Estou dormindo muito mal esta semana, média de duas a quatro horas de sono antes de acordar e não conseguir mais dormir. Deve ser o calor. Ou a saudade antecipada de minha filha. Não sei. O que sei é que estava ouvindo umas rádios na Internet e tocaram muitas músicas que me lembraram momentos com ela, de filmes que vimos juntos por exemplo. Deu nostalgia, lembranças de quando ela era pequena e vinha em fins de semana em minha casa e víamos DVDs, ou mesmo filmes na TV, ou íamos ao cinema, ao teatro, a parques, clubes, hotéis, sempre um programa bacana, para não ficar no tédio em casa. Mas mesmo lá procurávamos algo legal para fazer: um almoço bacana, jogos de tabuleiro, brincadeiras como carregá-la como porco e aquela que nunca lembro o nome, que se dá a letra e a pessoa escreve fruta, carro, artista, música. Ou então íamos a mais um show de Sandy & Júnior (perdi as contas de a quantos fomos). Bem, mas não é disso que pensei em escrever, mas de minha falta de sono, que está me fazendo mal, me deixa fraco e feio. Não quero tomar remédio para dormir porque não quero criar dependência. Já sei que vão dizer que é porque fico muito tempo na net e aí não durmo, mas não foi o caso. Esta semana realmente quis dormir direto ao chegar em casa mas não consegui. Vai ver que é porque quebrei a rotina (rs). Bem, capaz que seja o calor mesmo, que faz tomar banho toda hora, e vontade de deitar no chão - mas até o piso esquenta. Para piorar, ainda tem alguém fazendo uma obra em algum apartamento vizinho e o barulho do martelo atrapalha. Para abafá-lo, boto música no último volume. Pelo menos é um barulho suportável. Achei na net uma rádio que só toca Beatles e coisas relacionadas (músicas de cada um em carreira solo e outras que os mencionam), a Beatles A-Rama. E agora só ouço ela, muito boa. Pena que não entendo muito o que os locutores dizem... tenho de voltar ao inglês, caramba. Acho que uma atividade física ajudaria. Mas estou em dúvida entre musculação e yoga. Se bem que muitas academias agora têm os dois. Estou pensando ainda. Tenho medo de começar de novo e em pouco tempo desistir, como tem sido praxe. Bem, hoje já está chovendo, deve refrescar um pouco, isso se não alagar a cidade toda de novo, atrapalhando minha volta para casa. É, preciso resolver logo essa mudança para perto do trabalho, mas está demorando vender meu apartamento. Enfim, nada animador por aqui. Mas a vida continua.
O Barquinho Cultural
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Longe da folia
Se tem uma coisa que eu não aprendi a apreciar tanto quanto futebol é carnaval; simplesmente não consigo me empolgar por essa festa que acho cada vez mais menos criativa e mais comercial - vide a campeã do Grupo Especial de São Paulo, a Rosas de Ouro, que trouxe à passarela um enredo sobre o cacau com patrocínio de uma fábrica de chocolate. Nem vou me estender em considerações, por achar perda de tempo. Ano passado fui a um show das Velhas Virgens que adorei; eles tocaram, além de suas composições safadas, clássicos de velhos carnavais. Foi um show delicioso. O resto dos dias foi em casa mesmo, longe da muvuca. Falar em muvuca, em anos anteriores estive em Salvador e, falem o que quiser, não vi graça naquilo de trio elétrico, achei um som muito repetitivo, um mundaréu de gente a fim de encher a cara e sabe-se lá mais o quê. Sempre preferi viajar, apesar do sofrimento que é pegar uma estrada nesse período. Este ano fui para uma cidadezinha fincada na Serra da Mantiqueira, em Minas, chamada Gonçalves. Ficamos em um charmoso chalé em meio a araucárias, num clima de retiro, com direito a lareira (que não consegui acender - talvez culpa da lenha, verde demais, ou de minha imperícia mesmo), vinho, fondue, violãozinho, muitos DVDs (emprestados de minha filha) e longe de axés, sambas-enredo, poluição, trânsito. Só barulho de sapos, pássaros, vento nas folhagens e de cachoeiras e riachos. Claro que a cidade propriamente dita não fugiu à regra e trouxe seu carnaval, com baile em plena rua, caminhada alcoológica, desfile de homens vestidos de mulher, footbicha (idem, mas jogando bola). E um carro de som botando tudo que não presta que se toca em baladas e carnavais pelo Brasil afora. Enfim, um pequeno sacrifício em nome de não ficar o tempo todo preso entre quatro paredes. Foi um momento de tranquilidade a poucos quilômetros de São Paulo, mas que, confesso, me deu a certeza de que sou mesmo um ser ubano, que não curte muito viver no mato. Ainda bem que havia a cidade para ver um pouco de movimento e gente. Quanto à natureza, adoro, mas para contemplar. As opções de divertimento lá são passeios pela mata para atingir montanhas, cachoeiras ou esportes radicais pelos rios e quedas d'água, além de andar a cavalo ou aventurar-se de moto ou carros 4x4 pelas estradinhas de terra do local. Visitamos quatro cachoeiras, nas quais, por medo de água fria, não nadei, mas gostei de ver e tirar fotos para lembrar. Enfim, um carnaval longe da folia, perto da natureza, para ter a certeza de que é bom sair de vez em quando da civilização, mas com a certeza de que pode-se voltar à ela. E isso também é bom.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Trinta anos da estrela
- Nesse último dia 10 de fevereiro o Partido dos Trabalhadores completou 30 anos de fundação. Eu não poderia deixar de fazer um registro a respeito, uma vez que vivenciei sua formação e até trabalhei para uma administração e para seu diretório nacional. Estávamos nós, do grupo Tupi (Teatro Unido Popular Independente), em plena atividade, na temporada de nossa única montagem, A Invasão, de Dias Gomes (adaptada pelo grupo), quando o Grana, o mais novo da rapaziada, veio me falar da ideia de o "movimento" organizar um partido político, aproveitando a abertura que permitia o fim do bipartidarismo (até então, havia apenas a Arena e o MDB).
- Eu estranhei aquilo, não fui a favor, achei que ia desmobilizar todos os movimentos sociais que havia, canalizados todos para a atividade partidária. Bem, se isso aconteceu ou não, não posso dizer com certeza, mas no microcosmo do qual eu participava vi o teatro desaparecer, e nossos integrantes passarem a ser militantes do partido. Mais tarde, na primeira eleição, em 1982, eu fiz fileira no núcleo que se formou no meu bairro, a Vila Palmares, em Santo André, e fizemos campanha.
- Foi uma campanha bem diferente, com as ilustrações bonitas de Hércules nos muros em vez de pichações comuns, com abordagens de "conscientização" em vez de apenas jogar santinhos e panfletos nas ruas, trazendo pessoas para debates e conversas no núcleo.
- Foi um tempo muito bom; saía da faculdade e ia lá para as atividades, geralmente sempre de noite, para a polícia não pegar (lembre-se, era 1982, a ditadura ainda estava de plantão). Algumas vezes tivemos mesmo de correr das baratinhas (os fuscas da polícia) e largar baldes de cola e cartazes pela calçada.
- Da chapa que apoiávamos, que ia de governardor (Lula) a vereador, conseguimos eleger o vereador do bairro, o médico sanitarista Fernando Galvanese, que viria a ser secretário de Saúde assim que foi eleito prefeito o Celso Daniel, em 1988. Antes, fizemos novamente a campanha de reeleição do Galvanese e ele foi novamente ocupar a cadeira na Câmara.
- Era um tempo até meio ingênuo, pelo menos para mim, novato em política, e recém-saído do Exército, onde a doutrina era de ser contrário a tudo que cheirasse a oposição. O partido, nesse período, era um ambiente de formação política, onde conversávamos com pessoas mais experientes e tarimbadas nos meandros da política, que sabiam tudo de campanha, sementes ali plantadas que depois germinaram e deram no que deu.
- Eu confesso que nunca imaginei que o partido fosse chegar à Presidência, não por incompetência de seus quadros, mas por achar que a ordem estabelecida não permitiria, afinal, estavam aí 20 anos de golpe militar para desanimar. Mas o pessoal era aguerrido e teimoso e realmente acreditava nessa possibilidade.
- 1985 veio confirmar essa possibilidade, com a conquista da prefeitura de Fortaleza, e, em 1988, de outros governos importantes, como os de São Paulo, Santo André, São Bernardo, Campinas e Porto Alegre, entre outros.
- Em 1989 vou trabalhar na Prefeitura de Santo André, na Assessoria de Comunicação, atendendo diretamente a Secretaria de Saúde, cujo titular era, como disse, o Galvanese. Foi uma ótima oportunidade de ver como funciona um governo por dentro e de poder pôr em prática alguma coisa que a militância tanto clamava.
- Foi e é difícil. As forças que atuam na sociedade são muitas vezes antagônicas e nem sempre basta boa vontade para conseguir implementar uma boa ideia. Deu para ver o que é realmente a política na prática, eu que a conhecia até então apenas no discurso e na teoria, apesar de ver como as coisas eram na realidade, no dia a dia.
- Apesar disso, os dois mandatos do Celso consecutivos tiveram muitos êxitos. Em 1995, com a derrota do PT na prefeitura, acabei exonerado, num esforço da administração do PTB em anular o concurso que eu tinha feito e que permitiu minha contratação.
- Voltei a ter contato direto com o partido em 1996, quando fui trabalhar no seu diretório nacional, para atuar no grupo de trabalho eleitoral. Passadas as eleições, trabalhei no projeto de um jornal nacional, o ptnotícias, que acabou saindo quinzenal, quatro páginas em formato standard. Acho que esse jornal nem existe mais, mas foi bom fazê-lo, apesar de todas as dificuldades que enfrentávamos, de falta de pessoal, de recursos. Mas o pior era atender a todas as tendências agrupadas no partido, sempre havia alguém que reclamava da linha de determinada matéria, por mais isento que eu procurava ser. Até o dia que me enchi e saí de lá, em 1998.
- Três anos depois o PT conquistaria a Presidência. Não lamento. Acho que de fora eu pude até acompanhar melhor o partido. O curioso, e que aí sim lamento, é que muitas vezes eu tentava ouvir algum dirigente para uma matéria e era uma dificuldade. O próprio Lula nunca consegui entrevistar lá. Agora, quando fui trabalhar num jornal comercial, esse pessoal falava comigo sem frescura. Até com o Lula cheguei a ter rápida entrevista. É... santo de casa não faz mesmo milagre.
- Bem, a sensação que tenho, passados esses 30 anos, é que o PT que vi nascer e esse que está aí há oito anos no comando do País guardam muitas diferenças, mas também bastante semelhanças. Mas eu também mudei muito minha cabeça, minha maneira de pensar. Nunca fui um radical, sempre um moderado, e esse PT está mais para o que eu sou hoje do que aquele que cresceu com um discurso feroz e visceral, gritando contra coisas que eu nem entendia direito, como Fora FMI.
- Mas, de maneira geral, não me sinto partícipe desse projeto, porque em determinado momento de minha vida optei por guardar certa distância, por não me sentir dentro do perfil de um militante típico ou um quadro partidário.
- Acho que é porque sempre preferi a liberdade de pensar da maneira que quisesse e tinha pouca vontade de defender meu ponto de vista. Ou seja, fui coerente com meu pensamento inicial, quando o amigo falou-me desse projeto que completa agora a terceira década. Então, feliz aniversário, companheiros!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
She's leaving home
Minha filha vai estudar em outro Estado. Um bem longe. São vários os sentimentos que me invadem, vários contraditórios. O principal deles, contudo, é a sensação de que ela cresceu, criou asas, pode andar com as próprias pernas e todos os chavões do gênero.
Isso é bom, mas dói também, porque os pais nunca admitem serem menos importantes para seus filhos que o mundo que os cerca. Quer dizer, ela cresceu faz tempo, mas agora, com essa sua decisão, a ficha cai mais pesada e desnorteia.
Apesar de eu e a mãe e muitas outras pessoas apoiarem, um gosto de tristeza e um amargo na boca são inevitáveis. A gente quer ter por perto sempre, porque quer poder proteger, quer cuidar, quer tomar conta. Não terá mais a comida pronta, casa e roupas limpas. Isso será responsabilidade delas (vai morar com a prima-irmã-melhor-amiga).
Claro que isso é importante para o crescimento, para sua formação para a vida que terá de enfrentar. A gente sabe de tudo isso, mas isso é razão, o emocional não pensa, ele sente. E o sentimento é de que ela vai ganhar o mundo, e espero que a tenhamos preparado o bastante para esse desabrochar. E que o mundo não seja muito cruel com ela.
Fiquei já com essa sensação ao buscar os documentos de inscrição de uma faculdade dela. Ela já às voltas com uma das piores coisas desse mundo injusto, que é a horrenda burocracia. Ela debutando nesse mundo que não dá moleza para ninguém. A sensação de que a gente não a poderá proteger de tudo nesse mundo é angustiante.
Por mais que tenhamos dado a ela todas as condições de enfrentar as agruras que há, no fundo queríamos sempre mantê-la na redoma indevassável, imune à selvageria que há lá fora. Mas sabemos que é necessário esse crescimento, esse enfrentamento para que aprenda a viver. E, claro, sempre estaremos por perto e a postos para qualquer necessidade mais difícil, ensinando a pescar (outro chavão inevitável).
Mas eu tenho certeza de que essa sua experiência fará dela uma cidadã mais consciente ainda do que é, que agregará conhecimentos, fortalecerá seu espírito, endurecerá o couro, ganhará muito mais do que aquilo que poderíamos dar, porque os pais nunca podem dar tudo. Damos as oportunidades, agora cabe a ela agarrá-las e fazer o melhor que puder. Nunca esquecendo de ser justa com todos, de ser honesta, de ser amável, tudo isso que ela já é e que vai saber dosar para que não seja ludibriada pelas más intenções que imperam por aí.
A gente cresce sempre às próprias custas, mas o aprendizado é sempre melhor quando há quem acredite na gente e não há empecilhos. Nesse ponto, julgo que estamos, eu e a mãe, agindo certo: jogando-a no mundo sem rede de proteção, mas com a certeza de lhe ter dado musculatura e equilíbrio suficientes para agarrar o trapézio e dar seu show, pois o aplauso é garantido. Boa sorte meu bebê.
Isso é bom, mas dói também, porque os pais nunca admitem serem menos importantes para seus filhos que o mundo que os cerca. Quer dizer, ela cresceu faz tempo, mas agora, com essa sua decisão, a ficha cai mais pesada e desnorteia.
Apesar de eu e a mãe e muitas outras pessoas apoiarem, um gosto de tristeza e um amargo na boca são inevitáveis. A gente quer ter por perto sempre, porque quer poder proteger, quer cuidar, quer tomar conta. Não terá mais a comida pronta, casa e roupas limpas. Isso será responsabilidade delas (vai morar com a prima-irmã-melhor-amiga).
Claro que isso é importante para o crescimento, para sua formação para a vida que terá de enfrentar. A gente sabe de tudo isso, mas isso é razão, o emocional não pensa, ele sente. E o sentimento é de que ela vai ganhar o mundo, e espero que a tenhamos preparado o bastante para esse desabrochar. E que o mundo não seja muito cruel com ela.
Fiquei já com essa sensação ao buscar os documentos de inscrição de uma faculdade dela. Ela já às voltas com uma das piores coisas desse mundo injusto, que é a horrenda burocracia. Ela debutando nesse mundo que não dá moleza para ninguém. A sensação de que a gente não a poderá proteger de tudo nesse mundo é angustiante.
Por mais que tenhamos dado a ela todas as condições de enfrentar as agruras que há, no fundo queríamos sempre mantê-la na redoma indevassável, imune à selvageria que há lá fora. Mas sabemos que é necessário esse crescimento, esse enfrentamento para que aprenda a viver. E, claro, sempre estaremos por perto e a postos para qualquer necessidade mais difícil, ensinando a pescar (outro chavão inevitável).
Mas eu tenho certeza de que essa sua experiência fará dela uma cidadã mais consciente ainda do que é, que agregará conhecimentos, fortalecerá seu espírito, endurecerá o couro, ganhará muito mais do que aquilo que poderíamos dar, porque os pais nunca podem dar tudo. Damos as oportunidades, agora cabe a ela agarrá-las e fazer o melhor que puder. Nunca esquecendo de ser justa com todos, de ser honesta, de ser amável, tudo isso que ela já é e que vai saber dosar para que não seja ludibriada pelas más intenções que imperam por aí.
A gente cresce sempre às próprias custas, mas o aprendizado é sempre melhor quando há quem acredite na gente e não há empecilhos. Nesse ponto, julgo que estamos, eu e a mãe, agindo certo: jogando-a no mundo sem rede de proteção, mas com a certeza de lhe ter dado musculatura e equilíbrio suficientes para agarrar o trapézio e dar seu show, pois o aplauso é garantido. Boa sorte meu bebê.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Tocando em frente
Acho que estou melhorando. A vida me exigiu um pouco esses últimos dias e resisti bravamente. Em outras épocas, cairia de quatro, mas agora estou, além de erguido, com toda a esperança e otimismo que uma pessoa pode acumular. Sinal de que estou fortalecido, o que é muito bom, para mim e para os que estão ao meu redor. Aos que provocaram dissabores em minha vida, sinto muito, mas seu objetivo não foi alcançado. Estou feliz e pronto para tocar em frente. E é só, por hoje. Bebeia, meu anjo, você é demais, seu brilho estará sempre além de tudo. Grande beijo do papai. Sábado matamos a saudade.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O espírito de uma nação
Não sou crítico de cinema, nem literário, nem teatral, tampouco comentarista político, econômico ou de qualquer outra área. Sou apenas um editor que tenta fazer bem seu trabalho e que tem curiosidade pelas coisas, como todo jornalista tem de ser. Esse blogue foi criado para expor minhas impressões sobre as coisas que me passam diante dos olhos, uma maneira de ter um registro dos meus pensamentos, dividindo essas impressões com quem porventura venha a ler esse site, possibilitando uma troca de ideias. Então não sei analisar quando um filme que assisto tem qualidades técnicas ou artísticas "x" ou "y". Até poderia arriscar tecer algum comentário nesse sentido, acho que talento para tal todos temos, pois senso crítico é artigo comum em mentes que pensam. Bem, depois desse narigão de cera vamos ao que interessa. Assisti a "Invictus" nesse fim de semana. O filme, dirigido por Clint Eastwood, trata do trabalho do então presidente da África do Sul Nelson Mandela (Morgan Freeman) de tentar unificar o país por meio da canalização das paixões para o time local de rúgbi, torcendo para sua vitória no campeonato mundial da modalidade em 1995. Para isso ele leva sua experiência de tenacidade, tolerância, capacidade de perdoar e de liderança ao capitão do time, François Pienaar (Matt Damon), que acaba levantando o moral da equipe, superando o ainda presente preconceito e levando-os à vitória, após dura partida contra os maoris da Nova Zelândia. Bem, não vou ser condenscendente. O filme tem falhas, a principal dela é o tom piegas e triunfante dado, o que o deixa até um pouco panfletário. Mas, como não sou crítico, como disse, me deixo levar pela emoção e destaco o excelente trabalho de ator de Freeman, encarnando de fato Mandela, um personagem complexo e emblemático. Damon também se sai muito bem e transmite emoção, se bem que pouco se vê das nunces de seu trabalho de liderança. O pano de fundo são os primeiros anos de administração de Mandela, que dão uma ideia mas não aprofunda muito as questões fundamentais da transição do apartheid para o regime de convivência sem hostilidades. Há, claro, cenas que dão uma ideia de como eram as coisas, mas senti falta de uma abordagem mais detalhada. O importante é que o filme traz à cena essa figura importante na nossa história, que deve ser conhecida por todos. Agora, se houve alguma estratégia por conta da Copa do Mundo, a ser realizada na África do Sul este ano, não sei. Pode ser exagero de minha parte.
Outra reflexão que o filme me traz é sobre a importância do esporte para grandes parcelas da humanidade. Eu, como todos que me conhecem sabem, não me ligo muito em futebol e outras modalidades esportivas. Sigo a Copa do Mundo por uma questão de espírito coletivo, talvez patriotismo. Mas não entendo nada de regras, jogadas, os termos específicos, nada. Só tenho vaga ideia. Quando tinha de fazer plantão na editoria de Esportes no Diário do Grande ABC sofria, passava apuros, mas no final a matéria saía, pois, afinal, sou pago para isso. Mas chega a me surpreender como esse negócio empolga multidões, gera paixões exacerbadas, move até vidas, além de ser um empreendimento muito lucrativo. Mas tudo isso para mim é mistério, pois não tenho dentro de mim o sentimento de amor que invade um torcedor e que o faz agir como um alucinado a cada movimento de seu time de coração. Por isso me tocou como um país inteiro mobilizou-se para levar seu time adiante e vê-lo conquistar a taça. E Mandela sabia disso e viu aí uma forma de levar adiante seu projeto de unificar o país, superando o odioso preconceito que por anos perdurou no país. Assim vejo como esse tal de esporte é coisa séria, mas daí a eu sair torcendo e indo a estádios tem um longo caminho, talvez nem queira dar o primeiro passo. No entanto, ganha meu respeito.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Um grande amigo, uma grata surpresa
Mencionei em um post recente minha dúvida se esse blog teria algum leitor. Recebi, com alegria, manifestações de leitores fieis, que me deixaram bastante feliz. Agora, depois disso, soube de outros tantos, minha filha Isabela inclusive, e isso dá uma felicidade e uma responsabilidade, que é a de manter a coerência e alimentar periodicamente esse site, o que tento, mas muitas vezes falta assunto, e para mim falta de assunto não é assunto. Agora, não podia imaginar que meu amigo João, que há uns dez anos mora nos States e que não vejo acho que há uns cinco, seria um desses leitores. E não é que ontem ele me encontra no MSN e, logo em seguida, me liga, dizendo que leu o blog? E, para melhorar, se emocionou com a leitura. Eu sei por quê. É que o grande João é protagonista da maioria das histórias que relato aqui, pois no começo dos anos 80 estávamos juntos em todos aqueles movimentos de que comecei a tomar parte. E ele tornou-se, como todos os demais daquela época, grande amigo meu e de todos. Éramos uma verdadeira comunidade, com ideias e ideais comuns, atitudes conjuntas, diversões em parceria. Lembro que, quando ele e Cris se casaram e foram morar em Fortaleza, fomos junto, aproveitar a lua-de-mel deles para conhecer Canoa Quebrada (na foto, ele aparece atrás de mim, sobre meu ombro direito). Foi uma viagem, para mim, triste, pois tive de interrompê-la devido à morte de minha mãe, mas a semana que passamos juntos lá foi inesquecível. João sempre foi um dos mais articulados e curiosos da turma: sua sede de aprender e de conhecer era notável. Uma pessoa determinada e que não se curvava às evidências. Metia-se onde queria e saia-se muito bem em todas as empreitadas que iniciava. Ouvi-lo, depois de tanto tempo, e saber que a nossa história ainda o comove, é um bálsamo e a certeza de que aquilo tudo que fizemos valeu a pena. Se não mudamos o mundo, como queríamos, pelo menos cultivamos amizades que vencem o tempo e o espaço e, mesmo que não nos vejamos mais com tanta frequência como naquela época, o coração está sempre aberto para lembrar de cada um deles e, de repente, pegar no telefone e dar aquele alô. Isso faz um bem!
(P.S.: a amizade com João e todos os outros do Juba, Tupi, PaJu e JOC também está fazendo 30 anos.)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Zilda Arns: imprescindível
A morte da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, é um profundo choque, em meio à grande tragédia que já é a calamidade que abateu sobre o pobre Haiti e que vitimou não se sabe ainda quantas pessoas. Dona Zilda estava lá, em missão humanitária, como tantas outras que abraçou em sua vida. Não a conheci pessoalmente, mas todas as vezes que a ouvi ou li na mídia deu para perceber a sua seriedade, sua bondade e desprendimento. Uma pessoa que lutou a vida toda pelos menos favorecidos, e que por isso se torna um dos seres humanos imprescindíveis, como conceitua o poema de Bertold Brecht. O destino realmente é gozado: como que pode essa coincidência de ela estar naquele local exatamente no dia em que acontece esse terrível terremoto? Creio que é a vida, mesmo, que explica. Afinal, o Haiti é um dos países mais pobres do mundo e uma pessoa benemérita como dona Zilda não poderia estar em outro lugar nesse momento. Uma grande perda, sem dúvida.
Um fim de semana agitado
Esse fim de semana foi agitado. Fiz um monte de coisas. Tirando as férias, havia tempo não tinha um fds com tanta programação. Acho que gostei da experiência e pretendo repeti-la: não mais ficar trancado no apartamento, se bem que vez em quando é bom um resguardo, para ler, tocar o violão, ouvir discos novos e antigos, escrever, ou ficar com minha filha contando a ela as histórias que ela quer conhecer. Bem, mas esse fim de semana eu saí com a Ana Isabela. Fomos na sexta-feira ao show do Del Rey no Studio SP, na Augusta. É um pessoal de Pernambuco que toca músicas do Roberto Carlos de uma maneira muito legal, uma pegada bem rock e um ritmo mais frenético. Fica muito bom. A casa estava lotada, difícil de se movimentar lá, mas com jeitinho dava para ir ao banheiro e ao bar pegar uma cerveja (muito cara, aliás, como é nesses locais). Os caras tocaram por mais ou menos duas horas, tendo começado por volta de 2h, apesar de estar programado para a 1h. A baiana Pitty deu o ar da graça e cantou uma música com o China, o vocalista da banda. Muita gente jovem, mas eu não me senti tiozão não, apesar de o ambiente ser meio fora do que eu costumo frequentar. Mas gostei; se rolassem uns eletrônicos sem cérebro eu chiaria, mas a picape soltava só MPB de boa qualidade, coisa interessante pra caramba!
No sábado, uma chuva torrencial desabou sobre São Bernardo (acho que por todo o Estado também) bem na hora que íamos ao cinema. Bom que assim que estacionamos o temporal parou, e só ficou uma chuvinha fina. Depois de degustar um festival de carne em um restaurante rodízio, fomos ver o Lula, O Filho do Brasil. Há algumas coisas a se falar dessa obra de Fábio Barreto. Como cinema, é excelente. Tem uma boa história, personagens marcantes, intérpretes de altíssima qualidade, ótima carga dramática, ou seja, uma história para se assistir e sair de alma lavada. Mas não se pode resumir à discussão cinematográfica. Sem entrar no mérito das críticas que o acham eleitoreiro (só digo uma coisa, não acho; ora, desde quando Lula precisaria de um filme para se eleger para qualquer coisa, e tem ainda que ele não é candidato a nada no momento), pois bem, sem entrar nesse mérito, eu penso que o filme romanceou demais a vida do homem que se tornou o presidente do Brasil e deixou a política um pouco de lado. Eu, sinceramente, preferiria que se fizesse um bom documentário sobre o fenônemo Lula, porque justificaria, afinal, raros são os homens que tiveram ou têm a trajetória dele. As gerações atuais, pessoal na casa dos 20 a 30 anos, talvez não compreendam bem o que significa essa figura, e um bom documentário ajudaria a entender não só o homem, mas também o país. Não é o momento certo? Ora, para cinema, o momento é o da vontade e da oportunidade de seu realizador. Acho que nesse ano final de mandato, quando o correto seria se fazer um bom balanço dos dois mandatos de Lula, o filme vem a calhar, mas, insisto, seria muito melhor um documentário, não uma ficção "baseada em fatos e personagens reais". Mas gostei do filme, porque ele dá uma mostra pequena dos fatos que forjaram esse homem singular. Como não poderia deixar de acontecer, emocionei-me muito com as cenas de fábrica, de greve, as assembléias, passeatas. Lembrei-me, inevitavelmente, das coisas que já mencionei quando falei pela primeira vez do filme: meu tempo de milico, o medo de ter de enfrentar a peãozada, considerando minha família ser constituída por operários, muitos de montadoras e outras metalúrgicas. Aí depois veio à lembrança o período posterior, quando eu já estava metido nesses movimentos, apesar de não ser metalúrgico, mas bancário. Mas participávamos do fundo de greve, que visava arrecadar grana para o pessoal poder comer enquanto estava em greve e o salário não era depositado. Até aprendi, porque quando chegou minha vez, fiz greve com convicção no banco, aliás, uma greve de nove dias vitoriosa, que ganhou até apoio da população, que não imaginava que nós éramos tão explorados (vai ver o pessoal via a gente lá de gravatinha e as meninas todas pintadinhas e bem-vestidas e achava que ganhávamos muito bem!). O chato foi que na segunda greve eu já era cargo de confiança e dancei, mas esta é outra história. Eu vi diversas vezes o Lula nas assembléias da Vila Euclides, e o ator Rui Ricardo Diaz representa direitinho a voz e os trejeitos do líder sindical. Só ficou mal aquela mão meio virada para simular o mindinho decepado. Agora o Lula marido eu sei lá, não posso acreditar em um Lula tão romântico daquele jeito, tão doce com as esposas... Sei lá, a impressão que tenho, das vezes que tive contado pessoal com ele, é de que ele é não grosso, mas um machão como muitos homens de sua geração. E há ainda a omissão de seu envolvimento com a Miriam Cordeiro, aquela usada por Collor em 1989 para desacreditá-lo. Miriam é mãe de Lurian e disse que Lula sugeriu que abortasse, depoimento dado em horário eleitoral que abalou muito a candidatura do Lula. É mesmo incompreensível essa omissão. Quanto ao Lula doce, bem, acho que quiseram mostrar que, diante de um pai como o dele, decidiu ter um comportamento diametralmente oposto com as mulheres. Faz sentido, mas não vejo verosimilhança. Mas faltou explorar mais o lado político, expor a formação política do Lula, porque lá limitou-se a apontar cenas de injustiça que ele presenciou e a gente tem que supor que foi isso que trouxe-lhe a consciência política. Ora, todos sabem que ele era um quase alienado antes de assumir uma diretoria no sindicato, que seu ingresso nesse mundo foi por meio de seu irmão Frei Chico. Ou seja, o filme não explica o fenômeno. Será que é porque não há explicação? Mas é um bom filme, repito, que vale a pena ver e que valeu a pena ter sido feito.
No domingo, novamente no cinema, para ver Avatar, de James Cameron. Vimos a versão em 3D. Uma perfeição, diversão garantida. Um roteiro convencional, a eterna luta dos fracos contra os poderosos gananciosos que querem explorar as riquezas minerais de um planetinha perdido no espaço. Mas os efeitos visuais são de tirar o fôlego. O filme mistura atores com animação e o resultado é de cair o queixo. É diversão pura, cinema hollywoodiano na essência, e um campeão de arrecadação, conforme dizem os jornais. Os efeitos de terceira dimensão também são perfeitos. Ele lembra um pouco do Era do Gelo 3, ao misturar dois mundos, no caso deste, a selva é habitada por seres vindos diretos da nossa (da Terra) pré-história e ETs e seres estranhos, como cavalos com cabeça de tamanduá e seis patas. Aves com quatro olhos.. É engraçado. Valeu o preço do ingresso, e também é altamente recomendável.
No domingo, novamente no cinema, para ver Avatar, de James Cameron. Vimos a versão em 3D. Uma perfeição, diversão garantida. Um roteiro convencional, a eterna luta dos fracos contra os poderosos gananciosos que querem explorar as riquezas minerais de um planetinha perdido no espaço. Mas os efeitos visuais são de tirar o fôlego. O filme mistura atores com animação e o resultado é de cair o queixo. É diversão pura, cinema hollywoodiano na essência, e um campeão de arrecadação, conforme dizem os jornais. Os efeitos de terceira dimensão também são perfeitos. Ele lembra um pouco do Era do Gelo 3, ao misturar dois mundos, no caso deste, a selva é habitada por seres vindos diretos da nossa (da Terra) pré-história e ETs e seres estranhos, como cavalos com cabeça de tamanduá e seis patas. Aves com quatro olhos.. É engraçado. Valeu o preço do ingresso, e também é altamente recomendável.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A crise dos 30
É estranho, mas aos 48 anos, que completei em maio passado, os 30 anos são constantes em várias coisas na vida. São quase 30 anos que comecei a faculdade de jornalismo, 30 que comecei a trabalhar com constância, 30 que servi à Pátria como soldado, 30 que conheci uma galera e uma ideologia que mudaram minha maneira de ver o mundo, 30 que tive a primeira namorada que se pode chamar disso, quase 30 que perdi minha mãe, 30 que fui tio pela segunda vez, 30 que comprei o primeiro carro. Nossa, quanta coisa a gente faz por volta dos 18 anos! Por isso essa data dizem que é o ingresso na vida adulta. E a garotada parece que resolve tirar o atraso e fazer tudo de uma vez (estou falando de meu tempo; hoje as coisas são bem mais ligeiras). E ao olhar para trás me dá uma certa coisa, não sei explicar. É como se dar-se conta da passagem desse tempo fosse algo que a gente evita. Mas não há mesmo como evitar. O que procuro é não ficar pensando muito nisso. Porque se pensasse ia começar a fazer um balanço, achar que fiz coisas que não deveria, e coisas que deveria e não fiz. Ou seja, a reflexão que todos fazem. Tenho a favor disso que a experiência que se ganha é algo que não há paralelo. E a gente pode compartilhar isso com os mais novos, não para guiá-los, mas para orientar, mostrar se estão indo bem, mas sem impedir que voem com suas próprias asas. Errei muito, claro, e é por isso que posso ensinar. Aliás, é para isso que quis - e ainda quero - fazer mestrado. Acho que ensinar é uma obrigação de qualquer um que aprende algo, que vive uma experiência. Saber guardado é saber perdido. E o saber também se alimenta da retroalimentação (o tal feed back), daquilo que o ensino traz ao próprindo professor (ou mestre, ou orientador, qualquer coisa). Eu quando era vice-coordenador do grupo de jovens da igreja de meu bairro gostava de pegar algum trecho da Bíblia e discutir com o pessoal, para a gente entender junto, não eu vir com meu entendimento pronto e fechado. Sempre gostei de discussão, de debate, de troca de idéias. E acho que assim todos se nutrem do saber. Detesto quem vem com as ideias prontas e não aceitam visões divergentes. Tive muitos professores assim. Acho que dar aula é uma sequência natural de minha carreira. Não que eu saiba muito de jornalismo, mas 30 anos de vida profissional dá uma retaguarda que quem gosta de aprender pode usufruir. O problema é a timidez, mas isso se resolve. Então penso que essa crise dos 30 pode ser melhor resolvida se aproveitar esse tempo de estrada para tornar o fardo das novas gerações mais leve - ou mais pesado, dependendo do que a pessoa, pessoas forem fazer com isso. Espero que em 2011 eu possa estar fazendo aqui um balanço de minha experiência como professor, ou ao menos como aluno de um curso de mestrado. Ou, pelo menos, como escritor, porque essa também é uma forma de expandir o conhecimento. Escrever um livro é um projeto antigo, mas ainda não cheguei a um consenso sobre o tema. Aceito sugestões (sem sacanagem).
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
2009: um balanço
Foi um ano estranho, cheio de reviravoltas, de cair em profundo desânimo e fazer altas loucuras. Rompi um relacionamento longo, iniciei outros, não fiquei sozinho, mas me senti muito solitário. Trabalhei bem, mas estudei pouco; tentei por duas vezes ingressar no mestrado da USP, mas não deu. Mas tive a felicidade de ver minha filha ser aprovada em dois vestibulares e passar para a segunda fase da Fuvest. Viajei muito, muitas vezes de forma até irresponsável, gastei muito mais do que podia, mas me dei conta a tempo da besteira que fazia. Conheci um monte de gente, mas os amigos antigos quase não os vi. Ouvi muita música nova, e ouvi de novo muitas que não canso de ouvir (Beatles e Frank Zappa, principalmente). Fui bastante ao cinema e a shows, mas muito pouco a teatros. Voltei a estudar violão e relaxei bastante na atividade física. Troquei de bicicleta planejando andar mais, mas que nada... Questionei muito meu terapeuta, mas ainda não consegui abandonar o tratamento (??). Dei-me conta de que não sou tão péssimo como sempre achei que era, talvez por perceber que se fosse assim tão ruim algo maligno já teria me acontecido. Mas posso até me considerar abençoado. Sei lá, não sei se no geral o ano 2009 foi bom ou ruim, depende do momento; posso dizer que ele começou muito ruim, tive péssimos momentos e consegui reverter e ter momentos de extrema felicidade, ou pelo menos de fortes emoções, que elevaram minha autoestima e me fizeram sorrir. No balanço geral considero que fiz muitas besteiras, mas não por maldade, talvez por imaturidade ou necessidade de sair do marasmo.
Para este 2010, não faço planos, mas sei que haverá mudanças radicais, porque, em minha vida, todo começo de década marcou uma reviravolta. Foi assim em 1970, quando a mudança para a capital abriu minha cabeça para um mundo novo, para o bem e para o mal. Em 1980, tive uma tomada de consciência e mudança de pensamento que moldaram minha cabeça até hoje. Em 1990, conheci aquela com quem me casaria e com ela seríamos pais de minha adorada Isabela. Em 2000, veio a morte de meu pai e minha separação, e pouco depois nova jornada profissional. Portanto, creio que em 2010 algo haverá, e não faço a mínima ideia do que seja. Ainda bem. Como não sou supersticioso, apenas considero isso coincidências...
A todos os que eu conheci neste ano que passou, e que depois por circunstâncias da vida não vi mais, gostaria de dizer que foram e são pessoas importantes para mim, que marcaram uma etapa de minha vida e que por isso - e por ser quem são - ficarão marcadas na minha mente e no meu coração. Aos amigos que deixei de visitar, alguns há bem mais que um ano, espero revê-los em breve. Aos que porventura eu tenha magoado, peço desculpas e que reconheçam que a gente às vezes comete erros sem estar se dando conta de que o faz. Quero a todos muito bem e gostaria muito mesmo de poder estar sempre rodeado de amigos e pessoas queridas. Pena que isso nem sempre é possível. E, se há uma promessa a ser feita para este ano que está iniciando, diria que é o de cultivar os amigos e não deixá-los no esquecimento. Senti muito falta deles nesse ano terminado, mas não foi culpa deles, claro, mas minha. E esse erro não quero voltar a cometer. E pretendo também escrever mais nesse blogue, mesmo que ninguém o leia.
E feliz ano-novo.
Para este 2010, não faço planos, mas sei que haverá mudanças radicais, porque, em minha vida, todo começo de década marcou uma reviravolta. Foi assim em 1970, quando a mudança para a capital abriu minha cabeça para um mundo novo, para o bem e para o mal. Em 1980, tive uma tomada de consciência e mudança de pensamento que moldaram minha cabeça até hoje. Em 1990, conheci aquela com quem me casaria e com ela seríamos pais de minha adorada Isabela. Em 2000, veio a morte de meu pai e minha separação, e pouco depois nova jornada profissional. Portanto, creio que em 2010 algo haverá, e não faço a mínima ideia do que seja. Ainda bem. Como não sou supersticioso, apenas considero isso coincidências...
A todos os que eu conheci neste ano que passou, e que depois por circunstâncias da vida não vi mais, gostaria de dizer que foram e são pessoas importantes para mim, que marcaram uma etapa de minha vida e que por isso - e por ser quem são - ficarão marcadas na minha mente e no meu coração. Aos amigos que deixei de visitar, alguns há bem mais que um ano, espero revê-los em breve. Aos que porventura eu tenha magoado, peço desculpas e que reconheçam que a gente às vezes comete erros sem estar se dando conta de que o faz. Quero a todos muito bem e gostaria muito mesmo de poder estar sempre rodeado de amigos e pessoas queridas. Pena que isso nem sempre é possível. E, se há uma promessa a ser feita para este ano que está iniciando, diria que é o de cultivar os amigos e não deixá-los no esquecimento. Senti muito falta deles nesse ano terminado, mas não foi culpa deles, claro, mas minha. E esse erro não quero voltar a cometer. E pretendo também escrever mais nesse blogue, mesmo que ninguém o leia.
E feliz ano-novo.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Soam como trovões
Domingo, nuvens negras ameaçadoras no céu. A tarde prometia ser molhada, como têm sido esses últimos dias em Sampa. Mas isso não me preocupou. Fui determinado ao Parque da Independência, no Ipiranga, a assistir ao show de Dianne Reeves e Buddy Guy, promovido por uma operadora de telefonia. A cantora eu não tinha ouvido, ainda mas Buddy já é velho conhecido, inclusive estive em seu clube em Chicago, o Legend's, quando viajamos aos EUA com a turma do MBA, e tive direito a autógrafo no CD Damn Right I’ve Got The Blues, comprado lá mesmo, e foto - que simplesmente sumiu, alguém da turma do MBA clicou mas não achei quem foi (se é que tiraram a foto mesmo). Dianne me surpreendeu com seu repertório (recheado de temas brasileiros) e sua voz, de registro bem extenso. Veio com um guitarrista brasileiro, Romero Lubambo, excepcional. Ela começou com uma versão em inglês de Triste, de Jobim, e em seguida cantou diversas canções com tempero brazuca, inclusive com temas de candomblé, com um suíngue contagiante. A platéia delirou muito. Muita gente bastante nova, o que surpreende e anima (nem todos gostam apenas de micaretas, enfim). Cantava junto, aplaudia, sob o sol inclemente. Durou uma hora. Intervalo, troca de equipamento. E entra Buddy. Camisa branca de bolinhas pretas, boina branca, e a Fender Stratocaster cor creme pendurada no pescoço. Na hora e pouco que ele vai tocar, a guitarra passeia por seu corpo todo; ela a toca com a barriga, com os dentes, nas costas, com o braço direito debaixo dela, com uma mão só. E como toca! O público, se foi ao delírio com Dianne, com Buddy vai ao êxtase. Um mestre, que desce e toca no meio da multidão, que joga as palhetas ao público, que canta Feels Like Rain, única vez que toca com Dianne, meio que ironizando a chuva que cai grossa, meio que mostrando que isso (a chuva) nada importa. Ponto positivo na galera: alguns abriram os guarda-chuvas, tirando a visão de quem estava atrás. Mas, após protestos, fecharam, e todos tomaram a benfazeja chuva. Guy terminou com Hendrix e Cream. Demais. Espetacular. Quem não foi perdeu.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Teatros em shoppings

Ontem, indo para casa, ouvi no rádio o anúncio da inauguração de um shopping center na Vila Olímpia, e me chamou a atenção a informação de que em breve o centro de compras contaria com um teatro. Aí me lembrei de outro shopping recém-inaugurado, o Bourbon, no bairro da Pompéia. Lá tem o Teatro Bradesco; no Frei Caneca, na rua de igual nome, também tem teatro - foi onde assisti ao espetáculo O Mistério de Irma Vap. Aí pensei: será uma tendência? Fui pesquisar e o bom e velho Google deu-me outros endereços: Teatro das Artes, no Eldorado; Teatro Folha, no Pátio Higienópolis; Teatro do Shopping Parque Dom Pedro, em Campinas. Deve haver mais por aí, mas fiquei com preguiça de passar da página 1. O importante é que parece mesmo se tratar de uma tendência. Como os cinemas, que invadiram os templos de consumo há pouco mais de 10 anos, espero que não pereçam os teatros de rua, como os cinemas definharam impossibilitados de competir com a praticidade do shopping. Já imaginaram o Teatro Municipal de São Paulo (foto), do Rio, o Amazonas, de Manaus, o José de Alencar, de Fortaleza, virando templos da Universal ou da Renascer? Ou passarem a exibir peças pornográficas ao vivo? Seria o fim da cultura. Eu não sei se a intenção dos empresários que constroem esses empreendimentos é difundir a cultura, apostando em montagens importantes. Ou se nesses teatros reina o besteirol (nem me preocupei em pesquisar o que está em cartaz, porque não saberia que tipo de peças são antes de assistir ou buscar referências). Um teatro costuma até se tornar uma referência, seja do local onde está seja do tipo de espetáculo que apresenta. É impossível que alguém não saiba onde é o Municipal de São Paulo, ou que não se refira a algum endereço no Centro sem falar: "Ah, é perto do Municipal". A outra referência, a do repertório, aponta a fama que a sala ganha ao longo do tempo baseada no tipo de peça que se assenta em seu palco. Durante os anos 50 e 60, o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), Major Diogo, era sinônimo de sofisticação, de textos clássicos; nos 60, queria espetáculos contundentes, revolucionários, ia-se ao Teatro Oficina, na rua Jaceguai; hoje, peças de vanguarda, humorísticas têm lugar nas salas da Praça Roosevelt, musicais da Broadway têm sempre vez no Teatro Abril, na Brigadeiro Luiz Antônio. Como será que vamos nos referir aos novos teatros nos shoppings no futuro? Será que vamos ao teatro ou fazer umas comprinhas, jantar e, se der tempo, ver a peça que estiver passando, caso a fila do cinema esteja grande demais? Nada contra, em princípio, afinal, a modernidade é assim mesmo e, com tanta violência por aí, estar protegido naqueles oásis pode até fazer o gosto pelo teatro renascer, ou aumentar. Mas eu fico pensando que teatro Zé Celso (diretor do Oficina) faria dentro de um shopping, lembrando de encenações do grupo que extrapolavam o teatro e iam à rua! E, curiosamente, há anos ele vem brigando com o grupo Silvio Santos, que quer derrubar o teatro (pois parece que a empresa é dona do quarteirão em que está o Oficina) e construir um... shopping.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Viajar é preciso
"Vai, Carlos, ser gauche na vida." Esse verso do poema de Drummond não me foi dito por nenhum anjo torto, mas por meu médico. O que ele quis dizer? Ele diz isso quando conto-lhe minhas aventuras por esse país, andando de norte a sul com meu peugeotizinho, conhecendo pessoas, me aventurando, sem limites muito definidos. Eu gosto de sair do certo quando me dá na telha, eu gosto de experimentar minhas capacidades. Eu faço, porém, coisas que não são perigosas. É que em boa parte de minha vida fui delimitado, com medo de sair do conforto do conhecido, e sempre orientado a não sair do cabresto me imposto. A busca de novos horizontes é uma forma de quebrar essas correntes, de desbravar, de crescer. Sei que muitas vezes é de uma forma meio destrambelhada, como quando dirigi 18 horas sem parar de Cascavel, no Paraná, a Rondonópolis, no Mato Grosso. Foi uma loucura. Mas eu queria, de alguma forma, testar meu limite. É errado, eu sei, mas eu estava afetado por acontecimentos que me deixaram abalado, e a forma de não pensar muito nisso foi essa sandice. O problema é que adoro dirigir. Quando pequenino, brincava de motorista de ônibus. E não sei como não segui nessa profissão, tamanho era o gosto que eu tinha nesse brinquedo. Adorava carrinhos, jipinhos, triciclos, tudo que pudesse rodar comigo em cima ou dentro. Curiosamente, só fui tirar carteira de habilitação com mais de 20 anos. Além de gostar de andar de carro, gosto de viajar, quero conhecer o Brasil todo, não me importo muito em conhecer o exterior por enquanto, quero ir para o Sul e para o Norte, que ainda não conheço. Então quando é possível eu pego a estrada e vou conhecer novas paisagens, novas pessoas, novas comidas, hábitos, músicas, novas culturas, enfim. Mas o que mais me admira e me deixa encantado são os sotaques que vou conhecendo. Como é rica a diversidade de meu país. Estou agora frequentando mais o sul de Minas por conta de minha namorada Isabela, que mora em Três Pontas. E aquele sotaque mineiro meio cantado é lindo, como gosto de ouvir o povo de lá falando. É uma verdadeira fruição. Ir semanalmente para lá, apesar de cansativo, é estimulante, pois sempre há uma localidade diferente para ir, novas cachoeiras para ver, fazendas. Recentemente estivemos em São Thomé das Letras, um lugar dado como místico, envolto em uma aura esotérica. Confesso que não senti nenhuma energia especial ali, mas o lugar é deslumbrante, com todas aquelas pedras, tão exploradas industrial e comercialmente, e cachoeiras de acesso difícil. São novas visões que superam a melancolia da retina, de sempre ver as mesmas coisas. Então o fato de eu desbravar esses rincões não pode ser considerado irresponsabilidade. Acho que é antes de qualquer coisa fome e sede de conhecimento, porque viajar é conhecer, é crescer. Claro que há maneiras digamos mais seguras de o fazer e eu costumo escolher umas um pouco mais arriscadas. Mas permitem conhecer muito mais e dão bem mais liberdade de fazer o que quero, no momento que desejo. Afinal, como canta o Walter Franco, "o mundo fica imóvel sem você".
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O filho do Brasil

Invade-me grande curiosidade de assistir ao filme Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto, que conta a história do líder sindical Luiz Inácio da Silva, o Baiano, desde sua infância em Pernambuco até a primeira prisão nos anos 70/80, com cenas adicionais de sua posse como presidente da República em 2003. O filme foi exibido no Festival de Cinema de Brasília na noite do dia 17 com bastante repercussão e grande número de presentes. Deve ser projetado no conjunto Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, no dia 28, com a presença do próprio biografado. Estreia em circuito comercial (fala-se em 500 salas) em janeiro de 2010. Por que a curiosidade? Porque, além de Lula ser uma figura singular na política brasileira, e que por isso mesmo a exposição de sua história, ainda que com forte carga dramática, como o próprio diretor admite, suscite curiosidade, há aspectos de minha própria vida que têm correlação se não com a trajetória dele, pelo menos com um certo espírito de época, pois em certos momentos bebemos da mesma fonte. Filho de operário do setor automobilístico no ABC paulista, em 1980 eu estava servindo o Exército no Tiro de Guerra de Santo André. Fazíamos treino de tiro em São Bernardo. O clima na época era quente: greves, manifestações, assembleias, piquetes... Eu não entendia daquilo e não me importava muito com o assunto não. Minhas preocupações eram outras: garotas, bailes, roupas de grife, tênis incrementados. Meu pai não era do movimento sindical, e não ia muito com a cara do Lula. Mas havia outros metalúrgicos em minha família, tios, primos, e alguns deles iam às assembleias. E um dia, indo de caminhão ao campo de tiro, passamos pelo Paço Municipal de São Bernarndo bem no momento em que havia uma assembleia. Quando o caminhão passou ao lado da peãozada, a tensão podia ser sentida no ar. E eu pensei: e se tivesse que enfrentar esses trabalhadores? Sim, porque no quartel se falava que a situação estava ficando perigosa e podíamos ser convocados a agir. Imagina eu tendo que atirar em um parente meu que ali porventura pudesse estar? Esta foi a primeira centelha de consciência social de que me lembro ser invadido. Pouco depois já estava totalmente envolvido com o que se denominava então "movimento", por meio de grupo de jovens, depois de teatro, em seguida militando em um partido político e, após muita luta, atuando em um governo municipal, senão como formulador de políticas, ao menos como um trabalhador de comunicação tentando difundir a uma população ainda desacostumada com a democracia o significado de uma gestão cidadã. Hoje não tenho mais nenhuma forma de militância, mas a semente germinou e minha cabeça funciona no sentido de defender a liberdadade e os direitos fundamentais, coisas que nos foram negadas por muito tempo, apesar de eu não ter vivido essa época para testemunhar, mas que, depois de muitas leituras e outras formas de obtenção de informação, sei que não podem retornar. Então ver esse filme será reconstituir a trajetória de quem foi um dia desligado dessas coisas, não por vontade própria, mas porque o regime militar soube ser eficiente, e despertou para a vida democrática e a luta por ela, com a diferença de que o Luiz Inácio fez da luta a sua razão de viver, enquanto eu apenas tomei essa como uma visão de mundo, da qual não me arrependo.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Um evento solene em Três Pontas

Minha roupa nova desfilou intrépida, acompanhada do longo vermelho de Isabela, pelo salão do Clube Literário Recreativo Trespontano, onde 85 personalidades "mineiras" foram homenageadas - Isabela inclusive. Evento glamouroso. Decoração caprichada. Rosas nas mesas. Bufê (do Pedro) generoso. Bebidas de qualidade. Valeram os cem paus do convite. Nota negativa: nossos lugares na mesa estavam ocupados, havendo apenas uma cadeira onde deveriam estar duas. Menos mal: acabamos sozinhos em uma mesa só para nós no mezanino, onde a vista era bem melhor. Comemos, bebemos, conversamos. Serviço eficiente. Chato foi esperar os homenageados seram chamados um a um para receber o certificado, um adesivo de papel que o laureado tem a opção de fazer o que quiser com ele. Por que não uma placa de aço escovado ou mesmo de acrílico? Foram outorgadas as homenagens a personalidades de diversas áreas não só de Três Pontas como de cidades vizinhas, profissionais liberais, empresários, políticos. Tudo sob a organização do colunista social Mauro Bueno, que demonstrou competência e bom gosto. Depois de todos devidamente chamados e homenageados, a Exta'z Banda Show (é, a grafia é esta mesmo, conforme me corrigiu a Renata Duarte) bota pra quebrar, tocando vários estilos, com muitas trocas de figurino e telões com vídeos dos cantores e grupos interpretados. Começam solenes, com Sinatra, Cole Porter e tais, passam por Bee Gees, Madonna e Michael Jackson e, inevitavelmente, enredam pelo pagode, axé e sertaneja. Claro, para agradar a gregos e troianos. Muita vibração. Gente de todas as idades dançando, inebriados pelo espumante Lambrusco, Red Label ou cerveja. Água e refrigerantes também (sodinha não havia). Para o jantar, quatro tipos de escondidinho. Optei pelo de camarão. Muito bom. Em resumo, festa simpática, em cidade pequena, em que todos - ou quase todos - se conhecem. Eu, por ser desconhecido, fui confundido com fotógrafo de coluna social. Saí a fotografar a banda e várias pessoas pediam para serem retratadas. Ao que atendi prontamente, sem explicar que as fotos ficariam apenas em meu computador. Ficamos no evento até as luzes começarem a ser apagadas, por volta de seis da manhã, quando o serviço já havia sido há tempo interrompido. Mas felizes e bem-humorados. Foi uma diversão boa. A roupa nova que o diga, encharcada de suor que ficou.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Minha roupa nova
Comprei um terno novo. Vou a um evento em Três Pontas (MG) sábado e precisava de uma fatiota decente. Minhas roupas sociais, da época que eu trabalhava como repórter de economia, já não servem, estão fora da moda e com um aroma de guarda-roupa que duvido que qualquer lavanderia extraia. É interessante comprar roupa social, um figurino ao qual raramente eu me enquadro, exceção aos casamentos e formaturas eventuais. Eu acho bonito, mas não tenho ambiente para usar esse tipo de roupa. Acho prática, pois não tem muita variedade: é um paletó e uma calça geralmente de mesmos tecido e cor, camisa e gravata. E sapatos, claro. O que não tolero é a pessoa, envolta num costume desses, sentir-se poderosa e prepotente. E exemplos há muitos por aí. Mas há um porquê, afinal, por exemplo, esse evento a que vou, de homenagem a figuras ilustres daquela cidade mineira: a obrigatoriedade do traje social já denota que a roupa é solene e é destinada a destacar a pessoa. Claro, se fossem todos de qualquer jeito, a cerimônia perderia seu glamour, o que é imprescindível, no entender de quem organiza coisas como essas. Aí pressupõe-se que quem usa terno tem importância social, e há muitos que fazem questão de serem tratados com esse respeito. Eu não faço questão de nada, acho a roupa bonita e elegante e prática, apesar de muito quente para nossos trópicos (se bem que há tecidos que os fabricantes prometem não esquentar no calor). E vou usar minha nova roupa com prazer e orgulho, já que uma das homenageadas no evento será Isabela, por seu trabalho como designer. Depois conto tudo.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A paz necessária

Gostaria de escrever com a habilidade e informalidade da Roberta, de Homem é Tudo Palhaço e Mundo Estranho. Ela consegue imprimir aos textos sobre seu cotidiano uma intensidade que eu não consigo, se bem que nunca tentei. É que não sei se meu dia a dia interessa a alguém além de mim. É legal acompanhar o dela, porque sempre rio muito, do escracho que ela bota e do delicioso mau humor que exala às vezes. Nas duas vezes que a encontrei, uma no Rio e outra em São Paulo, não pudemos conversar muito, porque os locais não permitiam, mas deu para sacar que pessoa interessante ela é. Bem, o texto não é para puxar o saco de Roberta, sobrenome Carvalho, mas para dizer que acho meu texto quadrado demais, sem brilho, pouco criativo e até enfadonho por vezes. Muitas vezes me faltam assuntos, e aí fico semanas sem postar nada. Gosto quando vou a algum espetáculo ou lugar, porque aí dá para comentar minhas impressões, e fica o registro, para quando quiser reviver o momento. Agora estou indo sempre para o sul de Minas, e conhecendo cachoeiras e cidadezinhas bem legais. A última foi Pouso Alegre, que forçosamente lá estive porque meu carro quebrou no caminho e a concessionária mais perto era lá. Passamos o fim de semana ali e Isabela achou uma cachoeira de 15 quedas em Congonhal. Um espanto de bonito. foi lá que a tal borboleta azul de que falo aí na lateral me seguiu. Curioso que semana passada fomos em outras cachoeiras em outra cidade e também lá havia o tal inseto, igualzinho, como se fosse o mesmo, nos rodeando. Vai entender! Pouso Alegre é uma cidade relativamente grande (vejo no Wiki que, com 120 mil habitantes, é a 19ª maior do Estado e segunda maior do sul de Minas, atrás de Poços de Caldas) . Tem bastante indústrias e um comércio estabelecido. Já Congonhal tem 10 mil habitantes e é uma cidade turística, e foi lá que paramos em um boteco de beira de estrada para comer uma tilápia e beber cerveja. E tocamos violão para distrair. Um programa bem ameno. Na semana seguinte, de volta para Três Pontas, mais cachoeiras, galinhada em uma fazenda e haras, e na volta comi cigarrete, um salgado típico dali, com sodinha, um refrigerante de abacaxi em uma garrafinha do tamanho da antiga caçulinha. Deu uma nostalgia. Caçulinha era uma garrafinha de guaraná Antarctica, que existia nos anos 60 e 70. Essa sodinha é muito boa, e o cigarrete é um tipo de enroladinho de presunto e queijo, mas há outros recheios, como franco com catupiry e quatro queijos. Muito gostoso, por sinal. Os trespontanos são muito tranquilos, simpáticos, bem humorados e hospitaleiros. Estou me sentindo muito bem naquele ambiente. Estive novamente na bela casa de Beto e sua mulher Ana, onde passamos a noite cantando com ele ao violão, tomando cerveja e ouvindo os passarinhos. Conheci Eduardo, que trabalha no Rio, com quem fomos conhecer uma cachoeira em Sobradinho, nos arredores da cidade. Tomei uma ducha muito boa lá (foto acima). No outro dia fomos a uma galinhada na fazenda de tios de Isabela, com vários parentes dela lá. Fui muito bem recebido e servido, já que a comida e a bebiba estavam fartas. Essa tranquilidade toda me deixa muito bem, a gente que se estressa tanto na cidade. Volto para a metrópole renovado, e com a paciência em dia, por saber que no fim de semana seguinte posso voltar para lá e tomar mais banhos de cachoeira e de paz. Isso, como diz o comercial, não tem preço.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Adiós, La Negra

A cantora argentina Mercedes Sosa, que morreu neste domingo, 4/10, aos 74 anos, me comoveu à primeira vez que a ouvi. Foi dela o primeiro disco que comprei na vida, na verdade uma fita cassete, com a gravação de um show que ela fez no Ginásio do Ibirapuera, em 1980. Comprei porque era uma época em que o meio que eu frequentava respirava música latino-americana, no sentido de integração dos povos, por conta das inúmeras ditaduras que havia no continente. E celebrar aqueles cantores e compositores hermanos era comum entre os nossos artistas. Chico, Milton, Fagner, entre outros, tinham ligações com colegas argentinos, chilenos, cubanos e se gravavam mutuamente. E nós, lá de nossa comunidade em Santo André, bebíamos dessa fonte e ouvíamos avidamente Violeta Parra, Victor Jara, Pablo Milanés, Atahualpa Yupanqui, Tejada Gómes, compositores dos quais Mercedes Sosa era, decididamente, a intérprete definitiva. Só para se ter uma idéia, havia, nessa época, pelo menos dois grandes grupos brasileiros dedicados a interpretar canções latino-americana: Tarancón e Raíces de América. Mas Mercedes Sosa, ou La Negra como era chamada, por causa dos cabelos pretos, tinha o dom de emocionar quem a ouvisse. Bem, não sei se todos, mas eu me emocionava e ouvi aquela fita cassete sem parar, não sabendo se prestava mais atenção às letras ou à interpretação perfeita e comovida dela. Cantor de Oficio, Gracias a La Vida, Drume Negrita, Canción con Todos, Los Hermanos, La Carta, Volver a Los 17... canções que eu sabia de cor - se forçar um pouco, ainda sei. E a língua não era barreira, conseguia entender perfeitamente a mensagem por trás daquele espanhol, dada a interpretação precisa que Mercedes sabia dar. Infelizmente nunca pude assistir a um show dela, mas ela estava sempre presente, em participações em discos de brasileiros, aparecendo esporadicamente na TV. Por meio dela conhecemos compositores muito importantes para a luta contra os regimes autoritários, que tinham a palavra como arma e que por causa dela sofriam represálias. A própria Mercedes foi presa em seu país e teve de se exilar em Paris e Madri. Lembrar, agora, de Mercedes, é recordar um período, quase 30 anos atrás, que marcou profundamente minha personalidade, que edificou meu caráter e que me tornou o que sou hoje. Claro que muitos sonhos daquela época tornaram-se apenas sonhos, alguns agora, numa retrospectiva, até bastante ingênuos. Posso dizer que meu coração está mais endurecido, estou um tanto quanto cético, mesmo tendo nossa luta de então tido relativo sucesso com o governo que hoje temos, ou seja, as ilusões ficaram para trás. Mas reconheço que fazem falta aqueles sonhos, aquele vigor de fazer alguma coisa, aquela capacidade de sentir-se cidadão latino-americano e se solidarizar com os outros povos, de se emocionar ao ouvir Mercedes cantar que tem tantos irmãos que não se pode contar. Sei que ainda posso me emocionar ao ouvi-la, assim como me invade uma grande tristeza por sua perda. Sei que o tempo não volta, e nem deveria voltar. Mas as emoções de uma época a gente pode sim reviver, e quem sabe tornar-se uma pessoa melhor, porque havia sinceridade naqueles sonhos, e, como disse aí embaixo, os sonhos não envelhecem.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Olha que coisa mais linda
Um mês e pouco de aulas e já há um rebento de que se orgulhar. Aprendi a tocar uma das grandes músicas da bossa nova, a Garota de Ipanema. Claro que ainda sai capengando, os dedos não encontram às vezes a corda certa na casa correspondente, mas está lá, para aperfeiçoar. Quando vi a canção no final do livro pensei: Ih, vai levar tempo até chegar aqui. Mas foi a terceira música que nos foi desafiada, depois de A Paz, de Gil, e Meninos e Meninas, da Legião. A primeira eu toquei até sair sem muito vacilo; a segunda, não consegui. Mas depois de pegar com algum desembaraço os acordes de Garota, senti-me vingado do rock do Renato Russo. E olha que são acordes com bemóis, sustenidos, sétimas e nonas, coisa sofisticada. Mas muito simples mesmo. Claro que não se iguala a João Gilberto, mas dá para reconhecer a harmonia direitinho. Só falta agora ter a coragem de pegar o violão em alguma reunião e tascar meu belo repertório de duas músicas, mas o importante não é isso, mas o fato de que estou vendo que o esforço traz resultado. Eu andava meio esquecido disso, seja porque não tenho me esforçado muito em outras áreas, seja porque não esteja vendo resultado em outras. Assim, o curso tem valido, além de tudo, como uma terapia que se vê funcionar. Porque outra que frequento não estou vendo muita coisa não. Vai ver resolve aquilo a que você se dedica com vontade, e não orientado por outros.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Os sonhos não envelhecem
Peço licença a Milton, Lô e Márcio para usar esse verso de Clube da Esquina 2 no título deste texto, mas não consigo pensar em frase mais adequada para o que vivi neste sábado, 12, em Três Pontas, Minas Gerais, durante o Festival Música do
Mundo, evento que reuniu dezenas de artistas e várias
atividades, tudo em prol de dois de seus filhos diletos, Milton Nascimento e Wagner Tiso. Foi realmente um sonho de muitos anos que estava lá sendo realizado, qual seja, ver juntos cantando tão perto e com tanta emoção artistas que aprendi a amar há tanto tempo, e que por 
circunstâncias da vida ainda não tinha tido a oportunidade de ver e ouvir ao vivo. Milton eu conheci tardiamente, assim como toda a galera do Clube da Esquina, já com 19 anos, por intermédio dos amigos de sempre Paulinho e suas irmãs Cristina e Neuza. As horas passadas
na casa deles ouvindo os LPs no velho 3 em 1 habitam minha memória sempre. Nunca mais deixei de ouvir Milton. Comprava todas as fitas k7 que saíam, depois os vinis, mais tarde os CDs e hoje está no MP3 e no pen drive quase toda a coleção. Faltava ver o Bituca ao vivo. E foi uma graça divina, que eu acho mesmo, que a Isabela, agora minha namorada, cruzou o meu caminho e me fez saber desse festival, ao qual eu não podia faltar. E fui. E a jornada, para mim, começou na sexta, 11, quando em uma praça da
cidade assistimos a apresentações de músicos parte das atividades do festival, que começara na véspera e foi até domingo, 13. Apresentaram-se lá, Pedrinho do Cavaco, com direito a canja de Milton, a dançarina Paula Duarte e Änïmä Minas, entre outros. De repente olho para o lado e está Wagner Tiso, assim, no meio da galera assistindo aos shows. Quando me viro, vejo o próprio Milton, sentado em uma cadeira no palanque montado para as autoridades. E o curioso é que ninguém os importunava; olhares curiosos, sim, mas nada de tietagem explícita. Maravilha. No sábado, o grande dia, que começou às 15, com show de Wilson Sideral, seguido de Lô Borges, Ark 2, Toninho Horta, Ricardo Herz e o violinista francês Didier Lockwood, Ivan Lins, Marco Lobo e galera, Wagner Tiso, Tom Zé, Lenine e a entidade Milton Nascimento, que entrou já com o relógio marcando mais de 3 da manhã. Músicas daqueles tempos e de todos os tempos, dando aos fãs o que eles (nós) queríamos e gostamos. Um sonho mesmo que mantém-se jovem e cristalino. Uma vontade de cantar junto a plenos pulmões. E que Milton, sensível, captou, oferecendo à platéia o microfone para cantar junto. Não sei se há palavras suficientes para descrever o momento e a pessoa desse artista tão especial, que essa cidade ama e respeita tanto. Aliás, como escrevi no post anterior, Três Pontas respira música e ama Milton. Ouvi pessoas de todas as idades cantarem de cor canções bem antigas, que só quem acompanha mesmo a carreira e o adora pode reconhecer. Esse ouvido musical da cidade talvez explique por que tem gerado tantos artistas, esses que conhecemos e tantos outros anônimos - por enquanto, a se considerar o talento deles logo serão conhecidos além dali. Esse festival mobilizou a cidade e reuniu por baixo umas 10 mil pessoas, parecendo em alguns pontos um verdadeiro Woodstock, com seus hippies sentados em seus sarongues - ou algo parecido - coloridos. E foi perfeito, não vi nada que pudesse suscitar má organização. Conheci pessoas maravilhosas nessa cidade e nesse evento, comi coisas incríveis, como o improvável, a nós paulistas, sanduíche de pernil no pão de queijo, o frango com coqueiro - uma espécie de palmito, o cheesburguer de filé do quiosque Sandubas. Enfim, uma cidade que me cativou e que me proporcionou, além do amor de minha adorada Isabela, esses momentos raros de boa música e simpatia singulares, de que, tenho certeza, sempre me lembrarei.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Três Pontas
A cidade se desenha do cume do morro, colorida e organizadinha, com seus telhados bonitos e ruas estreitas, muitas calçadas de pedras antigas. Desço por uma alameda ladeada de palmeiras e passo pelo pequeno sambódromo. A cidade transpira música. Contorno várias igrejas e sigo por um córrego seco, mas absolutamente limpo. Aliás, a cidade é limpa. Em uma volta rápida, percebo uma tranquilidade, uma paz, um astral que me fazem falta nas cidades em que moro e trabalho. Passo em frente à casa em que morou Milton. Em frente à praça Travessia. Tem placa e tudo. A cidade cultua seu filho ilustre. Aliás, seus, porque ainda tem
Wagner Tiso. Mais tarde, conheço a cidade do alto, e vejo o morro com três pontas que foi estilizado no disco Geraes. E desse altiplano a cidade é ainda mais calma. O desenho regular de suas ruas, suas casas bem cuidadas, tudo isso me dá uma nostalgia de minha cidade de muitos anos atrás. Isabela me diz que a cidade tem seus problemas e deficiências, como todas. Uma delas é não ter um cinema. Quem sabe depois do festival que em setembro homenageará os dois compositores que a puseram no mundo isso não se resolva? Conheço pessoas de muito boas cabeças, antenadas e muito musicais. A cidade respira o Festival Música do Mundo, vi no pouco que me movimentei nela e nas poucas pessoas com quem estive um frenesi por esse evento. Não podia ser diferente mesmo. Hospedo-me em uma fazenda de café, inativa, que remete minha memória aos meus pais, que foram trabalhadores em fazendas assim, como lavradores, meeiros, trabalhavam muito, sofrendo todas as intempéries, como geada, calor, chuva... Mas o aspecto da fazenda é bucólico. Muitas árvores, muito passarinho. A casa grande é um espetáculo à parte, com móveis antigos, bonitos. Assim como a casa de um rapaz que conheci, que era um galpão de café que ele, Beto, transformou em casa. E que casa! Enorme, funcional, bem planejada em seus múltiplos espaços tanto interno quanto extern0. Uma casa impensável na minha cidade, a não ser que seu dono tenha muito dinheiro. Hotel, fazenda, cidade. Três Pontas deixou em mim uma muito boa impressão. Talvez seja por isso que Milton tenha se tornado o artista que é. Inspiração com certeza não faltou.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Deliciosamente romântico
O show de Roberto Carlos em São Paulo, que eu assisti na sexta, 21, foi tudo o que se esperava dele, mas por incrível foi sensacional. Não sei se foi o fato de ser a primeira vez que vejo o Rei ao vivo, ou pelo grande profissionalismo e carisma do artista, o fato é que me emocionei verdadeiramente neste espetáculo no ginásio do Ibirapuera, lotado com mais de 9 mil fãs. Não vou descrever como foi o roteiro, as músicas tocadas, pois isso está em qualquer jornal, e o objetivo desse blog é refletir a vida a partir dos eventos dos quais tomo parte. Para começar, o som me surpreendeu, pois imaginava que aquele ginásio não teria acústica boa, mas estava impecável. E o cenário também estava encantador. Fui envolvido em uma atmosfera romântica que não deu para ignorar. E a presença de Roberto é também envolvente. Ele fala com seu público de uma maneira que ele quer ouvir. Apesar de sabermos que foram falas decoradas, talvez cuidadosamente elaboradas, o impacto delas na platéia é coisa que se vê em poucos espetáculos. Bem, não é à toa que ele está aí há 50 anos, com seus baixos, seus altos, mas sempre em evidência. Tocou músicas representativas de cada época sua, mas com uma leitura homogênea, de modo que as músicas da Jovem Guarda ficaram parecendo como se compostas e lançadas nos anos 80 ou 90. Mas ficou bom. A orquestra foi acrescida de cordas da Osesp, muito chique, e ele simpático e falante como todos gostam que ele seja, e eu tenho certeza de que ele é honesto em sua relação com seus fãs. Falar neles, a platéia é um show à parte: senhoras de todas as idades, gritando "Roberto eu te amo" como se adolescentes fossem, correndo sem se preocupar com as limitações atrás de uma das rosas beijadas por ele ao final do show. Achei muito engraçado. Sabia de tudo isso, mas precisava ver, tinha que ver um show do Roberto, afinal, é um cara que é artista há mais tempo que eu vivo. E que me remete a muitas épocas de minha vida. Não posso negar que cada grande sucesso do Roberto suscita uma pequena recordação de algo na minha vida. Na Jovem Guarda, eu era muito pequeno, mas sentia perfeitamente o clima e ao crescer um pouco passei a curtir muito aqueles cabeludos cantando naquelo ritmo alucinante. Depois que Roberto deixou a JG, foi a época em que meu pai comprou a discoteca. E aí passei a acompanhar sua discografia, pois todo fim de ano essa era uma compra obrigatória. Curti o disco de 1970 e o de 1971. Depois os outros fui gostando de uma música ou outra, até rarear o trabalho que me agradasse. De qualquer forma seu romantismo dos anos iniciais pós-JG puseram no imaginário muitas canções que a gente pode não saber de cor, mas com certeza lembra assim que ouve os primeiros acordes. Uma coisa curiosa: detestei quando ele começou a homenagear mulher de óculos, gordinha e tal. Mas sabe que no show Mulher Pequena saiu muito legal, acompanhada do Caminhoneiro, igualmente tocante. É, Roberto sabe fazer as coisas... Isso de uma certa maneira redime uma falha grave de Roberto. Quando eu era garotinho, todo 28 de julho era aniversário de São Caetano, onde eu morava, e a Prefeitura promovia um grande show, como músicos, palhaços, aqualoucos, e sempre vinha um pessoal da JG. E todo ano esperávamos que RC aparecesse. Mas ele nunca veio, frustrando o sonho de toda uma cidade e de um menino fã em particular. Sem graça, meu pai se desculpava: deve ter outros compromissos, ano que vem ele vem. Chega o ano seguinte, e ele não vinha. Não chegava a chorar, porque ainda não tinha essa consciência de fã, que fui desenvolver só poucos anos depois com os Beatles. Mas ficava decepcionado, pois, como todo mundo, queria ver o Rei de perto. E isso agora se deu. Apesar de ficar na tal cadeira de visão parcial. Deu para ver o cara o tempo todo, mas de costas e com alguns praticáveis na frente, mas não muito longe, mas não posso dizer que não o vi de perto. E que o menino finalmente matou sua vontade. E se fartou. (As fotos eu preciso recuperar, pois minha máquina teve um acidente; se não conseguir, posto as de minha filha.)
domingo, 9 de agosto de 2009
Samba na pick-up, DJ

No sábado, fui ver um espetáculo já bem diferente. Assisti ao show do BossaCucaNova, que estava comem
orando 10 anos e lançando um DVD. O show teve participação de Kátia B, a atriz bailarina, compositora e cantora (segundo o folder) Kátia Bronstein, que mistura trip hop a bossa nova, além de sons judaicos e mantras. (No domingo a participação seria de Wilson Simoninha.) Já a proposta do BossaCucaNova é pegar canções da música popular brasileira, muito de b
osssa nova, e dar-lhes um verniz contemporâneo, adicionando ritmos e sons eletrônicos que dão um resultado muito interessante. Gostei, pois levantou possibilidades que essas canções escondiam e que talvez, pelo purismo, não se enxergava. Claro que é um som afeito para as pistas, mas se a galera começar a dançar Tom Jobim e Carlos Lyra nas baladas, isso é muito bom.
orando 10 anos e lançando um DVD. O show teve participação de Kátia B, a atriz bailarina, compositora e cantora (segundo o folder) Kátia Bronstein, que mistura trip hop a bossa nova, além de sons judaicos e mantras. (No domingo a participação seria de Wilson Simoninha.) Já a proposta do BossaCucaNova é pegar canções da música popular brasileira, muito de b
osssa nova, e dar-lhes um verniz contemporâneo, adicionando ritmos e sons eletrônicos que dão um resultado muito interessante. Gostei, pois levantou possibilidades que essas canções escondiam e que talvez, pelo purismo, não se enxergava. Claro que é um som afeito para as pistas, mas se a galera começar a dançar Tom Jobim e Carlos Lyra nas baladas, isso é muito bom.sexta-feira, 7 de agosto de 2009
De cigarro em cigarro

Vai ser engraçado observar os pobres fumantes se amontoando nas calçadas para dar suas pitadas. A realidade a partir de hoje, 7, em São Paulo será esta. Proibição total de fumo em locais fechados - exceto a casa e o carro do cidadão e outros locais específicos. Eu concordo com essa determinação. E não é por ser ex-fumante. É por entender mesmo que quem não fuma tem todo o direito de não ficar exposto à fumaça de outros. Quando eu fumava, era possível dar as tragadas em praticamente todos os lugares, menos em ônibus, cinemas e teatros. A primeira redação de jornal em que trabalhei, no Estadão, tinha muitos fumantes, e a névoa que se formava era densa o suficiente para se tocar com as mãos. Aí em seguida começaram a criar os fumódromos. Para mim foi bom, pois foi o incômodo de ir a esse local, enquanto o serviço ia acumulando, que me levou a largar o vício. Tomara que muitos façam o mesmo ao perceber o chato que é ir até sabe-se lá onde para fazer algo que, em princípio, deveria dar prazer. A partir do momento que se percebe o transtorno que é, deixa de ser prazeroso, e se percebe que não passa de um vício, e dos mais agressivos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Pura emoção
A voz que me emocionou fez novamente meus sentimentos estremecerem. Monica Salmaso, desta vez acomp
anhada do quinteto de clarinetistas Sujeito a Guincho, apresentou-se no Sesc Vila Mariana, onde a vi sexta-feira 31 de julho. Conheci essa cantora de voz singular acompanhada do grupo Pau Brasil, cantando músicas do Chico, que gerou o CD Noites de Gala, Samba na Rua. (Obs. Conforme esclarecimentos de meu colega Eduardo, foi o disco que gerou o show, e não o contrário, como escrevi. Valeu, Edu.) Disco esse que comprei agora nesse novo show e que me fez relembrar as emoções daquela noite, especialmente com sua interpretação d
e Beatriz, maravilhosa. Nesse show com o Sujeito a Guincho, o repertório foi mais diversificado, indo de Gordurinha a Brahms, de Ataulfo Alves a Hermeto Paschoal. E os arranjos de clarinete são a coisa mais surpreendente que vi nos últimos tempos. Nunca imaginei que pudesse haver. E a voz de Monica sobre esses instrumentos de som tão doce forma um conjunto que, como disse, não dá para não emocionar. Fora isso, o grupo tem um bom humor que torna a apresentação mais espetacular ainda. Eles brincam com os instrumentos, improvisam, desmontam os clarinetes, criam sons, onomatopéias, enfim, tornam a apresentação uma aventura ao mesmo tempo rica em sonoridade e em aprendizado, coisa que é muito importante em um povo que é tão musical. O importante nesse show - além de todas as outras importâncias - é que cantora e instrumentistas estão ali para reverenciar a boa música, a arte maior; não se percebe neles um ranço de busca por "espaço" que se vê em tantas caras novas espalhadas pela cena atual. Eles querem fazer boa música, e querem fazer o seu melhor. E os beneficiados somos nós, ouvintes, extasiados com o que podemos chamar sem medo de nos equivocar de perfeição.
anhada do quinteto de clarinetistas Sujeito a Guincho, apresentou-se no Sesc Vila Mariana, onde a vi sexta-feira 31 de julho. Conheci essa cantora de voz singular acompanhada do grupo Pau Brasil, cantando músicas do Chico, que gerou o CD Noites de Gala, Samba na Rua. (Obs. Conforme esclarecimentos de meu colega Eduardo, foi o disco que gerou o show, e não o contrário, como escrevi. Valeu, Edu.) Disco esse que comprei agora nesse novo show e que me fez relembrar as emoções daquela noite, especialmente com sua interpretação d
e Beatriz, maravilhosa. Nesse show com o Sujeito a Guincho, o repertório foi mais diversificado, indo de Gordurinha a Brahms, de Ataulfo Alves a Hermeto Paschoal. E os arranjos de clarinete são a coisa mais surpreendente que vi nos últimos tempos. Nunca imaginei que pudesse haver. E a voz de Monica sobre esses instrumentos de som tão doce forma um conjunto que, como disse, não dá para não emocionar. Fora isso, o grupo tem um bom humor que torna a apresentação mais espetacular ainda. Eles brincam com os instrumentos, improvisam, desmontam os clarinetes, criam sons, onomatopéias, enfim, tornam a apresentação uma aventura ao mesmo tempo rica em sonoridade e em aprendizado, coisa que é muito importante em um povo que é tão musical. O importante nesse show - além de todas as outras importâncias - é que cantora e instrumentistas estão ali para reverenciar a boa música, a arte maior; não se percebe neles um ranço de busca por "espaço" que se vê em tantas caras novas espalhadas pela cena atual. Eles querem fazer boa música, e querem fazer o seu melhor. E os beneficiados somos nós, ouvintes, extasiados com o que podemos chamar sem medo de nos equivocar de perfeição.terça-feira, 28 de julho de 2009
Dois filhos do Brasil

Fui ver dois documentários sexta-feira, 24/07. Um sobre Patativa do Assaré e outro abordando Mestre Verequete. O primeiro a passar foi "Chama Verequete," sobre o Rei do Carimbó lá na Ilha de Marajó, no Pará., dirigido por Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira. Batizado Augusto Gomes Rodrigues, Verequete é uma das maiores expressões desse ritmo creio que tão pouco conhecido no Sul/Sudeste. Lembro que uma vez a Eliana Pittman cantou alguma coisa de carimbó e fez até algum sucesso. Não sei se a Fafá de Belém divulgou o ritmo, mas a banda Calypso me parece que sim, antes de se render ao que mais vende. É um ritmo bem contagiante, acompanhado de instrumentos típicos, como um tambor específico para o carimbó. O curta, "Chama Verequete", é importante para difundir esse ritmo tão brasileiro e um de seus maiores mestres.
Já o longa que conta a vida do poeta cearense Patativa do Assaré joga luz
es sobre uma personalidade que tem a dimensão de um mito. "Patativa do Assaré, ave poesia", dirigido por Rosemberg Cariry, foi feito em homenagem ao centenário de nascimento de Antonio Gonçalves da Silva, que ganhou esse nome por cantar semelhante ao passarinho e por causa da cidade em que nasceu, na região do Cariri. Joga os holofotes sobre um personagem de tamanha importância à cultura nordestina e brasileira. Eu confesso que apenas conhecia Patativa por conta das canções "A Triste Partida", gravada por Luiz Gonzaga, um épico sobre os retirantes nordestinos, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", levada ao vinil por Fagner e Pena Branca e Xavantinho (que eu saiba), bela canção a respeito da vida pastoril. No filme dá para se conhecer aspectos da vida desse cearense que permite chamá-lo de o verdadeiro artista popular. Cego de um olho logo cedo, com alfabetização irregular (só estudou seis meses), Patativa se autoeducou, aprendendo a ler e a ampliar o vocabulário por conta própria. E sempre viveu em sua roça, com sua companheira de quase 60 anos e seus nove filhos. É um filme que comove e faz a gente questionar: o que é realmente popular? Esses que se dizem porta-voz do povo sem sofrer suas agruras, bem, há de se desconfiar. Patativa, uma grande surpresa.
Ver esses filmes foi possível graças à iniciativa de alunos dos cursos de Cinema e de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, aqui em São Bernardo. Esse pessoal tem projeto de montar no campus um cineclube e, a se considerar esses dois exemplares, tem tudo para se tornar uma grande ideia. E, muito importante, eles querem abrir esse espaço à comunidade local, não restringir ao público universitário, o que acho plenamente louvável. Parabéns, gente.
Já o longa que conta a vida do poeta cearense Patativa do Assaré joga luz
es sobre uma personalidade que tem a dimensão de um mito. "Patativa do Assaré, ave poesia", dirigido por Rosemberg Cariry, foi feito em homenagem ao centenário de nascimento de Antonio Gonçalves da Silva, que ganhou esse nome por cantar semelhante ao passarinho e por causa da cidade em que nasceu, na região do Cariri. Joga os holofotes sobre um personagem de tamanha importância à cultura nordestina e brasileira. Eu confesso que apenas conhecia Patativa por conta das canções "A Triste Partida", gravada por Luiz Gonzaga, um épico sobre os retirantes nordestinos, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", levada ao vinil por Fagner e Pena Branca e Xavantinho (que eu saiba), bela canção a respeito da vida pastoril. No filme dá para se conhecer aspectos da vida desse cearense que permite chamá-lo de o verdadeiro artista popular. Cego de um olho logo cedo, com alfabetização irregular (só estudou seis meses), Patativa se autoeducou, aprendendo a ler e a ampliar o vocabulário por conta própria. E sempre viveu em sua roça, com sua companheira de quase 60 anos e seus nove filhos. É um filme que comove e faz a gente questionar: o que é realmente popular? Esses que se dizem porta-voz do povo sem sofrer suas agruras, bem, há de se desconfiar. Patativa, uma grande surpresa.Ver esses filmes foi possível graças à iniciativa de alunos dos cursos de Cinema e de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, aqui em São Bernardo. Esse pessoal tem projeto de montar no campus um cineclube e, a se considerar esses dois exemplares, tem tudo para se tornar uma grande ideia. E, muito importante, eles querem abrir esse espaço à comunidade local, não restringir ao público universitário, o que acho plenamente louvável. Parabéns, gente.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Sofrimento que nos é imposto
Não desejo a ninguém viver a experiência pela qual passei na última terça-feira, 21. Fui ao laboratório para fazer uma ultrassonografia do abdomen e da próstata. O orientação era fazer jejum de 8 horas e, uma hora antes, beber 6 copos de água e manter a bexiga cheia. Pois bem, como na semana anterior tentei fazer o mesmo exame, mas tomei a água e só então fui ao laboratório e não aguentei segurar, resolvi desta vez chegar uma hora antes lá e lá tomar a água. Meia hora antes do exame já estava que não me aguentava. Apertadíssimo. Apresentei-me para eles encaminharem a ficha e toda a burocracia. A chamada demorou e nisso minha agonia aumentava. Despachado, fui ao corredor especificado esperar a chamada. O exame estava marcado para as 10h24. Eram 10h40 e nada de ser chamado. Minha necessidade de ir ao banheiro era algo que eu nunca havia sentido. Tudo bem que o atraso era pequeno, mas para quem está há uma hora apertado cada segundo é sofrível. No dia que tomei toda a água antes de ir ao laboratório, cada semáforo era um sacrifício. E a dor crescia e nada de me chamarem. Pior é que eu tinha certeza de que, quando o médico passasse o tal scanner em minha barriga, aí que não seguraria mesmo. Resultado: não aguentei. Desisti do exame e corri ao banheiro. Atrapalhado em abrir a braguilha, o jato escorreu livre e molhou boa parte de minha calça. Aliviado e envergonhado, fui para casa sem dar baixa no exame ou remarcá-lo. O pior é esse é um exame que, dada a minha idade, terei de repetir todo ano. Mas lhes digo: a enfrentar novamente uma tortura dessa, prefiro o exame de toque.
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