
Fui ver dois documentários sexta-feira, 24/07. Um sobre Patativa do Assaré e outro abordando Mestre Verequete. O primeiro a passar foi "Chama Verequete," sobre o Rei do Carimbó lá na Ilha de Marajó, no Pará., dirigido por Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira. Batizado Augusto Gomes Rodrigues, Verequete é uma das maiores expressões desse ritmo creio que tão pouco conhecido no Sul/Sudeste. Lembro que uma vez a Eliana Pittman cantou alguma coisa de carimbó e fez até algum sucesso. Não sei se a Fafá de Belém divulgou o ritmo, mas a banda Calypso me parece que sim, antes de se render ao que mais vende. É um ritmo bem contagiante, acompanhado de instrumentos típicos, como um tambor específico para o carimbó. O curta, "Chama Verequete", é importante para difundir esse ritmo tão brasileiro e um de seus maiores mestres.
Já o longa que conta a vida do poeta cearense Patativa do Assaré joga luz
es sobre uma personalidade que tem a dimensão de um mito. "Patativa do Assaré, ave poesia", dirigido por Rosemberg Cariry, foi feito em homenagem ao centenário de nascimento de Antonio Gonçalves da Silva, que ganhou esse nome por cantar semelhante ao passarinho e por causa da cidade em que nasceu, na região do Cariri. Joga os holofotes sobre um personagem de tamanha importância à cultura nordestina e brasileira. Eu confesso que apenas conhecia Patativa por conta das canções "A Triste Partida", gravada por Luiz Gonzaga, um épico sobre os retirantes nordestinos, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", levada ao vinil por Fagner e Pena Branca e Xavantinho (que eu saiba), bela canção a respeito da vida pastoril. No filme dá para se conhecer aspectos da vida desse cearense que permite chamá-lo de o verdadeiro artista popular. Cego de um olho logo cedo, com alfabetização irregular (só estudou seis meses), Patativa se autoeducou, aprendendo a ler e a ampliar o vocabulário por conta própria. E sempre viveu em sua roça, com sua companheira de quase 60 anos e seus nove filhos. É um filme que comove e faz a gente questionar: o que é realmente popular? Esses que se dizem porta-voz do povo sem sofrer suas agruras, bem, há de se desconfiar. Patativa, uma grande surpresa.
Ver esses filmes foi possível graças à iniciativa de alunos dos cursos de Cinema e de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, aqui em São Bernardo. Esse pessoal tem projeto de montar no campus um cineclube e, a se considerar esses dois exemplares, tem tudo para se tornar uma grande ideia. E, muito importante, eles querem abrir esse espaço à comunidade local, não restringir ao público universitário, o que acho plenamente louvável. Parabéns, gente.
Já o longa que conta a vida do poeta cearense Patativa do Assaré joga luz
es sobre uma personalidade que tem a dimensão de um mito. "Patativa do Assaré, ave poesia", dirigido por Rosemberg Cariry, foi feito em homenagem ao centenário de nascimento de Antonio Gonçalves da Silva, que ganhou esse nome por cantar semelhante ao passarinho e por causa da cidade em que nasceu, na região do Cariri. Joga os holofotes sobre um personagem de tamanha importância à cultura nordestina e brasileira. Eu confesso que apenas conhecia Patativa por conta das canções "A Triste Partida", gravada por Luiz Gonzaga, um épico sobre os retirantes nordestinos, e "Vaca Estrela e Boi Fubá", levada ao vinil por Fagner e Pena Branca e Xavantinho (que eu saiba), bela canção a respeito da vida pastoril. No filme dá para se conhecer aspectos da vida desse cearense que permite chamá-lo de o verdadeiro artista popular. Cego de um olho logo cedo, com alfabetização irregular (só estudou seis meses), Patativa se autoeducou, aprendendo a ler e a ampliar o vocabulário por conta própria. E sempre viveu em sua roça, com sua companheira de quase 60 anos e seus nove filhos. É um filme que comove e faz a gente questionar: o que é realmente popular? Esses que se dizem porta-voz do povo sem sofrer suas agruras, bem, há de se desconfiar. Patativa, uma grande surpresa.Ver esses filmes foi possível graças à iniciativa de alunos dos cursos de Cinema e de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, aqui em São Bernardo. Esse pessoal tem projeto de montar no campus um cineclube e, a se considerar esses dois exemplares, tem tudo para se tornar uma grande ideia. E, muito importante, eles querem abrir esse espaço à comunidade local, não restringir ao público universitário, o que acho plenamente louvável. Parabéns, gente.


Ontem, 20, completaram-se 40 anos em que a missão espacial norte-americana Apollo 11 pousou na Lua. Na foto da Efe, os astronautas que ocuparam aquela nave, Edwin Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong, com Barack Obama, presidente dos EUA (da esq. para a dir.). O nome de Armstrong me é mais familiar, e a memória mais remota que tenho desse dia são imagens na televisão em preto e branco e toda uma mítica criada em torno, já que a conquista do espaço vinha de tempos, e o russo Yuri Gagarin já tinha visto oito anos antes que a Terra era azul. Lembro-me de desenhos de astronaves e astronautas nos livros escolares, recordo-me da música "O Astronauta" do Roberto Carlos, no disco de 1970 dele, tive um foguete de brinquedo, que subia de verdade, acionado por pressão d'água (o único problema foi que, depois do primeiro lançamento, o brinquedo simplestemente sumiu no mato e nunca mais o encontrei). Havia coisas que lembravam astronaves por toda parte. Em dois parques infantis que eu frequentava tinham foguetes em que se subia por escadas e rampas para, lá do alto, descer em um delicioso escorregador. A frase "Um passo pequeno para o homem, mas um grande salto para a Humanidade", de Armstrong, era lida e ouvida em toda parte. Eu, garoto de 8 anos, me extasiava com tudo aquilo, me imaginando pisando o solo lunar, andando em jatos como os dos Jetsons, que eu assistia freneticamente. Aqueles saltos sem a incidência da gravidade que víamos na TV me causavam inveja: eu queria também flutuar no espaço. Mas, surpreendentemente, ao contrário de meus coleguinhas, não queria ser astronauta. Não me lembro agora os motivos, mas meu desejo na época era um pouco mais modesto: queria ser bombeiro, talvez influenciado pelo jipinho imitando os da corporação que eu tinha. Mas ao crescer mais um pouco minhas fantasias foram se ampliando, e a conquista espacial passou a figurar entre meus delírios. Que delírio! Saber que só fui viajar de avião aos 22 anos. Mas eu queria viajar pelo Cosmos, ainda mais quando comecei a aprender geografia na escola. Porém, com o amadurecimento, meu interesse pela aventura espacial foi ficando para trás. Mas não esqueço a sensação que tinha de viver em um tempo em que algo de muito importante fora feito. Poder testemunhar aquilo, mesmo que com olhos incompreensíveis, é realmente uma grande sensação.

