O Barquinho Cultural

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

'Bruma' e o derradeiro Cazuza


E
m 1990, eu trabalhava no Diário Popular - o velho Dipo -, como revisor. Lá conheci o Belo, um ex-seminarista, baiano, muito inteligente e desencanado. Homossexual assumido, tivemos uma interação intelectual muito interessante. Ele mais vivido que eu, então nem chegado aos 30, e ele já pelos 50.


Uma noite, depois do expediente, fomos lanchar no famoso bar Estadão, em frente ao jornal. Aí esticamos para o bar A Gruta, ali do lado. Após muitas brejas, eu sem condições de ir para casa em cima da moto que então pilotava, deixei-a no jornal e fomos ao apartamento dele, no vale do Anhangabaú, um muquifo decrépito que em nada combinava com a imensidão do seu cérebro.


Lá, Belo acendeu um beque e compartilhei com um pouco de medo, pois minhas experiências com a erva nunca foram memoráveis (só no mau sentido). 


Aí ele colocou na vitrola esse derradeiro disco de Cazuza... E... Sob efeito de tanta cevada e depois do fumacê, essa "Bruma" (Cazuza e Arnaldo Brandão) me soou como a canção do abismo, do fim do mundo, e do paraíso, paradoxalmente... 


Claro que Belo quis mais do que ouvir música, mas não estava no clima, nem era o que eu queria. Mas aquela noite me deixou menos ingênuo.


Cazuza morreria pouco depois. E Belo, soube anos depois, também pereceria vítima da Sida..



quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Minha vinilteca (1): Adoniran Barbosa & Convidados

 MINHA VINILTECA

Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.


Por que comprei este disco

Em 1981, eu participei de um grupo de teatro amador na paróquia de meu bairro, Vila Palmares, em Santo André. Nós montamos a peça "A Invasão", de Dias Gomes, escrita 20 anos antes. O texto trata de famílias expulsas de seus barracos em uma favela por causa de uma enchente que ocupam um hospital inacabado para ter um teto.

Ali, são submetidos à exploração de um malandro que cobra deles para manter a polícia longe; ao oportunismo de um deputado que os ludibria em busca de votos e popularidade; à fome, falta de emprego, humilhações de toda sorte. Para resumir, no texto original, os sem-teto se organizam e expulsam todos os exploradores do prédio, tomando posse definitiva.

O final de Dias Gomes, um autor de esquerda, trazia a mensagem de que era possível o poder popular por meio da organização, da luta, da solidariedade. Mas a peça foi escrita em  1962... Veio 1964 e achamos - nós do Grupo Tupi - que esse final não condizia com a realidade. E, no nosso desfecho, a polícia sentava o pau e todos eram expulsos do edifício.

Esse final precisava de uma música apropriada. E "Despejo na Favela", indicação de nosso orientador, Tim Urbinati, do Grupo Forja, veio a calhar.

Essa história já foi contada em termos mais resumidos aqui neste blog. Acesse clicando aqui.

O momento de compra

Encontrei este LP, "Adoniran Barbosa & Convidados", não me lembro em que loja, e o comprei em 20 de agosto de 1981. O disco foi produzido por Mariozinho Rocha, gravado nos estúdios da EMI-Odeon em maio de 1980, para comemorar os 70 anos de Adoniran, nascido João Rubinato em 6 de agosto de 1910.

A faixa "Despejo na Favela", de Adoniran, tem o acompanhamento de Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, 1945/1991) e versos que casavam esplendidamente com nossa montagem:

"Quando o oficial de justiça chegou

Lá na favela e, contra seu desejo

Entregou pra seu Narciso

Um aviso, uma ordem de despejo


Assinada, seu doutor

Assim dizia a petição

Dentro de dez dias quero a favela vazia

E os barracos todos no chão


É uma ordem superior

Oh, oh, oh, oh, meu senhor

É uma ordem superior

Oh, oh, oh, oh, meu senhor

É uma ordem superior


Não tem nada, não, seu doutor, não tem nada, não

Amanhã mesmo vou deixar meu barracão

Não tem nada, não, seu doutor

Vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator


Pra mim não tem problema

Em qualquer canto me arrumo

De qualquer jeito me ajeito

Depois o que eu tenho é tão pouco


Minha mudança é tão pequena

Que cabe no bolso de trás

Mas essa gente aí, hein, como é que faz?

Mas essa gente aí, hein, como é que faz?


Oh, oh, oh, oh, meu senhor

Essa gente aí como é que faz?

Oh, oh, oh, oh, meu senhor

Essa gente aí como é que faz?


Oh, oh, oh, oh, meu senhor

Essa gente aí.."


Os detalhes técnicos

O LP tem produção executiva de Fernando Faro (1927/2016), que assina um belo texto no encarte, com fotos de brinquedos construídos pelo compositor. O encarte traz ainda uma ilustração do gigante Elifas Andreato:


"E ali do lado, cigarro na boca, ele trabalha.

Como vem fazendo durante boa parte desses 70 anos de vida.

Buscando fundo na memória, ouvindo de vez em quando os amigos, e percorrendo ruas e bares, ele vai refazendo pedaço a pedaço, sem muita ordem, utilizando o metal, a madeira, os fios, e também a palavra e o samba, a humana e muito doce paisagem dessa cidade - uma cidade que muda a cada minuto, e se deforma e se reforma, e se transfigura. É São Paulo que ele constrói. Ou reconstrói."



A direção de produção é de Mariozinho Rocha, com arranjos e regência do Maestro José Briamonte. Foram técnicos de gravação Guilherme Reis e Dacy; mixagens Franklin e Nivaldo Duarte; corte Osmar Furtado; capa de Elifas Andreato; fotos de Alexandre Sarda; arte final de Alexandre Huzak; coordenação gráfica Tadeu Valério e revisão gráfica Hagnea Mazetto. O produtor fonográfico é EMI-Odeon Fonográfica, Industrial e Eletrônica S.A.


As participações especiais e músicos convidados

Os Amigos que o acompanham nessa belíssima homenagem são Clementina de Jesus, Clara Nunes, Carlinhos Vergueiro, Djavan, Elis Regina, Luiz Gonzaga Jr., MPB4, Conjunto Nosso Samba, Roberto Ribeiro, Talismã e Seu Conjunto e Vania Carvalho.

Os músicos são Dino Sete Cordas (violão 7 cordas), Cesar Faria (violão 6 cordas), Carlinhos Antunes (cavaquinho), Marçal Filho, Nilton Marçal, Elizeu Félix, Luna, Jorginho e Geraldo (ritmo), Netinho e José Nogueira (saxofone), Nelsinho (trombone), Maurílio (piston), Jorginho (flauta), As Gatas e Cristina Buarque (coro).

As faixas do LP


As faixas, todas com arranjo de José Briamonte. Composições de Adoniran Barbosa (exceto as indicadas)

Lado A

1) "Fica Mais Um Pouco Amor"

2) "Tiro ao Álvaro" (Adoniran e Oswaldo Molles), com Elis Regina

3) "Bom Dia, Tristeza" (Adoniran e Vinícius de Moraes), com Roberto Ribeiro

4) "O Casamento do Moacir" (Molles e Adoniran), com Talismã e Seu Conjunto

5) "Viaduto Santa Efigênia" (Adoniran e Alocin), com Carlinhos Vergueiro

6) "Aguenta a Mão, João" (Adoniran e Hervé Cordovil), com Djavan

7) "Acende o Candieiro", com Nosso Samba

Lado B

1) "Apaga o Fogo, Mané"

2) "Prova de Carinho" (Adoniran e Cordovil), com Vania Carvalho

3) "Vila Esperança" (Adoniran e Marcos Cesar), com MPB4

4) "Iracema", com Clara Nunes

5) "No Morro do Piolho" (Peteleco, Jacob de Brito e Carlos Silva)

6) "Despejo na Favela", com Gonzaguinha

7) "Torresmo à Milanesa" (Adoniran e Carlinhos Vergueiro), com Clementina de Jesus e Carlinhos Vergueiro

E você? Já conhece esse LP? Deixe nos comentários sua faixa favorita ou uma memória com Adoniran.

Ouça no Spotfy:

sábado, 13 de setembro de 2025

Os muitos Hermetos Pascoais

Foto: Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo


Inconformado que Hermeto Pascoal tenha morrido! Estava programado o alarme para comprar o ingresso para a próxima apresentação dele no Sesc... Do disco em homenagem à sua companheira, Ilza, show este que perdi as outras datas por razões diversas. Hermeto morreu neste sábado, 13/09/25, aos 89 anos, no Rio de Janeiro.

Eu o vi no palco há muitos anos, num circo no Anhembi, ou sei lá onde... faz tempo. O que não esqueci é que o show acabou e ele convidou a plateia a sair da tenda e continuar o show na calçada, na rua. Inspirado em sua incrível habilidade em extrair sons de qualquer objeto, comecei a batucar o sabugo da espiga de milho cozido recém debuvorada.

Nunca me esqueço de sua apresentação no Festival Abertura, da TV Globo, em 1975, tocando "O Porco na Festa", laureada como melhor arranjo no certame.

Em 1983, comprei meu primeiro LP dele, "Hermeto Pascoal & Grupo", pela Editora e Produtora Fonográfica Som da Gente, no qual o time é para deixar qualquer Ancelotti babando: Heraldo do Monte, Carlos Malta, Jovino Santos, Itiberê Zwarg, Márcio Bahia, Pernambuco...

"O músico é um cara mágico, com energia diferente, que se comunica com as pessoas através da música. Quando ele consegue passar essa energia, e da mesma forma receber, ele consegue o maior êxito." Está escrito lá na contracapa do disco. Não sei se foi Hermeto quem escreveu, mas é algo que entendo que ele sentia.

Mais recentemente, comprei o CD "Zabumbê-bum-á", disco de 1979 relançado pela Livraria Cultura, em 2011, sob licença da Warner. No disco, Hermeto é acompanhado por Nenê, Itiberê, Zabelê, Cacau, Jovino, Pernambuco, seu pai, Pascoal José da Costa, e sua mãe, Divina Eulália de Oliveira, além de Antonio Celso, Alexandre, Marcelo, Paulo, Cecília e Ruy.

1979 foi também o ano em que Hermeto recebeu o título de "um dos maiores músicos do mundo ", durante sua apresentação no Festival de Jazz de Montreux, Suíça. Apresentação esta em que toca com Elis Regina três músicas ("Asa branca", "Corcovado" e "Garota de Ipanema") em que o público vem abaixo...

Hermeto era múltiplo. Não porque tocava múltiplos intrumentos e não-instrumentos. Ou porque transitava em quaisquer vertentes musicais. Era múltiplo porque não tinha fronteiras, nem amarras, nem arreios. Era livre, e por ser livre não cabia em nenhuma classificação, em nenhum escaninho. Em nenhum padrão. Era Hermeto!

Não vai dar para vê-lo no Sesc nem agora, nem nunca mais.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

O Filho de José e Maria

Imagens: Carlos Mercuri (01/02/25)

O goiano Odair José, 76 anos completados em 16 de agosto, apresentou na Comedoria (antes, Choperia) do Sesc Pompeia, em São Paulo, dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2025, a ópera-rock "O Filho de José e Maria", com a íntegra de seu polêmico álbum homônimo de 1977 (RCA Victor), além de canções de outros álbuns dele.

Incompreendido em seu lançamento, o LP foi redescoberto e hoje é cultuado, tanto que teve relançamento em vinil 180 gramas e é dissecado no livro "O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de José e Maria", de Leonardo Vinhas (Editora Barbante, 2024) - ambos à venda no local.

Odair também vem sendo celebrado pelas novas gerações - estou falando desde do fim dos anos 1990 e início dos 2000 até hoje, o que pode ser percebido pela plateia diversa que o estava assistindo na Choperia (!): jovens, hipsteres, terceira idade, LGBTQIAPN+... todes...

Citado no livro de Paulo César de Araújo "Eu Não Sou Cachorro Não" (Ed. Record, 2002) como um dos compositores populares alvos da censura tais como - ou até mais - que os Chicos, Vandrés e Taiguaras da vida, Odair passa a ser reconhecido e valorizado, em um revés às vaias recebidas ao subir ao palco convidado de Caetano Veloso no show Phono 73.

A, digamos, consagração vem em 2005, com o CD "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar: Tributo a Odair José", com algumas de suas obras sendo relidas e interpretadas por gente como Paulo Miklos, Pato Fu, Mombojó, Suzana Flag, Zeca Baleiro e outros.


O maranhense Baleiro, aliás, em 2012, produz o CD "Praça Tiradentes", uma referência ao lugar no Rio de Janeiro em que veio morar aos 17, 18 anos em busca de um lugar ao sol fonográfico. O disco tem participação de Miklos na faixa "Sob Controle" e Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes lhe entregam "Vou Sair do Interior". Baleiro ainda assina com ele "E Depois Volte Pra Mim" e sozinho "Como Um Filme" e Chico César compõe "Você Tem Me Ensinado". Ou seja: ele agora é da "tchurma".


Para Odair, conforme ele relatou em fartas entrevistas, é um período como de renascimento. "O que fiz depois de 1977 é uma merda", disse em uma delas. Ao jornalista André Barcinski, em "Pavões Misteriosos: A Explosão da Música Pop no Brasil - 1974-1983" (Edição do Autor, 2022), Odair afirma que viu muita incompetência nas gravadoras nas décadas de 1980-1990; mas também faz seu mea-culpa: "... em 1979, eu comecei a ficar muito boêmio, eu bebia muito, eu fumava muita maconha, ficava muito no Baixo Leblon, eu deixei de me interessar pelas coisas como elas deviam ser".


Depois vieram "Dia 16" (Saravá Discos) em 2015, "Gatos e Ratos" (Independente) em 2016 - este indicado em 2017 para o Prêmio da Música Brasileira, que lhe conferiu a láurea de melhor cantor e a revista "Rolling Stone Brasil" o elegeu como o 20º melhor álbum brasileiro de 2016; em 2019, veio "Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio", eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre de 2019.


Em 2021, Odair compôs seis canções com Arnaldo Antunes para a trilha sonora do filme “Meu Álbum de Amores, dirigido por Rafael Gomes, com Gabriel Leone, Felipe Frazão, Carla Salle e outros (disponível no Prime Vídeo).


Em 2024, lançou "Seres Humanos e a Inteligência Artificial", pela Monstro Discos, com utilização da IA na criação de vozes femininas e instrumentos. O disco traz uma única parceria, com Bárbara Eugênia, na faixa "No Ponto". Eugênia, aliás, que, em 2014, regravou "Por que Brigamos", sucesso de 1972 de Diana, com quem Odair foi casado.

A apresentação de "O Filho de José e Maria" se deu como uma obra em três atos, em ordem diversa à do álbum (seguindo sua ideia original, disse ele), em que as partes abordam os momentos da vida de um casal - o flerte, namoro, casamento, concepção do filho, desentendimentos, briga, separação e, depois, a sina do filho, inseguro com fim do relacionamento e em conflitos próprios quanto à sua sexualidade e lugar no mundo.

À época, a temática do LP chocou Igreja, governo militar e sociedade pela abordagem, digamos, "herege" sobre a história de Jesus, apesar de o nome do Cristo não ser mencionado em nenhuma estrofe. No show, Odair ataca a hipocrisia da sociedade e prega a liberdade de amar, lembrando que em sua carreira ele sempre foi atacado por defender, por exemplo, prostitutas, trabalhadoras domésticas e o direito a fazer do corpo o que quiser.

"Formas de Amar" 


Segue o roteiro do show:


1º Ato

1) Fora da realidade * (Odair José/David Lima)

2) O casamento *

3) Não me venda grilos (Por direito) *

4) Só pra mim, pra mais ninguém *

5) O filho de José e Maria *


2º Ato

6) Agora eu sei (Coisas Simples, 1978)

7) Forma de sentir (Coisas Simples, 1978) [José Messias e Donizete]

8) O sonho terminou *

9) Desejo (Seres Humanos e Inteligência Artificial, 2024)

10) É assim * (Odair José/Maxine)


Ato final

11) Viagem (Odair, 1975)

12) De volta às verdadeiras origens *

13) Que loucura *


Bis

14) A noite mais linda do mundo (Lembranças, 1975) [Donizette]

15) Vou tirar você desse lugar (single, 1972)

16) Cadê você (Odair José, 1973)


Obs.: As músicas com asteriscos (*) referem-se às do álbum "O Filho de José e Maria"; as demais citam entre parêntesis o LP original e ano de lançamento. Todas as composições de Odair José, exceto as indicadas.


Músicos que tocam no LP original:

Odair José: voz, violão e guirarras

Don Charley: arranjos de cordas e metais

Jaime Alem: guitarra e violão

Hyldon: guitarra

José Lanforge: voice-box e harmônica

Robson Jorge: piano Fender Rhodes

Ivan Conti "Mamão": bateria (Azimuth)

Alex Malheiros: baixo (Azimuth)

José Roberto Bertrami: órgão, clarinete e Arp. String (Azimuth)






sábado, 16 de outubro de 2021

Juliana Lima canta a saudade e a fé em dias melhores


Ninguém contava com isso. Não estava escrito em nenhuma profecia ou no Apocalipse - aliás, se estava, não soubemos ler. Primeiro, sobe ao poder aqui em terras tupiniquins o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso (pra não dizer coisa pior). Aí, vem essa peste que dizima, só em território pátrio, 600 mil vidas. Não merecíamos.

Quem não embarcou na onda que varreu nossa democracia - e muitos, felizmente, a renegaram -, sentiu e está ainda a sentir um nó na garganta e uma dor aguda no peito de angústia e revolta de ter de viver algo que não poderia estar acontecendo. Afinal, que fizemos nós para ter isso? Nada fizemos, e não temos de assumir uma culpa que não nos cabe.

Enfim... A vida mudou, tudo mudou. Mas, se agora havemos de evitar contatos frequentes e nos proteger como possível, o que trazemos dentro de nós não mudou. Aquela conversa no bar ou no sofá da sala ainda é necessária, aquela ida à rua e suas maravilhas não nos abandonou... Só não podemos realizar. O que fazer? Como por para fora tudo isso que está aqui represado?

Em seu novo trabalho solo, "Esperança", Juliana Lima responde. Sete anos depois de "Aquariana", com singles e trabalhos junto ao power trio de forró pé-de-serra Trio Beijo de Moça no caminho, o novo disco resgata o clima de "O Dom", CD de 2007 que, nunca escondi, é meu xodó. Melancólico, às vezes sombrio, "Esperança" busca retratar  como o momento atual nos afeta, mas joga uma luz, tênue, mas ainda uma possibilidade, no que pode vir.

Talvez sob influência desses tempos terríveis, a obra destaca, em duas músicas, "Meus planos" e "A gente se mistura", a necessidade de se viver intensamente o momento, pois o "tempo é tão curto..."  Parceria com Analiss, "Meus planos" vai fundo na premência de aproveitar cada momento junto de seu amor, que, afinal, "é brisa e nem avisa que vai chegar".

"A gente se mistura", um reggae composto com a companheira Juliana Cranchi, não faz concessões: "Fé e certeza de que há uma força maior / que vai me guiar para onde eu estiver / para um caminho cada vez maior". Mais fé e esperança não sei... Na veia

"Que seja leve", que abre o disco, faz uma profissão de fé na arte de se fazer o que gosta: afinal, a vida é breve, então, "cultive a sua fé no que você quer e ouça seu coração". Não um pedido de desculpas, mas delicadamente dizendo que não abre mão daquilo em que acredita. Importante, em qualquer contexto.

"Temporal" canta a busca do amor tranquilo, imune às intempéries. Um apelo a um pouco de paz nesses tempos "que não são brincadeira"? Pede que o amor chegue perto dela e que diga que não vai ter fim. O aconchego também expresso em "Mãe", inequivocamente referente à impossibilidade, no começo dessa pandemia, de se ver os entes queridos e abraçar, beijar, estar junto.

"Eu vou lembrar de você" fala da perda de alguém querido, que a brisa leve das manhãs levou, retomando imagem de canção homônima que integra o CD "Aquariana", de 2013. "Mulher", na sequência, lembra de que a vida requer coragem e que o mundo pede gentileza. Força e doçura. Precisa falar mais?

"Licença", com Valéria Pisauro, é sobre saudade, a "dor que se queima sem pedir licença de mãos dadas com a solidão". Tema impossível de não se recorrer agora e sempre. Com uma sanfona (ou fole, ou acordeão) que dá um clima de rasgar os pulsos... Poxa, Juliana...

"Silêncio das Cidades", parceria com Natalia Bueno, retoma o assunto pandemia. Composta no começo disso tudo, com clipe filmado em Paranapiacaba, distrito de Santo André (SP), fala da vontade de estar juntos novamente, da casa como prisão, do mundo que adoeceu e precisamos acordar e aprender que é hora de mudar. O tempo que sobra mas sem que se o possa aproveitar. "Nossa companhia é o silêncio das cidades vazias."

O disco fecha com a canção-título, "Esperança", só voz e piano. Pinta um retrato tenebroso no início, ilustrado por um canto denso, uma penumbra envolvendo tudo, revelando que "a esperança se perdeu/ coração triste adoeceu / inverno que se demora / a voz se cala e a alma chora". Mas aí vem a esperança, que vai renascer, "coração pede pra bater/ inverno que vai embora/ vem primavera/ trás nova aurora. Obrigado, Juliana...

O disco foi gravado no  Estúdio The Village, com produção de Augusto Albuquerque, com distribuição a cargo da Trattore e está disponível, desde 15 de outubro, em todas as plataformas digitais.

Neste domingo, 17 de outubro, às 19h, haverá o lançamento de "Esperança" no canal de Juliana Lima no YouTube, em live com repertório desse e dos trabalhos anteriores da artista.


sábado, 21 de setembro de 2019

Ponha um arco-íris na sua moringa

O título é de uma velha canção do pernambucano Paulo Diniz, anos 70. Cara anda meio sumido -  meio, não, totalmente. Música alto-astral, solar, litorânea. Há quem veja aí algo alienante, dada a época barra-pesada em que surgiu...

Deviam ser assim mesmo aqueles tempos. A turma da MPB puta com os cabeludos e suas guitarras. Mas aí eram anos 60. Nos 70, eu já adolescendo, os que partiram para a luta armada presos, exilados ou mortos.

A música brasileira com outros contornos. Gente fingindo ser gringa, cantando em inglês. Mas os fodões - Caetano, Gil, Chico - voltam do "passeio" involuntário ao exterior e fazem coisas ótimas. E começam a surgir outros grandes compositores: Luiz Melodia, Walter Franco, Jards Macalé, Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Djavan, Gonzaguinha, Tim Maia...

Eu me lembro bem dos anos 70. Estava na cidade grande, São Paulo, e acompanhava bastante o que a indústria fonográfica estava fazendo, pois comprava e vendia discos. Na TV, aquela coisa: Chacrinha, Silvio Santos, Raul Gil, Nelson Motta, Big Boy.

Paulo Diniz estourou com "Quero voltar pra Bahia", em 1970, creio, dele e de Obidar. Confessadamente escrita para homenagear Caetano, à época em Londres. Ouvia-a muito por aí: nas rádios, TV, nos serviços de alto-falantes dos parques. Eu tinha 9 anos, gostava do ritmo, do jeito de Paulo cantar. Não entendia o sentido da letra. Parece que nem os censores.

No começo da década de 70, o general-presidente era Médici, falava-se em Milagre Brasileiro. A vida parecia boa. O moral da nação buscava ser erguido com coisas como Dom e Ravel cantando aqueles ufanismos todos ("Eu te amo, meu Brasil"); nos para-brisas dos carros o adesivo dizia: Brasil: Ame-o ou Deixe-o - aliás, quantos carros tinha, hein! Nunca vira tantos, e fabricados aqui, lá no ABC.

Mas, por que escrevo sobre essa música de Paulo Diniz?

Porque está complicado botar um arco-íris na moringa ultimamente. Qualquer tentativa de relaxar, viver um pouco a vida de maneira leve, corre-se o risco de ser chamado de alienado, conformista, ou, pior, cúmplice - por omissão - de "tudo que está aí".

Tipo uma obrigação de tomar posição, de opinar, de marcar posição, de se pronunciar, mostrar indignação, preferencialmente nas ditas redes sociais virtuais. Enche, sabe! Quando o que muitas vezes quero é, sim, tomar uma geladinha em frente à TV ou à beira da piscina. Ou brincar com minha pequena filha, tomar um picolé, ou mesmo ver um desenho de que ela goste em casa.

Errado isso? Não, mas aí você olha o celular e vê zilhões de postagens altamente "engajadas" comentando, protestando, criticando a última medida tomada ou bobagem dita pelo governante ou um de seus asseclas - ou filho...

Ou então seu "feed" é entupido com milhões de textos, vídeos, áudios com opiniões fundamentadas, dizendo aquilo que você quer dizer mas não consegue elaborar com tanta inteligência...

É a dose de opinião fundamentada necessária para seu vício em tomar posição. Sem ela, você pode se sentir isolado, sozinho nesse mundo em que: será que sou o único a me indignar com isso?

Cada dia, ou cada hora, ou minuto... uma nova polêmica. É preciso dizer algo a respeito, mostrar o quanto estou puto com isso, marcar minha posição, se possível, ganhar alguns "likes", melhor ainda se alguns compartilharem essa posição, sinal de que "mandei bem". Mundo estranho esse.

Eu estou fora. Evito isso aí. Até porque não estou com saco para entrar em polêmicas, em discussões - provavelmente com robôs - que inevitavelmente surgirão.

Prefiro, sim, botar um arco-íris em minha moringa e ficar lelé da cuca sem medo de ser feliz...

Vai o link da música.

https://youtu.be/7su1j7lnO0o

sábado, 10 de junho de 2017

Gui Moscardini canta a diversidade paulistana em seu primeiro disco

Cantor e compositor lança “Coisa Boa a Gente Espalha” dia 14/06 em show no Teatro Viradalata


Guilherme Moscardini busca transmitir boas energias em seu primeiro trabalho. (Foto: Gabriel Arruda)
Guilherme Moscardini tem 24 anos, nasceu no bairro da Liberdade e vive no Butantã. Quando garoto, sonhava em ser cineasta, mas, ao ouvir o amigo Ari Oliveira tocar violão, ficou encantado e quis aprender. Não tanto pelo tocar, diz o artista em entrevista ao Blog por Bloga, mas mais pelo fato de o amigo estar tocando uma música própria. “Eu sempre tinha coisa pra falar e não sabia como fazer isso e foi na música que consegui”, conta. Ele tinha 8 anos e o pai “exigiu” que fosse estudar violão erudito – “para aprender direito”.

“Foi uma experiência que me assustou um pouco; não esperava aquilo, queria aprender três acordes e sair tocando. Era muito distinto do repertório que eu conhecia, mas fui gostar muito tempo depois, porque é difícil você falar que não gosta de Debussy [o compositor francês Claude Debussy – 1862-1918], sendo que Debussy é cinema; o cinema foi feito por esses compositores e esses compositores foram feitos pelo cinema”, explica, citando a sua primeira paixão.

Gui conta que logo que começou os estudos do instrumento já saiu compondo suas letras e, em pouco tempo, a criar músicas. Aos 13, 14 anos, já gostando do que fazia, começou a mostrar suas composições. “Meu principal professor foi a composição, a coisa de tentar, errar, buscar as coisas no violão”, define. O disco, diz, tem músicas que ele compôs aos 16 anos, meio sem saber o que estava fazendo, mas com uma complexidade que ele se deu conta  assim que passou a entender melhor de música.

Filho de pai fotógrafo e mãe artesã, sempre escutou muita música em casa. A mãe, carioca, cresceu e aprendeu a sambar na Escola de Samba Salgueiro e, por isso, sempre ouviu muito samba e MPB em casa. O pai também era fascinado por música, só que ele também ouvia Beatles, jazz. O irmão, Felipe, produtor executivo do disco, o apresentou ao forró, ritmo pelo qual acabou se apaixonando. “Tanto que hoje meu mestre, que eu tenho como mentor, é Dominguinhos, o cara que eu mais venero musicalmente”, acrescenta. No ambiente doméstico, ainda, havia a presença de André Busic, que ele chama de “tio de consideração”. Busic foi trompetista da Traditional Jazz Band e é pai dos garotos da banda de rock Dr Sin, Andria e Ivan Busic.

À diversidade rítmica que recebia em casa ele adicionou a multiplicidade de estilos que a cidade de São Paulo oferece e que lhe inspira em suas criações. O disco mistura à música popular brasileira ritmos africanos, bolero, samba, salsa, frevo e outros gêneros. “Quando garoto, ouvia muito rock e um dia escutei o Lenine cantando o ‘Jack Sou Brasileiro’ e aí me deu a sensação de que dá pra juntar… E desde então comecei a procurar coisas semelhantes”, lembra. “Essa coisa de colocar ritmos latino-americanos, africanos veio de dentro de casa também, por minha mãe frequentar várias religiões.”

Sobre a influência da cidade em que nasceu e vive, Gui explica: “Muito dessa variedade do disco, dessa diversidade, é por conta da cidade em que vivo. São Paulo é muito tradicional às vezes, mas, se você prestar atenção, acha muita coisa. Aqui tem muita festa, tem a do Boi na Raposo Tavares, no Morro do Querosene, tem o Maracatu na Heitor Penteado… Tem de tudo aqui, muita riqueza”.

Guilherme tem se apresentado em bares, hotéis, hostels, tocando suas composições e a de outros músicos. Como Marcos Valle, João Nogueira, Gilberto Gil, João Bosco, Chico Buarque, entre outros. É formado em produção musical pela Universidade Anhembi Morumbi e estuda canto popular na Emesp Tom Jobim (Escola de Música do Estado de São Paulo) e ministra aulas de violão na Associação Atlética Banco do Brasil.

Participou em 2012 do programa Sr. Brasil, da TV Cultura, comandado por Rolando Boldrin, de show com Nailor Proveta no Auditório Ibirapuera e do Circuito Municipal de Cultura com o show GilJoão&Chico. Criou a trilha sonora do documentário “Toda Reza”, do Coletivo Urucum, exibido em 2015 no Itaú Cultural, compôs e arranjou canções e trilha sonora da peça musicada “Branca de Neve e Zangado”, dirigida por Mira Haar e com direção musical de Renato Bellini, participação na peça musicada “Livro de Ouro”, com direção de Geraldo Rodrigues, e atuou no espetáculo musical “Miranda por Miranda”, de Stella Miranda e Tim Rescala.



Sobre essas atuações no cinema e no teatro, ele diz: “Compor pra mim é um desafio. Fazer as canções da peça musicada foi uma experiência incrível, nunca imaginei que iria cair em musicais; depois de atuar na peça da Stella Miranda caí mais ainda no backstage fazendo as músicas do ‘Branca de Neve…’. Foi um desafio e uma diversão”.

Ele também participou de festivais de música com abrangência nacional apresentando as canções de sua autoria “Coisa de Garoto” e “Coisa Boa a Gente Espalha”, entre os quais o Festival de Canção de Andradas (MG), Festival Internacional de Cantautores de São Luiz de Paraitinga (SP), Festival da Canção de Mogi das Cruzes (SP), CPV Music Festival (SP), Evento Impulso Apresenta (SP), Sofar Sounds (SP), Palco Museu da Imigração (SP), Auditório Ibirapuera (SP).

A respeito do mercado e espaço para o músico independente, ele vê a necessidade de as pessoas se unirem, como crê que seja no universo sertanejo. “A galera do sertanejo deu muito certo porque eles são muito unidos, é o que me parece, eles se ajudam muito. Acho isso muito legal e no tipo de música que eu faço acho que a galera está começando a criar um pouco de consciência nisso e mesmo no independente a galera está conseguindo trabalhar”, afirma.

“O que eu vejo para o mercado é que acho que tinha que ter espaço para todo mundo. Sertanejo, funk, tem que estar aí, mas tem que ter espaço para todo tipo de música. Infelizmente, ao que me parece, as grandes mídias não estão tão interessadas em divulgar isso ainda, mas acho que, se a própria galera da música se juntar e entender que não é uma rivalidade, que o negócio é de fato se um trabalhar vai ter trabalho para o outro, em algum momento vai acontecer”, acredita.

Nesse sentido, ele demonstra que não se prende às exigências do mercado, seguindo com sua criação independente do que o mundo “mainstream” exige. “Se for falar de algo que não é verdade para mim, ou eu saio da música ou vou fazer outro tipo de trabalho, tipo backstage, que não apareça tanto. Se fosse só pelo dinheiro, então não teria por que aparecer, mas também respeito todo mundo que faz, é trabalho, se a pessoa escolheu aquilo, é a verdade dela, eu acho digno, mas não é a minha verdade. Eu adoraria lotar um estádio, mas eu sei onde estou, no começo.”

E seu trabalho, define, já se revela pelo próprio nome do primeiro disco, “Coisa Boa a Gente Espalha”. “Fiquei bem preocupado quando escolhi porque as pessoas poderiam achar que eu estava querendo dizer que meu som é bom, mas depois vi que fazia todo o sentido essa frase, porque quando mentalizo algo, eu eu mentalizo pelo outro, porque eu sei que quando você estiver bem eu vou estar bem; quando eu tiver pensamentos positivos, eu vou atrair coisas positivas”, crê.

O disco, acrescenta, fala de amor de diversas maneiras, e não propriamente o amor de um casal. “Falo do amor que tenho pela minha mãe, e pode ser o amor que você tem pela sua mãe, e falo de sorrir e o amor já está implícito ali, a própria música que eu fiz pra minha parceira, a Jhessica, ‘Plano Contínuo’, é uma música de projeções, é aquela coisa de você estar ali com seu parceiro mas você não sabe o que vai ser amanhã, mas projeta coisas com aquela pessoa, almeja, e tem o lance da compreensão, de sair de minha visão para poder entender o que o outro está enxergando para a gente entrar em um consenso, aquela coisa que o Gil fala: a curva generosa da compreensão.”

Disco tem colaboração de 23 músicas e participações muito especiais


“Coisa Boa a Gente Espalha”

O trabalho de estreia de Gui Moscardini conta com participações especiais da cantora Assucena Assucena, da banda As Bahias e a Cozinha Mineira; Renato Braz e Maíra da Rosa. O disco tem 12 faixas, sendo dez delas compostas e arranjadas por Gui Moscardini (‘Quando Entrar’ é assinada por Adriano Girelli e ‘Do Alto do Morro’ é de Raphael Cortezi).

Além das participações vocais, “Coisa Boa a Gente Espalha” teve colaboração de 23 músicos. O baixista Sizão Machado colabora na faixa “Sonho”. Os arranjos foram assinados por Raphael Cortezi e Gui executa o violão em todas as faixas. A dupla também assina produção de todo o disco.

O show de lançamento será no dia 14 de junho, quarta-feira, às 21h, no Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Perdizes). O show terá a participação de Barbara Rodrix. Os ingressos estão à venda a partir de R$ 20 no site do Ingresso Rápido.

O disco digital está disponível gratuitamente nas principais plataformas de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, ITunes Store e YouTube. O disco físico também estará disponível na Livraria Cultura e pela Amazon.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Aline Maly mostra sua bossa em “Me Diz”

Primeiro CD da cantora e compositora paulistana será lançado dia 20/11 

Ela começou a cantar aos 7 anos; aos 10, primeira composição
A cantora e compositora Aline Maly começou a cantar aos 7 anos de idade no coral da igreja que frequentava. O pai apresentava programas religiosos no rádio, de modo que a música era uma constante em sua casa.

Tomou gosto pelo cantar e, depois de participar de vários corais, aos dez anos começou a compor. A primeira música composta foi “Raio de Sol”, completada três anos depois. O talento se impôs de vez e ela não parou mais de compor.

Estudou canto no Senac e teoria musical na Ordem dos Músicos. Tem composições gravadas por vários artistas, de vários estilos, do gospel ao sertanejo. Suas preferências musicais são Diana Krall, Stevie Wonder, Caetano Veloso, Jorge Vercillo e, claro, bossa nova.

Depois de participar de vários grupos, fazendo backing vocal, partiu para a carreira solo. Cantou em teatros – outra de suas paixões – e na casa de espetáculos Estrada Mix. E agora está lançando seu primeiro CD, totalmente autoral, “Me Diz”.

Gravado nos estúdios Hiper Show e no ER, de Catanduva (interior de São Paulo), a produção, independente, tem alguns arranjos de Elton Ricardo, músico radicado em Catanduva. Aline é acompanhada por uma banda só de meninas: Lilia Garcia (violão), Lilian Rodrigues (piano), Beatriz Lima (baixo), Si Medeiros (percussão), Daniela (bateria) e Anna Araujo (violino). “Eu sempre achei bonito  mulheres tocando; e eu me sinto muito bem com elas”, diz.

As músicas de Aline Maly expõem sua paixão pela música, especialmente a bossa nova, e as letras surgem de conversas suas com amigas sobre o cotidiano, as impressões sobre as coisas da vida. E falam de amor, desamor, entrega, espera. O clima é todo bossa nova, tanto nos arranjos como na forma de cantar, suave, levemente rouca às vezes.

CD é todo autoral (fotos: Divulgação)
Mesmo antes de lançar seu CD, o clipe de “Me Diz” – que dá nome ao disco -, postado no YouTube e no Facebook, a tornou conhecida mundialmente, tendo sido visto no Japão, Canadá, Argentina. “Um mês depois de ser postado, comecei a dar entrevistas e receber convites e, em pouco tempo, cheguei a 5 mil amigos no Facebook”, afirma. O clipe tem já mais de 10 mil visualizações no YouTube.

Aline começa a agenda de shows de divulgação do CD em janeiro. Além do disco físico, o trabalho estará disponível nas plataformas digitais. “Estamos ensaiando as músicas com a banda e, como é só de meninas, quanto melhor estivermos preparadas, melhor, porque é uma banda só de meninas, o que se destaca, por isso temos que tocar muito bem, as músicas têm que soar de forma muita perfeitas, para que saiam bem bonitas mesmo”, explica.

É esperar para ver.

Enquanto isso, abaixo o clipe de “Me Diz”. Outras canções podem ser curtidas em sua página no YouTube:


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Barbara Rodrix dá a cara a tapa em seu novo CD, “Eu Mesmo”

Lançamento do disco será nesta quinta, 17/11, no Itaú Cultural (SP), às 20h, com participação de Ceumar e Tuco Marcondes; a entrada é franca

Filha de Zé Rodrix se redescobre em novo trabalho (fotos: Divulgação)
A voz é quase um sussurro... Quase pueril. “Ouça o silêncio que deixa a alma livre pra cantar”, diz em “Venha”, dela e de Luiza Possi. E é isso: é um disco para se ouvir no silêncio da sala, do quarto, da casa de espetáculos... Enfim: um disco para se ouvir (e sentir) com atenção. Deixar esses quase sussurros penetrarem nos ouvidos, deixar-se envolver pelos arranjos delicados, nobres, minimalistas, intimistas...

Barbara Rodrix se redescobre em seu novo CD, “Eu Mesmo”, que é seu segundo gravado, mas o primeiro lançado efetivamente. O primeiro trabalho, “Ninguém Me Conhece”, foi gravado quando ela tinha 16 anos, com produção de seu pai, Zé Rodrix, mas não foi lançado – porém está disponível na plataforma Soundcloud.

A cantora e compositora acompanhava o pai nas gravações em estúdios desde os 3 anos de idade, mas só mais tarde teve consciência do artista que ele era. Na época, Zé Rodrix estava afastado da carreira de músico – desde a morte de Elis Regina (19/01/1982) – e se dedicava à publicidade. “Eu cantava com ele nos estúdios, mas em casa ele não cantava; mas não posso negar que meu despertar para a música veio da influência do ambiente em que eu vivia, pois cresci no meio musical”, explica Barbara.

A percepção de que música era o que queria fazer vem quando, aos 11 anos, ganha um violão. “Aí eu disse: esse é meu instrumento”, lembra. Foi estudar na Escola Livre de Música (ELM) e já começou a compor. Aos 15 anos, entrou no estúdio com o material que havia composto nesses quatro anos, sob supervisão e produção do pai, e daí saiu “Ninguém Me Conhece”.

Com o pai, que produziu seu primeiro trabalho, quando ela tinha 15 anos

Já o novo trabalho teve um processo diferente. Ela começou a se apresentar na noite, em bares como o Tom Jazz, e montando o repertório a partir de como as músicas funcionavam no palco. Foi também, como ela define, um período de redescoberta. Sem a presença do pai – que morreu em maio de 2009 -, Barbara foi se redescobrindo como compositora, como artista, tomando as rédeas da própria obra, escolhendo os parceiros, decidindo sobre os arranjos. Coisas que a experiência acompanhando Zé lhe valeu muito.

“Esse disco, para mim, tem quase um significado de dar a cara a tapa porque ele todo eu que escolhi tudo, o voto de minerva era meu”, explica, sem deixar de considerar todas as pessoas que estiveram envolvidas nele. “Por isso o nome do disco é ‘Eu Mesmo’, que, além de ser uma música do Paulo Novaes, fiz questão de deixar no masculino porque é um eu mesmo que engloba muito o eu mesma mulher, eu mesmo ser humano, todo mundo que participa do processo, o universo do que eu faço parte. Um processo muito maior e que engloba muito mais gente. Todas as músicas do disco dizem algo que eu quero dizer.”

Novo CD: testado no palco
O CD, predominantemente autoral, traz parcerias com as cantoras Bruna Caram e Luiza Possi - filha de Zizi Possi -, que participa da faixa “É, Foi Você”, além de releituras de duas canções do seu pai: “Eu Não Sei Falar de Amor” e “Olhos Abertos”. Outros parceiros são Ricardo Soares e Elder Braga, além de interpretar “Rãzinha Blues”, de Lony Rosa, e a faixa título, de Paulo Novaes. O disco foi gravado no estúdio Gargolândia e mixado na Trama.

Barbara faz o lançamento de “Eu Mesmo” na próxima quinta-feira, 17 de novembro, às 20h, no Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô -, com entrada franca (os ingressos têm de ser retirados uma hora antes do espetáculo). No show ela estará acompanhada da banda com quem gravou o disco, formada por Breno Ruiz, no piano; Igor Pimenta, no contrabaixo; Fernando Daminelli, na bateria; e Federico Puppi, no violoncelo.  Haverá ainda as participações especiais de Ceumar e Tuco Marcondes.


A seguir, principais trechos da entrevista concedida por Barbara ao Blog por Bloga:

Influências e o despertar para a música:

“Quando nasci, meu pai estava longe da carreira, ele se afastou logo depois que a Elis [Regina] morreu, mas continuava com produções, inclusive com publicidade, e desde criancinha eu cantava com ele em estúdio de publicidade. Difícil dizer se tive influência dele ou não, porque era o meio em que eu vivia, de alguma maneira era o meio artístico, ouvia as músicas dele, mas não via ele cantar em casa, era uma coisa do passado dele; quando ele voltou a compor, foi quando eu comecei, meio que começamos juntos, aos 11 anos, um influenciando o outro. Sempre vivi nesse meio artístico, com os amigos dele, houve uma influência, claro. O despertar foi natural, sempre foi uma criança afinada, a diversão da minha vida era ir ver meu pai gravar, cantar, saía da escola e ia direto para o estúdio e amava aquilo. Sempre tive muita influência em casa, sentava no piano, foi acontecendo aos poucos. Descobri de fato que queria fazer isso da vida quando ganhei um violão, aos 11 anos, e disse: ‘esse é meu instrumento’. Comecei a tocar, fazer as primeiras músicas, meu pai ajudava no violão (que também tocava um pouco). As primeiras músicas eram bem mais infantis, a primeira tinha um refrão que falava: ‘eu quero ser aquilo que ninguém foi/ não quero ser só mais um/ quero simplesmente ser diferente/ incomum’. Existia em mim essa força gigantesca de ser uma compositora, tinha todo esse romantismo de ser artista. Depois comecei a compor mais e são essas que compus dos 11 aos 15 que fazem parte desse meu primeiro disco. Estudava violão na ELM, depois fui estudar canto com a Tatiana Parra, cuja mãe era amiga de meu pai, fomos crianças próximas, apesar de ela ser um pouco mais velha, e hoje estudo canto popular no Emesp [ Escola de Música do Estado de São Paulo].”

Sobre o novo disco:

“Esse disco foi um pouco diferente o processo dele. Começou o disco com shows, fazendo o repertório, vendo o que funcionava, descobrindo de fato o que a gente queria falar, como a gente queria falar. Coincidiu com uma fase de minha vida de redescobrimento. O primeiro disco foi produzido pelo meu pai e a minha carreira artística sempre teve o aval de meu pai, artisticamente, era uma pessoa para quem eu sempre perguntava o que eu poderia fazer, para onde eu poderia ir. Foi um redescobrimento porque agora tenho eu que saber o que faço, como faço, do que eu gosto. Foi um processo longo, que, vendo agora, vejo que começou desde a morte de meu pai. Um processo de composições, de encontrar novos parceiros, porque até então os meus parceiros eram os mesmos de meu pai. Agora era encontrar novos parceiros, o que eu queria dizer, saber se eu achava aquilo bom. Começamos a fazer esses shows e comecei a sentir a segurança de que eu estava no caminho certo, de que era aquilo que eu queria dizer mesmo, com todas as parcerias. Porque eu não faço letras, eu gosto de fazer música. Ou eu faço a música e a mando para alguém que eu acho que tem a cara dela ou eu musico letras. O desafio é encontrar esses parceiros, encontrar essas pessoas, que é muito difícil você encontrar alguém que diga aquilo que você quer dizer, é um encontro de fato, um encontro de mundo, então foi esse o processo.”

Sobre a proposta do disco:

“O nome do disco Eu Mesmo, que, além de ser uma música do Paulo Novais, que é um superparceiro, irmão, e dar nome ao disco, eu fiz questão de deixar no masculino porque é um Eu Mesmo que engloba muito o eu mesma mulher, eu mesmo ser humano, todo mundo que participa do processo, o universo do que eu faço parte. Um processo muito maior e que engloba muito mais gente. Todas as músicas do disco dizem algo que eu quero dizer. Regravei uma música de meu pai, ‘Olhos Abertos’, que a Elis gravou no mesmo disco que tem ‘Casa no Campo’, e poucas pessoas conhecem essa música; eu fiz questão de a gravar porque o recado dela é tão lindo, fala de algo que as pessoas precisam tanto hoje em dia, de amor, de amar umas às outras, independente do amor romântico, amor pelo ser. Foi uma decisão muito difícil de a regravar, porque a Elis a gravou, acho que só tive essa coragem porque é de meu pai.”

Sobre o processo de criação do CD:

“A gente se apresentou bastante antes de gravar, em 2014, no Tom Jazz, e em 2015 entramos em estúdio e gravamos ao vivo, como se fosse um show, todo mundo junto, cada um numa sala, a gente quis se aproximar muito de como o disco foi concebido no palco; como ele tinha sido concebido todo ao vivo, a gente queria que ainda existisse esse frescor, porque de fato o que eu mais gosto na música é o show, porque a música é um ser vivo, está em mutação o tempo inteiro; então cada vez que eu canto uma música ela se ressignifica; o que mais me deixa ansiosa com esse trabalho é subir num palco e fazer ele e fazer, fazer.”

Abaixo, clipe de “É, Foi Você”, dela e Luiza Possi:



Sobre as diferenças entre os dois discos:

“Esse disco, para mim, tem quase um significado de dar a cara a tapa, porque o disco inteiro eu que escolhi tudo, o voto de minerva era meu. Chamei o Breno Ruiz para produzir comigo, as ideias de arranjos eram minhas e ele me ajudou a organizar isso, com seu olhar supercompetente, então não tem nada no disco que eu desgoste ou que eu não tenha escolhido; mesmo sendo ao vivo, tem muitas ideias de arranjo de todo mundo da banda, mas não tem nada que eu não tenha aprovado e que não seja eu. Então para mim é muito dar a cara a tapa: se você não gostou, lamento, é isso que eu tenho para dizer. É um disco que eu fiz exatamente como eu queria. É tudo eu. Lógico que a experiência de ter entrado em estúdio com meu pai sete anos atrás colaborou muito, inclusive profissionalmente, realizar aquilo que está em nossa cabeça de artista, que a gente viaja muito na maionese, fica um negócio. Muito importante para mim, que sou independente, termo de que nem gosto muito, porque a gente é que mais dependente de todos, depende de todo mundo. Mas tem coisas ali que a gente quer, imagina, tipo uma orquestra, o que é impossível, financeiramente, aí você busca chegar ao mesmo lugar de um outro jeito, esse olhar mais prático. E ver também meu pai produzindo valeu muito a experiência. Gravei as vozes ao vivo, não tem nenhuma edição. Então, a experiência de ter estado em um estúdio esse tempo todo, desde os meus 3 anos gravando, com certeza ajudou a fazer isso.”

Sobre sucesso, aceitação:

“Uma coisa que eu ouvi sempre de meu pai: a única maneira de você não agradar ninguém é querer agradar todo mundo. É muito mais fácil você se agradar e eu tenho muito essa consciência. Tenho uma visão de que em algum momento meu público e eu vamos nos encontrar. Eu me agradando, fazendo o que eu gosto, as pessoas que gostam disso vão me encontrar em algum momento, talvez seja mais demorado do que se eu tivesse tocando na Globo, na Nova. Mas acredito que isso vá acontecer em algum momento.”

Como Barbara Rodrix se define:

“Me defino como uma pessoa que não tem mais medo da opinião dos outros. Importante que você acredite e agrade a você mesmo, sem agredir ninguém, sem fazer mal, mas é obvio que a resposta do público alimenta também o lado artístico, não tem ninguém que não goste de elogio, mas prefiro me alimentar de ouvir um elogio de uma pessoa que amou aquilo que eu também amo a ouvir um milhão de elogios de algo que eu não ame.”

Como vê o atual cenário musical:

“Muita gente reclama da cena musical de hoje em dia, mas tenho a sorte de circular num meio musical em que conheço muita gente fazendo coisa muito boa; hoje a internet possibilita isso: a gente conhecer pessoas que não se limitam à grande mídia, pode ir atrás de muita gente que tem feito muita coisa boa; gosto muito de procurar novas coisas e se procurar você acha; tem quem faça coisas ruins, mas que pode ser boa para alguém, é a democracia, o que é ruim para mim pode ser bom para o outro; temos que encontrar outros meios de divulgar o trabalho das pessoas que não se encaixam no quadrado da grande mídia.”


"Eu Mesmo" está disponível na íntegra no YouTube:


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Juliana Lima mescla MPB e rock em novo single, “Bem Mais”

A cantora, compositora, instrumentista e musicoterapeuta Juliana Lima lança o single “Bem Mais”, de sua autoria, com videoclipe disponível na plataforma Vevo e nas plataformas de streaming digital como Deezer, Spotfy, iTunes e Applemusic desde 4 de novembro.

“’Bem Mais’ fala da questão de as pessoas criarem ideias umas das outras e de perto elas não serem nada daquilo que imaginamos, então faço o convite para que se conheça o outro de verdade, e que se descubra coisas que jamais poderíamos imaginar. Tudo isso dialogando com a superficialidade que é o mundo de hoje, onde as pessoas criam as máscaras, e querem passar uma imagem diferente da realidade delas”, define a cantora.

Quem assina a produção é Fernando Quesada, baixista das bandas Shaman e Noturnal, que já produziu artistas como Sepultura, Ira e Fly, unindo dois universos bem diferentes, o rock e a MPB, chegando a um lugar bem mais ousado e instigante.


O clipe conta com a participação do ator e cantor Bruno Caselli, integrante dos Trovadores Urbanos, e é dirigido por Diego da Mata, com produção executiva de Juliana Cranchi. Figurino e maquiagem são assinados por Carolina Domichilli e Val Candido responde pelo hair style. O clipe conta com patrocínio exclusivo de Licota Moda, com o apoio da EM&T e da Escola Oficina.

Curtam o clipe:





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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Iucema Suzi: Uma voz romântica de Sergipe

Iucema Suzi canta histórias de vida, amores que se foram e que vêm, expondo seu sentimentalismo (Fotos: Arquivo Pessoal)
A cantora e compositora sergipana Iucema Suzi lança no começo de novembro seu primeiro trabalho autoral, o EP “Em cada nova estação”. Com seis canções, quatro de sua autoria e duas da parceira Iraiane Alves, com melodias e produção de Sergio Silva e Júnior Gonzo, o disco trafega por vários ritmos e estilos, como pop rock, reggae, MPB, sempre temperados pelo romantismo que a caracteriza e por onde ela decidiu trilhar.

Natural da Estância, Iucema começou a cantar profissionalmente aos 18 anos, após perceber, cantando em karaokês e festas, que era isso o que queria da vida. O início se deu em bandas de forró, estilo, no entanto, com o qual não se identifica. “Apesar de ser nordestina, não me vejo como cantora de forró”, afirma. Isso transparecia ao introduzir, em sua interpretação, um pouco de MPB, já adiantando o caminho que iria seguir.
Carreira começou em bandas de forró, mas MPB falou mais alto


O romantismo e o gosto pela MPB vêm de berço. Filha de um saxofonista, que toca na igreja evangélica que frequenta, Iucema cresceu ouvindo boleros em casa e seu coração foi tocado por artistas como Elis Regina, Maysa, Nelson Gonçalves, Rosana, Vanusa. Atualmente, ouve bastante Marisa Monte, Vanessa da Matta, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, o que a fez até pensar em se aventurar pelo axé. Mas novamente a MPB falou mais alto.

“Esse disco segue a linha romântica, com músicas que falam de histórias de vida, canções que tocam a alma, falam de amores que se foram, se perderam, se acharam. Ele transpira romantismo, porque reflete o que sou, uma pessoa muito sentimental, que chora por tudo”, define-se. A veia compositora revelou-se nas poesias que escrevia, mas jogava fora. Até que o amigo Sergio as leu e a incentivou a transformá-las em canções.

“Em cada nova estação” é a música carro-chefe do EP, com letra dela e melodia de Sergio Silva e Júnior Gonzo. Um clipe foi produzido para adiantar o que vem por aí. “No EP a canção estará com arranjo mais completo, com a introdução de mais instrumentos, mas a base é a mesma”, adiana a cantora. Depois de lançado o EP, Iucema pretende trabalhar em sua divulgação nas radios e correr o Brasil apresentando o trabalho. São Paulo, garante, está no roteiro e ela pretende aparecer por aqui em dezembro. Aguardamos ansiosos.

Abaixo, o clipe de “Em cada nova estação”.