaFaro morreria atropelado, aos 25 anos, 11 dias depois da gravação desse álbum. Evans teve problemas sérios com o vício da heroína e morreria precocemente aos 51 anos, em 1980.
A faixa do "Sunday..." que escolhi, "Gloria's Step", composição de LaFaro, mostra o entrosamento simbiótico do trio. A linha do baixo de LaFaro em contraponto ao teclar inovador de Evans, temperados pela vassourinha delicada sobre as peles e pratos de Motian, não têm outra definição: gênios!
Não encontrei vídeos da performance, mas esse sem imagens promete entregar todos os números tocados naquele domingo histórico. É dar o play e se extasiar.
Pianista gaúcho tem obra autoral e toca com feras da MPB (Divulgação)
Dizem aí que jazz e
instrumental são música de velho, ou de quem tem preguiça de interpretar
canções. Mas, engana-se quem diz isso, pois apenas instrumentalizar uma música
é muito mais do que interpretar vocalmente, é pôr sua alma nela.
É basicamente isso o que o
músico de Cachoeira do Sul (RS) Alexandre Vianna faz ao sentar junto ao seu
teclado e interpretar melodias excepcionais do jazz e da música popular
brasileira.
O gaúcho se formou em
composição em 2008, na UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul – mas
em 2003 estudou piano erudito na UERGS - Faculdade Estadual do Rio Grande do
Sul. Após graduar-se no Sul, Alexandre se mudou para a capital paulista, onde
não parou de estudar, e concluiu o técnico em piano pela Faculdade Souza Lima.
Mas, quem acha que ele só
viveu para estudar não está enganado, porém seus méritos foram recompensados,
pois já trabalhou junto ou para grandes nomes da MPB, além de seu trio musical,
formado por ele ao piano, Rafael Lourenço na bateria e João Benjamin ao contrabaixo.
No trio, eles somam suas influências e fazem um som novo, autêntico e autoral,
estando sempre em plena evolução, distinguindo entre música e vida, mostrando a
forma mais crua para expressar seu ser.
Com Lourenço e Benjamin: soma de influências (Divulgação)
Agora, dentre seus
trabalhos realizados, Vianna gravou em 2010 o CD “Gisele de Santi”, da cantora
Gisele de Santi, e, neste mesmo ano, fez arranjos e gravou o CD “Senhor do
Tempo - Canções Raras de Caetano Veloso”, da cantora Cláudia. Em 2011, também
fez os arranjos e gravou o disco "Outros Românticos" da cantora
Célia, na qual a música "Nosso Amor" foi tema da novela “Guerra dos
Sexos”, da Rede Globo.
Neste mesmo ano, gravou o
disco “Eu Voltei”, da veterana Ângela Maria. Em 2012, participou da gravação do
CD “A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes” nas vozes de Verônica
Ferriani, Célia, Daniela Procópio, Zizi Possi e Ângela Rô Rô. Ainda em 2012,
participou do “Festival Ars Brasilis”, promovido pelo Sesi-SP; cujo arranjo
para big band ficou entre os dez finalistas.
Entre março de 2012 e
abril de 2014 foi pianista (tecladista) e maestro, responsável pela banda do
musical “Tim Maia Vale Tudo”. No ano de 2014, fez arranjos e gravou o disco “Só
a pessoa sabe o que tem por dentro - Célia e Cassio Scapin Interpretam Cassio
Junqueira”.
Em 2015, fez arranjos e
gravou o disco "Eternas Canções", do cantor Marcio Gomes, o disco
"Aquilo que a gente diz", da cantora Celia e, recentemente lançado
pela Biscoito Fino, o disco "A Bossa de Cauby", de Cauby Peixoto.
Atualmente, ele atua como
pianista e tecladista nas bandas de Angela Maria, Célia, Márcio Gomes, Maria
Alcina, Carol Naine, Telefunkin, entre outros. Também desenvolve seu trabalho
autoral com o Alexandre Vianna Trio e Årvoll.
Um artista único, que vai
do erudito ao popular em apenas uma tecla, faz música com o coração e energia
pura e aberta, visando sempre seus anseios musicais, Alexandre Vianna usa a
técnica como complemento da sua obra, mas a verdadeira essência de sua música
está na sua alma.
Confira abaixo um pouco do
trabalho de Vianna. Mais sobre o músico em seu site:
Quartabê: Ana Karina Sebastião, Mariá Portugal, Maria Beraldo Bastos, Joana Queiroz e Chicão (esq. p/ dir)
O jovem quinteto Quartabê faz nesta quinta-feira, 17
de setembro, show de lançamento do CD Lição #1: Moacir. Será no Centro Cultural São Paulo - rua Vergueiro, 1.000, às 20h30, com entrada
franca. O disco traz releituras da obra do mestre Moacir Santos, importante
instrumentista, compositor e arranjador brasileiro, morto nos EUA (para onde se
mudou em 1967) em 2006.
O Quartabê (nome que faz
alusão à quarta série do ensino fundamental, época em que se aprende brincando,
ou vice-versa) é: Ana Karina Sebastião (baixo), Joana Queiroz, (sax, clarinete e
clarone), Maria Beraldo Bastos (clarinete e clarone), Mariá Portugal (bateria) e Rafael Montorfano, o Chicão (piano e teclados). O grupo foi montado por convite da flautista Andrea Ernst Dias para
a segunda edição do Festival Moacir Santos, ano passado, no Rio.
Andrea – a Deda – é a idealizadora
do festival, e vem pesquisando e divulgando há anos a obra de Moacir, sobre
quem escreveu, a partir de sua tese de doutorado em Interpretação Musical na
Universidade Federal da Bahia, a biografia do músico - “Moacir Santos — Ou os
caminhos de um músico brasileiro” (Folha Seca). Ela também integra o Trio 3-63,
com o percussionista Marcos Suzano e o pianista Paulo Braga.
Em busca de um grupo com uma
pegada mais moderna para se apresentar no festival, Deda assistiu a uma
apresentação do espetáculo “Claras e Crocodilos”, de Arrigo Barnabé e banda, no Áudio Rebel, no
Rio. Na apresentação, Arrigo dava nova roupagem ao clássico “Clara Crocodilo”,
álbum de 1980 e era acompanhado pelas quatro meninas do Quartabê, mais Mario
Manga na guitarra e Paulo Braga no piano. O projeto nasceu de um convite para
um festival no Chile, 2013.
Encontrando o que buscava no
vigor, energia e alegria que as meninas emanavam tocando com Arrigo, Deda “encomendou”
a elas uma banda para tocar Moacir no festival. “Ela queria um grupo mais
irreverente, mais pop, feminino, jovem”, explica Joana. Elas então chamaram
Chicão e o Quartabê estava formado.
A apresentação no festival, que
elas esperavam que ia ficar por ali, rendeu a ideia de seguir adiante com o
projeto. Inscreveram-no no Programa de Ação Cultural (ProAC), por meio do qual
a Secretaria de Cultura do governo do Estado de São Paulo procura promover e
incentivar a produção artística. Os recursos foram para a produção do CD e a
realização de workshops para músicos e não músicos sobre o trabalho de Moacir.
Não foi, contudo, a primeira
vez que as meninas do Quartabê tiveram contato com Arrigo. Três delas (menos
Joana) integram com o músico paranaense, mais a guitarrista Anna Tréa,
o grupo Neurótico e as Histéricas,
formado em 2013 para o espetáculo “Pô, Amar é Importante”, com composições de
Hermelino Neder, um dos
expoentes da chamada Vanguarda Paulistana surgida no início dos anos 1980.
Agora, o trabalho integra o
resgate da obra de Moacir Santos, iniciada com o lançamento do projeto “Ouro Negro”, em 2001, idealizado pelo maestro
Mario Adnet e o saxofonista Zé
Nogueira. O projeto, do qual Moacir fez parte, rendeu um CD duplo, em 2001, e
um DVD, de 2005. O Trio 3-63, de Deda, Marcos Suzano e Paulo Braga, gravou dois
CDs com a obra do mestre e, desde então, diversos eventos buscam mostrar às
novas (e velhas gerações) o trabalho e a importância de Moacir.
Moacir Santos
Considerado, nas palavras
das meninas do Quartabê, “um dos compositores que ajudou a formar o que a gente
chama de música instrumental brasileira”, o pernambucano Moacir Santos causou
espanto já em seu primeiro trabalho autoral, o LP “Coisas”, lançado em 1965.
Citado no “Samba da Bênção”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell (“A benção,
maestro Moacir Santos, que não és um só, és tantos, tantos como meu Brasil de
todos os santos”), o mestre partiu para os Estados Unidos em 1967, onde gravou
quatro álbuns e estabeleceu uma carreira sólida, convivendo e tocando com os
grandes nomes do jazz americano.
Abaixo, “Coisa Nº 1”, de Moacir Santos (1965):
Antes, ainda no Brasil, após
uma infância e adolescência pontuada de grandes privações e descobertas,
aprimorou o inato talento musical, despertado ao ter contato com bandas no
interior de Pernambuco e circos pelo Nordeste afora, onde aprendeu a tocar
vários instrumentos. Estudou com o maestro Guerra-Peixe e, mais tarde, com o
maestro alemão Hans-Joachim Koellreuter.
No começo dos anos 1960,
dedicou-se a dar aulas. Entre seus discípulos, Nara Leão, João Donato, Paulo
Moura, Baden Powell, Roberto Menescal, Oscar Castro Neves, Dom Um Romão, Flora
Purim, Airto Moreira, Maurício Einhorn, Raul de Souza e Sergio Mendes – a fina
flor da bossa-nova. Compôs trilhas para filmes de Cacá Diegues, Ruy Guerra, Sacha
Gordine, Flávio Tambellini e Alberto D’Aversa.
Sobre a importância dele
para a música brasileira, diz Joana: “Ele tem uma concepção que é muito
sofisticada harmonicamente e, ao mesmo tempo, muito brasileira. Ele teve muita
influência de compositores que estavam trazendo uma concepção harmônica muito
arrojada, tanto do pessoal mais erudito como do jazz, e fez uma grande mistura,
mas sendo muito brasileiro, trazendo coisas afro-brasileiras, muita percussão,
e tem uma escrita que é muito especial, cheia de contrapontos, e ao mesmo tempo
as melodias são muito fortes, elas parecem simples, muito comunicativas, mas
são sempre diferentes, especiais, sofisticadas, sem parecerem difíceis”.
Agenda
Além da apresentação desta
quinta no Centro Cultural Vergueiro, o Quartabê se apresenta dia 29 de
setembro, à meia-noite, no Mundo Pensante,
após um workshop sobre contrabaixo com o camaronês Richard Bona, idealizado pela revista Cover Baixo, com entrada franca (para o show).
Em 30 de setembro, eles
tocam no Sesc Santos, às 20h, também com entrada franca e, em 18 de outubro, se
apresentam no festival Ilhabela In Jazz, às 21h, igualmente com entrada gratuita. Ainda
está em produção em videoclipe, que estará no ar em breve.
Ouça a íntegra de "Lição #1: Moacir" no Spotify:
Para saber mais a respeito
de Moacir, além do livro de Deda, sugiro a leitura desses dois artigos de
Marcelo Pinheiro que saíram na revista “Brasileiros”: aqui e aqui.
O áudio da entrevista com as meninas do Quartabê (Chicão chegou depois) está abaixo: