O Barquinho Cultural

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sábado, 16 de março de 2013

A importância das atitudes

Com as amigas Cris, Eliana, Angélica e Lize (Century Flat Hotel)

Sempre disse que atitudes valem mais que palavras, estas porque se não acompanhadas daquelas pouco valor podem possuir. Mas ontem (15/03), ouvindo uma palestra sobre motivação, de Mauricio Louzada, entendi a verdade disso: de que adianta dizer aos seus queridos que os ama e não compartilhar com eles a vida, os momentos, não estar presente em episódios importantes da vida?

Coincidência – ou não -, nesses últimos dias tenho revisto amigos de muito tempo, que as circunstâncias da vida nos fizeram afastar-nos. Foi lindo, como já mencionei em posts anteriores. Dizer nas redes sociais ou por meio de um torpedo que estamos com saudade é bom, mas reencontrá-los é muito mais gostoso, faz a gente sentir que aquilo que foi construído durante anos de amizade continua dentro de nós.

O palestrante falou da importância de se reprogramar mentalmente para o sucesso, de questionar seus próprios pensamentos negativos para torná-los positivos, de estabelecer metas plausíveis e ir à luta, focado nesse objetivo. Mas o interessante é que, segundo suas palavras, sucesso não quer dizer, necessariamente, alcançar os bens materiais desejados, o status social cobiçado. Sucesso, na concepção do palestrante, é estar feliz, alcançar a felicidade.

Concordo com ele. E ser feliz, para mim, tem mais a ver com estar bem com as pessoas queridas, poder desfrutar de momentos com elas, de saber que não se está sozinho nesse mundo imenso e obscuro. Muitas celebridades, reconhecidas por multidões, talvez se sintam solitárias; filmes diversos tratam disso. Multimilionários  há que não têm tempo de ver os filhos crescerem, aprenderem as letras, descobrirem o mundo; enfim, não se trata da velha máxima de que dinheiro e fama não trazem a felicidade, mas de perceber que uns sem a outra não faz muito sentido.

Após a palestra fomos a um bar para prolongar o momento gostoso de estar junto. Quando a gente convivia mais frequentemente, o bar era um ponto de relax, quando podíamos deixar as discussões sobre o que fazer para mudar o mundo de lado e nos entregarmos a assuntos mais amenos, como o último disco do Chico, o filme que entrou em cartaz e tínhamos que ver, os amores frustrados que vivíamos, os planos para o futuro, as encrencas com os pais, enfim, os papos próprios de jovens na casa do 15 aos 20.

Mas este bar escolhido não permite essa interação. Uma banda tocando no volume máximo, depois, no intervalo, um som na mesma intensidade. Impossível conversar se não aos gritos, o que impede qualquer diálogo sensato. Bem, é um lugar para isso mesmo, ouvir música alta, tomar drinques, paquerar, beijar e... Sei lá. É diversão, e é importante nos divertirmos, claro. Mas o mais importante é que os contatos foram refeitos e não faltarão oportunidades de novos encontros, papos intensos e desfrutar da felicidade que muitas palavras não conseguem exprimir.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Cada dia sua agonia

Charge: Bira (http://professorjcesar.blogspot.com.br)


Hoje acordei cedo, mais do que de costume, como se ainda tivesse o compromisso. O calor, talvez... Seguindo a recomendação de mais um guru que a mídia vem incensando, deixo a janela aberta para despertar com o clarear do dia, o sol vir beijar minha face e fazer o corpo despertar de seu repouso. Gostoso foi logo ao abrir os olhos poder trocar duas ou três palavras com minha filha, maravilhas do fuso horário. E saber de mais uma morte: a de Chorão, o garotão de 42 anos da banda Charlie Brown Jr., de Santos. Ontem, morrera o presidente da Venezuela desde 1999, Hugo Chávez. Semana começando muito ruim.

Uma passada de olhos pelas redes sociais e mais notícias ruins: amigos que deixaram seus empregos, creio que da mesma maneira que eu. Ontem, ainda, mais fatos chatos a me proporcionar uma rusga na alma. Para espairecer, assisti a um DVD, “Argo”, vencedor do Oscar de melhor filme, dirigido (e protagonizado) por Ben Affleck. Um bom filme, mas não espetacular. Houve alguma polêmica pelo prêmio, como sempre acontece com o resultado das votações da academia de cinema americana. Eu votaria em outro, como “Django Livre”, de Quentin Tarantino.

Enfim. Dormi. Ouvindo rádio. A emissora a que acostumo ouvir (e que é uma das poucas noticiosas que pega em meu quarto). O grosso eram notícias sobre futebol. Coisa chata (vide post de ontem). Nada de Chávez, de Joaquim Barbosa e seus arroubos autoritários contra um jornalista, nada de nada, só futebol... Chato... Acordo 6h50, vou ouvir outra emissora, em que uma amiga querida está atuando. Bem melhor. Preparo meu café, como algo para não deixar o corpo sem alimento. Sinto-me triste. Não sei por quê. Soma, talvez, de tudo, quem sabe algo específico. Não sei precisar. Acho que, se o espírito está meio acabrunhado, os fatos são enxergados com um tanto mais de pessimismo.

Mas o dia está só começando. Muito ainda a acontecer. Melhor preparar o espírito para que tudo seja enfrentado com vigor, com tranquilidade. A vida não espera você estar bem para acontecer.

Queria dizer muito mais, mas contenho esse impulso. Não é bom falar tudo que vem à mente, sob o risco de se arrepender depois. No mais, está tudo bem. Basta um banho frio (morno, talvez). E ir aos compromissos do dia. Muitos, hoje. As respostas que espero quem sabe venham, ou não. Isso não importa.

Vou devagar, sem criar expectativas demais. Percebo muitas mudanças em mim, frutos, talvez, da maturidade. Decisões tomadas com sobriedade. Avaliações mais ponderadas da realidade. Lições da vida.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Meu primeiro Chico


Dois de março de 2012, uma sexta-feira, eu e Isabela fomos assistir ao show de Chico Buarque no HSBC. “Hoje é o dia da graça 1”. Primeira vez em nossas vidas vendo esse ícone ao vivo em um palco. Emoção. Alegria. “Abro meus braços pra você 2”. Momento raro. Vejo em seu site que este foi o sexto espetáculo que ele apresentou em 36 anos. Não podia perder.

Tinha visto Chico uma vez no Rio, acho que em 1996, em uma partida de futebol entre seu time, o Polytheama, e uma seleção de barrigudos do PT. Após a partida (esqueci quem ganhou), ele, arisco, safou-se do batalhão de jornalistas que o queriam bombardear de perguntas como quem se livra de um ataque de abelhas. “E a gente vai ficando pra trás 3”. Não respondeu à minha pergunta (nem me lembro mais qual foi). Na verdade, respondeu a uma ou duas e sumiu, atravessando perigosamente a avenida Brasil rumo a sei lá onde, correndo o risco de “morrer na contramão atrapalhando o tráfego 4”.

Outra vez, em 1997, o vi no lançamento do projeto “Terra”, com livro contendo fotos de Sebastião Salgado, texto de José Saramago e um CD com quatro músicas dele. Mas também inacessível.

Desta vez não, estava lá no palco, roupas escuras, cenário com reproduções de telas de Portinari e desenho de Niemeyer e outro desenho geométrico, iluminação quente. “Eu não queria jogar confete, mas tenho de dizer, ‘cê’ tá de lascar, ‘cê’ tá de doer 5.” Uma turnê longa, iniciada em novembro em Belo Horizonte e que aqui, em São Paulo, está estendida até abril.

Começou com O Velho Francisco. Entremeou canções do último disco, “Chico”, que não conheço, com outras de várias fases de seus 45 anos de carreira. Algumas de que consigo me lembrar: Desalento, Bastidores, Teresinha, Ana de Amsterdam, Anos Dourados, Sob Medida,Tereza da Praia (que dividiu os vocais com o baterista Wilson das Neves, de quem ficou com o chapéu da foto), Cálice (homenageando o rapper Criolo) e, surpresa, Geni e o Zeppelin!

Esta merece um destaque: foi a música que me fez prestar atenção nele, lá nos meus 16, 17 anos. Claro que sabia de sua existência pelos festivais, dos quais eu era espectador interessado pela TV. Conhecia A Banda e  Sabiá, mas nesta época, 78, 79, meu gosto musical era duvidoso, sem muito critério, “à toa na vida 6”.

E essa música, por causa do verso “joga bosta na Geni”, chamou minha atenção – e a de todo o país, imagino -, pois vivíamos um regime militar que censurava tudo e tornava a vida muito careta, “tanta mentira, tanta força bruta 7”. Pouco tempo depois, em 1980/81, já participando do movimento de jovens da paróquia de meu bairro, virei seu fã incondicional e de tantos outros bambas da dita MPB.  

Eu montaria outro repertório para o show. Eliminaria muitas das músicas novas, que não me empolgaram (o penúltimo disco dele, “Carioca”, comprei e ouvi apenas uma vez), e acrescentaria muitas mais antigas e  conhecidas. Difícil escolher. “Tem samba de sobra pra gente sambar 8.” Mas valeu assim mesmo. Um espetáculo que fez brotar emoções “à flor da pele 9”. “Deus lhe pague 10”, Chico.

Canções referenciadas:

1 - Caçada (1973)
2 - Com Açúcar Com Afeto (1966)
3 - Pedro Pedreiro (1966)
4 - Construção (1971)
5 - Deixe a Menina (1980)
6 - A Banda (1966)
7 - Cálice (1973)
8 -Olê Olá (1966)
9 - O Que Será (À Flor da Pele) (1976)
10 - Deus Lhe Pague (1971) 










terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um dia politicamente correto e incorreto

Cheguei ao North Beer, zona norte de SP, por volta de 14h de sábado, 10/09/11. Mesa reservada, poucas pessoas ainda. Kotscho já lá estava, vi-o entrando quando estava ainda na calçada. Entrei de mansinho, procurei uma cadeira, coincidentemente em frente à do homenageado, ao lado de Ênio. Tímido, me sentindo um estranho no ninho; algumas pessoas me olhando, outras perguntando meu nome, de onde eu era. Marisa, que me avisara do evento e me convidara, ainda não tinha chegado, e fiquei naquelas de imaginar o que estavam pensando de mim ("mas quem será esse cara?").

Foi o terceiro encontro dos leitores do Balaio do Kotscho, blogue do veterano jornalista Ricardo Kotscho, hoje abrigado no portal R7, depois de pouco mais de 3 anos no iG. Aos poucos, mais leitores chegando, puxadas de papo, me soltando, conhecendo as pessoas. Audálio Dantas, outro veterano da imprensa, me cumprimenta. Outras pessoas também. Receptivas. Ouvindo as conversas, reconheço o Ênio ao meu lado, de ler sobre ele no blogue do Renato Rovai. Fazemos os pedidos: a maioria chope, caipirinha (de vodca, mas também pinga), Ênio pede Seleta e discorre sobre a qualidade da cana de Salinas, região mineira produtora das melhores cachaças brasileiras. Diz-se cachacista, apreciador e estudioso da aguardente, uma vez que cachaceiro é o fabricante, explica. Vou de Brahma Black, mas logo depois emendo com uma Seleta também, maravilhado com a cor amarelada observada no copo de meu vizinho de mesa. Saborosa, leve.

Kotscho levanta-se e volta com um prato recheado de tentações e, como diz uma amiga minha, gordices: torresmo, bacon, cupim, costela. Claro, não resisto. Belisco e logo depois pego minha porção também no bufê, acompanhado de um grosso caldinho de feijão. O evento é organizado pelo pessoal do Boteco do Balaio, site criado por pessoas que acompanham o blogue do Kotscho e lá costumam postar comentários e se tornou uma espécie de fórum de discussão. Mais à vontade, vamos conversando. Muito papo à toa, mas também política, claro, cultura, história, jornalismo. Agora começo a me sentir um peixe no aquário, integrado, pessoas com histórias parecidas com a minha, vivências similares, modos de pensar semelhantes.

Precisava disso, contaminado que ando por ambientes pouco a ver comigo, mas que por necessidade preciso frequentar. Nada contra, não podemos nos isolar em nossos feudos. O interessante foi constatar que são pessoas que mantêm o senso crítico, não babam ovo para o povo que está aí no poder, que muitos ajudaram a lá estar. Como mencionei em um post anterior, não me sinto parte deste governo, porque nunca quis isso, e, com esse necessário distanciamento, posso até discordar de algumas coisas que aconteceram nesses oito anos e nove meses de PT no Planalto.

Mas não é sobre isso que quero falar. É sobre a lufada de ar puro que lá respirei, o estar em um ambiente do qual me isolei já há algum tempo e estava me fazendo falta. Sempre falo que os jornalistas hoje estão um tanto caretas. Pelo menos em relação aos da época em que comecei. Não fumam, não tomam pinga, não comem porcarias de botequim... muito politicamente corretos para meu gosto. Muitos nem saem da  redação mais, tudo na base do telefone, e-mail, MSN e outras tecnologias que permitem o cumprimento de vinte pautas em um dia. E lá estavam Kotscho e Audálio, entre outros, de grandes reportagens, de fôlego, como se dizia antes. Quando você podia mandar o repórter para longe e deixá-lo uma semana para voltar com uma grande matéria. O Kotscho, entre tantas outras, veio com uma que popularizou o termo "mordomia". O Audálio descobriu no Canindé a Carolina Maria de Jesus, catadora de lixo, cuja história foi eternizada no livro Quarto de Despejo, que li lá pelos meus vinte anos de idade e me marcou muito.

Sei lá, há ainda grandes reportagens nos meios de comunicação, nada de nostalgia do tipo "no meu tempo era melhor". Apenas os tempos mudaram. E ponto. Digamos que, por vivermos em um período de trevas (outra expressão bem datada), a realidade era meio escondida, e os jornalistas se esforçavam para quebrar esse bloqueio e trazer à luz que o tal milagre brasileiro era coisa para inglês (americano?) ver. Sim. Delfim fez o bolo crescer um pouco, mas já dividir... Lembra uma música que cantávamos no coral da igreja, de uma das Campanhas da Fraternidade da CNBB: "Meu irmão eu vi plantar/ meu irmão nos deu o pão/ mas na hora de jantar/ não chamaram meu irmão" (Esta mesa nos ensina). Comparações com os dias atuais ficam em aberto.

Lá, no almoço, foram feitas muitas, contadas histórias incríveis; eu ouvinte, pouco a contar, deslumbrado? Um pouco, mas mais reverente e respeitoso que aparvalhado. Afinal, em meus 23 anos de profissão, convivi com muitas feras e me orgulho disso; a gente aprende vivendo com os bambambans (e com os babacas também). Mas nem tudo lá era nostalgia, afinal, a gente vive o presente e nosso ofício exige estar sempre atualizado. O bom disso foi eu sair um pouco da toca que me impus, e voltar à rua me deu novo ânimo, vontade de escrever, de fazer coisas. Isso já se desenhou há pouco tempo, quando resolvi voltar a estudar, um curso básico de economia, na Fipe, nada que eu não já tenha visto, mas importante para desembaraçar certos conceitos e, melhor ainda, conviver com colegas e professores. Ouvir pontos de vista diferentes dos meus, discutir, aprender, sonhar com voos mais altos - meu projeto de cursar um mestrado ainda está de pé, quem sabe não consiga ano que vem...

Foi um belo sábado, concluído com a ida ao teatro, ver Trair e Coçar É Só Começar, que imagino ser um dos poucos brasileiros que ainda não a tinha visto, 25 anos que está em cartaz esse texto do global Marcos Caruso. Pena que dormi tanto na apresentação que nem acompanhei adequadamente os quiproquós em cena, mas ao final, já desperto, o ritmo estava mais agitado e permiti-me rir um pouco. Interessante foi ver um grupo de portadores da Síndrome de Down na plateia. Acho que algum instituto ou algo assim os trouxe. São adoráveis. Coincidência, quando me dirigia ao restaurante, ouvi no rádio entrevista com o criador do blogue Mano Down, Leonardo Gontijo, que conta suas experiências com o irmão mais novo, o Dudu. É. As coisas se intercalam, dizem que coincidências não existem, se conectam. O fato é que adorei este sábado. E de quebra ainda descolei uma bela dedicatória do Kotscho em seu livro Do Golpe ao Planalto, que darei de presente a minha filha Isabela, futura colega.

P.S. Por sugestão do leitor Rafael Campos, paragrafei o texto para ficar mais fácil de ler...Agradeço a sugestão.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O bem escrachado

Assisti a O Bem Amado sábado, filme de Guel Arraes baseado na obra de Dias Gomes. Como na novela, que passou nos anos 1970 na TV Globo, o roteiro baseou-se em duas peças de Dias Gomes: Zeca Diabo e O Bem-Amado. Tenho uma simpatia antiga por José Alfredo de Dias Gomes, de quem montamos, nos tempos do Tupi, teatro amador de que participei, em Santo André, a peça A Invasão. Tenho um livro com várias peças dele, e penetrar em seu universo me abriu a mente para as mazelas deste país. O filme é bom, grandes atuações do elenco, mas para quem viu a novela é inevitável as comparações. Achei o Nanini meio caricato demais, bem distante da naturalidade de Paulo Gracindo. Aliás o filme todo parece que optou pelo escracho, pelo exagero, quase pantomima. Isso não é defeito, é escolha. Como disse para minha filha, quem não teve oportunidade de ver a novela ou a minissérie tem a vantagem de não fazer a comparação. Claro que as exibições antigas são outra coisa, não dá para comparar novela com filme, assim como não dá para fazer o mesmo entre peça e filme. Mas eu gostei do filme, apesar de achar um tanto arrastado às vezes, muito centrado no núcleo do Odorico e com poucas cenas paralelas. Acho que se se explorasse um pouco mais os outros núcleos o filme ganharia em agilidade. Por exemplo: o "romance" entre a filha de Odorico, Violeta, e Neco, interpretados por Maria Flor e Caio Blat, poderia ser mais abordado. Senti que ficou vazio, não gerou o conflito que seria de esperar. O personagem de Tonico Pereira, Vladimir, dono do jornal A Trombeta, ficou por demais caricato, o mesmo a dizer das irmãs Cajazeiras, muito bem levadas por Zezé Polessa, Drica Moraes e Andréa Beltrão, que na novela eram mais sutis. Dou o desconto de que, no curto espaço de um filme, fica difícil explorar melhor a complexidade de todos os personagens e que talvez o caricato foi opção para fazer um filme engraçado sem muito compromisso com as entrelinhas do texto de Dias Gomes. O filme ainda busca relacionar o enredo da trama com acontecimentos do país, como o golpe de 64 e depois a luta pelas Diretas, em 84. Ficou meio estranho, parece que só serviu para mostrar que o jornalista Neco (Blat) seguiu na profissão. O Dirceu Borboleta de Matheus Nachtergaele está impagável, mas bem distante do vivido na telinha por Emiliano Queiroz; só uma obervação importante: em nenhum momento ele é mostrado caçando suas borboletas, e sua consciência política é mais ressaltada no filme do que na novela, em que, ao que me lembro, ele é bem mais ingênuo e totalmente subserviente. O Zeca Diabo de José Wilker está irretocável, e é uma atuação que não lembra a de Lima Duarte, no que em minha opinião lhe rende muitos pontos em originalidade. Enfim, o filme, apesar de fiel na maior parte do tempo aos textos de Gomes, consegue se distanciar da novela, o que é muito bom. E, outro ponto a favor, mantém o tom político, sem proselitismo, que o autor imprimiu, atualizando e contextualizando, se bem que de uma forma ligeira sem aprofundamento, talvez para alcançar um público bem maior.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O segundo debut da filha


Minha filha fez sua estreia no movimento estudantil. Os alunos de sua universidade - parte deles, claro - estão reclamando professores, equipamentos, ampliação do restaurante e da creche, entre outros itens, e há mais de uma semana estão em greve, tendo ocupado a Reitoria. A foto mostra ela empunhando um cartaz em passeata no campus, quando se dirigiam à sala da reitora. É engraçado vê-la nesse agito, a gente inevitavelmente se lembra da mesma época, dos valores que tinha, e remete ao agora, o que ficou para trás e o que criou raízes. Acho ótimo ela ter suas visões, convicções, creio que vai consolidando sua opinião, seu modo de pensar, e assim ela ingressa no mundo adulto, onde passa a ser uma cidadã. Acho que está na hora de emprestar-lhe uns livros (rs).

Tirando isso, vale um post pra dizer que não tem novidade, que não fiz nada, que a vida seguiu modorrenta como um caravançarai no deserto? A única novidade é que voltei à cidade de Praia Grande pela primeira vez desde que meu pai, que morava lá, morreu, há quase 10 anos. Está tudo bastante diferente, e a casinha dele continua lá, agora habitada pelos enteados, acho. Fiquei triste de passar por lá, claro, mas foi bom também recordar momentos felizes passados naquele lugar, os churrascos, a casa cheia de gente, as caminhadas pelo calçadão. Frequentamos a Praia Grande desde muito pequenos e a transformação foi realmente radical, apesar de ainda não ter confiança de entrar no mar de lá. Mas ficou bonito, sim. Tomei umas cervejas mordiscando iscas de peixe com minha nova amiga e o sábado foi passado dessa forma. Já o domingo foi sem muita atividade. Fui embora à tarde para poder trabalhar à noite. No feriado do dia 21 também não fiz nada que merecesse registro.

Não me decidi ainda a abandonar a terapia; fui segunda e quinta e mais uma vez a ladainha do sono. Gostava mais quando fazia umas terapias alternativas, que incluíam florais, acupuntura, cromoterapia, aromaterapia, massagem... Saía de lá muito leve e achando o mundo uma maravilha. Mas tinha que fazer minha parte, qual seja, não me estressar à toa, mesmo que tomasse uma bela fechada de um carro. Estar naquelas sessões correspondia a sair um pouco do mundo e levitar em uma esfera superior, onde tudo era leve e as preocupações ficavam lá embaixo. Podia ser um mero paliativo, mas o bem-estar proporcionado era muito legal.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um domingo de ócio total

Nossa, que domingo tive! Fiquei ele todo praticamente na cama, só levantei poucas vezes para as refeições, banheiro, essas coisas. No mais, TV, sono, filminho, internetadas. Pior é que acordei muito cedo, por volta de 8h, e assisti ao programa rural da Globo. Depois, Inezita e Boldrin na Cultura. Gosto desses programas que tocam músicas regionais, nada a ver com esses sertanejos de hoje - nada contra, até ouço, e algumas são até bem feitas, mas a música caipira é, no meu ponto de vista, muito boa. Teve show da Central Scrutinizer no Centro Cultural São Paulo, mas não fui; era às 18h, e acordei às 16h morrendo de preguiça de sair. Também não fui na festa de lançamento da Devassa, sexta, em Jundiaí. Sábado churrasqueei com a família, depois de andar pelo shopping resolvendo problemas de celulares e impressoras, rs... Sexta Isabela voltou pra casa dela. Foi um sufoco no aeroporto de Congonhas. Chegamos uma hora antes da saída do avião, como recomenda a companhia. Mas a fila estava imensa e bateu o desespero de perder o voo. Felizmente deu tempo, na correria. Mas aprendi a lição: estar no check in pelo menos com hora e meia de antecedência, porque o que se anda de avião hoje não é brincadeira. Aliás, estacionar lá está cada vez pior, um estacionamento tão grande e sempre cheio. Pois é, parece que a crise está mesmo passando longe daqui. Bem, voltando ao domingo. Assisti a um filminho em DVD meio bobinho, mas, sei lá, devia estar carente, e me emocionei muito. Chama-se Sete Vidas, com Will Smith como principal personagem. Ele sofreu um acidente tempos atrás que causou a morte de sete pessoas, porque foi ver recado no celular enquanto dirigia e não viu seu carro ir em direção a uma van cheia de gente. Sua mulher também morre no desastre. Aí sabemos que ele é agente fiscal da Receita e escolhe sete pessoas que estão com dificuldades para ajudá-las de alguma maneira. É um modo de ele compensar as sete vidas que fez ceifar. Ele acaba se apaixonando por uma de suas beneficiadas e o que ele faz por ela é realmente comovente, apesar de a crítica ter achado um tanto piegas. Sei lá, esses críticos é que são meio piegas às vezes. Claro, é um filme feito mesmo para comover, é do mesmo diretor de À Procura da Felicidade, com o mesmo Smith (Gabriele Muccino), mas gosto de filmes assim, me comovo e dane-se se pareço babaca. Estava, porém, especialmente sensível este domingo e o desprendimento do cara, apesar de fruto de um remorso imenso, me deixou pensativo. Faria eu algo assim por pessoas que nem sequer conheço, apenas porque elas merecem? Outra coisa, precisa de uma  motivação forte assim (expiar uma culpa) para se fazer o bem às pessoas? Tem uma cena em que ele doa medula óssea a um garotinho com câncer que é muito forte. A extração é feita sem anestesia e a dor é muito bem representada por Smith, bem como a hora que ele comete o suicídio (não estou estragando o prazer de ninguém porque o filme começa com ele anunciando que vai se matar), de uma forma assustadora. Eu acho que só as boas interpretações valem o filme, apesar de ser um tanto arrastado, lento, de não promover o crescendo necessário para esperarmos ansiosamente pelo clímax. Acabei de vê-lo com um certo espírito de solidariedade e me achando pouco empenhado em ajudar quem precise. E a gente vê na TV esse desastre que houve no Rio e fica comovido, revoltado, mas faz o quê? Depois de notícias de que muitas doações não chegaram ao Haiti dá mais raiva ainda, vontade de mandar tudo para aquele lugar. Sabe, tem dias que sinto muita raiva da humanidade, apesar de que generalizar não é boa ideia. Mas egoísmo e individualismo são pragas que vicejam por aí, e sacanagem com os outros, mais ainda. Assusta-me muito isso aí. A gente precisa de uma boa crosta grossa nas costas para poder sobreviver nessa selva, e também de tolerância, senão sai brigando toda hora. Depois do filme, papeei um pouco no MSN e dormi gostoso até cerca de 17h, já no final do jogo Santos 3 x São Paulo 2. Meu cunhado e sobrinho tricolores devem estar putos... Vi Faustão, cheio de celebridades desfilando demagogia com a desgraça alheia e depois Fantástico, que trouxe cenas de um resgate no morro do Bumba, em Niterói (RJ). É impressionante como a Globo consegue essas coisas: em plenas operações arriscadíssimas no local da tragédia, mete uma equipe toda lá. Não sei se outras emissoras também puderam acompanhar o resgate do homem. Lembrou-me demais do filme A Montanha dos Sete Abutres, com Kirk Douglas, guardadas as devidas diferenças, quer dizer, não estou dizendo que, tal qual o personagem de Kirk, um jornalista inescrupuloso, a Globo esteja explorando a desgraça alheia; só me encano um pouco por certa exclusividade que ela muitas coisas consegue, à custa sabe-se de que expediente. Mas, se for esforço de reportagem, como parece que é, parabéns a ela, como sempre. Terminado o show da vida, fui trabalhar, esperando que esta seja uma semana boa e de realizações. O bom é que o próximo final de semana já está garantido. Depois eu conto.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Falta de sono, calor, saudade

Estou dormindo muito mal esta semana, média de duas a quatro horas de sono antes de acordar e não conseguir mais dormir. Deve ser o calor. Ou a saudade antecipada de minha filha. Não sei. O que sei é que estava ouvindo umas rádios na Internet e tocaram muitas músicas que me lembraram momentos com ela, de filmes que vimos juntos por exemplo. Deu nostalgia, lembranças de quando ela era pequena e vinha em fins de semana em minha casa e víamos DVDs, ou mesmo filmes na TV, ou íamos ao cinema, ao teatro, a parques, clubes, hotéis, sempre um programa bacana, para não ficar  no tédio em casa. Mas mesmo lá procurávamos algo legal para fazer: um almoço bacana, jogos de tabuleiro, brincadeiras como carregá-la como porco e aquela que nunca lembro o nome, que se dá a letra e a pessoa escreve fruta, carro, artista, música. Ou então íamos a mais um show de Sandy & Júnior (perdi as contas de a quantos fomos). Bem, mas não é disso que pensei em escrever, mas de minha falta de sono, que está me fazendo mal, me deixa fraco e feio. Não quero tomar remédio para dormir porque não quero criar dependência. Já sei que vão dizer que é porque fico muito tempo na net e aí não durmo, mas não foi o caso. Esta semana realmente quis dormir direto ao chegar em casa mas não consegui. Vai ver que é porque quebrei a rotina (rs). Bem, capaz que seja o calor mesmo, que faz tomar banho toda hora, e vontade de deitar no chão - mas até o piso esquenta. Para piorar, ainda tem alguém fazendo uma obra em algum apartamento vizinho e o barulho do martelo atrapalha. Para abafá-lo, boto música no último volume. Pelo menos é um barulho suportável. Achei na net uma rádio que só toca Beatles e coisas relacionadas (músicas de cada um em carreira solo e outras que os mencionam), a Beatles A-Rama. E agora só ouço ela, muito boa. Pena que não entendo muito o que os locutores dizem... tenho de voltar ao inglês, caramba. Acho que uma atividade física ajudaria. Mas estou em dúvida entre musculação e yoga. Se bem que muitas academias agora têm os dois. Estou pensando ainda. Tenho medo de começar de novo e em pouco tempo desistir, como tem sido praxe. Bem, hoje já está chovendo, deve refrescar um pouco, isso se não alagar a cidade toda de novo, atrapalhando minha volta para casa. É, preciso resolver logo essa mudança para perto do trabalho, mas está demorando vender meu apartamento. Enfim, nada animador por aqui. Mas a vida continua.