O Barquinho Cultural

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Amor e sexo (não é Jabor)

Assisti ontem (terça, feriado de Tiradentes) ao filme Divã, de José Alavarenga Jr. baseado em peça homônima, ambos interpretados pela global Lilia Cabral. Diverti-me bastante, dei boas risadas, e até derrubei umas lágrimas, pois como todo filme que se preze tem comédia e drama. Não é um grande texto, um argumento um tanto confuso, mas a Lilia salva o filme, ela é muito boa atriz, e tem pleno domínio de sua arte. Foi um filme descompromissado para se ver em um feriado um tanto frio. Mas tem uma frase na boca da atriz - cuja personagem se chama Mercedes - que me intrigou. Ela diz em certo momento, depois de dar a primeira pulada de cerca de sua vida, que sexo com amor é bom, mas sem amor é muito melhor... É um tema que dá um bom pano pra manga, principalmente se a discussão for rasteira, baseada em conceitos preestabelecidos. O machista pode concordar com isso e deixar as moças furiosas, principalmente se considerarmos as mulheres aquelas donzelas casadoiras de antanho. Eu não sei, as coisas mudaram muito, os conceitos são outros. As relações estão muito diferentes das que eram quando comecei minha vida romântica. Hoje há coisas como ficantes, beijantes, peguetes, acho que alguns até namoram. Agora, noivar, duvido que ainda haja. E casamentos duram pouco, e muitos estão no terceiro, quarto. Eu por enquanto só me casei, oficialmente, uma vez. Mas gostaria, como disse outro dia, de celebrar bodas de prata com uma mulher. Sim, porque bodas de ouro creio ser difícil, mas não impossível. Mas a discussão é sobre o sexo sem amor ou com. Eu ainda prefiro amar uma mulher, porque o amor deixa a gente mais livre para se entregar e ser o que realmente somos, e é muito melhor você dar e receber amor, porque o sexo cru, apenas o prazer, é impessoal, não deixa marcas, dia seguinte se esquece. Enquanto quando se ama se vive eternamente nas nuvens, e a sensação é de que nada pode nos destruir porque estamos amando. Eu acho que a personagem estava se referindo ao descompromisso do sexo sem amor, da aventura que é a entrega apenas ao prazer, uma vez que ela, no filme, tem um casamento sem empolgação, e o sexo é aquela obrigação, aquele bater o ponto, tipo 20 anos depois do casamento o amor ter virado algo insosso. Acho que deixa o casamento virar isso quem quer, quem não se esforça em tornar cada dia único. Já ouvi uma vez que uma mulher deve ser conquistada todos os dias (nós homens também, viu mulheres!). E penso que esse é mesmo o segredo. E, acima de tudo, respeitar e tratar muito bem seu amor. Como diz aquela canção dos Doces Bárbaros: O seu amor, ame-o e deixe-o livre para amar/ ir aonde quiser/ brincar/ correr/ cansar/ dormir em paz/ ser o que ele é...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Minha alma canta...

No fim de semana de 17 a 19 de abril voltei ao Rio. Comecei a epopéia etílico-gastronômica pela cacharia Mangue Seco, na rua do Lavradio. Lá matei a sede da viagem com uma Original e uma dose de Corisco Branco, aguardente de Minas bem ardida mesmo. Depois que Ilana saiu do trabalho, voltamos a esse lugar e comemos uma bela caldeirada de frutos do mar de lamber os beiços. No andar de cima rolava um samba dos antigos. Subimos antes de chegar a comida e ainda deu para ensaiar uns passos tímidos. Ilana disse que sou duro. Claro, falta o gingado, mas um dia aprendo, viu? A foto tá escura, mas o samba estava bem iluminado. Bem alimentados, fomos à Lapa. Isso já era bem depois de meia-noite. O bairro fervia. Lotado. Gente para todos os lados e cantos. Todas as tribos. Confesso que esperava outra coisa da famosa e afamada Lapa. Acho que é como disse o Chico mesmo, a tal malandragem não existe mais. O que vi ali foi muita bagunça, sujeira, marreteiros de todo tipo, gente vendendo todo tipo de petisco e bebida, um som em cada birosca, uma zona total. Acho que é um mundo que de repente até tem a ver para quem é de lá, mas para mim não funciona. Detesto multidão, gosto de lugares calmos e monotemáticos. Acabamos em um bar chamado Borracha para o último drink da noite. Estava já meio caído o lugar, afinal eram 4 da madruga. Tomamos e saímos logo. Para fechar a noite, acabei me estressando com a hostess ou segurança da casa, que me viu com a piña colada da Ilana em um copo descartável, que ela pediu pq não tomou toda, e achou que eu trouxera de fora. Essa moça disse que eu não poderia beber drinks de fora da casa lá e eu respondi que tinha comprado lá. Mas ela muito má educadamente duvidou. Aí engrossei, porque detesto que digam que estou mentindo.Pedi para ela perguntar para o garçon que nos atendeu se não era verdade. Se ela duvidasse, que perguntasse. Mas preferiu bater boca comigo. Pois não me fiz de rogado e discuti mesmo, até ela sair fora. Bem, isso não estragou minha noite, ainda bem.

No sábado, após o café, fomos à rua da Uruguaiana, no centro, onde tem uma feira popular que lembra o Promocenter da Paulista misturado com 25 de Março. Comprei lá uns CDs de funk irados e um Match 3 que espero não me prejudicar a cútis (rs). Em seguida, fomos na rua do Ouvidor, de tanta importância na epoca do Império e da República Velha. Hoje está lotada de lojas do tipo Casas Bahia, Insinuante. Mas tomamos um chá e comemos madrilenãs na Confeitaria Manon, uma casa dos anos 1940 bem charmosa e que deu para sentir-me um pouquinho no Rio antigo. De lá rumamos para o estação dos bondes que fica atrás da sede da Petrobras. É onde se pega o bondinho que leva a Santa Teresa. Que viagem incrível! Ver a Lapa de cima é uma visão magnifíca. O bairro de Santa Teresa é um charme também. Um grande morro cheio de barzinhos e restaurantes e construções antigas que dá gosto de ver. E o bondinho é, claro, uma grande atração. E o curioso é que é uma condução mesmo para os moradores do lugar. Não é só para turista não. A passagem é 60 centavos. Voltamos e almoçamos uma carnuda feijoada no Cantinho do Senado, na Lavradio com a rua do Senado.

No domingo, após fechar a conta do Ibis, pegamos a ponte e rumamos para Niterói. A primeira parada foi no Museu de Arte Contemporânea (MAC). Uma construção bem interessante, projetada por Niemeyer. Parece um disco voador, como bem lembrou Ilana. Pena que não havia nenhuma exposição no dia. Mas entramos na galeria e a visão de lá é muito legal. Toda envidraçada em 360 graus de vista. O interior é bem legal também, onde se vê a paixão de Niemeyer pelas curvas e linhas sinuosas. Dia 26 agora começa uma exposição lá, quem sabe não estarei lá de novo para ver. Saindo de lá, seguimos rumo à praia de São Francisco, onde há vários restaurantes. Queria um peixe e entramos no Botequim Informal. Uma Original para refrescar, bolinhos de aipim com carne seca para abrir o apetite e esperar a tilápia com arroz de açafrão, que veio divina, se bem que muito puxado na manteigza, o arroz, mas tudo bem, o peixe veio crocante e farto. Vimos um pouco da final da Taça Rio entre Flamengo e Botafogo mas, antes do gol contra do Fogão, saímos e subimos o morro da Viração, em cima do qual se encontra o Parque da Cidade. Vista magnífica da cidade e do Rio de lá, onde há duas rampas para saltos de asa delta e para-pente. Assistimos ao pôr do sol, que se esconde na baía ao longe em mil cores. Depois desse espetáculo, hora de terminar a visita e pegar a Dutra, porque a noite é de trabalho. E, mais uma vez, vou embora com vontade de ficar. E voltar. Rio você foi feito pra mim.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"É sol, é sal, é sul"



Esse verso da canção Rio, de Menescal e Bôscoli, não me saía da cabeça, além de tantos outros trechos de tantas canções, nesta minha quarta visita à cidade maravilhosa. A diferença é que desta vez fui mesmo a passeio e pude conhecer alguns pontos muito lindos e com um astral para lá de alto. Fui no fim de semana de 27 a 29 de março e no de 4 e 5 de abril e fiquei no Formule 1, uma opção econômica no centro sem frescura. Fica ao lado da praça Tiradentes, por sua vez cercada de sebos onde vi muito livro esotérico e de autoajuda. Infelizmente. A rua da Carioca sai da praça e termina no largo da Carioca, onde há estação do metrô (e onde havia uma roleta para se jogar, conforme Pelo Telefone, de Donga, que Eduardo disse que não é dele, mas o malandro se apropriou de um samba de rua). A rua é cheia de lojas de instrumentos musicais, o que remete de imediato à Teodoro Sampaio lá de Pinheiros. Aliás, o centro do Rio lembra bastante o centro velho de São Paulo, parecem ter sido traçados pelo mesmo arquiteto. Deve ser por causa dos prédios antigos. Após uma boa caminhada por esses arredores, onde acabei adentrando locais não muito recomendáveis, pausa para uma cerveja no café Thalia, onde a Skol gelada veio em uma charmosa garrafa de 630 ml (até onde sei essa embalagem não chegou a SP ainda; o litrão de 1l que tomei na Ilha do Mel, sim, vi no Carrefour de São Bernardo e agora está tendo comercial na TV).


No dia seguinte, conheci a famosa Lapa, de tantos sambas e tantas histórias. Ao contrário do Chico, não perdi a viagem, porque pude conhecer todo o charme daquele local, pena que durante o dia, pois se sabe que é à noite que ela fervilha. Dei uma circulada por ela para ver suas coisas, como os Arcos, por cima dos quais vi circular o bondinho de Santa Tereza, o Circo Voador, a Fundição Progresso, e tantas outras casas que nem dá pra lembrar (mas se quiser ver, tem um site excelente: http://www.lanalapa.com.br/, onde há ligeira descrição dos bares, restaurantes e outros estabelecimentos do bairro e sua extensa programação cultural). Neste dia não almoçamos, fomos ao restaurante Manoel e Juaquim na intenção de traçar uma feijoada, mas o bolinho de bacalhau que pedimos de entrada para acompanhar o chope estava divino. Completamos com a batata à moda do Manoel da Lapa: com quadradinhos de calabresa e mozarela derretida por cima. Para finalizar, uma cachacinha de fabricação própria com a devida canequinha levada de lembrança (antes que pense que foi roubada, não, paga-se mais 2,60 e leva-se a simpática peça). O chope estava realmente um espetáculo: uma temperatura excelente e um colarinho perfeito, em uma tulipa cristalina.


O almoço de domingo foi no restaurante Nova Capela, onde comemos um belo cabrito com arroz de brócolis e uma Original bem gelada. Esse prato me parece que é meio tradicional no Rio, talvez nem tanto quanto a feijoada, mas a se considerar a canção Cabritada Mal Sucedida, de Geraldo Pereira e Jorge Gebara, dos anos 1950, acho que é isso mesmo. É um prato saboroso e farto, e nesse restaurante, que tem quase 80 anos, ainda tem gosto de reverência. De estômago devidamente forrado, fomos fazer um tour básico pelas praias. Parada na Praia Vermelha para ver o bondinho do Pão de Açúcar (está R$ 44 para turista e metade para os cariocas), depois de ver a bela enseada do Flamengo do Mirante do Pasmado (dá realmente pra ficar pasmado com a visão - é a da foto aí em cima). Termino o passeio, porque precisava subir para trabalhar, em Copacabana, um último chope no quiosque (ou barraca, como queira) do Bar Luiz (cuja matriz é na rua da Carioca). Copa é realmente incrível: uma aura inexplicável, um clima de boa vida que acho seja típico do carioca. Mas não dá, realmente, para se queixar da vida com um cenário daquele, e a princesinha do mar pude perceber o que significa ao ver duas pequeniníssimas crianças brincando na areia pertinho da nossa mesa. Uma singela alegria que manifesta na gente uma vontade danada de fazer o mesmo: cair com tudo na maciez das areias e tomar um abraço das águas do mar como se a vida se resumisse a isso. E assim ficar pelo tempo que o desejo quiser, todo sorriso, todo felicidade.


Semana seguinte voltei, desta vez vim pela Rio-Santos. Uma beleza de viagem, que passa por paisagens deslumbrantes, mas muito demorada, porque entra em várias cidades e os trechos urbanos atrasam a corrida. Levei oito horas para chegar ao centro, ao passo que pela Dutra gasta-se de quatro a seis, dependendo do trânsito na zona leste de Sampa e na avenida Brasil, no Rio. Ao chegar, suado, outra cerveja no café Thalia. Mas desta vez só havia Itaipava. Paciência. Estava gelada o suficiente para eu manter meu humor, apesar do desgaste de tantas horas para uma viagem que se faz pela metade do tempo. Meu objetivo era ir no sábado ao show do Jorge Ben Jor no Circo Voador, mas o cansaço me impediu de acordar e dormi até a hora do café. Antes, porém, passada na rua do Lavradio, onde estava sendo realizada a Feira Rio Antigo, com peças as mais variadas. Comprei uma escultura das máscaras de teatro para minha filha e um perfil feminino para Joana. O local estava apinhado e rolavam performance teatral e roda de samba. O almoço foi novamente no Nova Capela e mais uma vez o cabrito com arroz de brócolis. Coisa boa é para se repetir mesmo. Em seguida um passeio pela Lapa, onde conheci a Escadaria Selarón, obra de um chileno radicado no Brasil desde 1983. O sujeito arranjou azulejos de diversas partes do mundo e montou na escadaria que liga os bairros da Lapa e Santa Tereza diversos mosaicos, com desenhos singulares, que, inclusive, chegam a revestir também as paredes dessa passagem, também conhecida como Escadaria do Convento de Santa Tereza. Curioso que nos mosaicos das paredes e floreiras predomina o vermelho e, na escada, o verde e amarelo. O artista estava lá, pintando algo, mas na hora não sabia que era ele, imaginei alguém aproveitando o local para se inspirar. Assim como um sujeito sentou-se na escada e começou a verborrar uma falatório político para uma câmera de vídeo operada por um rapaz.


A parada seguinte foi o bairro de Santa Tereza, mas subimos de carro mesmo, e não deu para ver o bondinho, apenas uma de suas paradas, a de Curvelo. Conhecemos o Parque das Ruínas, que foi outrora o Palacete Murtinho Nobre, onde morava Laurinda Santos Lobo, uma espécie de agitadora cultural da Santa Tereza do início do século XX. O local abriga sala de exposições, auditório e café, mas no domingo estava fechado, restando subir ao mirante de onde se tem uma visão deslumbrante da orla carioca, avistando-se o centro, a catedral metropolitana, o aeroporto Santos Dumont, os Arcos da Lapa, a marina da Glória, a Urca e até o Cristo Redentor, se apurando a vista. Com o céu anil e o sol que fazia naquele domingo, a visão era realmente de perder o fôlego.


Almoçamos no Dom Galeto, no bairro de Fátima, aos pés de Santa Tereza, onde comemos um galeto com batatas divino. E, claro, com uma bela acompanhante loira e gelada. De sobremesa, um Chicabon! Desde que li Nelson Rodrigues pela primeira vez tenho vontade de chupar um Chicabon no Rio. Pronto! Vontade satisfeita. Rumamos para Ipanema, onde fui conhecer o famoso prédio na Nascimento Silva 107, onde Tom Jobim morou nos anos 1950/60 e onde ele e Vinícius ensinaram a Elizete Cardoso as canções da Canção do Amor Demais. Dizem que Garota de Ipanema também foi escrita lá. Corcovado foi composta lá, devido a paisagem que se via da janela do apartamento, visão que pouco depois da gravação deixou de existir, com as construções que se ergueram. Olhando o prédio não se pode imaginar o que ele já abrigou e que foi cenário de tanta maravilha. É um edificiozinho bem simples, adequado ao padrão de vida do maestro naquela época, creio. A foto que ilustra aqui eu peguei da internet, porque não consegui achar lugar para estacionar e fazer o meu registro, mas é só para mostrar o quão simples é esse prédio que abrigou nosso Antônio Brasileiro. A Lagoa Rodrigo de Freitas foi a próxima parada, onde tomei água de coco. Não tão boa como as de Salvador, mas valeu.

Depois, passada pelo Jardim Botânico, onde fomos tomar uma Brahma Black no Boteco Belmonte, que tem seis filiais espalhadas pelo Rio, com matriz no Flamengo. O chope escuro da Brahma realmente é muito gostoso. Acompanhou-o uns pasteizinhos bem apetitosos, se bem que pequenos demais para o preço cobrado. Lugar aconchegante, sofisticado, mas com um clima de botequim mesmo que deixa a gente bem à vontade. Detalhe interessante: eu deixei o carro estacionado em um canal um pouco afastado do bar, mas não o travei nem liguei alarme, por esquecimento. Ao voltar, o veículo estava intacto. Depois dizem que o Rio é perigoso.

Bem, claro que há muito a se conhecer no Rio, e essa minha aventura de dois fins de semana não contemplou quase nada. Mas foi o suficiente para eu entendesse por que tantas músicas cantam tanto a beleza dessa cidade verdadeiramente maravilhosa. E acho que eleger um verso dessa música para titular esse post foi realmente uma excelente escolha, dado que o Rio

"É sol, é sal, é sul
São mãos se descobrindo em tanto azul
Por isso é que meu Rio da mulher beleza
Acaba num instante com qualquer tristeza
Meu Rio que não dorme porque não se cansa
Meu Rio que balança
sorrio, sorrio, sorrio, sorrio, sorrio"

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sábado insano

Sábado fui com minha filha assistir ao espetáculo Terça Insana, em São Caetano. Eles estão comemorando oito anos de existência e trouxeram novos quadros e personagens. Nunca os tinha visto e achei bastante divertido, se bem que em alguns momentos senti enfado. São piadas despretenciosas, sem conteúdo político, por exemplo, mas com tiradas que realmente fazem a gente rir. No U-Tube há vários vídeos de shows antigos, e pude ver alguns realmente engraçados, como o seu Merda, que acabou indo para o Zorra Total, devidamente renomeado para seu Banana. Ou o da irmã Selma, bastante bem bolado. Dos novos, o Homem Ímã de Pessoas Chatas é bem gozado, assim como o Açougueiro e a mulher com tpm. Já o Boliviano eu dormi e não sei se é legal. O intelectual baiano metido a francês (Salvador L'evi Strauss) achei chato (deve ser minha perrenga com franceses). Mas a Margarida foi muito inteligente. Enfim, foi uma boa diversão para um sábado. Eles se apresentam no Avenida Clube toda terça, e no resto da semana viajam, por isso os vi sábado no Paulo Machado de Carvalho.

Na sexta fui conhecer os bares da Engenheiro Caetano Álvares, na zona norte de SP, um point que vem crescendo na noite. Entrei no Caetano's, lotado, mas logo conseguimos mesa. Cerveja na temperatura correta, boa caipirinha e uma porção de petiscos realmente porção, no aumentativo e superlativo. Pedimos o tal bandejão, e o garçon, honestamente, disse que a porção inteira era muito para dois, e sugeriu meia. Assim mesmo sobrou uns pastéis, bolinhos e croquetes. Uma delícia, apesar de ser tudo fritura (ai, meu colesterol). O ruim é que no final da noite, portas já fechadas, uns clientes um tanto altos acharam que tinham pago o que o garçon disse que não tinham e saiu discussão, empurra-empurra e até uma doida loira que deu de jogar o que viu no balcão no chão. Foram expulsos. Ainda bem.

domingo, 22 de março de 2009

Um reencontro com a paz e a natureza


Conheci Pirenópolis, em Goiás. Adorei. Uma cidade muito bucólica, um point no meio do cerrado para se curtir a natureza e a noite. Claro que um fim de semana é pouco demais para conhecer e usufruir tudo que a cidade e os arredores têm de bom. Fui em uma cachoeira, a Nossa Senhora do Rosário, a 33 km da cidade. O lugar é maravilhoso. Tem um restaurante de pedra muito zen, com diversas esculturas - na verdade, pedras empilhadas de uma maneira que só o cara que fez deve saber por quê -, um quarto cheio de redes onde vi um pôr-do-sol divino, depois de tirar uma soneca como há muito tempo não tirava. De lá, após descer um morro bem íngreme, se chega a um mirante, de onde se pode ver o cerrado, aquela vegetação tão especial, com cada flor incrível. Mais para baixo há uma piscina natural com uma água límpida, que revela um fundo de pedras e folhas caídas das muitas árvores ao redor que remete a uma paz incrível. Como me senti bem naquele lugar. Mas a água estava fria demais, e o sol, encoberto pela copa das árvores, não ajudava a aquecer. Resultado: nem entrei na água, do que me arrependo, porque deveria estar maravilhosa. Descendo outro tanto, em uma escadinha a quase 90 graus, chega-se à cachoeira, que cai em um laguinho repleto de pedras redondas fazendo um leito muito bonito. Bem, aí tive coragem de entrar na água, e por isso me arrependi de não entrar na piscina, porque a água é gelada, mas depois de dentro dela o corpo se acostuma e fica até quente. É muito bom mesmo sentir o jorro daquela queda d'água nas costas, na cabeça. Depois o almoço naquela casa de pedra, onde um tucano, de nome Obama, faz voos rasantes e vem pousar em nosso braço à espera de algum pedaço de comida. O almoço foi tudo de bom também, comida feita em fogão de lenha, muitos legumes da horta dos donos. Um local bem integrado à natureza, e onde se dá vontade de ficar muito tempo, sem querer ir embora.

A pousada é outro destaque. De nome Quintas de Santa Bárbara, é instalada em um terreno enorme repleto de árvores, jardins, onde se pode deparar de repente com famílias de cotias e micos muito graciosos. Redes na varanda dos quartos onde se pode render-se à preguiça sem a menor culpa. Aliás, lá se esquece de qualquer problema e vive-se apenas integrado à natureza, convivendo com pássaros de todos os tipos - vi uma dupla de periquitos comendo coquinhos que foi um espetáculo. A gente que é do asfalto muitas vezes nem se dá conta de como isso é importante. À noite, em uma volta pela cidade, dá para se ver como fervilha. Inúmeros barzinhos, onde pude experimentar o famoso empadão goiano, uma delícia, um sorvete de capim santo (erva cidreira) surpreendente. Antes de ir embora, almoço no restaurante Pedreira, onde comi uma pamonha frita que nunca imaginei existir. Que delícia! Nossa, é um lugar muito gostoso, de um astral incrível, com uma riqueza cultural que ainda há muito a se explorar. O ponto negativo são as inúmeras pedreiras ao redor, que parece que tornam a extração de pedras a principal atividade econômica da região. Isso é que nem garimpo, sabe, degrada muito a natureza. Ah, em outra pousada conheci um trecho do rio das Almas, que me fez definitivamente tomar a decisão de nunca mais na vida chamar o Tietê, o Pinheiros e o Tamanduateí de rios. Uma beleza de paisagem também, que havia muito tempo não vislumbrava. Lembrei-me de quando era menino de 5, 6 anos, que morava em um lugar, em São Caetano, em que havia ainda rios límpidos, matas virgens, natureza mesmo. Pena que o progresso terminou com tudo isso. Mas o bom é que ainda há muitos lugares assim neste país, basta viajar um pouco e se depara com o verde, o céu cravejado de estrelas, uma lua redondinha e um sol benfeitor a banhar todo o cenário e dar-nos o espetáculo de seu nascer e seu pôr.
Destaque especial à minha amiga Sandra, que me revelou esse esplêndido lugar e confirmou a impressão que já tivera dela na Ilha do Mel, uma pessoa agradabilíssima e excelente companhia, com que tive conversas maravilhosas e momentos inesquecíveis.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pirenópolis


Amanhã irei a Pirenópolis, em Goiás. Minha amiga Sandra me encheu de vontade ao descrever o que encontrarei ali: cachoeiras, natureza, cidadezinhas antigas, trilhas, boa comida, boa diversão. Como confio no seu julgamento, espero que realmente me divirta muito. Quero conhecer a natureza, a cultura, a gente, a comida. As festas. Neste fim de semana, coincidentemente, haverá uma mostra de vídeo socioambiental, além de oficinas diversas, shows e no sábado uma baladinha imperdível. Gostaria de fazer também uma das caminhadas, mas acho que um fim de semana é pouco para explorar plenamente o local. O interessante também será conhecer o Cerrado, um bioma dos mais importantes, a savana com a maior biodiversidade do planeta. Enfim, segunda-feira relato tudo, ilustrado com muitas fotos.

Imagem legal

Tem mais destas aqui: http://b3ta.com/challenge/beatles


quarta-feira, 11 de março de 2009

Eu não sou cachorro, não

Ontem uma amiga me chamou de cachorro, pelo fato de eu ter muitas amigas. Claro, ela quis dizer que eu sou mulherengo, galinha... Ora, longe de mim. Realmente eu tenho muito mais amigas do que amigos, mas não é culpa minha. É que eu não sei conversar com homens muito bem, porque não entendo nem gosto de futebol, detesto falar de carros (o meu não tem equipamento nenhum além de um tocador de CD e rádio porque, afinal, sem música eu não vivo) e não fico em balcão de bar enchendo a cara e falando mal da mulher. Claro que isso é um estereótipo, mas a verdade é que por conta disso eu não firmei muitas amizades masculinas mesmo. Evidente que tenho grandes e preciosos amigos, que há assuntos variados para falar com eles, mas tenho as amigas ou colegas em maior número. E me orgulho muito de minhas amizades femininas. Com elas conversamos assuntos mais, digamos, abstratos, e a percepção feminina das coisas me deixa muito surpreso. Alerta-me para o quanto as vezes analisamos uma situação com o olhar superficial ou óbvio, enquanto as mulheres veem nuances que nos passam despercebidos. Fui criado em um lar com mãe e duas irmãs - o pai também, mas ele trabalhava fora e não partilhava de meu dia o tempo todo como essas três. Talvez isso explique essa minha predileção por elas. Portanto, minha amiga, cachorro eu não sou, pois quando eu amo só existe meu amor para mim e mais ninguém.

segunda-feira, 9 de março de 2009

À sombra das chuteiras imortais



Assunto obrigatório: Ronaldo. Quem me conhece sabe que não ligo pra futebol, mas esse assunto é a notícia do domingo, estampa a capa de todos os jornais (o Correio Braziliense deu manchete) e não se pode deixar passar em branco. Eu vi uma parte do jogo. E vi o chute na trave, o passe e finalmente a cabeçada fatal. A tv não deu moleza: reprisou em câmera lenta, inúmeras vezes, vários dos lances do fenômeno. Olha, eu não entendo nada de futebol, mas os dribles e a precisão do cara não são coisas que se precise de ciência para perceber. A bola nos pés de Ronaldo faz se ter a impressão de que jogar futebol é fácil. Eu gostava de ver o Garrincha driblar os joões e do estilo de Pelé, muito forte, um impulso na corrida perfeito. Isso dá gosto de ver em uma partida. Agora, o que se vê em demasia por aí é firula, cera, jogo retrancado, travado, sem beleza, sem poesia. Quando eu lia as crônicas do Nelson Rodrigues sobre futebol sentia vontade de ser torcedor, tamanha a beleza do texto do grande escritor e dramaturgo. Ele fazia o futebol parecer ópera, concerto, obra-prima. Será que o texto dele conseguiria embelezar o futebol que se vê por aí hoje? Não sei responder. Ronalducho, continue assim. Quem sabe eu me torne corintiano...

domingo, 8 de março de 2009

What a night!

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher, uma data que talvez poucas pessoas saibam por que existe, qual sua origem. Bem, se procurarem no Google vão achar, mas faço questã de registrar aqui: em 1857, em Nov York, operárias de uma fábrica de tecidos fizeram uma greve, reivindicando coisas como melhores condições de trabalho e redução da jornada de trabalho, que chegava a 16 horas diárias. Queriam jornada de 10 horas. Também pediam equiparação salarial com os homens, já que percebiam 1/3 do salário dos homens para o mesmo trabalho. Bem, elas ocuparam a tal fábrica em 8 de março e a patrãozada trancou-as lá e botou fogo na firma. Morreram 130 tecelãs, aproximadamente. Em 1910, em conferência na Dinamarca, resolveram que esse dia seria a data internacional da mulher, oficializada pela ONU. O objetivo foi que, nessa data, se fizesse uma reflexão, se debatesse o papel da mulher na sociedade, no mundo do trabalho, visando diminuir o preconceito contra nossas parceiras, valorizá-las como merecem. Hoje, a data, como tantas outras, foi absorvida pelo comércio, e prefere-se dar um presentinho, buquê de flores, a parar para ver se realmente a mulher está com seu papel e seus direitos atendidos. Eu admiro muitas mulheres, sempre fui chefiado por uma, desde minha iniciação profissional, e acho que quanto mais falarmos a mesma língua mais será desnecessário discutir suas mazelas.

Falar em mulher, não posso deixar de registrar aqui minha experiência neste fim de semana, repleto de companhias femininas. Sinto-me privilegiado por poder contar com a companhia de tantas belas e perfeitas mulheres. Sexta-feira fui com minha filha, a mãe dela e uma sua tia, irmã da mãe, ao cinema. Vimos "Menino da Porteira". Um filme cândido, descompromissado, que trata do universo rural com propriedade, e retrata em imagens a história da música, claro que adaptada para obter um efeito dramático melhor. Após o cinema, fui a um bar legal na Vila Madalena com uma amiga, uma mãe de um casal, professora do Estado, mulher batalhadora, a quem só pude depositar meu carinho e admiração, e absorver tanto ensinamento que saí desse encontro melhor pai do que entrei, com certeza. Já no sábado, estive com minhas duas irmãs, mulheres igualmente batalhadoras, mães, a mais velha já avó de quatro lindinhos. É incrível como nessa altura da vida a relação com os irmãos é tão madura, diferente daquelas picuinhas de quando éramos adolescentes. Hoje, já sem nossos pais vivos, somos o esteio um do outro e a nossa referência de família. À noite, fui em uma pizzaria na Freguesia do Ó com outra amiga, também mãe de duas meninas, viúva. Uma pessoa de um astral contagiante, serena, com as palavras adequadas a cada situação. Uma mulher com quem a conversa foi construtiva e reconfortante. Depois dessa conversa, deixo-a em casa e, sem sono, resolvo bater perna na Vila Madalena. Paro no Filial e tomo chopes. Mulheres bastante. Procurei conversa com algumas. Tive resposta com umas, outras educadamente me puseram para correr. Havia uma completamente bêbada, para em cada rodinha para conversar, palavras desconexas. Uma hora ele chegou em mim e simplesmente pegou meu chope e jogou fora. Ainda bem que o garçom viu e repôs. Outra hora veio e simplesmente apropriou-se de meu copo. Não soube como lidar com ela. Uma moça muito bonita, decerto de recursos, mas fraca de bebida. Conversei depois com uma dupla, que não entendi muito bem o que estavam ali fazendo, só sei que em determinado momento saíram para a rua e não retornaram. Acabei conversando com uma outra que correspondeu ao meu oi, fez-me pagar sua conta e disse que ia ao Love Story, uma baladinha no centro de São Paulo. Levei-a lá. Da porta ela sumiu e nunca mais. Encontrei-a só duas vezes na pista e ela não me deu muita trela. Fiquei na minha e procurei ver se aproveitava o ambiente. Logo de cara fui chamado de tio por uma garota pouco mais velha que minha filha e com roupas ínfimas. E assim foi a noite toda. Não despertei a atenção de ninguém ali dentro. Mas me diverti bastante, dancei, até conversei algo com algumas pessoas. Só achei um roubo pagar 50 paus pra entrar, mas valendo dois uísques, e depois na saída os seguranças pediram uma caixinha, sei lá por quê. Definitaamente, isso não é ambiente para mim. Sem querer parecer careta, mas acho que em ambientes como aquele a mulher esquece sua história e torna-se uma pessoa cujo único valor encerra-se no sexo e só. É uma grande pena, mas é o conceito de diversão que impera por aí.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cultura da não fruição

Comprei recentemente um novo aparelho celular, não de último modelo, mas bem moderno, desses com câmera fotográfica e filmadora, internet, e-mail, bluetooth, rádio, tocador de mp3 e mais um monte de recurso que ainda preciso ler no manual para entender para que serve e como operar. Ah, serve para telefonar e mandar torpedo também, meus usos mais frequentes. Imagino vez em quando como um aparelho desses me fez falta 25 anos atrás, quando tantas vezes estava atrasado para um compromisso, preso no tráfego dentro de um ônibus, e uma ligação avisando que chegaria mais tarde seria uma boa livração da cara. Incrível, mas hoje há o recurso mas não a necessidade, parece que, embora o trânsito tenha piorado muito mais, consigo me programar melhor e não chegar atrasado a nada. Ou então quantas vezes vi cenas impressionantes na rua que pensava se tivesse uma câmera iria eternizar o momento. Hoje tenho, mas parece que o olhar está menos atento. Não sei, mas me parece que a necessidade torna as pessoas mais sensíveis ao que lhes ocorre ao redor. Hoje temos tudo à mão e muitas vezes nem sabemos para que precisamos. Troca-se de celular a cada seis meses apenas para ter o mais recente modelo. Há tempos venho adiando a compra de um gravador de DVD. Penso: com ele, faria a coleção de filmes que eu comecei ainda na época do videocassete e abandonei. Gravei centenas de filmes. A quantos eu assisti? Poucos, muito poucos. Comprei vários DVDs também e estão lá, dormindo na estante. Então, para que comprar o gravador se não conseguirei assistir a tudo que gravar. Também baixei um monte de músicas em mp3 no computador. Tem mais de 5 mil lá. E a disposição de ouvi-las? E assim as coisas vão. Livros que comprei ainda nos anos de faculdade que igualmente não foram lidos... É a cultura da acumulação, ou da facilidade. Porque quando o acesso era difícil, consumia-se avidamente o que se conseguia. Claro, a culpa não é da tecnologia, penso que é a gente que não sabe lidar bem com isso: quer-se tudo para nada usufruir, da mesma forma que a garotada hoje tem diversos casos (ou ficadas) e nenhum romance.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Elles voltaram (mas se foram?)

E o Collor hein? O agora senador pelo PTB do Roberto Jefferson vai presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado, um colegiado que tem importância estratégica na agilização e/ou desaceleração dos projetos que o governo pôs embaixo do guarda-chuva do PAC. Dizem que o propósito do ex-presidente é ganhar visibilidade para alçar voos rumo ao Palácio República dos Palmares ou, quem sabe, regresso ao do Planato... Tudo é possível. Garantem alguns colunistas que "elle" não pretende incomodar o governo, do qual seu partido integra a base aliada. Quem diria, não é mesmo? E, como bem lembrou Dora Kramer, Collor foi eleito à comissão, derrotando Ideli Salvatti (PT-SC) - a quem caberia por direito regimental a cadeira -, por obra e manobra de seu fiel escudeiro Renan Calheiros (esse também conhecedor dos dissabores de uma renúncia), após receber salvo-conduto do presidente da Casa, José Sarney. Conforme recorda Dora, Sarney era atacado ferozmente por Collor em sua campanha, chamado de "batedor de carteira da União". Coisas da política, onde não há inimigos, mas apenas adversários, que, como se sabe, mudam de lado ao sabor das conveniências. Bem, recuso-me a postar fotos desses cidadãos. Esse é um blog decente...

Ronalducho, pra usar uma expressão do José Simão, jogou uns 25 minutos ontem, na partida contra o Itumbiara, de Goiás, quando o Coringão venceu por 2 a 0. Não entendo nada de futebol e não acompanho jogos, mas fizeram tanto barulho por conta desse retorno do fenômeno depois de mais de um ano de molho, devido a nova lesão em um joelho, que resolvi assistir à partida. Vinte e dois minutos do segundo tempo: o camisa 9 adentra o campo. Vixe, o cara tá muito gordo, mais que eu, que nem tenho tanta barriga assim. Senti-me redimido. Pena que minha protuberância abdominal não rende milhões nenhum... Rs


Excomunhão é algo que ainda assusta alguém? Queria entender. Nunca fui ligado a questões religiosas e não sei o que realmente significa essa medida da Igreja Católica. Estou falando do arcebispo de Recife e Olinda que excomungou os médicos que provocaram o aborto dos gêmeos que uma menina de nove anos trazia em seu ventre, fruto de uma relação não consentida com seu padastro. A mãe da garota também foi condenada. Quero saber se o tal padastro continua a ter o sagrado direito à comunhão na cadeia ou também será defenestrado para sempre do caminho do céu.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Carnavelhas

Depois de dois carnavais em Salvador, eis que este ano eu quis sossego e fui a um show das Velhas Virgens, numa casa na Augusta chamada Inferno Club. Os caras tocaram muitas marchinhas das antigas ao som de guitarras e muita baixaria. Foi muito legal. A casa é bem interessante, um ambiente propício ao rockenroll do jeito que eu gosto. Tocaram também alguns de seus clássicos, que eu só conhecia de nome e, olhe, gostei muito. Bem escrotos, machistas ao extremo, escatológicos e pornográficos, mas muito divertidos. Bem melhor que os axés da Bahia e os baticuns dos sambódromos. Mas não me livrei disso de todo, já que fiquei de plantão de sábado para domingo de carnaval. Porém foi tranquilo, e só deu para eu constatar, mais uma vez, que de carnaval nada entendo e não pretendo me aprofundar. Virou uma indústria como qualquer outra de entretenimento e deve girar muita grana por conta do turismo. Mas eu não gosto, fazer o quê?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O tempo, o inexorável tempo

São 18h50 no horário normal, depois de encerrada mais uma temporada de horário de verão que tanto transtorno me causa no trabalho. Agora as coisas se ajeitam, finalmente. Bem, falar em tempo, neste fim de semana tive duas oportunidades de refletir sobre ele, e me dar conta de que ele, o tempo, o carrego nas costas como qualquer um, mas é em ocasiões específicas que a gente se dá conta de como ele passa... Estive na festa de aniversário de um amigo deputado estadual sexta-feira, cá em Santo André, e reencontrei alguns amigos de tempos passados. Conversando, nos demos conta de que nossa amizade vai completar 30 anos! Estranho, conversando ali com os caras, nos abraçando, nos comportando como naquela época, apesar da maturidade que trazemos hoje e que não permite certas atitudes, senti-me como aos 19, 20 anos ainda, e foi só um deles falar dessas três décadas que separam o momento em que iniciamos nossa amizade e hoje para cair a magia e vermos como estamos longe daquele período, como mudamos, desenvolvemos outros interesses, caminhamos por caminhos que nem sonhávamos àquela época que trilharíamos. E aquele jovem que fingíamos ser nesse reencontro por um instante desapareceu, uma ligeira sombra passou pelo rosto e um turbilhão de memórias veio à mente, um pouco revendo o que se fez, lamentando o que não se fez, e um tanto gostando de ainda poder ser tão irradiante como naquele tempo. E voltou logo ao semblante a alegria de sempre e as conversas continuaram amistosas e felizes, principalmente por se ver que o tempo não impediu que o carinho que sentimos uns pelos outros permaneça forte e intenso.

O outro evento deste fim de semana que levou à constatação de que o tempo é inexorável foi um programa que fiz no sábado. Fui ao que hoje se chama balada, mas que quando eu era adolescente nominávamos discoteca, danceteria, salão, sei lá. Puxa, eu me senti um verdadeiro dinossauro ali, não pela distância etária entre eu e a média dos frequentadores, mas por não ver a menor graça naquilo, no tipo de música que toca, no comportamento da moçada, no conceito de diversão que isso quer encerrar. Não é porque não gosto de dançar - até gosto, se bem que meus passos são os mesmo qualquer que seja a música que toque. O problema é que não é possível uma interação um pouco mais profunda em um ambiente desse. As pessoas estão lá para "azarar", beijar o máximo que puder, relações efêmeras, ser uma pessoa superficial, um ser suante e dançante que não articula duas frases com algum sentido. Decididamente, isso não é diversão para mim. Aos meus 16, 17 anos o era, mas, não sei não, acho que era diferente, talvez menos superficial, pelo menos a gente se arranjava namorada lá ficava com ela um tempo. Sei não.

Bem, a conclusão é que não me sinto velho por isso; ora, aos 47 não posso me julgar idoso, mas penso que devo me eximir de experimentar certas coisas que sei que não me cairão bem. Não adianta querer fazer programas para os quais não tenho afinidades, apenas para estar em dia com a modernidade. Não vejo necessidade de ser moderno, mas é importante saber experimentar daquilo que a experiência indica que haverá qualidade e se extrairá algo de melhor do que apenas diversão. Afinal, o tempo é precioso demais para se gastar com coisas que não dão frutos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ainda o medo de avião


Outro acidente com avião (foto AP): 49 morreram. Estou começando a ficar com medo. Foi nos EUA, em Buffalo, Estado de Nova York. Um Bombardier (eta nominho sugestivo) caiu sobre uma casa a poucos quilômetros do aeroporto. O que se sabe até agora é que morreram 44 passageiros, quatro tripulantes e uma pessoa em terra. A CNN mostrou imagens de muito fogo. Demos o plantão (infelizmente, é em uma hora dessas que a gente vê para que servimos).


Outro assunto internacional é o da brasileira que foi atacada na Suíça por uns caras ultranacionalistas e irracionais, que a espancaram e cortaram sua pele a estilete, inclusive grafando a sigla de um partido político que professa essa linha. Xenofobia pura ou apenas ato insano de mais uns moleques sem diversão melhor? O pior é que a moça está com credibilidade zero lá; estão falando até em autoflagelo. Se fosse aqui dava incidente diplomático.


Curiosa foi a notícia da catadora que achou uns 40 paus no lixo de um supermercado e, ao reparar tal conteúdo, devolveu no estabelecimento, onde todos já estavam se esgoelando à procura do dinheiro, que fora colocado em sacos de lixo por medo de assalto. Boa alma da mulher. E isso ao lado de notícia de que a crise está afetando até mesmo essa atividade, a de reciclagem de papelão. Estão pagando 8 reais e pouco por 100 quilos do material!


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Bem na foto

Puxa, finalmente me animei a atualizar esse blogue. Confesso que andei um tanto desanimado, mas tanta coisa aconteceu nesse período, mas aos poucos vamos relatando, para não ficar cansativo. Quero dar um alô a Vivi, que visitou esse sítio e deixou mensagem bem gostosa. Beijão, linda! Vou dar uma de Simão agora: "Eu também quero foto com Lula e Dilma!". Rá, rá, rá... Que coisa esquisita né gente. Uma foto com um painel, pro sujeito chegar lá no seu rincão e botar banca de bacana que posou com as duas pessoas mais poderosas neste país atualmente (vide no clique de Celso Júnior/AE). Rá, rá. Eu tenho foto com o Lula, e de verdade, qualquer dia escaneio e ponho aqui para me chamarem de deslumbrado. Bem, o baiano não era presidente na época, nem do PT. Acho que só do Instituto da Cidadania, ou condutor das caravanas idem.. Sei lá. Reina deve lembrar mais que eu (abraço a você, nego, tenho acompanhado seu Tudo é Política religiosamente, ah, recomendo, viu). Mas deixa, né, os caras pagaram 30 paus por essa foto e jogaram fora, já que toda a imprensa deu a notícia: não dá mais para botar banca... Ainda falando de Reina, faltou vc também na pizza na casa do Silvio/Fátima - que acabou nem tendo pizza, tamanha a quantidade de petiscos que Fá botou... Eu voltei da Ilha do Mel e fui direto lá. Com fome adequada e sede idem. Tomamos muito vinho, comemos várias coisas e a conversa fluiu excelente. Vamos ver se em 2010 rola o encontro dos 25 anos de formatura (bodas de prata, crêem?)

Essa eu tenho que contar: minha filha, Isabela, passou na Fuvest, como treineira, e o colégio dela botou faixa na frente de sua casa parabenizando. Acho que ela merecia um belo desconto na mensalidade pela publicidade né?

Estou terminando o Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramago. Fiquei entusiasmado com e escrita desse cara. Nunca o tinha lido e confesso que perdi muito ao não o fazer, pois o texto dele é saboroso, de fina ironia e de uma construção tão rica quanto bela. E quanta imaginação. Ele dá uma humanizada tamanha em Cristo que chega a parecerem naturais as coisas sobrenaturais que lhe ocorrem (milagres, visão de Deus) . Leitura altamente recomendável. Quero mais. Bem diferente de outra leitura próxima minha, o Caçadores de Pipa (Khaled Hosseini), a qual me interessou a história, dada a situação ainda complicada no Afeganistão. Evidente que a obra pouco esclareceu sobre Talibans e a história afegã, mas os usou como pano de fundo, suficiente, portanto, para estimular uma pesquisa apurada sobre o assunto. O enredo agradou, se bem que pouco desenvolvido em vários pontos, mas a escrita deixa a desejar, é literatura menor, sem muito brilho - ou quem sabe a tradução foi pobre, não sei. O filme então piorou: terrível, não sei se não tivesse lido antes o livro teria a mesma percepção, mas acho que sim, muito ruim mesmo a película.

Poisé: estive em férias e viajei muito: Cascavel (PR), Rondonópolis (MT), Magda e Ubatuba (SP), Pantanal (MT) e Ilha do Mel (PR). Boa parte dessa maratona de carro (só a viagem ao Pantanal fiz de ônibus e me arrependendo amargamente, pois voltei de Andorinha e o condutor não andava a mais de 60 km/h, e parava em todas as cidades praticamente e em todas as garagens da empresa, só não sei por quê, pois em Rio Claro [SP] o motor deu pau e tivemos de trocar de ônibus, depois de esperar mais de 3 horas pelo substituto, como resultado, perdi a formatura de minha sobrinha mais velha, Shirley). Mas fora isso os passeios foram esplêndidos. Gostei muito do Paraná (que eu não conhecia) e no Pantanal foi uma aventura diferente, andando de barco pelo rio e corichos, caminhando em trilhas na mata e também aproveitando a infraestrutura excelente do Sesc de lá. E ainda encontramos o Silvio e a Fátima (rs). Fiz mais de 7 mil km com o Peugeot e ele deu conta direitinho, nem um pneu furado (ainda bem). Também gostei muito de ter ficado em um albergue na Ilha do Mel, acho que é uma ótima opção para viajar por esse mundo. Conheci um monte de gente de várias partes do mundo, o que tornou a viagem ainda mais rica culturalmente e proporcionou contato humano dos mais interessantes. Na ilha descobrimos um bar chamado Toca Raul (na foto de minha lavra à esq.) - que, infelizmente, não tinha Raul para tocar; pedi para o dono - Ernani, uma figura exótica como todo seguidor do Raul - pôr um DVD do roqueiro para os israelenses que conhecemos pouco antes verem e o cara pôs mas não rodou. Depois colocou umas músicas, mas não era Raul, mas sim Marcelo Nova e Raul. Estranho isso. Bem, nesse bar o cara serve uma tal de Meleka (que deixa as moças quentes e os moços atrevidos, conforme sua publicidade), feita de vodca, mel e uma série de raízes que ele não conta para ninguém. O fato é que tomei duas doses da coisa (lembra Fogo Paulista) e fiquei alegre. Aí fomos no Cavalo Marinho, um bar perto, onde dois sujeitos que pensam que cantam soltavam a voz como que para espantar os maus espíritos. Lá tomei ainda um capeta e daí em diante não me lembro de mais nada. Só que acordei no quarto como vim ao mundo e sem fazer idéia de como tinha chegado lá. A moça que me acompanhava disse que fui a atração da noite, mas, felizmente, apurando junto aos presentes, soube que não fora inconveniente com ninguém, nem chato, suponho. Mas fica a lição: se forem tomar a Meleka no Toca Raul, não tomem mais nada, acho que a mistura é que fez o estrago.

Bem. vou contando mais aos poucos, porque tem muita história legal para contar.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vítimas da chuva

A mobilização mundial ontem em torno da última etapa - brasileira - da Fórmula 1 me assustou. É por isso que essa atividade rende tanto dinheiro. E esta corrida parece que foi planejada para o que aconteceu: uma vitória a segundos do final, para frustração de tantos brasileiros que torceram para Felipe Massa (e para a Ferrari e todos seus patrocinadores, é claro). Mas que levantou a torcida até a bandeirada final. Adrenalina assim custa caro, mas rende muito. Pois vão todos dormir com um gosto amargo na boca e umas centenas de reais a menos no bolso. Menos os pilotos e equipes... Pois nesse domingo de F1 me acontece de eu me envolver em um acidente de trânsito. Eu não tive culpa. O sujeito fez uma conversão proibida e na contramão. Chovia e os pneus não seguraram o carro na pista molhada. Bati em uma van escolar! O cara estava transportando um monte de gente, claro que não eram estudantes. Imagino que trabalhadores propagandistas, como esses de anúncios imobiliários, porque o veículos estava cheio de placas. Mas não quis saber. Nunca me envolvi em acidente assim, que tivesse que negociar. Não sabia muito o que fazer. E fiquei com medo de o sujeito sumir e não o ver nunca mais. Assumiu a culpa e se comprometeu a pagar o conserto. Bem, até aí, tudo bem. Mas estou ainda desconfiado. Agora, já imaginou se o cara faz isso transportando crianças? Pois a chuva deste domingo fez, pelo menos, dois infelizes: eu e Massa, mais minha filha, que estava comigo no carro, pois a levava à igreja, e levou um grande susto, além de perder o culto.

sábado, 1 de novembro de 2008

Coisas do dia

Fui ver este sábado "Duas faces da lei", no Unibanco do Bourbon. Não gostei. Faltou ação e De Niro e Pacino podem fazer mais do que vi nesse filme.

Na sexta, assisti, com Eduardo, a Lenine, no Sesc Pinheiros. Gostei. Bons arranjos e letras poéticas. O cara agita a moçada. Gostei também de ele lançar o último trabalho dele em vinil; mas está muito caro (era R$ 120 lá).

Hoje tem corrida de Fórmula 1. As apostas vão em Felipe Massa. Não entendo nada de F1, e acho que armam um espetáculo grandioso demais em torno disso.

Terça, dia 4, os americanos escolhem o sucessor de Bush. Não sei se Obama ganha. Ele está na frente nas pesquisas, mas eleição americana é muito esquisita e o clima de já ganhou nunca é bom conselheiro. Penso que na hora H o preconceito falará mais alto.

Passei na Amaral Gurgel voltando do cinema e fiquei chateado com as pessoas dormindo embaixo do Minhocão. Tem gente que diz que eles estão lá por opção. Não sei... Nunca conversei com eles. Mas deveria haver uma opção melhor para quem opta por morar em lugar nenhum. Não os Cetrens (deve ter mudado de nome, por conta do marketing político, mas a essência creio que não), mas algo que permitisse ao cara ser o que é mas com um mínimo de higiene e conforto. E privacidade. Estou errado?

As meninas voltaram a usar saias e vestidos. E estão lindas. Dever ser a primavera. Bem-vinda primavera!

Os meninos estão cada vez mais truculentos. E não é culpa das academias. É outra coisa. Talvez a necessidade de afirmação, ou de marcar posição. Ou revolta com sei lá o quê.

Tenho intenção de fazer mestrado, para dar aula de jornalismo um dia. Mas agora que apareceu esse sertanejo universitário estou repensando...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A VIDA NÃO É BELA


FUI ao cinema sexta-feira passada. Assisti a Era Uma Vez, de Breno Silveira (que está aí na foto entre Rocco Pitanga e Thiago Martins). Não vou dizer que o filme me emocionou ou chocou. Não. Achei um filme sensível, sim, com uma história eu diria previsível, se se pensar que a fonte foi Romeu e Julieta, de Shakespeare. A temática, afinal, é constante nos folhetins televisivos: a riquinha que se apaixona pelo pobretão. Agora, o que eu achei mesmo desproporcional foi a interpretação, uma ou duas oitavas acima do que seria natural. A direção de atores exagerou mesmo, talvez propositadamente. Mas a produção, quem sabe para não chatear os patrocinadores, pintou uma favela até bonita, com vista para o mar, se bem que em determinadas cenas o Atlântico visto da varanda dos barracos esteja envolto em névoa, em contraste ao brilho da praia que os endinheirados de Ipanema vêem. Mas é uma favela bonita, digna de receber a patricinha que cai de amores pelo vendedor de cachorro-quente. Mas, sabe, a vida não é bela, mesmo que o seja a favela. E a realidade se faz presente nas horas menos queridas cobrando seu tributo. E o amor bonito, acima de todos os preconceitos e convenções e barreiras, é atacado, e os preconceitos, convenções e barreiras vêm se impor. Donde se pode concluir que o problema não é amar um pobretão, mas se envolver com um pobretão de uma favela, ainda por cima carioca. Bem, gostei do filme, mas deveria ter baixado um pouco o tom e ser mais verossímil.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ÚLTIMO DESEJO

E como é a vida, não!? Há poucos dias, foi-se Dorival Caymmi, dizem que a doença de sua amada Stella agravou a própria, do que não duvido, porque morre-se de amor e de saudade também; eu admiro casamentos longevos, e o deles durou mais de 60 anos (68 para ser exato). Imagina, o casal, se se dá bem e se respeita e se ama, torna-se uma só pessoa. Admiro e, por que não dizer, almejo um relacionamento duradouro assim. Bem, o que eu estava comentando é que eles foram embora com a pequena diferença de 11 dias. Stella (aliás, Adelaide) estava em coma desde abril e racionalmente pode nem ter sabido do desaparecimento de seu amado, mas duvido que sua alma não sentiu e não se esforçou para lhe fazer companhia. Agora, sim, a jangada voltou só. Pensava nesse post ontem à noite dirigindo ao trabalho ouvindo um CD com canções na voz de Maria Bethânia quando começa a tocar a faixa "Último desejo", de Noel Rosa. Poxa, essa foi a canção que, na voz de Stella, em um programa de calouros em uma rádio do Rio, fez Dorival se apaixonar por ela...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Foi por medo de avião...



Espanta-me - e a todo o mundo, quero crer - essa onda de acidentes aéreos que vem rolando. Só nesta semana finda, foram dois (Espanha e Quirguistão), com pra lá de 200 mortos. Depois daquele da TAM confesso que deixei de considerar esse tipo de transporte muito bom. Minha primeira vez, em 1983, Fortaleza/SP, foi daquelas de tremer à primeira turbulência. Tenho registrado em meus escritos o momento, não falando da viagem em si, mas do motivo que me fez retornar das férias no Ceará - a morte de minha mãe. Muitas outras viagens de avião fiz depois, e o medo nunca me abandonou. Não pavor, porque senão sem subiria, mas aquele medinho do desconhecido, do inevitável, que dá quando a gente anda por uma rua deserta à noite, ou quando vê sozinho um filme de horror B (que eu já adorava bem antes de virar 'cult'). E agora com essa sucessão de tragédias fico com um pé atrás e o outro também, porque acidentes acontecem, mas falhas humanas nesse setor, caso as haja mesmo, são imperdoáveis. Antes pegar estrada com meu carrinho, porque, bem ou mal, o chão está mais perto.


Mas não foi para falar de acidentes aéreos que abri esse post. Foi para falar de medo, ou de vacilações, hesitações. Eu os tenho em abundância, muitos por uma questão de sobrevivência, os instintivos, mas outros pela falta de ousadia mesmo. É difícil se ter coragem, ser destemido, porque implica resistência, enfrentamento, lançar-se à frente, ter iniciativa. A sociedade louva esse tipo de pessoa, mas ao mesmo tempo faz muito para podar esse comportamento. Veja, por exemplo, essa imagem que já virou chavão, mas serve para ilustrar: a quantidade de 'nãos' que a pessoa ouve na vida, desde que nasce até a morte, é de matar qualquer vontade. Da família (essa instituição que primeiro nos molda aos parâmetros socialmente aceitos) a todas as demais "autoridades" com que nos defrontamos na vida, é um crescendo de cortes do nosso barato. Mas, em contrapartida, quer gente mais bem aceita - e invejada - que os chamados bem-sucedidos, aqueles que meteram as caras e foram atrás de seus sonhos, de seus projetos. Empresários, artistas, políticos, cientistas, intelectuais. Estão aí para dar o exemplo. Penso que se deveria estimular a coragem desde cedo, como fazem os animais. Mas o bicho homem, de maneira geral, gosta de superproteger, o que gera seres medrosos. Ouvi o nadador Michal Phelps dizer, após ganhar sua enésima medalha de ouro, que uma vez um professor disse que ele não ia ser nada na vida. Eu ouvi isso também, e não de um professor, mas de vários. A avó de uma amiga certa vez contestou a professora em uma questão - na qual ela, a avó, tinha razão -, e de castigo teve de ficar o resto do ano sem poder falar em classe. Anos depois a tal professora suicidou-se. E a avó viveu muito mais e realizou muitas coisas lindas na vida. Então é isso. Acho que não se pode podar a criatividade, a iniciativa, a ousadia, as idéias novas, os ideais, os talentos. Senão teremos, em vez de empreendedores, uma geração de medrosos que não fará o mundo ir para a frente.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Não vou falar de Olimpíada




Semana que vem não haverá mais esses jogos lá na China para absorver a atenção de uma Nação. Acho chato, não gostei dessa Olimpíada, e não é porque tivemos (até agora, 7h21) poucas medalhas. É que esse clima de que temos a obrigação de torcer pelos atletas não condiz com a realidade do país, e isso nem vale a pena se perder em dizer. Está evidente. E é tudo que falo de esporte hoje. Aliás, nem quero falar de notícias, um dos focos desse blog. Mas, enquanto a bolsa de Cingapura não fecha para eu terminar meu texto, vou divagando sobre o que me passa na cabeça; vou ser banal, até pueril. Falar de sonhos, por exemplo. Não aspirações, desejos, projetos. Sonhos mesmo, aquilo que normalmente temos ao dormir. Nesta noite (dia, no meu caso), sonhei que colhia cocos verdes dentro de uma casa, como se cortasse cacaus, mas dentro do coco/cacau havia não água-de-coco, mas suco de caju! Acho que é porque dormi ouvindo Sergeant Peppers'... e toda aquela psicodelia interferiu em meu subconsciente. Sei lá. Mas foi um bom sonho, pena que nele eu fumava, coisa que deixei pra trás há uns bons 5 ou 6 anos e não pretendo retomar. Mas de repente o charuto que estava em meu bolso virava chocolate, ou cacau mesmo. Sonho pirado, que, aliás, não interessa a ninguém. Mas estou assim mesmo hoje: sem vontade de ser profundo, me dando o direito de ser um pouco raso, de falar besteira, de não me obrigar a ser inteligível. Afinal, já cansei de ler coisas que não me passou pela cabeça a menor idéia do que se tratavam, e as editoras, jornais e revistas estão povoadas de tipos assim, que se arvoram escrever sem a preocupação de ser entendidos. O cinema, a música e o teatro também estão carregados de gente assim. Vamos, então, dar liberdade de escrever o que bem entender, vivia o hermetismo! Pra não dizer que não falei de notícias, não gostei de o novo ocupante da cadeira de Machado de Assis na ABL ser esse crítico musical, de O Globo, Luiz Paulo Horta. Não me lembro de ter lido nada dele, mas Ziraldo concorria, e eu preferia ele lá. Mas como nunca levei essa academia mesmo muito a sério, tudo bem, melhor pra Ziraldo. Mas seria gozado ver o Maluquinho de fardão... (Fechou Cingapura [alta de 0,4%], volto logo). A propósito, a cadeira 23 vagou com a morte de Zélia Gattai, que a ocupou depois de Jorge Amado. O patrono é José de Alencar. Na realidade, li pouco Ziraldo, acho que só Flicts e tirinhas na revista Playboy e no Pasquim. Mas já vi várias entrevistas dele e o acho um cara coerente, com posições claras e engraçado - ri até dele mesmo, uma qualidade que admiro. A última polêmica em que se envolveu, a do direito a indenização por perseguido na ditadura, achei que foi explorada com vilanismo pela imprensa, que poderia fazer um debate um pouco mais inteligente sobre o assunto. Mas aí é pedir muito mesmo. Qualquer hora falo da imprensa, mas por ora (que legal isso, como se chama mesmo essa figura de linguagem , aliás, é alguma?) me limito a falar bobagem, como esse sonho frutífero (se fosse uma mexerica ia casar legal com a música, no trecho "Picture yourself in a boat on a river/ With tangerine trees and marmalade skies"... Aliás, na época do lançamento do Sgt. Peppers' (67) surgiu o grupo alemão de música eletrônica Tangerine Dream que conheci, vejam só, porque um dia encontrei no lixo um disco (LP) dessa banda, levei para casa, ouvi e gostei. Vou procurar e ver se baixo músicas deles. É tipo Kraftwerk, tipo aquele movimento Krautrock. Gosto de música assim, não aquele bate-estaca dos 70, ou os acid-house e coisas assim de hoje, gosto de sintetizadores, órgãos, teclados, computadores... Frank Zappa! Falar nisso, não em Zappa, claro, mas em Sgt. Peppers', ontem me toquei que sempre entendi errado esse trecho: pra mim, era tangerine dream, não tangerine trees (coisa de meu inglês sacal). Outra coisa. Acho que a música que mais gosto nesse disco é Lovely Rita. A "meter maid", que custei um tempão pra entender (também antes não tinha internet né?) que se referia àquelas moças de fiscalização de trânsito e da zona azul (aqui, lá não sei como marcavam o tempo de estacionamento naquela época na Inglaterra) - ou algo assim, guarda de trânsito, nao sei. Essa música tem um balanço, meio country, ou sei lá que ritmo, mas adoro aquele pianinho, um som meio antigão, e em um disco revolucionário até os tubos, que influenciou todo mundo, e tão simplesinha essa canção (aliás, li no Wikipédia agora que essa música foi encarada como mais uma das evidências de que Paul estava morto, porque disseram que ele bateu o carro e morreu porque estava distraído olhando para a tal Rita :) Mas não é a única de que gosto nesse disco. Aliás, estou no terceiro, porque o vinil estragou, aí comprei um CD que uma amiga levou e "never more" e o terceiro que comprei nas Grandes Galerias, em SP. Gosto de She's leaving home, Fixing a hole, Gettin' better, ou seja, as canções mais suaves, sem esquecer de A day in the life, esta um épico que vi uma vez meu professor de rádio tocar no violão e babei. Veja, estou divagando na maionese... Mas é o fluxo de pensamentos oriundos da lembrança de um sonho estranho. Podia ter imaginado outras conexões, mas é que realmente ouvia Sgt. Peppers' ao dormir. Gosto de dormir com música, com qualquer tipo de som, desde que não seja barulho, nem silêncio. Não durmo bem com o silêncio, porque ouço meu interior, e me assusto. Gosto mesmo de deixar o rádio ligado, seja em notícias, seja em pregador evangélico ou locutor policial. O ritmo do som me embala e eu durmo bem. E acho que isso estimula meus sonhos, que sempre os há e são bons, pelo menos os que me lembro. Deve ser algum resquício da infância, porque sempre tinha alguém conversando ao meu redor quando eu dormia.
Não ia falar de Olimpíada, mas não deu: o ouro da Maurren no salto em distância inundou a redação e não tive como. Eu gosto dela, desde a primeira Olimpíada em que a vi. E gosto dessa modalidade, que eu praticava no ginásio, mas sem esse brilho, claro, de 7m04.

sábado, 16 de agosto de 2008

Morrer é gostoso


Foi isso que meu pai disse pouco antes de ir embora. Não sei por que ele disse isso, mas a frase me vem à cabeça agora que escrevo a respeito da morte de Dorival Caymmi, hoje, por volta de 6h, no Rio. Yemanjá o levou (como nessa ilustração, do mestre Elifas Andreatto) para as profundezas do mar,que ele cantou tanto e tão bem. Caymmi sempre me emocionou, desde a primeira vez que o ouvi, nem me recordo mais quando. Mas me lembro de cantar muito a Suíte do Pescador quando nos reuníamos para discutir os fatos da vida e refleti-los à luz dos Evangelhos. Nem é necessário me alongar muito sobre o mestre, porque ele é reconhecidamente um grande compositor e sua importância para nossa cultura é imensurável. Mas quero registrar que seu desaparecimento me deixou triste e constatei que ele é mais um que se vai antes que eu o possa ver ao vivo, como já foram Zappa, Lennon, Harrison, Renato Russo, Cazuza, Elis, Adoniran... tantos... Também, ver um show, nos dias de hoje, é um exercício complicado. O show business está cada vez mais voraz, e os artistas têm que se submeter a uma indústria que, não sei não, mas me parece muito mais interessada em lucro rápido que em difundir arte e cultura. Vide o show de João Gilberto agora, a confusão que a empresa encarregada de vender os ingressos proporcionou. A pessoa comprava, quando conseguiu acessar o site, e, dizem, não tinha garantia da compra nem determinado o lugar em que se sentaria. Fora os preços (até R$ 360). Assim, prefiro nem ir. Bons tempos quando a gente via show até em sociedade amigos de bairro, em ginásio de esportes, em teatros, não em casas em que os responsáveis não têm escrúpulos e não interrompem o serviço de bar quando o espetáculo começa. Pior os espectadores, que pedem sua bebida e petisco em plena cena aberta. Vil! Bem, sobre a morte ser gostosa, acho que meu pai deve ter dito isso porque talvez percebeu que ia se livrar da dor ou do desespero de ver sua vida fugir-lhe do controle. Se foi assim, foi bom para ele, e deve também ter sido para Caymmi. E que ele e sua jangada sigam tranqüilos para o mar...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Algo lá atrás


Confesso que ando meio nostálgico, e quem porventura me lê não precisa ficar aguentando minhas reminiscências, mas não consigo, neste momento, escrever nada mais atual, ou moderno, ou contemporâneo. Mas, afinal, memórias são algo atual, pois referem-se a lembranças, hoje, de tempos passados. E na maioria das vezes permitem que revisemos algo que ficou lá atrás e sigamos em frente com, talvez, um pouco mais de sapiência, dada pela experiência. Pois isso me ocorre agora, quando reouço (existe esse verbo?) músicas que havia tempos não ouvia. Ontem foi outro Vandré, novamente graças ao companheiro (esse termo também faz tempo que não emprego) Eduardo. E ouvi também, de novo por conta dele, Raíces de América. Bem, nos tempos que esse grupo de canções latino-americanas existia, eu preferia o Tarancón, na mesma linha. Porque achava este mais, digamos, engajado que aquele, muito pop star, global (teve até uma atriz da Globo nele, recitando poesias) para meu/nosso gosto. Nunca fui um show deles e nem um disco comprei. Mas Tarancón não perdia um: Míriam Mirah, Jica, Turcão e Emílio, além do pintor Halter (bem, essa era a formação que eu vi, nos anos 80; eles se formaram em 72, creio). Tenho vários discos deles. Não estou, com isso, dizendo que o Raíces seja ruim; não são. É apenas uma questão de gosto: Emilinha/Dalva; Beatles/Stones, por aí. Mas ouvi-los trouxe-me de volta esse período e reflexões sobre o que eu fazia naquela época, sonhos que tinha, perspectivas, o que eu era... Eu sofri uma revolução na minha maneira de ser e pensar logo depois de terminar o serviço militar. Olha, eu, enquanto recruta, cheguei a alimentar idéias de seguir carreira. E logo em seguida abracei o que se costumava chamar de corrente progressista da sociedade (ah, não posso dizer que era comunista porque não era do tal partidão e nunca li mais que dois capítulos de O Capital, e mesmo assim em espanhol e para um trabalho de faculdade; nem posso dizer que era de esquerda, porque minha ação era meio encabulada, nunca apanhei da polícia nem fui preso, tampouco pichei um muro contra os banqueiros ou o imperialismo). Mas minha militância resumiu-se a visitar umas favelas para tomar um choque de realidade (como se eu morasse muito melhor que eles) e apresentar uma peça de Dias Gomes (A Invasão) à guisa de levar alguma consciência crítica aos moradores (como se tivéssemos muita). Enfim: pode-se dizer que eu era um membro da famosa "massa de manobra". Ah, e como fazíamos muita festa, pois éramos jovens (de idade, quero dizer), pode-se também dizer que pertencíamos a uma certa "esquerda festiva". De qualquer forma, foi um belo salto: de recruta com sonhos carreiristas a um projeto de revolucionário. Hoje, revisão feita e observando o cenário atual, posso dizer que pertenço ao grupo dos que foram da esquerda e não ficaram ricos e/ou famosos. Melhor para mim.
Outra razão de eu estar nesse clima foi que reli um negócio que escrevi há muito tempo, coisa de uns 10, 12 anos. Era um projeto de um conto, quem sabe um romance. Eu sempre alimentei um pouco a idéia de escrever algo além dos textos que faço ou refaço para minha subsistência. Mas sempre me faltou ou idéias ou disciplina... Ou talento. O certo é que abandonei o texto, que escrevia nos momentos vagos na hora do trabalho (quando não havia internet nem MSN para nos ocupar o tempo). Ainda bem que tive a sábia idéia de imprimir o que tinha escrito quando saí de lá. Quer dizer, ainda bem por quê? Se tiver alguma serventia hoje, quem sabe. Acabaram mesmo as idéias naquele tempo e retomar agora seria complicado, acho, porque eu estava experimentando naquele texto uma linguagem diferente, um cenário que eu não conheço. Muito fake. E nem estruturei direito o que queria fazer. Fui escrevendo, sem destino. Teria, portanto, de pensar em um desenvolvimento a partir de onde parei, rever a linguagem e o contexto, pôr mais tempero naquilo, que está apenas um exercício de estilo, quando muito. Quem sabe eu não retome mesmo o projeto, ou quem sabe eu não retome pelo menos o projeto de escrever algo mais que o do sustento e o que posto aqui... Quem sabe (faz a hora, não espera acontecer...)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O bronze de Cielo


Gosto de natação e esse bronze (César Cielo, aqui no traço de Misso, em O Liberal), hoje, em Pequim foi pouco. Sei lá se tem a ver, mas um país com tanta água como o nosso deveria ter recordistas no nado assim como os EUA têm globetrotter no basketball. Mas temos futebolistas... Aliás, eu não gosto de futebol, quem me conhece sabe bem disso. Não jogo, não assisto, não torço pra nenhum time. Só nas copas é que acabo sendo mordido pela emoção da "Pátria em chuteiras", como dizia Nelson Rodrigues (aliás, tinha um livro com esse título, compilação de crônicas esportivas do mestre recolhidas por Ruy Castro, que sumiu lá de casa; acho que emprestei a alguém que não devolveu). E é nesses dias de competições esportivas que viceja um nacionalismo, um ufanismo que me enoja, principalmente na mídia eletrônica, mais especificamente a televisiva. É só ter um brasileiro na competição para os locutores se esgoelarem. Não agüento isso. Mas é parte do espetáculo, fazer o quê. Por obrigação profissional, estou acompanhando os jogos e entrando no clima, mas nem tanto - digamos que estou mantendo um distanciamento profissional necessário. Hora (agora 8:08) de ir para a casa e cama e ouvir meus novos CDs... Conforme disse outro dia, vou ouvindo e comentando.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Caminhando e cantando


Estou em casa, são 13h22. Vim ouvindo Canto Geral, de Geraldo Vandré, garimpagem do amigo Eduardo Magossi que me proporcionou relembrar essa boa obra de tantos tempos passados (nem tanto assim, vai!). O efeito foi imediado: a audição me remeteu aos anos 80, quando fui apresentado a esse e a outros sons de luta, em uma época em que a mítica era uma coisa levada a sério, não apenas um efeito de marketing como se vê por aí, inclusive nas ações daqueles que lutavam naquela época e que me fizeram virar minha vida do avesso. Lembrei do quanto a gente cantava essas canções a plenos pulmões nos nossos encontros de jovens, acampamentos, reuniões, missas, caminhadas, passeatas, comícios... Rs... Soa nostalgia... E é, uai! Cantávamos também Violeta Parra, Victor Jara, Tarancón, Atahualpa Yupanqui, Chico Buarque, Milton Nascimento, Elis Regina, João Bosco, Sá e Guarabyra, Beto Guedes, Zé Ramalho, Fagner (Fagner? Sim, cantávamos!). Mas Vandré era "o" cara para nós; dizem que o sujeito apanhou tanto que pirou, virou outra pessoa. Não sei. Não o conheço. Se o visse, se conversasse com ele poderia ter uma idéia do que ele é agora, mas não sei. Mas gostei de ouvir de novo o meu ídolo dos 20 e poucos anos. Falta ainda ouvir as canções do filme A Hora E A Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos - e também falta ver esse filme, que ainda não consegui; se a fita soube transmitir o que o conto de Guimarães Rosa passa, hummm. As músicas de GV já são de arrepiar... Vou ver, tenho certeza. Essa tecnologia de hoje tudo permite.


domingo, 3 de agosto de 2008

Criança esperança?


Agora domingo 03/08/2008, meia-noite e meia. Está rolando o Criança Esperança, na TV Globo. Não sei, não gosto muito dessas coisas. Será que estou errado? Insensibilidade minha? Acho até bom incentivar a solidariedade, mas esse negócio de promover um show desses, artistas, pessoal da tevê... Será que eles abrem mão do cachê em nome da causa? Deveriam, afinal, a visibilidade que isso dá... Sei lá, não conheço a fundo o evento para criticar, mas que me soa estranho, soa.

Beatles; Janis - Hoje gravei os 5 CDs da caixa Artifacts que o colega Eduardo Magossi me emprestou. Não ouvi nada ainda, quero saborear depois a sós. Também baixei 4 álbuns de Janis Joplin. Levou um dia inteiro para transferir, o PC ficou lento, MSN toda hora dando problema, Internet ficou capenga. Não sei se por causa do Torrent, mas depois que acabou e religuei o computador ficou um pouco melhor. Eduardo também me emprestou o livro Revolution in the Head, de Ian MacDonalds, editora Pimlico. Conforme for lendo e ouvindo porei aqui minhas impressões.



Olimpíada - Sexta-feira começam os Jogos Olímpicos em Pequim (ou Beijing). É impressionante como isso dá matéria para a mídia. A Globo dá até raiva de ver. Em todos. Não é que eu não gosto. Pelo contrário, apesar de minha pouca afinidade com esportes, eu gosto de ver algumas modalidades, sim, principalmente as que não são coletivas, como o atletismo, ginástica. Ver aqueles seres que nem parecem humanos, por conta dos limites que extrapolam, realmente eu gosto. Mas o que irrita é o tsunami de informação que jogam, o clima que tentam criar. E sendo na China, ah, os jornalistas vão pautados com um que a mais, qual seja prescrutar como um país "comunista" lida com esse evento "capitalista". Pelo menos isso também será outra atração de se ver. Se conseguirem mesmo dar um relato que valha a pena ler. Fiquemos, pois de olho. E acho que Dunga & Cia não traz medalha não...