O Barquinho Cultural

O Barquinho Cultural
Agora, o Blog por Bloga e O Barquinho Cultural são parceiros. Compartilhamento de conteúdos, colaboração mútua, dicas e trocas de figurinhas serão as vantagens dessa sintonia. Ganham todos: criadores, leitores/ouvintes, nós e vocês. É só clicar no barquinho aí em cima que te levamos para uma viagem para o mundo cultural

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Caterina Valente

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

A cantora, violonista, atriz e dançarina Caterina Valente (1931-2024) visitou o Brasil pela primeira vez em abril de 1961. Nascida em Paris, filha de italianos, era à época um dos nomes mais proeminentes da música pop europeia. Cantava em italiano, francês, alemão, espanhol e até em português.

No Brasil, cantou no Teatro Record, na rua da Consolação, em São Paulo, onde se apresentou todas as noites durante seis dias seguidos. Nos sábados e domingos, Caterina se apresentou em dois horários diferentes e fez mais algumas apresentações extras no restaurante Fasano.

Foi uma das maiores divulgadoras da bossa-nova na Europa no começo dos anos 1960. Seu vídeo no YouTube com Dean Martin (1917-1995) cantando "One Note Samba" (Samba de Uma Nota Só, de Newton Mendonça e Antônio Carlos Jobim) teve mais de 11 milhões de visualizações, segundo seu site oficial.

A cantora esteve também no Rio de Janeiro (sem cantar) e o "Diário de Notícias" relatou assim a visita, sob a manchete:

Catarina Valente viu bossa-nova e gostou: vai gravar na Europa!.

Revelando ser apreciadora da música brasileira, especialmente do gênero bossa-nova, Caterina Valente, 'a mulher mais musical do mundo', estêve, ontem à tarde (19 April 1961), no Copacabana Palace, contando as peripécias de sua longa vida de artista, que se inciou aos 5 anos de idade, quando acompanhava seus pais em tournées artísticas pela Europa.

Ela retornou ao Brasil em junho de 1968 para duas apresentações em São Paulo. Em 1979, esteve novamente aqui, quando foi produzido o documentário "Caterina Valente apresenta música brasileira", no qual ela canta com Luiz Bonfá (1922-2001) - com quem gravou um LP em 1963 -, Sebastião Tapajós (1943-), Tom Jobim (1927-1994), Vinícius de Moraes (1913-1980), Gilberto Gil (1942-), Edu Lobo (1943-), Quarteto em Cy, MPB-4, Clementina de Jesus (1902-1987), Luiz Gonzaga (1912-1989), Martinho da Vila (1938-), Dorival Caymmi (1914-2008)e Waldir Azevedo (1923-1980).

Morreu em 9 de setembro de 2024 em Lugano, na Suíça.


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Carminha Mascarenhas

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Carmina Allegretti, nome de batismo da cantora Carminha Mascarenhas (1930-2012), nasceu em Muzambinho (MG) e entrou para o mundo da música em Poços de Caldas, onde também se formou professora primária.

Participou lá do coral da igreja matriz e conheceu o pianista Raul Mascarenhas (1926-1987), com quem se casaria em 1952, gerando o saxofonista Raul Mascarenhas Júnior (1953-).

No ano seguinte, gravou seu primeiro disco com as canções de Hervé Cordovil (1914-1979) "Nossos caminhos Divergem" e "Folha caída". Nessa época, transferiu-se com o marido para Belo Horizonte, apresentando-se com ele na Rádio Inconfidência e em casas noturnas.

Em 1955, estreou como crooner do Copacabana Palace, substituindo Nora Ney (1922-2003). Ainda nesse ano foi eleita, juntamente com Sylvia Telles (1934-1966), "Cantora Revelação do Ano" e contratada para fazer parte do elenco da Rádio Nacional, estreando na emissora no programa "Nada Além de 2 Minutos".

Em 1956, separou-se do marido e viajou para o Uruguai, onde se apresentou na boate Cave e no Cassino de Punta del Este. Seguiu, depois, para Argentina e Paraguai. Gravou vários discos em 78 rpm e participou, com Elizeth Cardoso (1920-1990) e Heleninha Costa (1924-2005), de um LP dedicado à obra de Fernando Lobo (1915-1996), pai de Edu Lobo (1943-).

Em 1959, gravou seu primeiro LP solo, intitulado "Carminha Mascarenhas", em que registra a faixa "Eu Não Existo Sem Você", de Tom Jobim (1927-1994) e Vinícius de Moraes (1913-1980).

Atuou na TV Rio, participou de show de Ary Barroso (1903-1964), compôs músicas, gravou com Marisa Gata Mansa (1933-2003) um LP em homenagem ao compositor Newton Mendonça (1927-1960).

Ainda na década de 60, registrou no LP "A Noite é de Carminha" as canções que apresentava na noite carioca. O LP incluiu "Per Omnia Saecula, Saeculorum" (algo como 'Por Todos os Séculos dos Séculos'), samba de Miguel Gustavo (1922-1972), cuja execução foi proibida pela censura.

Nos anos 80, apresentou-se no Sambão e Sinhá, casa noturna de Ivon Curi (1928-1995), com o espetáculo Carnavalesque, que ela própria escreveu.

Seguiu apresentando-se esporadicamente e, em 2001, atuou ao lado de Ellen de Lima (1938-), Carmélia Alves (1923-2012) e Violeta Cavalcanti (1923-2014) no espetáculo "As Cantoras do Rádio: Estão Voltando as Flores".

Seu último trabalho foi nos anos de 2003 e 2004, quando atuou nos shows "Ninguém me ama?, "Canto para Nora Ney" e "Tra-lá-lá Lamartine é 100", ambos escritos, dirigidos e apresentados por Ricardo Cravo Albin.

Terminou seus dias no Retiro dos Artistas no Rio de Janeiro.



Miltinho

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Em 1961, Milton Santos de Almeida (1928-2014), o Miltinho, saiu da RCA Victor, onde lançara o LP "Miltinho", e se transferiu para a RGE, lançando o 78 rpm com o samba "A canção que virou você" e o samba-canção "Poema do adeus", ambas de Luiz Antônio.

A carreira solo de Miltinho havia começado um ano antes, ele que, na década de 1940, participou como ritmista e vocalista de quatro importantes grupos musicais: Cancioneiros do Luar, Namorados da Lua, Anjos do Inferno (que chegou a viajar aos EUA acompanhando Carmen Miranda) e Quatro Ases e Um Coringa.

De 1950 a 1957, foi crooner da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo (1917-2012), e do grupo Milionários do Ritmo, de Djalma Ferreira (1913-2004), com quem chegou a gravar como crooner.

"Poema do Adeus" entrou na trilha do filme "O Vendedor de Linguiça" produzido e estrelado por Amacio Mazzaropi (1912-1981) e dirigido por Glauco Mirko Laurelli (1930-2013).

Gravou, ainda nos anos 1960 e 1970, com Elza Soares (1930-2022) e Dóris Monteiro (1934-).

Sai de cena e retorna, em 1997, com o LP "Miltinho Convida", pela Columbia, com participações de Luiz Melodia (1951-2017), Nana Caymmi (1941-), João Nogueira (1941-2000), João Bosco (1946-), Elza Soares, Martinho da Vila (1938-), MPB-4 (1964-) e Chico Buarque (1944-), entre outros.



Emilinha Borba

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.


Emília Savana da Silva Borba (1923-2005), conhecida como Emilinha Borba, nasceu no Rio de Janeiro. Foi uma das intérpretes mais populares da Rádio Nacional e do Brasil no século XX.

Conquistou o título de “Rainha do Rádio” em 1953. Ficou marcada também por uma suposta polêmica com a cantora Marlene (1922-2014), considerada sua “rival”.

Começou menina a se apresentar em programas de auditório e de calouros. Ganhou seu primeiro prêmio, aos 14 anos, na "Hora Juvenil", da Rádio Cruzeiro do Sul.

Cantou também no programa "Calouros de Ary Barroso", obtendo a nota máxima ao interpretar "O X do Problema", de Noel Rosa. Logo depois, começou a fazer parte dos coros das gravações da Columbia.

Com Bidu Reis (1920-2011) formou a dupla As Moreninhas, que durou pouco e seguiu carreira solo, sendo contratada pela Rádio Mayrink Veiga, recebendo de César Ladeira (1910-1969) o título "Garota Grau Dez".

Grava o primeiro 78 rpm em 1939 com o o samba-choro "Faça o Mesmo", de Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão, e o samba "Ninguém Escapa", de Eratóstenes Frazão.

Carmen Miranda (1909-1955), de quem sua mãe fora camareira, a leva para um teste no Cassino da Urca, onde começa a se apresentar como crooner.

Em 1941 assina com a Odeon e, em 1942, vai para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, sendo a estrela maior da emissora por 27 anos.

Afastou-se da música por problemas de saúde de 1968 a 1972.

Entre os singles gravados em 1961, "Me Leva Pro Céu" (Fernando Costa e Rossini Pinto), com "Intriga" (Rutinaldo Silva) no lado B, pela Columbia, teve destaque nas paradas.


Dalva de Oliveira

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Em 1961, Dalva de Oliveira (1917-1972) vivia em Buenos Aires com o ator e cantor argentino Tito Climent (1917-1988) e a Odeon lançou no Brasil dois LPs: "Tangos com Francisco Canaro" e "Dalva de Oliveira".

O primeiro trazia versões de clássicos portenhos e o segundo, sucessos em sua voz lançados anteriormente em singles, como "Ave Maria no Morro" e "Segredo", ambas de seu ex-marido Herivelto Martins (1912-1992), a segunda em parceria com Marino Pinto (1916-1965), que também assina "Estrela do Mar" (com Paulo Soledade) e "Que Será" (com Mario Rossi), entre outros.

Chamada de "Rouxinol Brasileiro", "Estrela Dalva" e "Rainha da Voz", por sua poderosa extensão vocal, que ia do contralto ao soprano, foi uma das grandes intérpretes da era de ouro do rádio brasileiro (anos 1940 a 1960).

Sua influência, no entanto, não veio do rádio, mas do pai, Mário de Oliveira, carpinteiro e músico amador, que tocava clarinete e saxofone e fazia serenatas.

Com a morte dele, aos 8 anos veio com a família para a capital paulista (ela nasceu em Rio Claro, interior de São Paulo). Em 1934, a família se muda para o Rio de Janeiro, onde conheceu o compositor Herivelto Martins, com quem se casou oficialmente em 1939 e teve dois filhos, Pery, que também se tornou cantor, com o nome de Pery Ribeiro (1937-2012), e Ubiratan, produtor de TV.

Os dois, mais o cantor Francisco Sena (depois Nilo Chagas) formavam o Trio de Ouro, de muito sucesso à época.

Com a separação do casal, Dalva segue carreira solo, época em que o ex-marido, ao lado do jornalista e compositor David Nasser (1917-1980), faz série de composições para detratar a cantora, que respondia à altura, resultando da rixa canções inesquecíveis, como "Segredo", que fala dessa situação de lavar a roupa suja em público.

Faz excursões ao exterior, quando conhece Tito, de quem se separa em 1963 e volta ao Brasil. Em 1965 sofre um sério acidente de carro com o namorado Manuel Nuno Carpinteiro, que resultou no atropelamento e morte de quatro pessoas, e se afasta da carreira por uns tempos.

Retoma a carreira e lança, em 1970, o LP "Bandeira Branca", cuja faixa título, de Max Nunes e Laércio Alves, é até hoje grande sucesso carnavalesco.

Mas o novo cenário fonográfico brasileiro não tinha espaço para ela, que caiu em depressão e morreu de câncer no esôfago em 30 de agosto de 1972.



Johnny Mathis

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Johnny Mathis (1935-) é um cantor nascido no Texas (EUA), e desde cedo manifestou talento para o canto, o que levou seu pai a colocá-lo, aos 13 anos, em aulas para aperfeiçoar a técnica.

Mathis também se destacava nos esportes do colégio e ganhou uma bolsa de estudos para atletismo no San Francisco State College (agora San Francisco State University).

Enquanto estava na faculdade, ele começou a cantar em clubes de jazz locais, quando atraiu a atenção de um representante da Columbia Records.

Abandonou o esporte profissional e decidiu seguir uma carreira musical na gravadora - onde é o artista contratado mais longevo.

A primeira gravação de Mathis, "Johnny Mathis: A New Sound in Popular Song" (1956), foi no estilo jazz, com arranjos de Gil Evans e outros.

Não conseguiu impressionar o público, no entanto, e o executivo e produtor da Columbia, Mitch Miller, posteriormente conduziu Mathis para as baladas românticas, o que surtiu efeito e lhe trouxe o sucesso.

Em 1964, Mathis fundou sua própria empresa de gerenciamento e produção, a Rojon Productions. Expandiu seu repertório com canções de Beatles, Burt Bacharach e Antônio Carlos Jobim.

Com o álbum "I’m Coming Home" (1973), Mathis também começou a se envolver com a música soul.

Apesar de não ter mais o destaque de antes, continua gravando e se apresentando regularmente. Em 2016, Mathis celebrou seu 60º aniversário de carreira com uma turnê comemorativa.

Em 1961, seu sucesso foi a música "My love for you" (Abner Silver e Sid Wayne), que alcançou lugares de destaque nas paradas também no Brasil.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Cauby Peixoto


Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Cauby Peixoto Barros (1931-2016) nasceu em Niterói (RJ) em uma família de artistas.

Estudou num colégio de padres salesianos no Rio de Janeiro e já no tempo de estudante cantava no coral da igreja. Mais tarde, apresentou-se no programa de calouros da Rádio Tupi, chamando a atenção da Revista do Rádio, em 1949.

Cantou também no conjunto de seu irmão Moacir, na boate carioca Casablanca e, em 1951, gravou seu primeiro disco, pela Som.

Em 1952, mudou- se para São Paulo, passando a cantar nas boates Oásis e Arpege, e na Rádio Excelsior, com repertório de músicas estrangeiras.

Por volta de 1954, caiu nas graça do empresário Di Veras, que o levou para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, alcançando grande sucesso popular.

Depois de aparecer na revista norte-americana "Time" como o maior ídolo da canção popular brasileira, foi convidado para uma excursão aos EUA, onde gravou, com o nome de Ron Coby, um LP com a orquestra de Paul Weston, cantando em inglês. Ainda teve outras duas passagens pelos EUA.

Durante toda a década de 1960, limitou-se a apresentações em boates e clubes. Nas décadas seguintes manteve uma carreira regular de gravações e apresentações em casas de espetáculos e na TV.

Em 1980, em comemoração aos 25 anos de carreira, lançou pela Som Livre o disco "Cauby, Cauby", com músicas feitas especialmente para ele por Caetano Veloso (Cauby, Cauby), Chico Buarque (Bastidores), Tom Jobim (Oficina), Roberto e Erasmo Carlos (Brigas de Amor), entre outros.

Em 1982, apresentou-se no 150 Nigth Club, em São Paulo, ao lado dos irmãos Moacir (piano) e Araken (piston) e lançou o LP "Ângela e Cauby", o primeiro encontro dos dois cantores em disco.

Em 1989, os 35 anos de carreira foram comemorados no bar e restaurante A Baiuca, em São Paulo, ao lado dos irmãos Moacir, Araken e Iracema e Andiara (vozes).

No mesmo ano, a RGE relançou o LP "Quando os Peixotos se encontram", de 1957. Em 1993 foi o grande homenageado, ao lado de Ângela Maria, no Prêmio Sharp de Música.

Em 1996, foi lançada pela Columbia caixa com 2 CDs abrangendo suas gravações de 1953 a 1959, com sucessos como "Conceição" (Jair Amorim e Valdemar de Abreu, 1956).

Em 1961, lança, pela RCA Victor, o LP, "Cauby Canta Novos Sucessos", onde interpreta "Negue" (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos). (Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira, PubliFolha).


Ângela Maria

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Abelim Maria da Cunha, nome de batismo de Ângela Maria (1929-2018), era filha de pastor protestante e cantava em coro de igrejas, mas, fascinada com o rádio, à revelia da família, começou, por volta de 1947, a frequentar programas de calouros, usando o nome artístico para não ser reconhecida pelos pais.

Chamou a atenção por sua bela e cristalina voz e largou o emprego de operária na fábrica da lâmpadas da GE e foi morar com uma irmã no subúrbio de Bonsucesso.

Em 1948 obteve o lugar de crooner no Dancing Avenida. De lá, teste na Rádio Mayrink Veiga e início de carreira, interpretando músicas de Othon Russo (1925-1999) e Cyro Monteiro (1913-1973), compositores que a ajudaram a criar um repertório pessoal, abandonando a influência de Dalva de Oliveira (1917-1972).

Estreou em disco em 1950 com "Sou Feliz" (Augusto Mesquita e Ari Monteiro) e "Quando Alguém Vai Embora" (Cyro Monteiro e Dias Cruz), na RCA Victor.

No ano seguinte, sua gravação do samba "Não Tenho Você" (Paulo Marques e Ari Monteiro) bateu recordes de vendas, marcando o primeiro grande sucesso de sua carreira.

Em 1954, em concurso popular, tornou-se a Rainha do Rádio, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme "Rua Sem Sol", de Alex Viany (1918-1992).

Apelidada de Sapoti pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954), tornou-se a cantora mais popular do Brasil durante a década de 1950.

Ângela Maria influenciou boa parte de suas sucessoras, como Elis Regina (1945-1982) e Clara Nunes (1942-1983), e foi referência até mesmo para cantores, como Cauby Peixoto (1931-2016) e Djavan (1949-).

Em 1961, após sair da Copacabana, lançou dois LPs pela Continental, antes de retornar para a RCA Victor: "Quando a Noite Vem - Ângela Maria Uma Voz para Milhões", cujo destaque foi "Os Olhinhos do Menino", de Luiz Vieira, e "Não Tenho Você", seu primeiro grande sucesso, e que trazia ainda um compilação de músicas já lançadas anteriormente em discos de 78 rpm.



Laurindo Almeida

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Em 1961, o compositor, arranjador e instrumentista Laurindo Almeida (1917-1995), nascido em Miracatu, no Vale do Ribeira (SP), levou três Grammy - o prêmio máximo da música nos EUA, dois deles de melhor performance instrumental de solista sem orquestra, pelos álbuns "The Spanish Guitars of Laurindo Almeida" e "Reverie For Spanish Guitars", e a outra de melhor composição clássica contemporânea, por "Discantus", do álbum "Reverie...".

Já havia abocanhado outros dois prêmios Grammy no ano anterior e, em 1964, levado mais um de melhor álbum de grupo de jazz, além de uma indicação em 1960.

É, sem dúvida, o brasileiro com mais vitórias no prêmio mais cobiçado da música mundial. Mas no Brasil era há pouco tempo quase desconhecido, exceto pelos seus contemporâneos e músicos profissionais.

Começou a aprender violão aos 9 anos, com a irmã Maria, após a mãe, pianista amadora, lhe dar as primeiras noções musicais. Acompanhava o pai, seresteiro, em Santos e, após sua morte, vai para São Paulo, onde conhece, em um hospital, o violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha - 1915-1955), com quem formaria um duo mais tarde.

Trabalhou em emissoras de rádio e no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. Com a proibição dos cassinos no Brasil, muda-se, em 1947 para os EUA, onde compõe centenas de trilhas para a TV e para filmes de Hollywood.

Durante a permanência no Brasil, tem suas composições gravadas por grandes intérpretes populares, como Carmen Miranda (1909-1955) e Orlando Silva (1915-1978).

Nos EUA, volta-se a um repertório mais instrumental, em que promove uma fusão das linguagens do jazz, da música erudita e da música popular brasileira, criando o que chamou de "jazz de samba", sendo ainda considerado um precursor da bossa-nova, apesar de não ter pertencido ao grupo que desenvolveu o estilo nos anos 1950. (Fontes: Revista Rolling Stone Brasil, Dicionário Cravo Albin da MPB e Enciclopédia Itaú Cultural)


Neil Sedaka

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

O cantor, compositor e pianista americano Neil Sedaka (1939-2026) começou na música aos 9 anos de idade, estudando piano clássico.

Aos 16, buscando popularidade no colégio, começou a tocar rock'n'roll e formou o grupo de doo-wop "The Tokens", com o qual gravou dois singles que viriam a ser sucessos regionais.

Mas, quando conheceu o jovem vizinho Howard Greenfield (1936-1986), constituiu uma parceira que vendeu 40 milhões de discos entre 1959 e 1963, segundo informa seu site oficial.

Sedaka e Greenfield se tornaram um dos criadores originais do som “Brill Building” no final dos anos 50 e início dos 60. O "Brill Buiding" era um tipo de subgênero pop da época, identificado com canções para adolescentes, que levou esse nome por causa do edifício homônimo em Nova York onde os produtores Don Kirshner e Al Nevins arregimentavam autores de canções edulcoradas para grupos focados a esse público teen.

O primeiro sucesso de Sedaka foi quando a cantora Connie Francis (1938-) gravou seu "Stupid Cupid", em 1958. Como resultado, Sedaka conseguiu assinar um contrato com a RCA Victor e logo alcançou o topo das paradas com "The Diary", "Oh! Carol", "Stairway to Heaven" (não confundir com a canção homônima do Led Zeppelin), "Calendar Girl", "Little Devil", "Happy Birthday Sweet Sixteen", "Next Door To An Angel" e "Breaking Up Is Hard To Do".

A invasão britânica iniciada em 1964 com The Beatles mudou o panorama musical nos EUA, mas Sedaka conseguiu se manter, compondo para diversos outros artistas, como Frank Sinatra, Elvis Presley, Tom Jones, The Monkees, entre outros.

Sedaka também conseguiu reconhecimento na Inglaterra, chamando a atenção de Elton John, que o contratou para seu selo, Rocket Records, no qual gravou dois álbuns, "Sedaka’s Back", em 1974, e "The Hungry Years", em 1975.

Em 1995, Sedaka parou de compor canções pop e voltou sua atenção para a música clássica. O resultado foi o álbum "Classically Sedaka", onde adaptou melodias clássicas de Chopin, Rachmaninoff, Tchaikovsky, Schummann e Puccini e elaborou letras originais para cada peça.

"I Do It For Applause", de 2016, é o último álbum de estúdio de Sedaka, com doze novas canções.

Em 1961, Sedaka lançou dois LPs, "Circulate" e "Neil Sedaka Sings Little Devil and His Other Hits". O primeiro traz apenas duas músicas dele com Greenfield; as outras são covers, incluindo "A Felicidade", de Vinicius de Moraes e Antônio Carlos Jobim. O segundo é o contrário: são 10 das 12 faixas da autoria da dupla, a maioria lançada anteriormente em singles.

PS: Neil Sedaka morreu nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, aos 86 anos, de causas não reveladas. O cantor foi indicado a cinco prêmios Grammy durante a carreira. Ele foi incluído no Hall da Fama dos Compositores em 1983 e recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Frank Zappa

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Em 1961, o genial Frank Zappa, nascido Frank Vincent Zappa (1940—1993) em Baltimore (Maryland, EUA), fez suas primeiras gravações, após experimentações em bandas juvenis, como The Blackouts, e apresentações em casas noturnas.

Nesse ano, foi o responsável pela trilha sonora do longa "The World's Greatest Sinner", dirigido por Timothy Carey (1929-1994) e lançado em 1962. O filme jamais foi exibido em cinemas, mas foi apresentado em canais a cabo na época e chamou a atenção para o jovem compositor.

Assim, Zappa foi convidado para o programa de TV Steve Allen Show, em 4 de março de 1963, quando ele demonstrou sua maneira ímpar de compor, ao extrair sons de uma bicicleta (abaixo).


As músicas dessa trilha acabaram sendo aproveitadas em gravações posteriores dele.

Em 1964, encampa um estúdio de gravação de um amigo, rebatizando-o Studio Z, onde trabalha sem parar em novas possibilidades técnicas.

Sob acusação caluniosa de que fazia filmes pornográficos no estúdio, foi preso em 1965 e perdeu boa parte do material lá produzido.

Nesse ano, entrou na banda Soul Giants como guitarrista, logo assumindo a liderança e vocal principal da banda, renomeada em seguida para The Mothers.

Em 1966, Tom Wilson (1931-1978), produtor de Bob Dylan, Simon & Garfunkel e Velvet Underground, os ouviu e conseguiu um contrato com a Verve para eles.

A gravadora os convenceu a mudar o nome para The Mothers of Invention e gravou o primeiro álbum oficial de Zappa e cia: "Freak Out".

Em 1969, Zappa rompeu com os Mothers e lançou "Hot Rats". Sua obra a partir daí foi eclética, no mínimo, com composições fundindo o rock com o jazz, temas eruditos, fruto de sua admiração por compositores como Edgar Varèse (1883-1965), Ígor Stravinski (1882-1971) e Anton Weber (1883-1945).

Em 1970, montou um novo Mothers, com outros músicos, com o qual gravou alguns álbuns e excursionou.

Após dois acidentes em 1971, um dos quais citados pela banda britânica Deep Purple na música "Smoke on the Water", Zappa constituiu diversos pequenos grupos, com os quais fez shows e lançou mais álbuns, alguns êxitos comerciais, outros nem tanto.

Teve pendengas judiciais com gravadoras, editoras e empresários, lançou-se artista independente em 1979, com seu selo Zappa Records.

Lançou vários discos totalmente instrumentais, filmes, cogitou candidatar-se à presidência dos EUA. Recebeu seu primeiro Grammy em 1987 pelo álbum "Jazz From Hell", de 1986.

No começo de 1990, Zappa foi convidado pelo presidente da então Tchecoslováquia, Václav Havel, a servir como consultor para o governo em assuntos comerciais, culturais e turísticos, o que se realizou de forma não oficial, devido a pressões do governo dos EUA.

Diagnosticado com câncer de próstata em 1990, em estágio irrecuperável, dedicou-se a trabalhos orquestrais e com o Synclavier, um sintetizador e sampler criado em 1978.

Em 1991, Zappa foi escolhido para ser um dos quatro compositores apresentados no Festival de Frankfurt, em 1992 (os outros eram John Cage, Karlheinz Stockhausen e Alexander Knaifel).

Zappa tocou com a orquestra de câmara Ensemble Modern e trechos dessa apresentação foram lançados no último álbum de Zappa em vida, "The Yellow Shark", de 1993, ano em que morreu, a 4 de dezembro.



Wilma Bentivegna

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.


Wilma Bentivegna (1929-2015), paulistana, iniciou a carreira artística aos 9 anos, fazendo apresentações no programa "Clube do Papai Noel", da Rádio Difusora de São Paulo.

Depois atuou em radioteatro na Rádio Tupi, sob direção de Octavio Gabus Mendes (1906-1946), e na Rádio Difusora, com Oduvaldo Viana (1892-1972).

Wilma atuou já no primeiro dia da TV Tupi, cantando junto com os Garotos Vocalistas. Foi apresentadora de “O Mundo é das Mulheres”, ao lado de Hebe Camargo (1929-2012), Lourdes Rocha (1936-1988) e Eloísa Mafalda (1924-2018).

Em 1954, foi contratada pela gravadora Sinter e gravou "Me 'vo' a morir" (F. Cabrera) e "Chove" (Geraldo Vietri).

Em 1955, foi contratada pela Rádio Nacional de São Paulo e pela TV Paulista. Em 1956, assinou contrato com a Odeon.

A cantora se destacou com versões de músicas estrangeiras e se tornou nacionalmente conhecida ao gravar "Hino do Amor", em 1959, versão escrita por Odayr Marsano de "Hymne A L'Amour" (Edith Piaf e Marguerite Monnot).

A canção foi regravada em 1961 para seu primeiro LP, "Canção do amor que eu lhe dou", lançado pela gravadora Odeon.

Morreu aos 86 anos de insuficiência respiratória em Suzano (SP), cidade em que morava havia 35 anos e que lhe homenageou em 2019 ao dar seu nome a um cineteatro.

"As Folhas Verdes de Verão" é versão de Paulo Rogério de "The Green Leaves Of Summer" (Paul Francis Webster e Dimitri Tiomkin), gravada pelos Brother Four e que integra a trilha sonora do filme "O Álamo", de 1960, o primeiro dirigido por John Wayne (1907-1979).


Demetrius

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Demétrius, nome artístico de Demétrio Zahra Netto (1942–2019), nasceu no Rio de Janeiro, mas sua família se mudou para São Paulo quando ele tinha seis meses.

Iniciou a carreira no fim da década de 1950 quando gravou, pelo selo Young, rocks de sua autoria, como "Hold me so tight".

Transferiu-se para a Continental em 1961, fazendo sucesso com sua versão de "Corrine Corrina", um blues gravado em 1928 por Bo Chatman e Charles McCoy, mas que ficou mais conhecido em 1960 na voz de Ray Peterson (1939-2005).

Estourou em 1964 com "O ritmo da chuva", versão de "Rhythm of the Rain" (John Gummoe), lançado em 1962 pelo grupo vocal norte-americano The Cascades.

Em 1965, assinou com a RCA Victor e gravou a versão de sua autoria para a música de Estelle Levitt "Somehow it got to be tomorrow today", com o nome de "Ternura".

Essa versão virou eterno sucesso após 1966 na voz de Wanderlea (1946-), que recebeu então o apelido de "Ternurinha".

Em 1967, ganhou de Roberto Carlos (1941-) a composição "Eu não presto, mas eu te amo". Em 1970, foi a vez de O Rei gravar uma composição de Demétrius, "Preciso lhe encontrar".

Demétrius deixou de atuar em meados da década de 1970, voltando a se apresentar 20 anos depois em revivals de sua carreira e da Jovem Guarda.


Carlos Galhardo

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Carlos Galhardo (1913-1985), nascido Catello Carlos Guagliardi em Buenos Aires, foi um dos principais cantores da Era do Rádio (anos 1940 a 1950 no Brasil).

A família mudou-se para o Rio de Janeiro quando ele tinha 1 ano de idade.

Na juventude, exerceu o ofício de alfaiate, tendo trabalhado com o barítono Salvador Grimaldi, com quem costumava ensaiar duetos de ópera. Em casa também cantava canções italianas e árias de ópera.

Teve sua primeira oportunidade em 1932, quando foi ouvido por Francisco Alves (1898-1952), Mário Reis (1907-1981) e Lamartine Babo (1904-1963) em uma reunião social, quando o aconselharam a tentar o rádio. Fez um teste e foi contratado pela gravadora RCA Victor.

Em 1933, lançou seu primeiro disco com as marchas "Você não gosta de mim", dos Irmãos Valença, e "Que é que há", de Nelson Ferreira.

Foram, ao longo da carreira, 303 discos de 78 rpm. Gravou inúmeras marchas carnavalescas.

Nos anos 1960 foi perdendo audiência, com a chegada da bossa-nova e a ascensão da televisão.

Em 1983, fez a sua última apresentação no espetáculo Allah-lá-ô, de Ricardo Cravo Albin (1940-), dedicado ao compositor Antônio Nássara (1910-1996).

Em 1961, a RCA Victor lançou o LP "Evocação", com várias regravações de sucessos de Galhardo lançadas antes em singles, entre elas "Favela", de Roberto Martins e Valdemar Silva, gravada por ele em 1939 e por Francisco Alves três anos antes.


Bobby Lewis

Nasci em 1961: Esta série de publicações apresenta músicas lançadas ou que tiveram destaque no ano de meu nascimento.

Robert (Bobby) Alan Lewis (1925–2020) nasceu em Indianápolis e foi criado em um orfanato. Aprendeu a tocar piano aos 6 anos.

Adotado aos 12, se mudou para Detroit, Michigan, mas fugiu de lá aos 14 anos.

Cresceu em meio a músicos de blues e depois do rock and roll.

Lewis começou a construir uma carreira musical na década de 1950 e fez suas primeiras gravações para o selo Spotlight, quando gravou "Mumbles Blues" (Lewis) para a Chess Records em 1952.

Mudou-se para Nova York, e sua gravação de 1960 de "Tossin' and Turnin'" ( Ritchie Adams e Malou Rene) no selo Beltone ficou em primeiro lugar por sete semanas na parada da Billboard no verão de 1961. Vendeu mais de um milhão de cópias e ganhou um disco de ouro.

Outro sucesso, também em 1961, foi "One Track Mind" (Malou Rene e Bobby Lewis). As gravações seguintes tiveram menos sucesso.

Em uma entrevista de 2011, Lewis disse que viveu em Newark, New Jersey, desde cerca de 1980, e ficou quase cego, mas ainda se apresentava ocasionalmente.

Morreu em 28 de abril de 2020, aos 95 anos, após contrair pneumonia.