Assisti a O Bem Amado sábado, filme de Guel Arraes baseado na obra de Dias Gomes. Como na novela, que passou nos anos 1970 na TV Globo, o roteiro baseou-se em duas peças de Dias Gomes: Zeca Diabo e O Bem-Amado. Tenho uma simpatia antiga por José Alfredo de Dias Gomes, de quem montamos, nos tempos do Tupi, teatro amador de que participei, em Santo André, a peça A Invasão. Tenho um livro com várias peças dele, e penetrar em seu universo me abriu a mente para as mazelas deste país. O filme é bom, grandes atuações do elenco, mas para quem viu a novela é inevitável as comparações. Achei o Nanini meio caricato demais, bem distante da naturalidade de Paulo Gracindo. Aliás o filme todo parece que optou pelo escracho, pelo exagero, quase pantomima. Isso não é defeito, é escolha. Como disse para minha filha, quem não teve oportunidade de ver a novela ou a minissérie tem a vantagem de não fazer a comparação. Claro que as exibições antigas são outra coisa, não dá para comparar novela com filme, assim como não dá para fazer o mesmo entre peça e filme. Mas eu gostei do filme, apesar de achar um tanto arrastado às vezes, muito centrado no núcleo do Odorico e com poucas cenas paralelas. Acho que se se explorasse um pouco mais os outros núcleos o filme ganharia em agilidade. Por exemplo: o "romance" entre a filha de Odorico, Violeta, e Neco, interpretados por Maria Flor e Caio Blat, poderia ser mais abordado. Senti que ficou vazio, não gerou o conflito que seria de esperar. O personagem de Tonico Pereira, Vladimir, dono do jornal A Trombeta, ficou por demais caricato, o mesmo a dizer das irmãs Cajazeiras, muito bem levadas por Zezé Polessa, Drica Moraes e Andréa Beltrão, que na novela eram mais sutis. Dou o desconto de que, no curto espaço de um filme, fica difícil explorar melhor a complexidade de todos os personagens e que talvez o caricato foi opção para fazer um filme engraçado sem muito compromisso com as entrelinhas do texto de Dias Gomes. O filme ainda busca relacionar o enredo da trama com acontecimentos do país, como o golpe de 64 e depois a luta pelas Diretas, em 84. Ficou meio estranho, parece que só serviu para mostrar que o jornalista Neco (Blat) seguiu na profissão. O Dirceu Borboleta de Matheus Nachtergaele está impagável, mas bem distante do vivido na telinha por Emiliano Queiroz; só uma obervação importante: em nenhum momento ele é mostrado caçando suas borboletas, e sua consciência política é mais ressaltada no filme do que na novela, em que, ao que me lembro, ele é bem mais ingênuo e totalmente subserviente. O Zeca Diabo de José Wilker está irretocável, e é uma atuação que não lembra a de Lima Duarte, no que em minha opinião lhe rende muitos pontos em originalidade. Enfim, o filme, apesar de fiel na maior parte do tempo aos textos de Gomes, consegue se distanciar da novela, o que é muito bom. E, outro ponto a favor, mantém o tom político, sem proselitismo, que o autor imprimiu, atualizando e contextualizando, se bem que de uma forma ligeira sem aprofundamento, talvez para alcançar um público bem maior.O Barquinho Cultural
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O bem escrachado
Assisti a O Bem Amado sábado, filme de Guel Arraes baseado na obra de Dias Gomes. Como na novela, que passou nos anos 1970 na TV Globo, o roteiro baseou-se em duas peças de Dias Gomes: Zeca Diabo e O Bem-Amado. Tenho uma simpatia antiga por José Alfredo de Dias Gomes, de quem montamos, nos tempos do Tupi, teatro amador de que participei, em Santo André, a peça A Invasão. Tenho um livro com várias peças dele, e penetrar em seu universo me abriu a mente para as mazelas deste país. O filme é bom, grandes atuações do elenco, mas para quem viu a novela é inevitável as comparações. Achei o Nanini meio caricato demais, bem distante da naturalidade de Paulo Gracindo. Aliás o filme todo parece que optou pelo escracho, pelo exagero, quase pantomima. Isso não é defeito, é escolha. Como disse para minha filha, quem não teve oportunidade de ver a novela ou a minissérie tem a vantagem de não fazer a comparação. Claro que as exibições antigas são outra coisa, não dá para comparar novela com filme, assim como não dá para fazer o mesmo entre peça e filme. Mas eu gostei do filme, apesar de achar um tanto arrastado às vezes, muito centrado no núcleo do Odorico e com poucas cenas paralelas. Acho que se se explorasse um pouco mais os outros núcleos o filme ganharia em agilidade. Por exemplo: o "romance" entre a filha de Odorico, Violeta, e Neco, interpretados por Maria Flor e Caio Blat, poderia ser mais abordado. Senti que ficou vazio, não gerou o conflito que seria de esperar. O personagem de Tonico Pereira, Vladimir, dono do jornal A Trombeta, ficou por demais caricato, o mesmo a dizer das irmãs Cajazeiras, muito bem levadas por Zezé Polessa, Drica Moraes e Andréa Beltrão, que na novela eram mais sutis. Dou o desconto de que, no curto espaço de um filme, fica difícil explorar melhor a complexidade de todos os personagens e que talvez o caricato foi opção para fazer um filme engraçado sem muito compromisso com as entrelinhas do texto de Dias Gomes. O filme ainda busca relacionar o enredo da trama com acontecimentos do país, como o golpe de 64 e depois a luta pelas Diretas, em 84. Ficou meio estranho, parece que só serviu para mostrar que o jornalista Neco (Blat) seguiu na profissão. O Dirceu Borboleta de Matheus Nachtergaele está impagável, mas bem distante do vivido na telinha por Emiliano Queiroz; só uma obervação importante: em nenhum momento ele é mostrado caçando suas borboletas, e sua consciência política é mais ressaltada no filme do que na novela, em que, ao que me lembro, ele é bem mais ingênuo e totalmente subserviente. O Zeca Diabo de José Wilker está irretocável, e é uma atuação que não lembra a de Lima Duarte, no que em minha opinião lhe rende muitos pontos em originalidade. Enfim, o filme, apesar de fiel na maior parte do tempo aos textos de Gomes, consegue se distanciar da novela, o que é muito bom. E, outro ponto a favor, mantém o tom político, sem proselitismo, que o autor imprimiu, atualizando e contextualizando, se bem que de uma forma ligeira sem aprofundamento, talvez para alcançar um público bem maior.quinta-feira, 22 de julho de 2010
Paulistano
Estou na capital, depois de quase 50 anos no ABC, com curto período anterior em que morei no Ipiranga. Acho que não regressarei, pelo menos o que me motivou a ir morar em São Paulo prossegue. Nada é definitivo, claro, mas vir morar bem perto do trabalho foi uma decisão refletida, que veio da reclamação do corpo em se deslocar todos os dias úteis mais de 70 quilômetros. Agora estou alojado um pouco mais perto, mas ainda não no meu endereço definitivo aqui em Sampa, que este será resolvido em poucos meses, espero. Estou perto do metrô, o que implica não precisar do carro para ir ao trabalho. Ainda não o utilizei, servindo-me do meu veículo mesmo, mas é minha intenção mudar de meio de transporte, porque o trânsito mesmo não anima. Se bem que no horário de pico a estação da Sé vira um formigueiro, mas, como é minha volta para casa, tudo bem esperar passar uns três ou quatro carros antes de embarcar. Ou encarar o aperto. Este próximo será meu primeiro final de semana que poderei curtir a capital. Pegar o metrô, descer na Paulista e curtir um cineminha, ver as novidades na Fnac, tomar um chopinho no Frevo, ou comer um bauru no Ponto Chic, quem saber ir finalmente ver as obras no Masp (vergonha, nunca fui). A cidade é bonita e sem a dependência do carro ela fica mais acessível. Pretendo usufruir. Quem quiser vir comigo ou convidar será bem-vindo.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Saramago, um desafio
Em 1997, eu trabalhava no Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, onde iniciara um ano antes como assessor de comunicação no Grupo de Trabalho Eleitoral para o pleito municipal. Foi nessa época que tive a incubência de divulgar o projeto "Terra", que reunia um livro com textos de José Saramago, fotos de Sebastião Salgado e um CD com músicas de Chico Buarque. Os três estiveram em São Paulo para divulgar o projeto, que tinha vínculo com o MST. Foi o primeiro contato que tive com o escritor português morto sexta-feira, 18, aos 87 anos. Dele só li "O Evangelho segundo Jesus Cristo", um texto que me surpreendeu pelo estilo e pela ousadia. Não li mais nada desde então, afora alguns escritos na imprensa esporádicos. Tenho em minha estante "Ensaio Sobre a Cegueira", e também o DVD com o filme dirigido pelo Fernando Meirelles, mas ainda não os apreciei. Confesso que a leitura é complicada, é preciso às vezes reler os imensos parágrafos para se ter ideia do conteúdo, mas achei o "Evangelho" espetacular. Fica o desafio de mergulhar no universo desse escritor tão peculiar para, no mínimo, entender sua ótica do mundo e, quem sabe, apreender sua importância, que, pela repercussão de sua morte, era enorme.A seguir, um texto de Saramago:
A mentalidade antiga se formou em uma grande superfície que se chamava catedral;
agora se forma em outra grande superfície que se chama Centro Comercial.
O Centro Comercial não é só a nova igreja, a nova catedral, é também a nova Universidade. O Centro Comercial ocupa um espaço importante na formação da mentalidade humana.
Acabou-se a praça, o jardim ou a rua como espaço público e de intercâmbio.
O Centro Comercial é o único espaço seguro e o que cria a nova mentalidade.
Uma nova mentalidade temerosa de ser excluída, temerosa da expulsão do paraíso do consumo e por extensão da catedral das compras.
E agora o que temos? A crise.
Será que vamos voltar a praça ou a Universidade? A filosofia?
José Saramago
Sobre Copa - Não costumo escrever sobre esportes, porque não é minha atividade predileta na vida, todos que me conhecem sabem. Mas estou, por falta mesmo do que fazer, assistindo a vários jogos e, mesmo não entendendo nada do que está rolando ali, tenho me divertido. Copa é legal por isso: até quem não entende e não gosta de futebol acaba entrando no clima e quiçá torcendo. Vou fazer uma confissão: torci mais para ver meu palpite nos bolões acertados do que para a vitória do time do Dunga. Rá, rá, rá! Deu certo, mas tenho a meu favor que torci pelas vitórias até agora havidas, ao passo que muita gente vem torcendo contra. Tudo bem, direito delas. Acho que a seleção terá uma boa campanha e até aposto que traz o caneco. Pelo menos é o que diz minha intuição, já que de táticas e quetais não entendo nadinha. A única coisa chata é a baderna que se faz antes, durante e depois dos jogos. Fico até com medo de sair às ruas. E a tal corneta, que insistem em chamar de vuvuzela, tem me tirado o sono dia após dia, como era previsível. Fazer o quê! Parece que o cidadão precisa de um estímulo desses para extravasar suas angústias que o cotidiano traz, uma alegria fugaz, como diria Chico a respeito do carnaval, outra festa de imensa falta de respeito ao próximo. Posso parecer chato, mas acho que sou mesmo. Pão que é bom...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Arraiá no Pontalete
Fim de semana com festa junina no Pontalete, distrito de Três Pontas, Minas Gerais. Fazia tempo não participava de uma festa tão autêntica. Aliás, fazia tempo que não participava de um festejo junino nenhum. Acho que desde os anos 80, quando dançava quadrilha na paróquia de Vila Palmares, em Santo André. Foi muito interessante, com direito a todos os itens alusivos à data, véspera de Santo Antônio. Teve casamento caipira - quadrilha -, fogueira, pratos típicos e regionais, como o delicioso cigarrete, quentão, vinho quente, bandeirolas enfeitando o arraiá. E figuras da região que tornaram o evento bem peculiar. Eu fui à caráter, obra de dona Ana e Isabela (ao meu lado na foto, junto de Leisinho, Márcia e Gustavo). Dancei um pouco, o que minha pouca familiaridade com os passos permitiram, mas não dei vexame, até porque parece que o gozado é dançar errado mesmo. Foi um fim de semana em um lugar bem gostoso, às margens da represa de Furnas, cercado de fazendas de café. Aliás, antes da quermesse, comemos um belo bife com salada na roça do Leisinho, simpático e atencioso como sempre. Apanhei laranja no pé e pisei na terra, coisa meio rara nas cidadonas em que vivo e trabalho. Como sempre a impressão de que viver no interior tem outro sabor, outro ritmo. Não sei se me adaptaria, criado no asfalto que fui. Mas tive na infância grandes vivências com esse clima. O Grande ABC, nos anos 60, era quase interior, tanto que quando fui morar na capital parecia outro mundo, com suas coca-colas, hambúrgueres, sorvetes Kibon e carros para todo lado. Apaixonei-me por automóveis na época. Vivia olhando os estacionados, decorando as marcas, a velocidade máxima que atingiam, os detalhes internos. Pai, na época, teve sempre fuscas, e, fora os poucos modelos antigões que viviam nas ruas de minha São Caetano, não conhecia muitos outros. Também fiquei fascinado por ônibus, coisa esquistia... Brincava de dirigir um em um sofá velho que tinha em casa, ou fazia trajetos com tijolos na areia na obra da casa de meu pai em Santo André. Mas, claro, não segui essa carreira. Era fantasia mesmo. Achava a profissão de motorista de ônibus algo meio mágico, uma responsabilidade grande dirigir um monstro daqueles, cheio de gente, pelas artérias da cidade e dos bairros. Mas além de morar em cidades que ainda guardavam algum aspecto de interior, ainda ia sempre a chácaras e sítios de parentes e adorava ver as árvores, os bichos, provar as comidas feitas na lenha, comer frutas no pé, nadar nas lagoas. Tive, por assim dizer, uma infância quase rural, com quintal com plantas, flores, árvores frutíferas, galinhas, até um porco e um cavalo chegaram a habitar o terreno, proeza de meu tio, já que naquele terreno que até hoje mantemos viviam quatro famílias. Bem diferente da realidade da garotada das cidades de hoje. Ir a um lugar desses me remete a esse tempo e à infância, e me permito uma certa nostalgia, mas nada que me motive a mudar de ares, porque, como disse, não sei se me adaptaria a uma vida no campo, apesar de hoje a zona rural estar tão desenvolvida e com acesso à tecnologia mais moderna como toda área urbana. Celular, internet, TV a cabo são comuns. Mas sei lá... na semana passada estivemos em Bragança Paulista no sítio de amigos de Isabela e confesso que o galo cantando desde a 1 da manhã não foi agradável, apesar de que o barulho dos caminhões-cegonha de meu bairro o tempo todo também não sejam bons sons para se ouvir dormindo. Mas olhar aquele verde todo e conviver com pessoas simples, que têm uma visão tão diferente do mundo é gratificante e um tônus para a alma, que volta bem mais leve para a selva do asfalto e seus bichos bem mais perigosos.sexta-feira, 4 de junho de 2010
É tempo de Copa
Na próxima semana, como o mundo sabe, começa a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. Não sou o sujeito mais qualificado para falar de futebol ou de qualquer outro esporte, mas sinto necessidade de tecer algumas linhas a respeito desse evento que mobilizará boa parte da população do planeta Terra durante 30 dias. A preocupação - e torcida - é se o Brasil fará bonito e trará o caneco, em sua sexta vitória neste campeonato. Aí o clima é de ufanismo exacerbado. O verde e o amarelo redundam nas janelas das casas, nas antenas dos carros e em todos, ou quase todos, comerciais da mídia. Não entro nesse clima. Assisto à Copa, torço, vibro, afinal, o espírito coletivo ajuda, e não vou dar uma de carrancudo e do-contra. Lembro-me que no tetra, em 1994, fiquei até sem voz de tanto que gritei. Isabela era uma menininha de 2 anos e vibrou tanto quanto a gente. Fomos à rua de carro para comemorar e a festa era geral. Mas perigosa, com muita gente encachaçada fazendo estripulias. A de 1970 eu me lembro bem. Dei nenhuma bola a ela, fiquei aprendendo a empinar - e perder - uma pipa. Mas depois papai nos levou ao centro de São Caetano, onde a galera lotou as ruas e até divertiu-se no espelho d'água da prefeitura, então ainda na avenida Goiás. Em 2002, não me lembro de quase nada, curiosamente. Só me recordo que assisti aos jogos no salão de festas da casa de minha filha, com uma turma bem animada. Então é assim: curto ver os jogos do Brasil, sofro, roo as unhas, mas não consigo me ufanar, porque isso não resolve os problemas do país, apenas enche os bolsos de uma parcela significativa de pessoas. Aliás, todo mundo resolve aproveitar o momento para faturar algum e é interessante como se vê "criatividade" por aí. Qualquer comercial, de qualquer coisa, bota o espírito da Copa no meio, mesmo que não tenha nada a ver com o negócio, caso de uma propaganda de uma marca coreana de veículos. O comercial dela relativo ao campeonato é tão desproposital que não se atina para seu objetivo. Será que comprar um carro da montadora significa estar em dia com a obrigação civil de torcer? Concordo que anunciar televisores é coerente, mas forçar a barra até queima o filme do produto. Mas o que realmente me deixa indignado é ver as emissoras de TV - aparentemente todas - venderem um clima de festa que realmente não acho que precisa. Assisti ao jogo amistoso entre a seleção do Dunga e a do Zimbábue, anteontem, mas vi a imagem na TV e o áudio de uma rádio. É incrível: o locutor não narrava um minuto de jogo sem outros dois ou três de anúncios. É de dar raiva. Na TV não é diferente: é comercial toda hora, seja declamado pelo narrador seja nas placas por todo o estádio e as inscrições nos uniformes de todos. De onde se conclui o óbvio: Copa é um grande negócio, e é por essas e outras que meu espírito não se enche de orgulho com esse evento tão popular e tão rico.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Fim de semana no interior
Fim de semana num sítio em Bragança Paulista, com Isabela e casal de amigos. Coisa diferente: mato, galinhas, galos e pintinhos, vacas, árvores, tanque com peixes. Espaireci, inebriado com a doce hospitalidade e simpatia de nossos anfitriões, seu Roberto e dona Terezinha, pais de Martinho, marido de Marcela, o casal de amigos. A cidade de Bragança é bem bonitinha. Fomos a um bar, Trairagem, onde comemos o tal peixe em iscas fritas, muito gostoso. No dia seguinte, sábado, fomos a uma cidade vizinha, Pedra Bela, onde existe, segundo os caras lá, a maior tirolesa do mundo. Um cabo de aço de 1,9 mil metros de extensão e que no ponto mais alto atinge 1,4 mil metros. Você paga na base onde termina o passeio e uma van leva ao pé de morro, onde, depois de 309 degraus, atinge-se o pico de uma pedra, onde se encontra uma simpática igrejinha. De lá se desce, em um passeio emocionante que leva menos de dois minutos. Dá um frio na barriga e um medo danado de cair, mas depois do pavor inicial é curtir a paisagem lá de cima e torcer para demorar, mas logo acaba. Depois da tirolesa, nada melhor que uma cervejinha gelada. Aí a fome aperta. De volta ao sítio, um rango muito bem feito e recebido. Domingo foi dia de beliscar tilápias pescadas na hora nos tanques, sorvendo umas cervejotas - e uma cachacinha divina -, além de queijo e uma berinjela esplêndida. E assim se foi o domingo. Foi um fim de semana diferente, muito gostoso, com contatos com pessoas novas e num ambiente muito aconchegante. Único problema foi um susto que levamos na estrada, mas nada grave, apenas um susto.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Removendo o pó
Estou encaixotando minhas coisas para a mudança, que não sei quando será, mas será em breve, espero. O interessante é pôr as mãos de novo em tantos livros já lidos e outros que nunca li - alguns comprei ou ganhei na época da faculdade e estão ali, virgens, inéditos, esperando minha boa vontade. Há livros que nem sei como chegaram às minhas mãos. É bom fazer isso, pois coloco nas minhas metas lê-los um dia. O mesmo com os discos. Tantos CDs que faz tempo que não reouço, e outros que nunca ouvi, ou ouvi apenas uma vez. Sem contar as milhares de músicas que estão no computador que um dia vou transcrever para CD. Lá está cheio de músicas que baixei e nunca ouvi sequer uma única vez. É estranho isso. A gente se esforça para conseguir uma obra dessas e ela acaba na gaveta, ou no HD, porque deixamos para usufruir em outra oportunidade e acaba esquecendo. Penso qualquer dia fazer como fez o Kubrusly na rádio Excelsior, nos anos 80. Ele pegou todos os discos da emissora, catalogou em fichas e, em um arquivo, fazia o seguinte: a cada música executada, ele colocava a respectiva ficha no final do arquivo. Assim, tinha a certeza de que a mesma música não seria tocada novamente em um período curto de tempo, prática comum nas demais emissoras até hoje. É uma ideia. Cada dia ouvir um CD, colocá-lo no final da gaveta e ouvir o próximo. Assim, em algum tempo ouço todos os discos que tenho. O problema é que quando gosto de um disco tendo a ouvi-lo dezenas de vezes até cansar. Há também DVDs que comprei, ou gravei, que até hoje não assisti. Outra oportunidade de, em casa nova, reparar essa falha. Aqui ainda posso adicionar os amigos que há tempos não vejo, os emails que não escrevi, os telefonemas que não dei. Depois reclamo da solidão... É. Essa mudança de casa tem tudo para ser mais do que uma simples mudança de casa.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Boas risadas garantidas
Assisti ao filme "Quincas Berro d'Água", dirigido por Sérgio Machado, baseado no livro de Jorge Amado "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água", obra que sempre quis ler mas nunca animei, o que agora creio ganhei um excelente estímulo. Não posso, portanto, analisar a fita à luz do texto que lhe serviu de inspiração, mas o filme é muito engraçado, com atuação esplêndida do grande Paulo José no papel-título. Estão todos bem, as interpretações são, em algumas partes, exageradas, como a de Flávio Bauraqui, como Pastinha, chorão e meio bobão - inteiramente bobão, aliás. Ele chora demais, de maneira escrachada, mas acho que até que ficou bem adequado ao nonsense da situação toda. Irandhir Santos, como Cabo Martim, está muito bem, e é um ator que está se revelando e logo será mais conhecido por aí, segundo dizem os especialistas, dos quais, claro, não faço parte. Mariana Ximenes, como sempre, perfeita, encarnando uma falsa pudica, a Vanda, filha de Quincas, ou, por outra, uma pudica que em certo momento abraça a causa do pai (rs). Marieta Severo, como Manuela, falsa argentina, é séria, dramática, e sua interpretação não nega a excelente atriz que é. Há ainda os outros dois amigos do morto, Pé de Vento (Luis Miranda) e Curió (Frank Menezes) perfeitos. Ponto nebuloso para Vladimir Brichta, como o marido de Vanda, Leonardo, meio canastrão demais, mas nada que comprometa. A história é, em resumo, assim. Quincas é um beberrão convicto, amigo da mais pura esbórnia, que no dia de seu aniversário morre. Os amigos não se conformam com o ocorrido e resolvem roubar o defunto para comemorar a passagem de anos como tinham planejado. E aí as situações, os quiprocós, são inusitados. Belas imagens da baixa Salvador à noite, com os bordéis, botequins, gafieiras, terreiros, delegacias, em um clima noir e lúgubre, de grande beleza. O conflito se dá com a polícia, acionada pela filha, em busca do morto, a perseguição, a fuga, corre-corre. E nesse meio vão desfilando os tipos mais estranhos do Pelourinho, cais, baía de Todos os Santos e outras localidades que não sei identificar. Não se ri o tempo todo, mas a narrativa vai construindo as situações de maneira que a gente não se dá conta do que pode acontecer, e o final, antecipado no começo, também é inesperado. O engraçado é que o narrador é o próprio morto, que vai destilando veneno a respeito do comportamento das pessoas em volta. É meio drama também, mas no sentido de que se procura poesia na amizade grande daqueles personagens em torno do Quincas, este uma pessoa adorada pelos amigos de copo e pelas amigas de corpo. Realmente, dá vontade de ler o livro de um fôlego só. É o que farei. Quanto ao filme, nem preciso recomendar, né?
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Vida nova
Está frio. Ontem entreguei documentação para a construtora. Songa monga me pediu um monte de papelada e quando fui entregar soube que não era necessário tudo aquilo, porque não vou financiar. Saco, até comprei multifuncional para dar conta de tantas coisas solicitadas. Agora mais um trambolho para transportar. Se tudo der certo (e há de dar) em no máximo dois meses tenho meu apartamento novo nas mãos. Aí é fazer o acabamento, limpar e mudar. É a sete minutos - a pé! - de meu trabalho. Nunca mais viajar 33 km todos os dias, pra ir e pra voltar; trânsito, sono, rodízio tudo isso pra trás. Que sonho! Fica bem longe da família, mas nada que uma boa viajada de carro ou condução não resolva. Filha também está longe, mas ao alcance de um voo curto. As distâncias às vezes assustam, mas vencê-las é um desafio que a vida nos coloca. A namorada Isabela também mora longe, e acabo de constatar que vivo cercado de longas distâncias das pessoas que importam. Ideal seria todos ficarem perto, mas numa cidade de dimensões continentais como essa que moramos é difícil, porque os empregos, pelo menos na minha área, não abundam. Portanto optei por morar perto do trabalho, após nove anos de sacrifícios, aos quais meu corpo e paciência não toleram mais. Será estranho voltar a morar na capital, onde vivi por um breve período nos anos 70; o restante foi todo no ABC, exatamente nas três cidades que formam a sigla: Santo André, São Bernardo e São Caetano. Não sei se me acostumarei, acho que essa opção de ficar perto do ganha-pão, apesar de melhorar a qualidade de vida, dá a sensação de que a prioridade é o trabalho. Mas não é só isso. Estarei também a poucos quilômetros dos bons cinemas, teatros, casas de espetáculos, bares, restaurantes, museus. Onde eu moro hoje não tem nada disso. É tudo longe e chega fim de semana dá uma preguiça só de imaginar pegar trânsito para ir a um mero cinema de qualidade. Ou se contentar com os blockbusters do Extra Anchieta ou do Shopping ABC. Não quero maldizer São Bernardo, mas não me empolgo em sair por lá. Agora estarei em condições de poder usufruir da intensa vida cultural da cidade de São Paulo. E espero que usufrua mesmo, sem preguiça.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
A caminho dos cinquenta anos
Envelhecer é estranho. Não me sinto um homem velho, na acepção clássica do termo. Estou bem de saúde, com o espírito tranquilo, cheio de planos, perspectivas, achando que realmente a vida começou (recomeçou) aos 40.
Estou com a filha bem encaminhada, em um relacionamento bom, com uma pessoa especial, devo mudar de residência em breve, o que pode mudar radicalmente minha qualidade de vida. Acho que as coisas para mim este ano estão caminhando bem.
Tive uma bela festa sábado, com família, namorada, amigos, um astral muito bom (na foto, sobrinhas Simone e Shirley, meu bem querer Isabela e amigos). Recebi cumprimentos e fiquei feliz. Foi uma semana de aniversário excelente. Agradeço a todos que demonstraram carinho comigo, o que me fez sentir especialmente amado por pessoas especiais.
E tenho certeza de que esse caminho aos 50 será igualmente perfeito, pois farei o que for possível para que a estrada seja retilínea, mas, se com obstáculos, que os possa transpor sem traumas.
Adoro essa sensação, é a superação de uma fase ruim, e o início de uma plena de alegrias. Estou otimista, e quero compartilhar essa sensação com todos que puder. Quero ser um cinquentão como fui nos outros anos todos, principalmente os dos melhores períodos de minha vida, quando pude realizar plenamente todas minhas potencialidades e cresci o suficiente para estar bem agora.
Os problemas existem, claro, como para todos. Mas posso contabilizar só ganhos este ano que se encerrou sexta-feira. Conheci pessoas maravilhosas, viajei para lugares incríveis, trabalhei todos os dias, à exceção de um ou outro que uma doença sem maiores consequências me impediu, vivi bons momentos... acho que tenho alguns privilégios nesse particular, então não tenho do que reclamar, mesmo.
Estou feliz, repito, e pronto para os demais anos que vêm por aí, com certeza de que serão também bacanas, pois, do que depender de mim, o serão. Quanto aos projetos, estou elaborando ainda, mas sinto que cresce dentro de mim um entusiamo que vai me levar para caminhos que me serão importantes, creio sinceramente que a vida vai continuar a me sorrir. E as pessoas especiais que me rodeiam têm grande responsabilidade nisso.
Dois filmes
Assisti a dois filmes este fim de semana: Alice no País das Maravilhas e As Melhores Coisas do Mundo. O primeiro achei meio enfadonho, se bem que a tecnologia 3D é de tirar o fôlego, e a sala Imax no Espaço Unibanco do Shopping Bourbon é excelente, apesar de caríssima a sessão lá (R$ 34 a inteira, meia para quem é cliente Unibanco ou Itaú). Confesso que prefiro o desenho da Disney.
O segundo é um filminho adolescente, meio não apropriado para o universo meu atual. Mas foi interessante por poder comparar minha adolescência com a atual, de enormes diferenças. O filme é cheio de histórias paralelas, o que cansa um pouco, mas o desfecho é para cima, alto astral, e a gente sai com a alma lavada, o que acho ser mesmo a intenção do filme.
Mas, entre os dois, acho que preferi mesmo o prazer de degustar um enorme hambúrguer do Burger King, com 1 litro de coca (rs). Estava precisando de cometer esse sacrilégio com meu corpo. Sem culpa, contudo.
Assisti a dois filmes este fim de semana: Alice no País das Maravilhas e As Melhores Coisas do Mundo. O primeiro achei meio enfadonho, se bem que a tecnologia 3D é de tirar o fôlego, e a sala Imax no Espaço Unibanco do Shopping Bourbon é excelente, apesar de caríssima a sessão lá (R$ 34 a inteira, meia para quem é cliente Unibanco ou Itaú). Confesso que prefiro o desenho da Disney.
O segundo é um filminho adolescente, meio não apropriado para o universo meu atual. Mas foi interessante por poder comparar minha adolescência com a atual, de enormes diferenças. O filme é cheio de histórias paralelas, o que cansa um pouco, mas o desfecho é para cima, alto astral, e a gente sai com a alma lavada, o que acho ser mesmo a intenção do filme.
Mas, entre os dois, acho que preferi mesmo o prazer de degustar um enorme hambúrguer do Burger King, com 1 litro de coca (rs). Estava precisando de cometer esse sacrilégio com meu corpo. Sem culpa, contudo.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Emancipação
Este fim de semana fui conhecer o apartamento onde moram minha filha e a prima dela, que estudam longe de casa e ingressaram na vida autônoma. Que lindo, quanta emoção. Ela recebendo os pais em seu novo lar, todo arrumadinho, bonitinho, fazendo café. Guiou-nos pela desconhecida - para nós - cidade, andando de ônibus e táxi por todo canto, atrás de coisas necessárias para a casa. Foi muito legal ver minha filha naquele ambiente em que ela estará vivendo pelos próximos quatro anos - creio que no mínimo. Mostrou os textos que está estudando, contou das aulas, dos trabalhos, das expectativas. Ela está feliz, e isso me deixa feliz, apesar da saudade que a distância provoca. Já é uma mocinha, e responsável, independente, ciente de seus deveres e de seus direitos também. Mas a presença dos pais fez com que retornasse um pouco aos ares de menina que estávamos acostumados. E isso foi muito bom. Dia das mães, ela toda zelosa em agradar, triste com as flores que não chegaram a tempo. Vê-la em seu ambiente deixou-me com uma sensação de orgulho, a ver como está se virando e dando conta de tocar a própria vida. Pena que o tempo estava feio, em um lugar em que o sol teima em queimar, e impediu que ela nos recebesse com o churrasco com o qual desejava nos homenagear e aos seus parentes e amigos. Mas o domingo das mães foi passado na casa de um tio dela, onde várias mães - tias, primas - se encontraram para um almoço festivo, regado a muito carneiro e outras delícias. Aos 18, eu ainda vivia com meus pais, se bem que mais na rua do que em casa, o que deixava os velhos apreensivos. Mas essa independência passava longe de mim. Comecei a trabalhar, de forma constante, só aos 19 e aos 22 entrei na faculdade. Fui sair de casa paterna somente aos 31, quando me casei. Mas aí era vida a dois, com as responsabilidades divididas. E logo fomos pais, começando essa história que tem agora esse desenrolar. Acho que, depois do que vimos, só podemos acreditar que nossa filhinha vai longe. Espero que não tão longe de nós.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Futebol é um saco
Segunda-feira é um saco. As conversas normalmente versam sobre o mesmo assunto: os jogos de futebol do fim de semana. E eu sempre boiando, porque não assisto, eu quando assisto não entendo, e se tento entender acabo gostando menos ainda desse esporte bretão que mobiliza tanta gente no mundo todo. E este ano, de Copa, será prato farto. Mas do Mundial eu até gosto, porque a gente torce para o país, a seleção síntese de todas nossas agrugas, modelo de nosso bem ou mal-estar. Gosto das crônicas de Nelson Rodrigues sobre futebol. Ele conseguia fazer o assunto parecer palatável até para quem não está acostumado à linguagem do meio, geralmente tão indecifrável quanto a da economia para quem não é do ramo. E uma coisa que ele abominava era o tal complexo de vira-lata do brasileiro, de se sentir inferiorizado diante de seleções mais bem preparadas e de países em que as condições de vida são muito melhores que as nossas. Bem, isso ficou para trás. Hoje, nossos atletas são tão bem preparados e em alguns casos pagos como de qualquer nação de Primeiro Mundo, onde, aliás, muitos deles jogam. Mas o que me deixa chateado é que isso virou uma grande fonte de recursos, dinheiro que imagino rode, vide o investimento que se faz nesses campeonatos, sejam regionais, nacionais ou internacionais. Realmente, eu prefiro ficar de fora.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Jovens tardes de domingo
Estou lendo "Minha fama de mau", autobiografia de Erasmo Carlos, e descobrindo que o sujeito é engraçado, tem bom humor e um grande talento para rir de si próprio. O livro é uma delícia, se bem que às vezes ele incensa demais o seu amigo Roberto Carlos. Mas está recheado de boas histórias da Jovem Guarda e primórdios. Bem, estou na metade do livro e ainda nem chegou propriamente nas jovens tardes de domingo - está começando agora, na minha leitura. Eu gostava muito da Jovem Guarda, costumava assistir aos caras na TV (não exatamente o programa do Roberto, pois eu era muito pequeno, mas os que vieram depois), lia as Revistas do Rádio, Melodias, Fatos e Fotos e outras que apareciam - isso bem lá na frente já, alfabetizado, e ouvia no rádio e na TV as músicas. Como já postei aqui, quando fui ao show do Roberto pela primeira vez em minha vida, costumava ver os galãs e as galãs nos shows de aniversário de minha cidade, São Caetano do Sul. Não chegava a ser um fanático, desses que se vestem igual ao ídolo e tem tudo deles, mas o ritmo me agradava muito (talvez venha daí minha preferência, anos depois, pelo bom rock and roll, a partir de Beatles). O livro está sendo importante para resgatar essa etapa ingênua (nem tanto, apreende-se da leitura) de nossa história musical. A escrita (texto final de Leonardo Lichote) é ligeira, gostosa de ler, com orações bem concatenadas e histórias saborosas. Mas até aqui (pg. 152 de 343) dá a impressão de que o Erasmo está um tanto superficial, talvez ocultando passagens não muito nobres de sua trajetória, optando por lances engraçados ou comoventes, e valorizando demais as parcerias com o Rei. Eu esperava ler episódios obscuros que certamente a carreira de um artista tem, os trambiques, maracutaias, as puxadas de tapete... Têm algumas coisas assim, mas muito por cima. Erasmo parece que se preocupa mais em relatar suas aventuras sexuais (ou desventuras) do que em detalhar sua trajetória. Numa página ele é o moleque aprontando nas ruas de Tijuca, zona norte do Rio; noutra. já toca violão e canta no The Snacks; vem outra e já compôs a versão para Splish, Splash. Pode ser que mais à frente ele amarre essas pontas soltas, mas até o momento dá uma certa agonia, uma sensação de amadorismo, que imagino ele cometeria se tivesse escrito a obra sozinho. Vamos dar um desconto. Ao final do livro dou uma impressão final (sem trocadilho).
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O segundo debut da filha
Minha filha fez sua estreia no movimento estudantil. Os alunos de sua universidade - parte deles, claro - estão reclamando professores, equipamentos, ampliação do restaurante e da creche, entre outros itens, e há mais de uma semana estão em greve, tendo ocupado a Reitoria. A foto mostra ela empunhando um cartaz em passeata no campus, quando se dirigiam à sala da reitora. É engraçado vê-la nesse agito, a gente inevitavelmente se lembra da mesma época, dos valores que tinha, e remete ao agora, o que ficou para trás e o que criou raízes. Acho ótimo ela ter suas visões, convicções, creio que vai consolidando sua opinião, seu modo de pensar, e assim ela ingressa no mundo adulto, onde passa a ser uma cidadã. Acho que está na hora de emprestar-lhe uns livros (rs).
Tirando isso, vale um post pra dizer que não tem novidade, que não fiz nada, que a vida seguiu modorrenta como um caravançarai no deserto? A única novidade é que voltei à cidade de Praia Grande pela primeira vez desde que meu pai, que morava lá, morreu, há quase 10 anos. Está tudo bastante diferente, e a casinha dele continua lá, agora habitada pelos enteados, acho. Fiquei triste de passar por lá, claro, mas foi bom também recordar momentos felizes passados naquele lugar, os churrascos, a casa cheia de gente, as caminhadas pelo calçadão. Frequentamos a Praia Grande desde muito pequenos e a transformação foi realmente radical, apesar de ainda não ter confiança de entrar no mar de lá. Mas ficou bonito, sim. Tomei umas cervejas mordiscando iscas de peixe com minha nova amiga e o sábado foi passado dessa forma. Já o domingo foi sem muita atividade. Fui embora à tarde para poder trabalhar à noite. No feriado do dia 21 também não fiz nada que merecesse registro.
Não me decidi ainda a abandonar a terapia; fui segunda e quinta e mais uma vez a ladainha do sono. Gostava mais quando fazia umas terapias alternativas, que incluíam florais, acupuntura, cromoterapia, aromaterapia, massagem... Saía de lá muito leve e achando o mundo uma maravilha. Mas tinha que fazer minha parte, qual seja, não me estressar à toa, mesmo que tomasse uma bela fechada de um carro. Estar naquelas sessões correspondia a sair um pouco do mundo e levitar em uma esfera superior, onde tudo era leve e as preocupações ficavam lá embaixo. Podia ser um mero paliativo, mas o bem-estar proporcionado era muito legal.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Sono óbvio; insônia ululante
Parece piada. O homem que pago para me ouvir passou uma sessão quase inteira falando dos benefícios de uma boa noite de sono (para mim dia), de ter alguma rotina, horários certos e tal. Bem, nunca fui um cara regrado, sempre dormi, acordei e comi nos mais variados horários e chegar atrasado nos compromissos para mim é que é uma rotina. Poderia contar casos hilários aqui de meus atrasos, mas quero focar nesse negócio de sono. É claro que sei dos benefícios do sono, cara pálida! Dar uma grana pro sujeito me dizer isso me faz sentir-me lesado, roubado mesmo, é a palavra. Tudo bem, vamos ser condescendentes. Concordei e resolvi seguir um ritual para dormir bem. Desligar todos os telefones, TV, rádio, luzes, fechar bem as janelas, deixar o quarto bem aconchegante e dormir o mais cedo que puder. Foi o que fiz nesta quinta-feira, após a consulta-mesmice. Às 11h em ponto deitei-me, e dormi em seguida, sem dificuldade. Mas, apesar de todo esse cuidado, acordei meio-dia e meia, assim do nada, sem nenhum barulho a me despertar ou pesadelo a me afligir. Acordei, chateado, levantei-me, tomei água, fui ao banheiro, chequei o celular (tinha uma mensagem, respondi) e voltei à cama. Fiquei entre dormindo e acordando até 15h30. Aí vi que não tinha jeito e fui almoçar. Comi bem e resolvi assistir a um filme, O Sequestro do Metrô, baseado em um livro que li nos anos 70, quando era assinante do Círculo do Livro. Com Denzel Washington como o mocinho do controle do metrô, e John Travolta como o bandido assaltante. Bom filme, boas cenas de ação, apesar de clichês, diálogos interessantes, humor, ironia, alguma crítica política ingênua (ah, quando fala de corrupção, prefeito sacana e tal). Roteiro, no entanto, repleto de falhas, mas não chega a comprometer a obra como boa diversão. O resultado é que passei o tempo e, ao final dele, consegui dormir até 22h. Aí fiquei com preguiça de levantar, o que só acabei fazendo por volta de 23h, já no meio da Grande Família. Então a piada de que falava é essa: esta semana toda dormi bem, com TV e computador ligado, celular e telefone tocando, e, na hora que resolvo me isolar, o sono não vem. E olha que disse para o ouvidor que estava dormindo bem, mas parece que o cara não tem um plano B, sempre tem que seguir o que programou para mim independente do que eu lhe diga. Estou seriamente inclinado a deixar esse sujeito ouvindo o silêncio de minha ausência e investir essa grana em bons filmes e livros, coisas que talvez me permitam compreender um pouco melhor as coisas da vida que me afligem.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Um domingo de ócio total
Nossa, que domingo tive! Fiquei ele todo praticamente na cama, só levantei poucas vezes para as refeições, banheiro, essas coisas. No mais, TV, sono, filminho, internetadas. Pior é que acordei muito cedo, por volta de 8h, e assisti ao programa rural da Globo. Depois, Inezita e Boldrin na Cultura. Gosto desses programas que tocam músicas regionais, nada a ver com esses sertanejos de hoje - nada contra, até ouço, e algumas são até bem feitas, mas a música caipira é, no meu ponto de vista, muito boa. Teve show da Central Scrutinizer no Centro Cultural São Paulo, mas não fui; era às 18h, e acordei às 16h morrendo de preguiça de sair. Também não fui na festa de lançamento da Devassa, sexta, em Jundiaí. Sábado churrasqueei com a família, depois de andar pelo shopping resolvendo problemas de celulares e impressoras, rs... Sexta Isabela voltou pra casa dela. Foi um sufoco no aeroporto de Congonhas. Chegamos uma hora antes da saída do avião, como recomenda a companhia. Mas a fila estava imensa e bateu o desespero de perder o voo. Felizmente deu tempo, na correria. Mas aprendi a lição: estar no check in pelo menos com hora e meia de antecedência, porque o que se anda de avião hoje não é brincadeira. Aliás, estacionar lá está cada vez pior, um estacionamento tão grande e sempre cheio. Pois é, parece que a crise está mesmo passando longe daqui. Bem, voltando ao domingo. Assisti a um filminho em DVD meio bobinho, mas, sei lá, devia estar carente, e me emocionei muito. Chama-se Sete Vidas, com Will Smith como principal personagem. Ele sofreu um acidente tempos atrás que causou a morte de sete pessoas, porque foi ver recado no celular enquanto dirigia e não viu seu carro ir em direção a uma van cheia de gente. Sua mulher também morre no desastre. Aí sabemos que ele é agente fiscal da Receita e escolhe sete pessoas que estão com dificuldades para ajudá-las de alguma maneira. É um modo de ele compensar as sete vidas que fez ceifar. Ele acaba se apaixonando por uma de suas beneficiadas e o que ele faz por ela é realmente comovente, apesar de a crítica ter achado um tanto piegas. Sei lá, esses críticos é que são meio piegas às vezes. Claro, é um filme feito mesmo para comover, é do mesmo diretor de À Procura da Felicidade, com o mesmo Smith (Gabriele Muccino), mas gosto de filmes assim, me comovo e dane-se se pareço babaca. Estava, porém, especialmente sensível este domingo e o desprendimento do cara, apesar de fruto de um remorso imenso, me deixou pensativo. Faria eu algo assim por pessoas que nem sequer conheço, apenas porque elas merecem? Outra coisa, precisa de uma motivação forte assim (expiar uma culpa) para se fazer o bem às pessoas? Tem uma cena em que ele doa medula óssea a um garotinho com câncer que é muito forte. A extração é feita sem anestesia e a dor é muito bem representada por Smith, bem como a hora que ele comete o suicídio (não estou estragando o prazer de ninguém porque o filme começa com ele anunciando que vai se matar), de uma forma assustadora. Eu acho que só as boas interpretações valem o filme, apesar de ser um tanto arrastado, lento, de não promover o crescendo necessário para esperarmos ansiosamente pelo clímax. Acabei de vê-lo com um certo espírito de solidariedade e me achando pouco empenhado em ajudar quem precise. E a gente vê na TV esse desastre que houve no Rio e fica comovido, revoltado, mas faz o quê? Depois de notícias de que muitas doações não chegaram ao Haiti dá mais raiva ainda, vontade de mandar tudo para aquele lugar. Sabe, tem dias que sinto muita raiva da humanidade, apesar de que generalizar não é boa ideia. Mas egoísmo e individualismo são pragas que vicejam por aí, e sacanagem com os outros, mais ainda. Assusta-me muito isso aí. A gente precisa de uma boa crosta grossa nas costas para poder sobreviver nessa selva, e também de tolerância, senão sai brigando toda hora. Depois do filme, papeei um pouco no MSN e dormi gostoso até cerca de 17h, já no final do jogo Santos 3 x São Paulo 2. Meu cunhado e sobrinho tricolores devem estar putos... Vi Faustão, cheio de celebridades desfilando demagogia com a desgraça alheia e depois Fantástico, que trouxe cenas de um resgate no morro do Bumba, em Niterói (RJ). É impressionante como a Globo consegue essas coisas: em plenas operações arriscadíssimas no local da tragédia, mete uma equipe toda lá. Não sei se outras emissoras também puderam acompanhar o resgate do homem. Lembrou-me demais do filme A Montanha dos Sete Abutres, com Kirk Douglas, guardadas as devidas diferenças, quer dizer, não estou dizendo que, tal qual o personagem de Kirk, um jornalista inescrupuloso, a Globo esteja explorando a desgraça alheia; só me encano um pouco por certa exclusividade que ela muitas coisas consegue, à custa sabe-se de que expediente. Mas, se for esforço de reportagem, como parece que é, parabéns a ela, como sempre. Terminado o show da vida, fui trabalhar, esperando que esta seja uma semana boa e de realizações. O bom é que o próximo final de semana já está garantido. Depois eu conto.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Maioridade
Não me lembro muito bem de quando completei 18 anos. Recordo-me vagamente de que me alistei, tirei documentos (título de eleitor, identidade, CPF) e estava procurando emprego, inutilmente. Era 1979. Época da discoteca, e eu era frequentador de algumas pistas, onde tentava dançar à la Travolta (ridículo, eu). Não tirei carteira de motorista de imediato, sonho de todo moleque que atingia a maioridade. Não tinha grana para isso, nem carro. Eu era um cara muito diferente do que viria a me tornar depois. Meio vagabundo, apesar de ralar os parcos músculos carregando carrocerias de caminhões na transportadora São Thomé para descolar uns trocados que garantiam a balada, o cigarro e a calça Levi's comprada na loja de fábrica, na longínqua Vila Leopoldina, zona oeste da capital, onde o preço era inferior porque havia um defeito ou outro que tirava a peça das lojas. Meu pai vivia me cobrando uma ocupação, mas idade de serviço militar era ruim para conseguir emprego, só esses bicos na transportadora. Também não ia bem na escola; fiquei em recuperação em Matemática Aplicada, no terceiro colegial, dois anos seguidos, o que, somado à reprovação da 6ª série, iria me atrasar e fazer entrar na faculdade somente aos 21 anos. Minha filha entrou com 17! Tinha uma turma de amigos ótima, mas pouco chegada a estudos. A maioria pensava em cursar Senai e ser operária. Eu mesmo cheguei a fazer o curso de aprendizagem industrial, de desenho mecânico, mas abandonei quase no final, porque não tinha como comprar o caro material. Eu queria fazer faculdade - e, claro, fiz. No 1º colegial, quando completei 18 anos, me encantei com as aulas de Química e pensei em seguir essa profissão. No ano seguinte a matéria complicou e já fiquei motivado a ser desenhista de plantas, por causa das aulas de Edificações. O problema é que essa matéria deixou de existir no ano seguinte porque o governo mudou o plano educacional e tirou a ênfase na profissionalização para manter o foco anterior na formação intelectual. E o material caríssimo todo que meu pai teve de comprar a muito custo? O mesmo material que me fez desistir do Senai, ironia do destino (pelo jeito, não era para eu ser desenhista mesmo, apesar de adorar rabiscar umas coisas...) No último ano já não sabia mais o que gostaria de ser, mas me apaixonei pela professora de PIP (Programas de Informação Profissional), uma loira que ia à escola de moto com roupas justas de couro preto que me deixava louco, eu com todos meus hormônios dos 20 anos... Em conversas vocacionais com ela, chegamos à conclusão que meu condão era para a escrita, pois ia bem em Português e Redação e adorava ler e escrever. E também já estava metido com a observação da realidade por um prisma um pouco mais político, devido às novas atividades de que comecei a participar em 1980 e que foram uma reviravolta em minha vida e no meu modo de pensar. Pois então as opções principais seriam Letras ou Jornalismo. Havia ainda Arte Dramática, pois na época fazia teatro amador. E acabei fazendo isso mesmo, me inscrevi na Metodista de São Bernardo para Comunicação e na Fatea, de Santo André, para Educação Artística, que nem cheguei a terminar as provas porque o resultado da Metô saiu antes. Nem tentei USP porque estava afastado dos estudos havia dois anos por conta das reprovações em Matemática Aplicada (detesto matrizes até hoje). Bem, para quê estou dizendo (escrevendo) tudo isso? Porque ontem, 8 de abril, minha filha completou 18 anos, uma data importante e marcante para qualquer pessoa. Ela chega na maioridade em um contexto completamente diferente do meu. Morando em outro Estado, dividindo apartamento com uma prima, cursando uma universidade federal, em breve terá seu carrinho, mas estudando o mesmo que eu, o que eu jamais poderia imaginar que fosse acontecer, mas do que me orgulho muito, porque, apesar de tudo adoro minha profissão e acho que ela leva muito jeito para isso sim. A sensação, claro, é de que ela continua uma garotinha e morro de medo de vê-la solta nesse mundo, como já descrevi aqui. Mas a realidade é que ela está maior de idade e cada vez mais construindo sua própria vida, pavimentando seu próprio caminho nesse mundo. E precisa disso. E eu tenho mais é que ficar quieto e dar todo apoio de que ela precisar, pois assim ela vai longe, tenho certeza disso.
Ah, uma coisa engraçada: apesar de eu ter título de eleitor desde os 18 anos, só aos 21 fui usá-lo. Isabela participou de sua primeira eleição aos 16.
terça-feira, 6 de abril de 2010
A noite
Sábado, bar Metrópolis, avenida Paulista, cerca de 23h. Hesito à porta, medo de entrar. Dou uma volta pela Doutor Arnaldo, contorno, pego a Consolação, viro na Fernando, subo a Haddock, retorno à Consolação e, decidido, resolvo entrar. Vou ao estacionamento, dezoito paus! Mas a chave pode ficar comigo. Na porta do bar, alguns frequentadores, mais jovens que eu, diversidade de roupas. Acho que estou adequado com minha camisa de mangas curtas de padrão xadrez, verde, e o jeans, harmonizando com meu sapato preto confortável presente de aniversário de minha filha. Entro, vinte e cinco paus de cara, sem direito a consumação. Quarenta e três paus gastos até agora sem um pingo de diversão, fora o combustível. Lugar quase lotado, mas o som bem bacana, a cargo da banda Almanak, tocando rocão básico dos 70, 80. Assim que entro, percebo olhares em minha direção, curiosos apenas. Creio que não abafei. Vou para o fundo procurar minha amiga. Não a encontro. Fico perto do bar. Curto o som, vejo a fauna local. Pessoal na casa dos 30, nada de meninada. Olho o cardápio. Preços, como era de esperar, exorbitantes. Seis reais uma simples Cerpa. Dezesseis um Red Label. Decido por um Jack Daniels, já que estou na chuva. Pancada de mais de dezessete pilas! Mas tomo com gosto, já ao lado de minha amiga e a amiga dela, com quem já dividimos outras pistas. A ideia era aproveitar o ambiente e curtir a night. Mas não me dou bem nesses lugares, e em pouco tempo já estava querendo ir embora. Ainda mais que a amiga, com quem já fomos um pouco mais do que amigos, parecia que queria que eu deixasse o caminho livre e fosse tentar a sorte em outra freguesia. Tomei uma Cerpa e a conversa com ela foi fluindo e em pouco tempo mudou de direção. Duas da manhã, já sem esperança de que o desfecho fosse outro, aconteceu o previsível. Fomos embora (a conta fechou em 59,95), tomar um lanche no Osnir, lá na Jabaquara. Comi um hipercalório xis bacon egg salada com fritas acompanhadas de maionese. Ela comeu um xis com muito tártaro e a amiga, um sanduba de frango. Despedidas e para casa. Acabei a noite na solidão das salas de bate-papo, em busca de algum diálogo noturno para afastar a sensação de que a noite fora desperdiçada. No fundo, mesmo, a noite foi boa, como me disse depois aquele que eu pago para me ouvir: pelo menos saiu de casa, já é um bom começo.
Domingo chuvoso. Após churrasquear com minha família, e de ter ligado para minha filha e sabido que ela havia chegado bem de sua programação, vou para o centro deixar encomenda para prima de minha filha, em um hotel perto da estação Júlio Prestes. Erro o caminho, como sempre, e me embrenho na Cracolândia. Aquilo é impressionante. Quem ainda não viu, não pode imaginar o que seja. Aquelas pessoas maltrapilhas amontoadas nas calçadas, no meio de toneladas de lixo, queimando as pedras de crack e entrando na mais profunda e perigosa nóia que um sujeito pode entrar. Seres perdidos, abandonados, esquecidos, nenhuma política pública parece que chega perto deles. Ultimamente tenho ouvido na imprensa vozes se erguendo contra essa verdadeira epidemia que é o vício do crack, mas não sei o que tem sido feito pelos órgãos públicos, se é que algo há a ser feito. Sei que dá pena de ver aqueles jovens, meninos, meninas, moços de todas as idades, naquela situação deplorável, minando seus corpos a cada tragada dessa droga maldita, vivendo como urubus - foi essa a imagem que me veio à mente ao vê-los ali no meio daquela imundície - sob a fina chuva daquela noite. Depois dessa visão, só posso achar que minha noite de sábado foi realmente maravilhosa.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Um reencontro emocionante
Sábado, 20/03, fui a um encontro com ex-jornalistas do antigo Diário Popular, hoje Diário de São Paulo, meu segundo emprego como jornalista (o primeiro foi na revisão do Estadão, por três meses, em 1988). Foi uma reunião emocionante. Revi pessoas que há 14 anos não tinha mais contato, já que saí desse jornal em 1996, depois de sete anos atuando como revisor e copidesque. Aliás, a reflexão que faço desse encontro é no sentido de como a tecnologia mudou a forma como se faz jornal. Revisão, que foi por onde comecei, nem existe mais. Como comentei com alguns colegas lá, creio que fomos a última geração de jornalistas que usou lauda e máquina de escrever para elaborar os textos (matérias, se preferirem). Lá no Dipo (apelido pelo qual o Diário era conhecido), fazíamos as matérias em três laudas, com papel carbono (isso ainda existe?). Porque uma cópia ia para o diretor de redação, outra para o secretário e outra para o chefe de reportagem (imagino que eram esses os destinatários, esqueci mesmo). Se o texto voltava com correções a fazer, a emenda era feita a caneta mesmo, em cima do que estava escrito, nada de reescrever... o ritmo alucinante não permitia esse capricho. Quando se tinha de juntar duas ou mais matérias, apelava-se para a cola. E se torcia para que o pessoal da linotipia (que montava as páginas com os tipos de chumbo) entendesse os garranchos da gente. Imagino que minha filha, ao ler isso, nem faça ideia do que eu estou falando. Bem, máquina de escrever ela conhece porque a minha velha Lettera eu dei para ela, que escreve às vezes nela. Um dos colegas lá na festa, o Luizinho, disse que certa vez uma repórter recém-formada (foca, como se diz) foi orientada a escrever uma lauda de determinada matéria. A pobre ficou boiando, até que o amigo a socorreu, informando que isso significava que ela deveria escrever 20 linhas. As redações daquela época eram muito diferentes das que conheci depois. Uma diferença é que hoje ninguém mais fuma na mesa enquanto escreve. Uma cena como aquelas que se vê em fotos de Nelson Rodrigues seria impensável nos dias atuais: o jornalista e dramaturgo em frente à máquina de escrever, cigarro na boca, cinzeiro lotado ao lado. O Dipo foi a última redação de jornal em que fumei enquanto trabalhava; nas seguintes, já havia um fumódromo bem longe do ambiente de trabalho, e hoje ainda está pior, os fumantes precisam ir pitar na área externa. Bem, isso não me serve para nada, já que parei de fumar há um bom tempo. Aliás, cada dia vê-se menos jornalistas fumantes, o que é muito bom. Reza a lenda que uma das garrafas térmicas da redação, em tempos passados, trazia algo bem diferente de café, uma vez que a chefia proibiu o pessoal de descer toda hora para o boteco (Estadão, Dipo ou Mutamba). Mas as coisas evoluem mesmo, e sou muito orgulhoso e feliz de ter compartilhado experiências no velho Dipo, onde fiz amigos e mantive excelentes relacionamentos, pessoas que, se não as vejo com frequência, pelo menos estão na memória e sei que representaram muito na época que dividimos o mesmo teto profissional, com quem aprendi muito. Esse encontro de sábado talvez tenha sido o primeiro de outros, que se estabeleça uma rotina, porque mais do que uma rede de relacionamentos, expressão tão em voga e do gosto dos experts em recursos humanos, temos de cultivar as boas amizades que vamos criando ao longo de nossa trajetória. E, pelo que senti nesse reencontro, a chama do companheirismo ainda está viva. Basta mantê-la acesa. Em breve, haverá o encontro de 25 anos de formatura de minha turma de faculdade, momento em que também poderemos rever amigos, contar boas histórias, dar risadas e comparar o jornalismo que se faz hoje com o que fizemos no início de nossa carreira e aquele que imaginávamos que íamos fazer, quando ainda nos bancos escolares.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Tempos de estudante
Caramba, aqui na redação está um calor de 26,4 graus (sei porque tem um termômetro bem à minha frente). Não sei por que desligam o ar-condicionado bem na hora que estamos trabalhando. Falei com minha filha três vezes esta semana e ela está muito contente em sua nova vida. Já está às voltas com livros, xerox de partes dos mesmos, seminários, aquilo tudo que um universitário enfrenta e está achando um barato. O que é ótimo. Quer dizer, até o momento só curtição: cuidar de casa, pegar ônibus pra facu, conhecer gente nova... claro, lembrar-me de quando estava nesse tempo é inevitável. O curioso é ela entrar na faculdade (de jornalismo) no mesmo ano que minha turma completa 25 anos de formatura (eu só fui me formar três anos depois, por conta de reprovações em algumas matérias, mas sou da turma e vou comemorar também, ora!). O bom é que muitos dessa turma estão perto, alguns até trabalhando no mesmo grupo que eu. Agora parece que universidade que cursamos se interessou pela nossa festa e andou fazendo umas perguntas... quem sabe o que pode rolar, um patrocínio? Um livro? Espero que algo saia. Quando a faculdade de Comunicação de lá completou 30 anos houve festa e foi editado um livro, com depoimentos de ex-alunos. Uma boa idéia. Afinal, fomos de uma época boa, a da redemocratização, e a faculdade fervilhava. Foi a primeira eleição da qual Lula participou, como candidato a governador, em 1982, vencida por Franco Montoro. Lembro que houve debates entre os candidatos no salão nobre da instituição. O espírito da época era contestador, fazíamos muita agitação, greve, conseguimos até substituir o reitor, depois da ocupação da reitoria por vários dias, o que suscitou até mesmo envolvimento da polícia. Eu participava daquilo tudo, mas na manha (como se dizia na época), quer dizer, eu não era do diretório acadêmico, nem de nenhum tipo de movimento estudantil organizado, legal ou ilegal. Nesse período ainda estava nos estertores do grupo de teatro Tupi e começávamos a fazer campanha política, pois militávamos em um núcleo do PT em meu bairro e nosso esforço era para eleger os candidatos de uma chapa ampla, que ia de vereador a governador. Emplacamos apenas o vereador, pelo que me lembro. Mas o agito estudantil foi importante, acabamos criando uma cumplicidade entre a turma e outras de outros cursos na instituição e as turmas de 1982 com certeza têm um registro nos anais da universidade. Brigávamos por tudo: reclamamos do diretor da faculdade de Comunicação, queixamo-nos do valor da mensalidade, protestávamos contra a proibição do filme "Je Vous Salue, Marie", de Godard, que foi exibido em uma das salas da faculdade, à revelia (acho que foi esse, mas pode ter sido outro, não me lembro mais), o que provocou uma grande celeuma, pois a instituição é ligada a uma igreja - ah, tô evitando dizer, mas é besteira, é a Metodista, ora, todo mundo sabe onde fiz faculdade. Ah, relatar aqui tudo o que vivi nos tempos de estudante de jornalismo é trabalho para vários posts. Não sei como são os estudantes hoje, mas conhecendo minha filha sei que logo ela estará em alguma aí, pois é pessoa que não se cala ante alguma injustiça ou coisa errada.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Falta de sono, calor, saudade
Estou dormindo muito mal esta semana, média de duas a quatro horas de sono antes de acordar e não conseguir mais dormir. Deve ser o calor. Ou a saudade antecipada de minha filha. Não sei. O que sei é que estava ouvindo umas rádios na Internet e tocaram muitas músicas que me lembraram momentos com ela, de filmes que vimos juntos por exemplo. Deu nostalgia, lembranças de quando ela era pequena e vinha em fins de semana em minha casa e víamos DVDs, ou mesmo filmes na TV, ou íamos ao cinema, ao teatro, a parques, clubes, hotéis, sempre um programa bacana, para não ficar no tédio em casa. Mas mesmo lá procurávamos algo legal para fazer: um almoço bacana, jogos de tabuleiro, brincadeiras como carregá-la como porco e aquela que nunca lembro o nome, que se dá a letra e a pessoa escreve fruta, carro, artista, música. Ou então íamos a mais um show de Sandy & Júnior (perdi as contas de a quantos fomos). Bem, mas não é disso que pensei em escrever, mas de minha falta de sono, que está me fazendo mal, me deixa fraco e feio. Não quero tomar remédio para dormir porque não quero criar dependência. Já sei que vão dizer que é porque fico muito tempo na net e aí não durmo, mas não foi o caso. Esta semana realmente quis dormir direto ao chegar em casa mas não consegui. Vai ver que é porque quebrei a rotina (rs). Bem, capaz que seja o calor mesmo, que faz tomar banho toda hora, e vontade de deitar no chão - mas até o piso esquenta. Para piorar, ainda tem alguém fazendo uma obra em algum apartamento vizinho e o barulho do martelo atrapalha. Para abafá-lo, boto música no último volume. Pelo menos é um barulho suportável. Achei na net uma rádio que só toca Beatles e coisas relacionadas (músicas de cada um em carreira solo e outras que os mencionam), a Beatles A-Rama. E agora só ouço ela, muito boa. Pena que não entendo muito o que os locutores dizem... tenho de voltar ao inglês, caramba. Acho que uma atividade física ajudaria. Mas estou em dúvida entre musculação e yoga. Se bem que muitas academias agora têm os dois. Estou pensando ainda. Tenho medo de começar de novo e em pouco tempo desistir, como tem sido praxe. Bem, hoje já está chovendo, deve refrescar um pouco, isso se não alagar a cidade toda de novo, atrapalhando minha volta para casa. É, preciso resolver logo essa mudança para perto do trabalho, mas está demorando vender meu apartamento. Enfim, nada animador por aqui. Mas a vida continua.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Longe da folia
Se tem uma coisa que eu não aprendi a apreciar tanto quanto futebol é carnaval; simplesmente não consigo me empolgar por essa festa que acho cada vez mais menos criativa e mais comercial - vide a campeã do Grupo Especial de São Paulo, a Rosas de Ouro, que trouxe à passarela um enredo sobre o cacau com patrocínio de uma fábrica de chocolate. Nem vou me estender em considerações, por achar perda de tempo. Ano passado fui a um show das Velhas Virgens que adorei; eles tocaram, além de suas composições safadas, clássicos de velhos carnavais. Foi um show delicioso. O resto dos dias foi em casa mesmo, longe da muvuca. Falar em muvuca, em anos anteriores estive em Salvador e, falem o que quiser, não vi graça naquilo de trio elétrico, achei um som muito repetitivo, um mundaréu de gente a fim de encher a cara e sabe-se lá mais o quê. Sempre preferi viajar, apesar do sofrimento que é pegar uma estrada nesse período. Este ano fui para uma cidadezinha fincada na Serra da Mantiqueira, em Minas, chamada Gonçalves. Ficamos em um charmoso chalé em meio a araucárias, num clima de retiro, com direito a lareira (que não consegui acender - talvez culpa da lenha, verde demais, ou de minha imperícia mesmo), vinho, fondue, violãozinho, muitos DVDs (emprestados de minha filha) e longe de axés, sambas-enredo, poluição, trânsito. Só barulho de sapos, pássaros, vento nas folhagens e de cachoeiras e riachos. Claro que a cidade propriamente dita não fugiu à regra e trouxe seu carnaval, com baile em plena rua, caminhada alcoológica, desfile de homens vestidos de mulher, footbicha (idem, mas jogando bola). E um carro de som botando tudo que não presta que se toca em baladas e carnavais pelo Brasil afora. Enfim, um pequeno sacrifício em nome de não ficar o tempo todo preso entre quatro paredes. Foi um momento de tranquilidade a poucos quilômetros de São Paulo, mas que, confesso, me deu a certeza de que sou mesmo um ser ubano, que não curte muito viver no mato. Ainda bem que havia a cidade para ver um pouco de movimento e gente. Quanto à natureza, adoro, mas para contemplar. As opções de divertimento lá são passeios pela mata para atingir montanhas, cachoeiras ou esportes radicais pelos rios e quedas d'água, além de andar a cavalo ou aventurar-se de moto ou carros 4x4 pelas estradinhas de terra do local. Visitamos quatro cachoeiras, nas quais, por medo de água fria, não nadei, mas gostei de ver e tirar fotos para lembrar. Enfim, um carnaval longe da folia, perto da natureza, para ter a certeza de que é bom sair de vez em quando da civilização, mas com a certeza de que pode-se voltar à ela. E isso também é bom.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Trinta anos da estrela
- Nesse último dia 10 de fevereiro o Partido dos Trabalhadores completou 30 anos de fundação. Eu não poderia deixar de fazer um registro a respeito, uma vez que vivenciei sua formação e até trabalhei para uma administração e para seu diretório nacional. Estávamos nós, do grupo Tupi (Teatro Unido Popular Independente), em plena atividade, na temporada de nossa única montagem, A Invasão, de Dias Gomes (adaptada pelo grupo), quando o Grana, o mais novo da rapaziada, veio me falar da ideia de o "movimento" organizar um partido político, aproveitando a abertura que permitia o fim do bipartidarismo (até então, havia apenas a Arena e o MDB).
- Eu estranhei aquilo, não fui a favor, achei que ia desmobilizar todos os movimentos sociais que havia, canalizados todos para a atividade partidária. Bem, se isso aconteceu ou não, não posso dizer com certeza, mas no microcosmo do qual eu participava vi o teatro desaparecer, e nossos integrantes passarem a ser militantes do partido. Mais tarde, na primeira eleição, em 1982, eu fiz fileira no núcleo que se formou no meu bairro, a Vila Palmares, em Santo André, e fizemos campanha.
- Foi uma campanha bem diferente, com as ilustrações bonitas de Hércules nos muros em vez de pichações comuns, com abordagens de "conscientização" em vez de apenas jogar santinhos e panfletos nas ruas, trazendo pessoas para debates e conversas no núcleo.
- Foi um tempo muito bom; saía da faculdade e ia lá para as atividades, geralmente sempre de noite, para a polícia não pegar (lembre-se, era 1982, a ditadura ainda estava de plantão). Algumas vezes tivemos mesmo de correr das baratinhas (os fuscas da polícia) e largar baldes de cola e cartazes pela calçada.
- Da chapa que apoiávamos, que ia de governardor (Lula) a vereador, conseguimos eleger o vereador do bairro, o médico sanitarista Fernando Galvanese, que viria a ser secretário de Saúde assim que foi eleito prefeito o Celso Daniel, em 1988. Antes, fizemos novamente a campanha de reeleição do Galvanese e ele foi novamente ocupar a cadeira na Câmara.
- Era um tempo até meio ingênuo, pelo menos para mim, novato em política, e recém-saído do Exército, onde a doutrina era de ser contrário a tudo que cheirasse a oposição. O partido, nesse período, era um ambiente de formação política, onde conversávamos com pessoas mais experientes e tarimbadas nos meandros da política, que sabiam tudo de campanha, sementes ali plantadas que depois germinaram e deram no que deu.
- Eu confesso que nunca imaginei que o partido fosse chegar à Presidência, não por incompetência de seus quadros, mas por achar que a ordem estabelecida não permitiria, afinal, estavam aí 20 anos de golpe militar para desanimar. Mas o pessoal era aguerrido e teimoso e realmente acreditava nessa possibilidade.
- 1985 veio confirmar essa possibilidade, com a conquista da prefeitura de Fortaleza, e, em 1988, de outros governos importantes, como os de São Paulo, Santo André, São Bernardo, Campinas e Porto Alegre, entre outros.
- Em 1989 vou trabalhar na Prefeitura de Santo André, na Assessoria de Comunicação, atendendo diretamente a Secretaria de Saúde, cujo titular era, como disse, o Galvanese. Foi uma ótima oportunidade de ver como funciona um governo por dentro e de poder pôr em prática alguma coisa que a militância tanto clamava.
- Foi e é difícil. As forças que atuam na sociedade são muitas vezes antagônicas e nem sempre basta boa vontade para conseguir implementar uma boa ideia. Deu para ver o que é realmente a política na prática, eu que a conhecia até então apenas no discurso e na teoria, apesar de ver como as coisas eram na realidade, no dia a dia.
- Apesar disso, os dois mandatos do Celso consecutivos tiveram muitos êxitos. Em 1995, com a derrota do PT na prefeitura, acabei exonerado, num esforço da administração do PTB em anular o concurso que eu tinha feito e que permitiu minha contratação.
- Voltei a ter contato direto com o partido em 1996, quando fui trabalhar no seu diretório nacional, para atuar no grupo de trabalho eleitoral. Passadas as eleições, trabalhei no projeto de um jornal nacional, o ptnotícias, que acabou saindo quinzenal, quatro páginas em formato standard. Acho que esse jornal nem existe mais, mas foi bom fazê-lo, apesar de todas as dificuldades que enfrentávamos, de falta de pessoal, de recursos. Mas o pior era atender a todas as tendências agrupadas no partido, sempre havia alguém que reclamava da linha de determinada matéria, por mais isento que eu procurava ser. Até o dia que me enchi e saí de lá, em 1998.
- Três anos depois o PT conquistaria a Presidência. Não lamento. Acho que de fora eu pude até acompanhar melhor o partido. O curioso, e que aí sim lamento, é que muitas vezes eu tentava ouvir algum dirigente para uma matéria e era uma dificuldade. O próprio Lula nunca consegui entrevistar lá. Agora, quando fui trabalhar num jornal comercial, esse pessoal falava comigo sem frescura. Até com o Lula cheguei a ter rápida entrevista. É... santo de casa não faz mesmo milagre.
- Bem, a sensação que tenho, passados esses 30 anos, é que o PT que vi nascer e esse que está aí há oito anos no comando do País guardam muitas diferenças, mas também bastante semelhanças. Mas eu também mudei muito minha cabeça, minha maneira de pensar. Nunca fui um radical, sempre um moderado, e esse PT está mais para o que eu sou hoje do que aquele que cresceu com um discurso feroz e visceral, gritando contra coisas que eu nem entendia direito, como Fora FMI.
- Mas, de maneira geral, não me sinto partícipe desse projeto, porque em determinado momento de minha vida optei por guardar certa distância, por não me sentir dentro do perfil de um militante típico ou um quadro partidário.
- Acho que é porque sempre preferi a liberdade de pensar da maneira que quisesse e tinha pouca vontade de defender meu ponto de vista. Ou seja, fui coerente com meu pensamento inicial, quando o amigo falou-me desse projeto que completa agora a terceira década. Então, feliz aniversário, companheiros!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
She's leaving home
Minha filha vai estudar em outro Estado. Um bem longe. São vários os sentimentos que me invadem, vários contraditórios. O principal deles, contudo, é a sensação de que ela cresceu, criou asas, pode andar com as próprias pernas e todos os chavões do gênero.
Isso é bom, mas dói também, porque os pais nunca admitem serem menos importantes para seus filhos que o mundo que os cerca. Quer dizer, ela cresceu faz tempo, mas agora, com essa sua decisão, a ficha cai mais pesada e desnorteia.
Apesar de eu e a mãe e muitas outras pessoas apoiarem, um gosto de tristeza e um amargo na boca são inevitáveis. A gente quer ter por perto sempre, porque quer poder proteger, quer cuidar, quer tomar conta. Não terá mais a comida pronta, casa e roupas limpas. Isso será responsabilidade delas (vai morar com a prima-irmã-melhor-amiga).
Claro que isso é importante para o crescimento, para sua formação para a vida que terá de enfrentar. A gente sabe de tudo isso, mas isso é razão, o emocional não pensa, ele sente. E o sentimento é de que ela vai ganhar o mundo, e espero que a tenhamos preparado o bastante para esse desabrochar. E que o mundo não seja muito cruel com ela.
Fiquei já com essa sensação ao buscar os documentos de inscrição de uma faculdade dela. Ela já às voltas com uma das piores coisas desse mundo injusto, que é a horrenda burocracia. Ela debutando nesse mundo que não dá moleza para ninguém. A sensação de que a gente não a poderá proteger de tudo nesse mundo é angustiante.
Por mais que tenhamos dado a ela todas as condições de enfrentar as agruras que há, no fundo queríamos sempre mantê-la na redoma indevassável, imune à selvageria que há lá fora. Mas sabemos que é necessário esse crescimento, esse enfrentamento para que aprenda a viver. E, claro, sempre estaremos por perto e a postos para qualquer necessidade mais difícil, ensinando a pescar (outro chavão inevitável).
Mas eu tenho certeza de que essa sua experiência fará dela uma cidadã mais consciente ainda do que é, que agregará conhecimentos, fortalecerá seu espírito, endurecerá o couro, ganhará muito mais do que aquilo que poderíamos dar, porque os pais nunca podem dar tudo. Damos as oportunidades, agora cabe a ela agarrá-las e fazer o melhor que puder. Nunca esquecendo de ser justa com todos, de ser honesta, de ser amável, tudo isso que ela já é e que vai saber dosar para que não seja ludibriada pelas más intenções que imperam por aí.
A gente cresce sempre às próprias custas, mas o aprendizado é sempre melhor quando há quem acredite na gente e não há empecilhos. Nesse ponto, julgo que estamos, eu e a mãe, agindo certo: jogando-a no mundo sem rede de proteção, mas com a certeza de lhe ter dado musculatura e equilíbrio suficientes para agarrar o trapézio e dar seu show, pois o aplauso é garantido. Boa sorte meu bebê.
Isso é bom, mas dói também, porque os pais nunca admitem serem menos importantes para seus filhos que o mundo que os cerca. Quer dizer, ela cresceu faz tempo, mas agora, com essa sua decisão, a ficha cai mais pesada e desnorteia.
Apesar de eu e a mãe e muitas outras pessoas apoiarem, um gosto de tristeza e um amargo na boca são inevitáveis. A gente quer ter por perto sempre, porque quer poder proteger, quer cuidar, quer tomar conta. Não terá mais a comida pronta, casa e roupas limpas. Isso será responsabilidade delas (vai morar com a prima-irmã-melhor-amiga).
Claro que isso é importante para o crescimento, para sua formação para a vida que terá de enfrentar. A gente sabe de tudo isso, mas isso é razão, o emocional não pensa, ele sente. E o sentimento é de que ela vai ganhar o mundo, e espero que a tenhamos preparado o bastante para esse desabrochar. E que o mundo não seja muito cruel com ela.
Fiquei já com essa sensação ao buscar os documentos de inscrição de uma faculdade dela. Ela já às voltas com uma das piores coisas desse mundo injusto, que é a horrenda burocracia. Ela debutando nesse mundo que não dá moleza para ninguém. A sensação de que a gente não a poderá proteger de tudo nesse mundo é angustiante.
Por mais que tenhamos dado a ela todas as condições de enfrentar as agruras que há, no fundo queríamos sempre mantê-la na redoma indevassável, imune à selvageria que há lá fora. Mas sabemos que é necessário esse crescimento, esse enfrentamento para que aprenda a viver. E, claro, sempre estaremos por perto e a postos para qualquer necessidade mais difícil, ensinando a pescar (outro chavão inevitável).
Mas eu tenho certeza de que essa sua experiência fará dela uma cidadã mais consciente ainda do que é, que agregará conhecimentos, fortalecerá seu espírito, endurecerá o couro, ganhará muito mais do que aquilo que poderíamos dar, porque os pais nunca podem dar tudo. Damos as oportunidades, agora cabe a ela agarrá-las e fazer o melhor que puder. Nunca esquecendo de ser justa com todos, de ser honesta, de ser amável, tudo isso que ela já é e que vai saber dosar para que não seja ludibriada pelas más intenções que imperam por aí.
A gente cresce sempre às próprias custas, mas o aprendizado é sempre melhor quando há quem acredite na gente e não há empecilhos. Nesse ponto, julgo que estamos, eu e a mãe, agindo certo: jogando-a no mundo sem rede de proteção, mas com a certeza de lhe ter dado musculatura e equilíbrio suficientes para agarrar o trapézio e dar seu show, pois o aplauso é garantido. Boa sorte meu bebê.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Tocando em frente
Acho que estou melhorando. A vida me exigiu um pouco esses últimos dias e resisti bravamente. Em outras épocas, cairia de quatro, mas agora estou, além de erguido, com toda a esperança e otimismo que uma pessoa pode acumular. Sinal de que estou fortalecido, o que é muito bom, para mim e para os que estão ao meu redor. Aos que provocaram dissabores em minha vida, sinto muito, mas seu objetivo não foi alcançado. Estou feliz e pronto para tocar em frente. E é só, por hoje. Bebeia, meu anjo, você é demais, seu brilho estará sempre além de tudo. Grande beijo do papai. Sábado matamos a saudade.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O espírito de uma nação
Não sou crítico de cinema, nem literário, nem teatral, tampouco comentarista político, econômico ou de qualquer outra área. Sou apenas um editor que tenta fazer bem seu trabalho e que tem curiosidade pelas coisas, como todo jornalista tem de ser. Esse blogue foi criado para expor minhas impressões sobre as coisas que me passam diante dos olhos, uma maneira de ter um registro dos meus pensamentos, dividindo essas impressões com quem porventura venha a ler esse site, possibilitando uma troca de ideias. Então não sei analisar quando um filme que assisto tem qualidades técnicas ou artísticas "x" ou "y". Até poderia arriscar tecer algum comentário nesse sentido, acho que talento para tal todos temos, pois senso crítico é artigo comum em mentes que pensam. Bem, depois desse narigão de cera vamos ao que interessa. Assisti a "Invictus" nesse fim de semana. O filme, dirigido por Clint Eastwood, trata do trabalho do então presidente da África do Sul Nelson Mandela (Morgan Freeman) de tentar unificar o país por meio da canalização das paixões para o time local de rúgbi, torcendo para sua vitória no campeonato mundial da modalidade em 1995. Para isso ele leva sua experiência de tenacidade, tolerância, capacidade de perdoar e de liderança ao capitão do time, François Pienaar (Matt Damon), que acaba levantando o moral da equipe, superando o ainda presente preconceito e levando-os à vitória, após dura partida contra os maoris da Nova Zelândia. Bem, não vou ser condenscendente. O filme tem falhas, a principal dela é o tom piegas e triunfante dado, o que o deixa até um pouco panfletário. Mas, como não sou crítico, como disse, me deixo levar pela emoção e destaco o excelente trabalho de ator de Freeman, encarnando de fato Mandela, um personagem complexo e emblemático. Damon também se sai muito bem e transmite emoção, se bem que pouco se vê das nunces de seu trabalho de liderança. O pano de fundo são os primeiros anos de administração de Mandela, que dão uma ideia mas não aprofunda muito as questões fundamentais da transição do apartheid para o regime de convivência sem hostilidades. Há, claro, cenas que dão uma ideia de como eram as coisas, mas senti falta de uma abordagem mais detalhada. O importante é que o filme traz à cena essa figura importante na nossa história, que deve ser conhecida por todos. Agora, se houve alguma estratégia por conta da Copa do Mundo, a ser realizada na África do Sul este ano, não sei. Pode ser exagero de minha parte.
Outra reflexão que o filme me traz é sobre a importância do esporte para grandes parcelas da humanidade. Eu, como todos que me conhecem sabem, não me ligo muito em futebol e outras modalidades esportivas. Sigo a Copa do Mundo por uma questão de espírito coletivo, talvez patriotismo. Mas não entendo nada de regras, jogadas, os termos específicos, nada. Só tenho vaga ideia. Quando tinha de fazer plantão na editoria de Esportes no Diário do Grande ABC sofria, passava apuros, mas no final a matéria saía, pois, afinal, sou pago para isso. Mas chega a me surpreender como esse negócio empolga multidões, gera paixões exacerbadas, move até vidas, além de ser um empreendimento muito lucrativo. Mas tudo isso para mim é mistério, pois não tenho dentro de mim o sentimento de amor que invade um torcedor e que o faz agir como um alucinado a cada movimento de seu time de coração. Por isso me tocou como um país inteiro mobilizou-se para levar seu time adiante e vê-lo conquistar a taça. E Mandela sabia disso e viu aí uma forma de levar adiante seu projeto de unificar o país, superando o odioso preconceito que por anos perdurou no país. Assim vejo como esse tal de esporte é coisa séria, mas daí a eu sair torcendo e indo a estádios tem um longo caminho, talvez nem queira dar o primeiro passo. No entanto, ganha meu respeito.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Um grande amigo, uma grata surpresa
Mencionei em um post recente minha dúvida se esse blog teria algum leitor. Recebi, com alegria, manifestações de leitores fieis, que me deixaram bastante feliz. Agora, depois disso, soube de outros tantos, minha filha Isabela inclusive, e isso dá uma felicidade e uma responsabilidade, que é a de manter a coerência e alimentar periodicamente esse site, o que tento, mas muitas vezes falta assunto, e para mim falta de assunto não é assunto. Agora, não podia imaginar que meu amigo João, que há uns dez anos mora nos States e que não vejo acho que há uns cinco, seria um desses leitores. E não é que ontem ele me encontra no MSN e, logo em seguida, me liga, dizendo que leu o blog? E, para melhorar, se emocionou com a leitura. Eu sei por quê. É que o grande João é protagonista da maioria das histórias que relato aqui, pois no começo dos anos 80 estávamos juntos em todos aqueles movimentos de que comecei a tomar parte. E ele tornou-se, como todos os demais daquela época, grande amigo meu e de todos. Éramos uma verdadeira comunidade, com ideias e ideais comuns, atitudes conjuntas, diversões em parceria. Lembro que, quando ele e Cris se casaram e foram morar em Fortaleza, fomos junto, aproveitar a lua-de-mel deles para conhecer Canoa Quebrada (na foto, ele aparece atrás de mim, sobre meu ombro direito). Foi uma viagem, para mim, triste, pois tive de interrompê-la devido à morte de minha mãe, mas a semana que passamos juntos lá foi inesquecível. João sempre foi um dos mais articulados e curiosos da turma: sua sede de aprender e de conhecer era notável. Uma pessoa determinada e que não se curvava às evidências. Metia-se onde queria e saia-se muito bem em todas as empreitadas que iniciava. Ouvi-lo, depois de tanto tempo, e saber que a nossa história ainda o comove, é um bálsamo e a certeza de que aquilo tudo que fizemos valeu a pena. Se não mudamos o mundo, como queríamos, pelo menos cultivamos amizades que vencem o tempo e o espaço e, mesmo que não nos vejamos mais com tanta frequência como naquela época, o coração está sempre aberto para lembrar de cada um deles e, de repente, pegar no telefone e dar aquele alô. Isso faz um bem!
(P.S.: a amizade com João e todos os outros do Juba, Tupi, PaJu e JOC também está fazendo 30 anos.)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Zilda Arns: imprescindível
A morte da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, é um profundo choque, em meio à grande tragédia que já é a calamidade que abateu sobre o pobre Haiti e que vitimou não se sabe ainda quantas pessoas. Dona Zilda estava lá, em missão humanitária, como tantas outras que abraçou em sua vida. Não a conheci pessoalmente, mas todas as vezes que a ouvi ou li na mídia deu para perceber a sua seriedade, sua bondade e desprendimento. Uma pessoa que lutou a vida toda pelos menos favorecidos, e que por isso se torna um dos seres humanos imprescindíveis, como conceitua o poema de Bertold Brecht. O destino realmente é gozado: como que pode essa coincidência de ela estar naquele local exatamente no dia em que acontece esse terrível terremoto? Creio que é a vida, mesmo, que explica. Afinal, o Haiti é um dos países mais pobres do mundo e uma pessoa benemérita como dona Zilda não poderia estar em outro lugar nesse momento. Uma grande perda, sem dúvida.
Um fim de semana agitado
Esse fim de semana foi agitado. Fiz um monte de coisas. Tirando as férias, havia tempo não tinha um fds com tanta programação. Acho que gostei da experiência e pretendo repeti-la: não mais ficar trancado no apartamento, se bem que vez em quando é bom um resguardo, para ler, tocar o violão, ouvir discos novos e antigos, escrever, ou ficar com minha filha contando a ela as histórias que ela quer conhecer. Bem, mas esse fim de semana eu saí com a Ana Isabela. Fomos na sexta-feira ao show do Del Rey no Studio SP, na Augusta. É um pessoal de Pernambuco que toca músicas do Roberto Carlos de uma maneira muito legal, uma pegada bem rock e um ritmo mais frenético. Fica muito bom. A casa estava lotada, difícil de se movimentar lá, mas com jeitinho dava para ir ao banheiro e ao bar pegar uma cerveja (muito cara, aliás, como é nesses locais). Os caras tocaram por mais ou menos duas horas, tendo começado por volta de 2h, apesar de estar programado para a 1h. A baiana Pitty deu o ar da graça e cantou uma música com o China, o vocalista da banda. Muita gente jovem, mas eu não me senti tiozão não, apesar de o ambiente ser meio fora do que eu costumo frequentar. Mas gostei; se rolassem uns eletrônicos sem cérebro eu chiaria, mas a picape soltava só MPB de boa qualidade, coisa interessante pra caramba!
No sábado, uma chuva torrencial desabou sobre São Bernardo (acho que por todo o Estado também) bem na hora que íamos ao cinema. Bom que assim que estacionamos o temporal parou, e só ficou uma chuvinha fina. Depois de degustar um festival de carne em um restaurante rodízio, fomos ver o Lula, O Filho do Brasil. Há algumas coisas a se falar dessa obra de Fábio Barreto. Como cinema, é excelente. Tem uma boa história, personagens marcantes, intérpretes de altíssima qualidade, ótima carga dramática, ou seja, uma história para se assistir e sair de alma lavada. Mas não se pode resumir à discussão cinematográfica. Sem entrar no mérito das críticas que o acham eleitoreiro (só digo uma coisa, não acho; ora, desde quando Lula precisaria de um filme para se eleger para qualquer coisa, e tem ainda que ele não é candidato a nada no momento), pois bem, sem entrar nesse mérito, eu penso que o filme romanceou demais a vida do homem que se tornou o presidente do Brasil e deixou a política um pouco de lado. Eu, sinceramente, preferiria que se fizesse um bom documentário sobre o fenônemo Lula, porque justificaria, afinal, raros são os homens que tiveram ou têm a trajetória dele. As gerações atuais, pessoal na casa dos 20 a 30 anos, talvez não compreendam bem o que significa essa figura, e um bom documentário ajudaria a entender não só o homem, mas também o país. Não é o momento certo? Ora, para cinema, o momento é o da vontade e da oportunidade de seu realizador. Acho que nesse ano final de mandato, quando o correto seria se fazer um bom balanço dos dois mandatos de Lula, o filme vem a calhar, mas, insisto, seria muito melhor um documentário, não uma ficção "baseada em fatos e personagens reais". Mas gostei do filme, porque ele dá uma mostra pequena dos fatos que forjaram esse homem singular. Como não poderia deixar de acontecer, emocionei-me muito com as cenas de fábrica, de greve, as assembléias, passeatas. Lembrei-me, inevitavelmente, das coisas que já mencionei quando falei pela primeira vez do filme: meu tempo de milico, o medo de ter de enfrentar a peãozada, considerando minha família ser constituída por operários, muitos de montadoras e outras metalúrgicas. Aí depois veio à lembrança o período posterior, quando eu já estava metido nesses movimentos, apesar de não ser metalúrgico, mas bancário. Mas participávamos do fundo de greve, que visava arrecadar grana para o pessoal poder comer enquanto estava em greve e o salário não era depositado. Até aprendi, porque quando chegou minha vez, fiz greve com convicção no banco, aliás, uma greve de nove dias vitoriosa, que ganhou até apoio da população, que não imaginava que nós éramos tão explorados (vai ver o pessoal via a gente lá de gravatinha e as meninas todas pintadinhas e bem-vestidas e achava que ganhávamos muito bem!). O chato foi que na segunda greve eu já era cargo de confiança e dancei, mas esta é outra história. Eu vi diversas vezes o Lula nas assembléias da Vila Euclides, e o ator Rui Ricardo Diaz representa direitinho a voz e os trejeitos do líder sindical. Só ficou mal aquela mão meio virada para simular o mindinho decepado. Agora o Lula marido eu sei lá, não posso acreditar em um Lula tão romântico daquele jeito, tão doce com as esposas... Sei lá, a impressão que tenho, das vezes que tive contado pessoal com ele, é de que ele é não grosso, mas um machão como muitos homens de sua geração. E há ainda a omissão de seu envolvimento com a Miriam Cordeiro, aquela usada por Collor em 1989 para desacreditá-lo. Miriam é mãe de Lurian e disse que Lula sugeriu que abortasse, depoimento dado em horário eleitoral que abalou muito a candidatura do Lula. É mesmo incompreensível essa omissão. Quanto ao Lula doce, bem, acho que quiseram mostrar que, diante de um pai como o dele, decidiu ter um comportamento diametralmente oposto com as mulheres. Faz sentido, mas não vejo verosimilhança. Mas faltou explorar mais o lado político, expor a formação política do Lula, porque lá limitou-se a apontar cenas de injustiça que ele presenciou e a gente tem que supor que foi isso que trouxe-lhe a consciência política. Ora, todos sabem que ele era um quase alienado antes de assumir uma diretoria no sindicato, que seu ingresso nesse mundo foi por meio de seu irmão Frei Chico. Ou seja, o filme não explica o fenômeno. Será que é porque não há explicação? Mas é um bom filme, repito, que vale a pena ver e que valeu a pena ter sido feito.
No domingo, novamente no cinema, para ver Avatar, de James Cameron. Vimos a versão em 3D. Uma perfeição, diversão garantida. Um roteiro convencional, a eterna luta dos fracos contra os poderosos gananciosos que querem explorar as riquezas minerais de um planetinha perdido no espaço. Mas os efeitos visuais são de tirar o fôlego. O filme mistura atores com animação e o resultado é de cair o queixo. É diversão pura, cinema hollywoodiano na essência, e um campeão de arrecadação, conforme dizem os jornais. Os efeitos de terceira dimensão também são perfeitos. Ele lembra um pouco do Era do Gelo 3, ao misturar dois mundos, no caso deste, a selva é habitada por seres vindos diretos da nossa (da Terra) pré-história e ETs e seres estranhos, como cavalos com cabeça de tamanduá e seis patas. Aves com quatro olhos.. É engraçado. Valeu o preço do ingresso, e também é altamente recomendável.
No domingo, novamente no cinema, para ver Avatar, de James Cameron. Vimos a versão em 3D. Uma perfeição, diversão garantida. Um roteiro convencional, a eterna luta dos fracos contra os poderosos gananciosos que querem explorar as riquezas minerais de um planetinha perdido no espaço. Mas os efeitos visuais são de tirar o fôlego. O filme mistura atores com animação e o resultado é de cair o queixo. É diversão pura, cinema hollywoodiano na essência, e um campeão de arrecadação, conforme dizem os jornais. Os efeitos de terceira dimensão também são perfeitos. Ele lembra um pouco do Era do Gelo 3, ao misturar dois mundos, no caso deste, a selva é habitada por seres vindos diretos da nossa (da Terra) pré-história e ETs e seres estranhos, como cavalos com cabeça de tamanduá e seis patas. Aves com quatro olhos.. É engraçado. Valeu o preço do ingresso, e também é altamente recomendável.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A crise dos 30
É estranho, mas aos 48 anos, que completei em maio passado, os 30 anos são constantes em várias coisas na vida. São quase 30 anos que comecei a faculdade de jornalismo, 30 que comecei a trabalhar com constância, 30 que servi à Pátria como soldado, 30 que conheci uma galera e uma ideologia que mudaram minha maneira de ver o mundo, 30 que tive a primeira namorada que se pode chamar disso, quase 30 que perdi minha mãe, 30 que fui tio pela segunda vez, 30 que comprei o primeiro carro. Nossa, quanta coisa a gente faz por volta dos 18 anos! Por isso essa data dizem que é o ingresso na vida adulta. E a garotada parece que resolve tirar o atraso e fazer tudo de uma vez (estou falando de meu tempo; hoje as coisas são bem mais ligeiras). E ao olhar para trás me dá uma certa coisa, não sei explicar. É como se dar-se conta da passagem desse tempo fosse algo que a gente evita. Mas não há mesmo como evitar. O que procuro é não ficar pensando muito nisso. Porque se pensasse ia começar a fazer um balanço, achar que fiz coisas que não deveria, e coisas que deveria e não fiz. Ou seja, a reflexão que todos fazem. Tenho a favor disso que a experiência que se ganha é algo que não há paralelo. E a gente pode compartilhar isso com os mais novos, não para guiá-los, mas para orientar, mostrar se estão indo bem, mas sem impedir que voem com suas próprias asas. Errei muito, claro, e é por isso que posso ensinar. Aliás, é para isso que quis - e ainda quero - fazer mestrado. Acho que ensinar é uma obrigação de qualquer um que aprende algo, que vive uma experiência. Saber guardado é saber perdido. E o saber também se alimenta da retroalimentação (o tal feed back), daquilo que o ensino traz ao próprindo professor (ou mestre, ou orientador, qualquer coisa). Eu quando era vice-coordenador do grupo de jovens da igreja de meu bairro gostava de pegar algum trecho da Bíblia e discutir com o pessoal, para a gente entender junto, não eu vir com meu entendimento pronto e fechado. Sempre gostei de discussão, de debate, de troca de idéias. E acho que assim todos se nutrem do saber. Detesto quem vem com as ideias prontas e não aceitam visões divergentes. Tive muitos professores assim. Acho que dar aula é uma sequência natural de minha carreira. Não que eu saiba muito de jornalismo, mas 30 anos de vida profissional dá uma retaguarda que quem gosta de aprender pode usufruir. O problema é a timidez, mas isso se resolve. Então penso que essa crise dos 30 pode ser melhor resolvida se aproveitar esse tempo de estrada para tornar o fardo das novas gerações mais leve - ou mais pesado, dependendo do que a pessoa, pessoas forem fazer com isso. Espero que em 2011 eu possa estar fazendo aqui um balanço de minha experiência como professor, ou ao menos como aluno de um curso de mestrado. Ou, pelo menos, como escritor, porque essa também é uma forma de expandir o conhecimento. Escrever um livro é um projeto antigo, mas ainda não cheguei a um consenso sobre o tema. Aceito sugestões (sem sacanagem).
Assinar:
Postagens (Atom)








