
O Barquinho Cultural
sábado, 16 de agosto de 2008
Morrer é gostoso

quinta-feira, 20 de novembro de 2025
Minha vinilteca (3): O Banquete dos Mendigos
MINHA VINILTECA
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
Em homenagem a Jards Macalé
Como o disco chegou a mim
O álbum duplo "O Banquete dos Mendigos" apareceu no apartamento onde eu morava com minha então companheira Joana em São Bernardo do Campo (SP), creio que por volta de 1991. Não sei quem o esqueceu lá, já estava na estante antes de me casar com ela. Quer dizer, imagino quem o deixou lá, mas não digo, sob risco de a pessoa querer de volta (risos).
À época não tinha muitas informações sobre o disco, além daquelas disponíveis na capa, contracapa e encarte. O repertório e os intérpretes, de primeira grandeza, me chamaram a atenção de imediato, assim como a ilustração da capa, uma reprodução da "Última Ceia" de Leonardo da Vinci (1452-1519). E também a tarja ao alto do canto esquerdo: "LIBERADO".
Eu me lembro de sentir uma certa angústia ao ouvi-lo inteiro na primeira vez. É um disco gravado ao vivo, com meus artistas preferidos de sempre, com plateia aplaudindo, gritando, mas não me pareceu clima de festa: era como uma impossibilidade de se irradiar alegria, dado o período de trevas em que foi gravado. E a voz forte do poeta e futuro imortal da ABL Ivan Junqueira lendo artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos acrescentava tensão ao clima.
O contexto de produção
Contava Jards Macalé (1943-2025) que, em 1973, ele estava duro e puto. Comendo da farinha do desprezo. Após dirigir em Londres o álbum "Transa", de Caetano Veloso, no ano anterior, e não receber os devidos créditos, e de seu LP homônimo de 1972 ser um fracasso de vendas, resolveu promover um espetáculo beneficente - em benefício próprio, bem entendido -, seguindo uma onda da época de se realizar shows para ajudar os artistas que enfrentavam a barra pesada da ditadura.
A ideia foi bem recebida e obteve adesões de nomes de peso como Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Edu Lobo, Gal Costa e de debutantes como Raul Seixas e Luiz Melodia. Agora faltava encontrar um local para as apresentações. Foi quando o então diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), Cosme Alves Neto, lhe contou que estava sendo organizada uma mostra em homenagem aos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e sugeriu que o espetáculo fizesse parte do evento. Jards topou na hora: farinha do desejo!
Assim, em 10 de dezembro (mesma data em que, em 1948, foi assinada a Declaração) de 1973, os músicos e intérpretes reuniram-se no MAM para um espetáculo cuja parte da divulgação ficou a cargo de meninos de favelas do Morro do Pinto e da Comunidade São Lourenço, que distribuíram pela cidade panfletos convidando para o evento. Mas, claro, se falar de direitos humanos em plena ditadura, governo Médici, não passaria batido.
Diz-se que a plateia, de cerca de 4 mil pessoas, estava coalhada de agentes da polícia à paisana (como se possível fosse algum disfarce) e os censores estavam na primeira fila do auditório. Soldados do Exército cercavam o prédio do museu. Não houve, contudo, repressão física, mas, como Chico Buarque fez questão de frisar, nem tudo era permitido. Em sua apresentação, Chico falou que seu repertório estava desfalcado e algumas canções foram proibidas de se executar, como "Vai Trabalhar, Vagabundo" (tema de filme homônimo de Hugo Carvana). No lugar dela, ele cantou trechos de "Jorge Maravilha", de Julinho de Adelaide, pseudônimo que usou à época para driblar a censura.
Detalhes técnicos
Os músicos e as faixas dos LPs
Ouça a íntegra no Spotfy
quarta-feira, 26 de março de 2025
Vinicius de Moraes
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Em janeiro de 1961, o diplomata, poeta e letrista Vinicius de Moraes (1913-1980) estreava nos discos com sua própria voz. A obra inaugural foi um 78 rotações lançado pela Philips, em que o Poetinha cantava, com acompanhamento de conjunto e coro, dois sambas de sua autoria, em parceria com Tom Jobim.
No lado A, “Lamento no Morro”, composição dos dois para a peça “Orfeu da Conceição”, marco inicial da parceria deles, em 1956. No lado B estava a primeira gravação de um dos grandes sucessos da parceria de Vinicius com Tom Jobim, “Água de Beber”, feita em junho de 1960.
O local da composição foi Brasília, onde os dois passaram dez dias a convite do então presidente da República, Juscelino Kubitschek, que os havia incumbido de compor uma obra sinfônica dedicada à nova capital.
A incumbência resultou no repertório que o público conheceria no LP “Brasília: Sinfonia da Alvorada”, lançamento da Columbia em 1961 (já abordado aqui).
Água de beber” não entrou no disco em homenagem à nova capital federal e se tornou uma das músicas mais regravadas da parceria Tom e Vinicius, lançada inclusive por grandes intérpretes estrangeiros, como Frank Sinatra (1967) e Ella Fitzgerald (1981), ambos cantando versos em inglês escritos pelo nova-iorquino Norman Gimbel.
“Lamento no morro” também foi muito regravada, por nomes como Lucio Alves (1961), Maria Bethânia (2005) e Sérgio Mendes com o Quarteto Maogani (2006), além do próprio Tom Jobim (1970), em grande arranjo do alemão Claus Ogerman.
Vinicius cantaria nos anos seguintes em vários outros discos, gravados com o parceiro Toquinho, com a portuguesa Amália Rodrigues (1978), com Odete Lara (1963) e registros de inúmeros shows – entre eles um com Dorival Caymmi e o Quarteto em Cy (1965) e outro com Miúcha e os próprios Tom Jobim e Toquinho (1977). (Fontes: Discografia Brasileira, IMMuB).
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025
João Gilberto
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
"João Gilberto" foi o terceiro LP solo gravado pelo baiano de Juazeiro. Lançado em 1961 pela Odeon, sucede "Chega de Saudade" (1959, Odeon) e "O Amor, o Sorriso e a Flor" (1960, Odeon).
As 12 faixas alternam o acompanhamento de Walter Wanderley e seu conjunto e a orquestra conduzida por Tom Jobim.
Traz dois clássicos de Dorival Caymmi ('O Samba da Minha Terra' e 'Saudade da Bahia), o hit "O Barquinho" (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), duas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes ('Amor em Paz' e 'Insensatez'), duas de Carlinhos Lyra e Vinícius ('Você e Eu' e 'Coisa Mais Linda') e obras de outros autores como Geraldo Pereira ('Bolinha de Papel'), Marçal e Bidê ('A Primeira Vez'), Lauro Maia ('Trem de Ferro') e Nelcy Noronha ('Presente de Natal').
A faixa escolhida fecha o disco e inaugura um estilo que o acompanharia a vida toda depois: ele acompanhando-se apenas pelo violão. E que violão!
"Este seu Olhar", de Tom Jobim.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Diana Marinho toca no Projeto Puleiro do Rock, em Itapuã
![]() |
| Diana Marinho durante tributo ao Raul Seixas, em São Paulo, no show 'O Dia Em Que a Terra Parou' (foto: Carlos Pupo) |
Serviço
quarta-feira, 12 de março de 2025
Fafá Lemos
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
O violinista carioca Rafael Lemos Júnior (1921-2004), ou Fafá Lemos, começou a estudar o instrumento aos 7 anos de idade e, aos 9, apresentou-se como solista de um concerto de Antônio Vivaldi (1678-1741), acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, sob regência do maestro Walter Burle-Marx (1902-1990).
É considerado um dos precursores da bossa-nova e teve influência do violinista francês Stephane Grappelli (1908-1997) no modo de tocar, sendo um dos poucos a utilizar o instrumento na música popular nas décadas de 1940 e 1950.
Em 1940, fez parte do naipe de violinos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e depois foi convidado a participar da Orquestra de Carlos Machado (1908-1992) e seus "Brazilians Serenaders", onde tocou por seis anos.
Desse grupo fizeram parte o violonista Laurindo de Almeida (1917-1995) e o pianista e cantor Dick Farney (1921-1987), entre outros.
Logo depois, passou a tocar na boate Casablanca. Em 1950, a Rádio Nacional o contratou como um dos solistas da orquestra de Radamés Gnattali (1906-1988).
Tocou no LP da cantora Linda Batista (1919-1998) com as músicas "Vingança" (Lupicínio Rodrigues), "Risque" (Ary Barroso) e "Duas Contas" (Garoto).
Gravou seu primeiro disco em 1951, pela RCA Victor, interpretando o baião "Cigano no Baião", de Garoto, e a quadrilha "Saudades do Texas", de sua autoria.
Em 1952, foi para os EUA, onde apresentou-se por diversas vezes e, acompanhado por Laurindo de Almeida, gravou a trilha sonora do filme da Metro "Meu Amor Brasileiro", de Mervyn Le Roy (1900-1987), com Lana Turner (1921-1995) e Fernando Lamas (1915-1982).
Realizou inúmeras apresentações em cidades norte-americanas atuando ao lado de Carmen Miranda (1909-1955).
Ainda em 1952, gravou um LP na RCA Victor americana e integrou o Trio Surdina, com Garoto (1915-1955) ao violão e Chiquinho do Acordeom (1928-1933), que gravou quatro LPs, sendo um com obras de Ary Barroso (1903-1964) e outro, de Noel Rosa (1910-1937) e Dorival Caymmi (1914-2008).
O trio, registra Cravo Albin, foi precursor do sambalanço e da bossa-nova.
Após a morte de Carmem Miranda e de Garoto, retornou ao Brasil, dirigiu a RCA e atuou na Rádio Nacional.
Foi o violinista da gravação da trilha sonora da peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes (1913-1980), lançada em disco pela Odeon em 1956.
Mudou-se para Los Angeles em 1961, trabalhando com Laurindo de Almeida, só retornando ao Brasil em 1985.
Em 1989, a convite da gravadora Eldorado, voltou aos estúdios para gravar um LP com a pianista Carolina Cardoso de Menezes (1913-2000), "Fafá & Carolina".
Seu LP de 1961, "Dó Ré Mi Fá-Fá Lemos", pela RCA Victor, traz uma das poucas composições de João Gilberto (1931-2019), "Hoba-Lá-Lá".
(Fontes: Toque Musical, Isaac Gonçalves Raimundo [UFG], Dicionário Cravo Albin da MPB, IMMuB.)
sábado, 12 de fevereiro de 2022
Bodas de ouro: "Cicatrizes", MPB-4
2022: Ano em que muitos discos essenciais completam 50 anos de lançamento. Eu, com 60, me lembro de muitos deles. E vou relembrar alguns que foram importantes - pelo menos para mim.
Começo com esse do MPB-4, "Cicatrizes", lançado pela Philips/Phonogram, com produção de Mazzola/Roberto Menescal. Magro, Ruy, Miltinho e Aquiles Rique Reis cantam aqui gente de alto quilate, como os hoje esquecidos Tom e Dito ('Agiborê'), Sidney Miller ('O Navegante'), o já clássico "San Vicente", de Fernando Brant e Milton Nascimento, lançado em Clube da Esquina, outro cinquentão que logo será aqui resenhado; Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho ('Desalento'); Murilo Antunes, outro expoente do pessoal da esquina de Minas, com Sirlan ('Viva Zapátria'); a faixa título, do mestre Paulo César Pinheiro em parceira com Miltinho; Chico Buarque, que comparece com "Partido Alto" - esta a que me marcou profundamente na época, que me lembro de ouvi-la comendo uma boa feijoada no boteco da esquina da Silva Bueno, onde o pai tinha papelaria que vendia discos; Jorge Ben (ante do sufixo Jor), com "Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite"; a angustiante (e, incrivelmente, ignorada pela censura) "Pesadelo", de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós; tem ainda Caymmi ('Canto de Nanã'); mais PC Pinheiro com Baden Powell ('Última Forma'); uma dos portelenses Cabana e Norival Reis, "Ilu Ayê (Terra da Vida)", e novamente PC Pinheiro com Tapajós, "Faz Tempo". Um disco de grande qualidade, de um tempo de um Brasil que se julgava enterrado e esquecido teima em voltar...
sexta-feira, 14 de março de 2025
Alcides Geraldi
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
O cantor e compositor João Alcides Gerardi (1918-1978) nasceu em Porto Alegre, mas ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro.
Trabalhou no comércio ao lado do pai até 1935, quando começou a carreira de cantor, como crooner.
Em 1939, participou do grupo Namorados do Luar como vocalista. Nesse mesmo ano, realizou uma gravação particular do samba "Não Faça Vontade a Ela", de Nelson Cavaquinho (1911-1986).
Dois anos depois, formou o conjunto Os Três Marrecos, com Marília Batista (1918-1990) e Henrique Batista (1908-?), irmão da cantora.
Em 1944, atuou como crooner da orquestra de danças do maestro Simon Bountman (1900-1977) e foi convidado para trabalhar na Rádio Transmissora.
Seu primeiro disco comercial foi lançado pela Odeon em 1945, trazendo a música "Lourdes" (George Brasse e Mário Rossi). Três anos mais tarde foi contratado pela Rádio Tupi, onde permaneceu até 1953, quando foi para a Rádio Nacional.
Gravou dezenas de discos, especialmente na Odeon e na CBS, e foi também letrista de canções como "Filha do Coronel" (com Irani de Oliveira), tendo parceiros como Ernani Campos e Othon Russo.
Obteve grande êxito com gravações como "Antonico" (Ismael Silva), "Brotinho Maluco" (Aníbal Cruz), "Cabecinha no Ombro" (Paulo Borges), "Saudades do Passado", "Você Pensa", "Só Resta Lágrima", "Castelo de Areia" (Geraldo Jacques, Isaías Freitas e Meirinha), "E Eu Sem Maria" (Dorival Caymmi e Alcyr Pires Vermelho), entre outras.
Alcides morreu por complicações decorrentes de um acidente de carro, quando voltava de um show pela Via Dutra.
Em 1961, lançou pela Columbia o LP "Palavras de Amor", um disco de repertório romântico incluindo a canção título, de Paulo Borges. (Fontes: Last FM, Dicionário Cravo Albin da MPB, Toque Musical, IMMuB.)
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
Caterina Valente
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
A cantora, violonista, atriz e dançarina Caterina Valente (1931-2024) visitou o Brasil pela primeira vez em abril de 1961. Nascida em Paris, filha de italianos, era à época um dos nomes mais proeminentes da música pop europeia. Cantava em italiano, francês, alemão, espanhol e até em português.
No Brasil, cantou no Teatro Record, na rua da Consolação, em São Paulo, onde se apresentou todas as noites durante seis dias seguidos. Nos sábados e domingos, Caterina se apresentou em dois horários diferentes e fez mais algumas apresentações extras no restaurante Fasano.
Foi uma das maiores divulgadoras da bossa-nova na Europa no começo dos anos 1960. Seu vídeo no YouTube com Dean Martin (1917-1995) cantando "One Note Samba" (Samba de Uma Nota Só, de Newton Mendonça e Antônio Carlos Jobim) teve mais de 11 milhões de visualizações, segundo seu site oficial.
A cantora esteve também no Rio de Janeiro (sem cantar) e o "Diário de Notícias" relatou assim a visita, sob a manchete:
Catarina Valente viu bossa-nova e gostou: vai gravar na Europa!.
Revelando ser apreciadora da música brasileira, especialmente do gênero bossa-nova, Caterina Valente, 'a mulher mais musical do mundo', estêve, ontem à tarde (19 April 1961), no Copacabana Palace, contando as peripécias de sua longa vida de artista, que se inciou aos 5 anos de idade, quando acompanhava seus pais em tournées artísticas pela Europa.
Ela retornou ao Brasil em junho de 1968 para duas apresentações em São Paulo. Em 1979, esteve novamente aqui, quando foi produzido o documentário "Caterina Valente apresenta música brasileira", no qual ela canta com Luiz Bonfá (1922-2001) - com quem gravou um LP em 1963 -, Sebastião Tapajós (1943-), Tom Jobim (1927-1994), Vinícius de Moraes (1913-1980), Gilberto Gil (1942-), Edu Lobo (1943-), Quarteto em Cy, MPB-4, Clementina de Jesus (1902-1987), Luiz Gonzaga (1912-1989), Martinho da Vila (1938-), Dorival Caymmi (1914-2008)e Waldir Azevedo (1923-1980).
Morreu em 9 de setembro de 2024 em Lugano, na Suíça.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
Miltinho
Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.
Em 1961, Milton Santos de Almeida (1928-2014), o Miltinho, saiu da RCA Victor, onde lançara o LP "Miltinho", e se transferiu para a RGE, lançando o 78 rpm com o samba "A canção que virou você" e o samba-canção "Poema do adeus", ambas de Luiz Antônio.
A carreira solo de Miltinho havia começado um ano antes, ele que, na década de 1940, participou como ritmista e vocalista de quatro importantes grupos musicais: Cancioneiros do Luar, Namorados da Lua, Anjos do Inferno (que chegou a viajar aos EUA acompanhando Carmen Miranda) e Quatro Ases e Um Coringa.
De 1950 a 1957, foi crooner da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo (1917-2012), e do grupo Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira (1913-2004), com quem chegou a gravar como crooner.
"Poema do Adeus" entrou na trilha do filme "O Vendedor de Linguiça" produzido e estrelado por Amacio Mazzaropi (1912-1981) e dirigido por Glauco Mirko Laurelli (1930-2013).
Gravou, ainda nos anos 1960 e 1970, com Elza Soares (1930-2022) e Dóris Monteiro (1934-).
Sai de cena e retorna, em 1997, com o LP "Miltinho Convida", pela Columbia, com participações de Luiz Melodia (1951-2017), Nana Caymmi (1941-), João Nogueira (1941-2000), João Bosco (1946-), Elza Soares, Martinho da Vila (1938-), MPB-4 (1964-) e Chico Buarque (1944-), entre outros.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
ÚLTIMO DESEJO
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Vampiros, tambores e reis
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
Minha vinilteca (2): Lô Borges...
MINHA VINILTECA
Nesta nova série, vou compartilhar minha pequena vinilteca. São apenas 123 títulos. Um nada diante de colecionadores possuidores de andares inteiros de discos. Mas é a MINHA coleção. Cada um desses vinis tem uma história, um afeto, um porquê. São 75 LPs de artistas brasileiros e 48 de fora do Brasil. Sobre cada um, vou contar coisas como quando e em que contexto os adquiri ou ganhei (se me lembrar e houver anotação), a ficha técnica (se não houver encarte, recorro à internet) e alguma curiosidade, de minhas memórias ou disponíveis em resenhas. Claro que a maioria dessas informações qualquer IA pode lhes dar em segundos (faço uso de alguma, sim, quando não tiver outro meio de pesquisa), mas a minha emoção de quando escolhi o disco na loja, o coloquei no prato e depositei a agulha isso nenhum robô pode reproduzir. E é isso que quero lhes oferecer. As postagens seguem ordem alfabética. Intercalo LPs nacionais e internacionais.
Esta postagem homenageia Lô Borges
Salomão Borges Filho, o Lô Borges, parceiro de Clube da Esquina de Milton "Bituca" Nascimento, morreu neste domingo, 02/11/2025, Dia de Finados, aos 73 anos, por "falência múltipla de órgãos", segundo o boletim médico divulgado pelo Hospital Unimed de Belo Horizonte, onde estava internado desde 18 de outubro, com um quadro de intoxicação por medicamentos.
Nesta postagem da série "Minha Vinilteca", fujo da regra que eu mesmo determinei, de intercalar LPs nacionais e internacionais, em ordem alfabética, avançando algumas letras para prestar minha homenagem sentida e dolorida a esse artista mineiro de imensa qualidade e sensibilidade. Falo aqui dos primeiros álbuns do compositor que adquiri: "A Via Láctea" e "Clube da Esquina", este com Milton Nascimento.
Este Blog já cobriu um festival em Três Pontas (MG), onde nasceu Wagner Tiso e cresceu Bituca, evento este que reuniu ainda Lô e uma galera muito da pesada. Acesse aqui.
A VIA LÁCTEA
A surpresa
"A Via Láctea" foi lançado em 1979, sete anos depois do famoso "disco do tênis", que fora colocado no mercado no mesmo ano do "Clube da Esquina". Eu o ganhei em 20/12/1985, creio que como presente de amigo secreto do banco em que eu trabalhava. Dentro da embalagem (descobri somente hoje, 40 anos depois!), há um cartão de boas festas, assinado por Eliete. Peço mil desculpas, Eliete, não me lembro de você. Mas agradeço imensamente o presente. No disco há carimbo da loja São Bento Discos, de São Paulo.
À época, eu era admirador de Bituca, de quem comprava todas as fitas K7 que encontrava. Chegar a Lô foi um percurso natural, uma vez que nos discos de Milton o garoto estava sempre presente. Como era praxe para mim, eu sempre indicava nos amigos secretos o que queria ganhar, para não haver erros. Então devo ter recomendado a Eliete que me desse um disco do Lô. Assim que o pus para rodar, já me apaixonei. É o único LP individual de Lô que tenho.
Ficha técnica
O LP foi lançado pela EMI Odeon Fonográfica, com direção de produção de Mariozinho Rocha, e produção executiva de Milton Nascimento. Os técnicos de gravação são Roberto Castro, Mayrton Bahia e Dacy Rodrigues; a mixagem é de Franklin Garrido e Nivaldo Duarte, com corte de Osmar Furtado. A concepção da capa é de Kélio Rodrigues e Márcio Borges, com fotos de José Roberto e Henrique Leiner, com coordenação gráfica de Tadeu Valério e Kélio Rodrigues. A ficha traz ainda agradecimentos a seu Nonato pelo cafezinho.
Os músicos
Acompanham Lô Borges (que canta e toca guitarra, violão, piano e viola de 12) os músicos Paulinho Carvalho (baixo, guitarra e violão), Telo Borges (violão, piano, piano elétrico), Fernando Oly (viola de 12 cordas), Hely Rodrigues (bateria), Robertinho Silva (bateria e percussão, Aleuda Chaves (percussão), Cláudio Venturini (guitarra), Wagner Tiso (orquestração, regência, ARP Omni, piano, sintetizador, órgão, acordeon), Toninho Horta (orquestração, regência, piano, guitarra, percussão), Luiz Alves (baixo acústico), Copinha (Nicolino Cópia), Celso Woltzenlogel, Jorginho (Jorge Ferreira da Silva) e Jaime (flautas), Flávio Venturini (piano e sintetizador), Vermelho (José Geraldo de Castro Moreira, órgão e sintetizador).
Ainda acompanham Giancarlo, Vidal, Alves, Daltro, Eduardo, Murilo, Faini, Aizik, Lana, Paschoal, Walter e Piersantino (violino spalla), Penteado, Stephany, Macedo, Linderburgo (violas), Marcio, Alceu, Watson e Ana (cellos).
A mana Solange Borges divide os vocais em duas faixas e Rick, Alexandre e Bituca reforçam as palmas na vinheta que fecha o lado A.
As faixas do LP
Lado A
1) "Sempre Viva" (Lô e Márcio Borges)
2) "Ela" (Lô e Márcio Borges)
3) "A Via Láctea" (Lô e Ronaldo Bastos)
4) "Clube da Esquina Nº 2" (Lô, Milton Nascimento e Márcio Borges) - com Solange
5) "A Olho Nu" (Lô e Márcio Borges)
Lado B
1) "Equatorial" (Lô, Beto Guedes e Márcio Borges)
2) "Vento de Maio" (Telo e Márcio Borges) - com Solange
3) "Chuva na Montanha" (Fernando Oly)
4) "Tudo Que Você Podia Ser" (Lô e Márcio Borges)
5) "Olha O Bicho Livre" (Paulinho Carvalho e Rodrigo Leste)
6) "Nau Sem Rumo" (Lô e Márcio Borges)
CLUBE DA ESQUINA
O contexto da compra
Na época da compra desse LP duplo (um luxo para poucos em 1972), eu já tinha adquirido um respeitável conjunto CCE com toca-discos, duplo K7 e sintonizador AM/FM e passei então a comprar discos de vinil, em vez dos cassetes que ouvia no toca-fitas do carro de meu pai. Não sei se este foi o primeiro LP que comprei, mas foi certamente o primeiro de Bituca. Um clássico, em todos os sentidos.
A compra foi feita em 20/11/1987, no Jumbo Eletro de Santo André, e tem até uma etiqueta com o preço dentro da capa: 59000 (eu não sei se eram 590,00 cruzados, ou 59.000 cruzados!). Lembro que ficava horas olhando aquela capa interna dupla cheia de fotos, tentando descobrir quem eram as personagens lá. Dá pra identificar de cara Dori e Dorival Caymmi, Bituca, Lô Borges, Paulinho da Viola, Beto Guedes, Norma Bengel, Toninho Horta e Miles Davis. Os demais, só pesquisando.
Ficha técnica
O LP foi lançado em 1972 pela EMI Odeon. A edição que tenho é de 1985, e não traz encarte nem qualquer outra informação, além daquelas disponíveis nos selos (nome das músicas e compositores). Mas uma edição especial em CD de outubro de 2007, da Trama, produzida por João Marcelo Bôscoli, que tem também o "Clube da Esquina 2", de 1978, oferece as informações.
O disco foi gravado nos Estúdios EMI-Odeon do Rio de Janeiro em 1972. A produção é de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. A direção de produção é de Milton Miranda, a direção musical, de Lindolfo Gaya, com supervisão de Bituca. Os orquestradores são Wagner Tiso e Eumir Deodato, com regência de Paulo Moura. O diretor técnico é Z. J. Merky. Os técnicos de gravação são Nivaldo Duarte, Jorge Teixeira e Zilmar Rodrigues. O técnico de laboratório é Reny |R. Lippi. A concepção da capa é de Cafi, com colaboração de Ronaldo Bastos. As fotos da capa, da contracapa e da nuvem são de Cafi e as internas de Cafi e Juvenal Pereira.
Os músicos
Como se sabe, o "Clube da Esquina" faz referência à turma que se reunia na confluência das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Belo Horizonte (MG), para tocar e trocar ideias. Aí, em meados de 1971, Bituca levou a galera para Niterói para compor e gravar o celebrado álbum homônimo duplo meses depois, à revelia dos protestos da gravadora, que achava um LP duplo absurdo. Mas Bituca bateu o pé, ameaçou trocar de firma e o disco saiu como ele quis. No estúdio, cada um tocava o que havia à disposição, e a ficha disponível dos músicos participantes é esta, com os instrumentos na ordem das faixas:
Milton Nascimento (voz, piano, violão) Lô Borges (voz, violão, guitarra, percussão, surdo, piano, bateria), Tavito (guitarra 12 cordas, guitarra 6 cordas, violão, percussão), Wagner Tiso (órgão, piano, piano elétrico), Beto Guedes (voz, baixo, guitarra 12 cordas, percussão, piano, carrilhão), Toninho Horta (guitarra, percussão, baixo, violão, voz), Robertinho Silva (bateria e percussão), Luiz Alves (caxixi, percussão, baixo com arco), Rubinho (tumbadora, bateria), Nelson Angelo (guitarra, percussão, surdo, piano), Paulinho Braga (percussão), Luiz Gonzaga Jr. (coro).
As faixas dos LPs
Disco 1
Lado A
1) "Tudo Que Você Podia Ser" (Lô e Márcio Borges) - Voz: Bituca
2) "Cais" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Voz: Bituca
3) "O Trem Azul" (Lô Borges e Ronaldo Bastos) - Voz: Lô Borges
4) "Saídas e Bandeiras Nº 1" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Voz: Bituca e Beto Guedes
5) "Nuvem Cigana" (Lô Borges e Ronaldo Bastos) - Voz: Bituca
6) "Cravo e Canela" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Vozes: Bituca e Lô
Lado B
1) "Dos Cruces" (Carmelo Larrea Carricarte) - Voz: Bituca
2) "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" (Lô e Márcio Borges) - Vozes: Lô e Beto Guedes
3) "San Vicente" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Vozes: Bituca e Tavito
4) "Estrelas" (Lô e Márcio Borges) - Voz: Lô
5) "Clube da Esquina Nº 2" (Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges) - Instrumental
Disco 2
Lado A
1) "Paisagem na Janela" (Lô Borges e Fernando Brandt) - Voz: Lô Borges
2) "Me Deixa em Paz" (Monsueto e Ayrton Amorim) - Voz: Alaíde Costa e Bituca
3) "Os Povos" (Milton Nascimento e Márcio Borges) - Voz: Bituca
4) "Saídas e Bandeiras Nº 2" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Vozes: Bituca e Beto Guedes
5) "Um Gosto de Sol" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Voz: Bituca
Lado B
1) "Pelo Amor de Deus" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Voz: Bituca
2) "Lilia" (Milton Nascimento) - Instrumental
3) "Trem de Doido" (Lô e Márcio Borges) - Voz: Lô Borges
4) "Nada Será Como Antes" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - Vozes: Bituca e Beto Guedes
5) "Ao Que Vai Nascer" (Milton Nascimento e Fernando Brandt) - Voz: Bituca
Ouçam os discos no Spotfy:












